quinta-feira, 28 de novembro de 2013

ALMA GÊMEA

Por que você se perdeu, e nasceu longe de mim,
querida alma afim?
Por que fizestes isso conosco,
se poderíamos ser namorados eternos
em todos os horizontes?
Por que me fizestes isso?

Por que fugistes de mim?
Por que me deixastes solitária
procurando para sempre
a outra parte de mim?

E por que, agora, apareces
se já não me reconheces?...

Solineide Maria - às 06:50 (28-11-2013)
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DESEJOS PARA QUEM FOI EMBORA

Quero que seja feliz.
MUITO FELIZ.
E quero que tenha uma dúzia de filhos.
Quero que, com eles,
você cresça e apareça.
Quero esquecer o passado:
que não nos fez bem.
E, quando for bem velhinha,
bem velhinha,
bem velhinha,
MUITO VELHINHA
quero poder dizer
AMÉM.

SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA
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PRECE EM FAVOR DE UM AMOR SEM CARNE



Meu Deus,
meus deuses:
que possamos amar quem amamos.
Que possamos amar se amamos...
Que possamos amar sem posse,
sem dor,
sem pose...
Que possamos esquecer a CARNE,
que possamos esquecer a CARNE,
que possamos sobreviver sem CARNE...

Meu Deus,
meus deuses,
ajudai-nos a sermos diamantes lapidados
e amar sem ter que pegar...
Sem precisar tocar,
sem querer ser possuidor.
Meu Deus,
meus deuses...

SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA

ABERTURA

"Você penetrou
em minha alma,
de posse de todas as senhas".
Nem foi preciso entrar
nem foi preciso.
Você penetrou
em minha alma
como um pensamento bom;
livrando-me do tormento
da dor de um apagamento.
Você penetrou
em minha vida
e fez jorrar esperança
em forma de sentimento.

SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA
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A FELICIDADE NÃO MENTE

Vê?

A felicidade não mente,
olhe para mim.

Sente?

Consinta que sente.

Sente-se,
vamos conversar.
Não se defenda do bem que te entrego.

A felicidade não mente.

SOLINEIDE MARIA

A enxurrada

A enxurrada de gente escoa para o metrô.
Cada pessoa uma gota, de esperança, sobretudo, mas esperança é bicho frágil...
A enxurrada de esperança escoa para o metrô, desce os degraus,
entra nas frestas que as levam para lugares diferentes.
Cada gota vai prum canto, mas sozinhas, dispersadas, perdem o encantamento e a força.
Cada gota separada, não diferencia nada, tornam-se coisas egoístas, pensam apenas em regar suas plantações de sonhos, querem um rio inteirinho para si, não olham a gota de esperança vizinha, desidratando.
Gotículas separadas não sopesam, não compartilham.
Juntas, elas compartilham?
Naquela embarcação moderna, elas compartilham?
Compartilham as frestas, ou estão ali porque estão, e pronto?
Perde a graça aquela enxurrada, quando escoam para lugares ímpares.
Então, a inutilidade da multidão em que se transformam, deixa uma dúvida pertinente, que atravessa o meu dia: _ É uma enxurrada de esperança, ou de egoísmo?
A enxurrada tem força que nunca saboreou, não do jeito mais sublime, dar e receber amor.
Nisso vem e vão-se os dias, anos, séculos...e a enxurrada sem coragem de amar, de ser amada. Compreende pouca coisa, apesar de antiga e gasta.
Há, no entanto, o dia em que essa enxurrada descobrirá, não a força que ela tem, mas a força que não sabe aproveitar.
Há de chegar o dia dessa enxurrada escoar para lugares dispersos, mas com a força multiplicada.
Há de chegar o dia dessa enxurrada compreender, que gotícula separada não carece ser gotícula egoísta e quando notar a gotícula vizinha, desidratando, doar um pouco de si, água-esperança das boas, porque água-esperança doada é de melhor qualidade.
Esse dia há de chegar, porque repetir história tem limite.
Amor é que não cansa, e amor, não é história repetida, é história incompreendida.
Nesse dia, as gotículas não precisarão de embarcação. Terão comum entendimento. Por isso, saberão sozinhas, embora não egoisticamente, seguir por frestas e vincos, levando sossego, porque o terão de sobra. Sopesando a vida, regando onde já exista, e encharcando tudo de paz e de amor.

SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA
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DEIXA FLORIR I

Eu não quero saber se demorou,
Você chegou.
Isso é o que há,
isso é que importa.

Deixa em paz.
Deixa florir.
Sorri para mim.
Tire proveito da felicidade.

SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA

DEIXA FLORIR II

Chegou.
Está aqui.
Então
deixa em paz.

Foi tão bom aflorar assim.
Parece que foi agora.
Qual nada.
Você sabe
o tempo que a gente se perdeu...
Quantas bocas,
quantas mãos,
quanto desperdício de tudo.

Mas eu não quero mais saber!
Você chegou!
Isso é o que há!

Deixa em paz.
Deixa florir.
Sorri para mim,
Tire proveito da felicidade...

SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA
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CURUMIM II

Um homem branco enfeitiçou
meu coração de menina-curumim.
Agora, eu não sei se a chuva,
se as árvores,
ou se o rio,
mas hoje, esse homem branco,
não saiu de dentro
do meu pequeno coração indígena.

SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA

CURUMIM I

Um menina-curumim gostou de mim.
Olhou-me e disse assim:
_ Sim, quero você,
homem branco.

SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA

ROGATIVA




 Abraça-me como quem nunca sentiu
um corpo de mulher em suas mãos.
Abraça-me como quem está febril,
mas firme como quem sabe do amor.
Abraça-me como se pudesses ser
o nobre Baltasar da minha vida.
E como se eu pudesse ser pra ti
uma forte e corajosa Blimunda.

SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

DO LIVRO: A "poeta" amorosa de SOLINEIDE MARIA DE OLIEVIRA

III

Agora que sinto amor
Sinto outras coisas.
Outras coisas que eram para serem
Mas não eram, porque eu não sentia o amor.
Sinto o cheiro de toda a primavera,
Sinto o odor das ruas,
Sinto o cheiro do amor das andorinhas
Sinto o cheiro do amor dEele.
Eu sei que tais cheiros (e odores) existiam,
Mas agora que sinto o amor
É diferente:
Eu não preciso olhar pra ver.
Não preciso cheirar para sentir.

AUTORA: Solineide maria de Oliveira.
LIVRO: A "poeta" amorosa (2014).
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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

LONGE

Longe é aqui mesmo,
dentro...
Quando a vontade de partir
não obedece à fraqueza
de arrumar as malas
do esquecimento... Solineide Maria

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

AMOR DE PASSAGEM

Quero um amor de passagem,
para me levantar o moral.
Um amor de passagem,
para arrumar meus cabelos.
Para fazer um café e tomar comigo.
Depois, juntos,
ouvir o som do silêncio.
Sabia que o silêncio é som?
Um amor de passagem
que nem uma casa de passagem...
Que nem uma choupana para pescadores
descansarem...
Que nem uma Casa Polar...
Depois,
melhorada,
dexarei(ia) uma oferenda
em agradecimento ao conforto,
consolo,
cuidado,
amor de passagem...

SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA

DA POBREZA DO POETA



O poeta sofre feito todo mundo.
Mas sofre mais...
Porque as palavras lhe identificam mais
(as coisas).
O poeta sofre muito...
Muito...
MUITO...
Talvez , o poeta tenha vindo de um planeta menor...
Tem mania de grandeza (o poeta);
tem mania de miudeza (o poeta).
ÀS VEZES, O POETA NÃO TEM NADA,
NADA,
NADA.
ABSOLUTAMENTE NADA...
Por isso escreve.

SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Poeminha em primeira pessoa feliz!

Eu rio...
Eu mar...
Eu lagoa.
Eu piscina:
eu na boa!


De Solineide Maria para Myla, Ana Beatriz e Mylena
(alunas do oitavo ano DECISÃO).

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

DE UMA BETE PARA OUTRA

Bete querida; 
Uma noite de choro é companheira da paz que virá. Virá... Tem de vir, porque senão é melhor ir atrás de um caminhão de lixo. Poxa... Sabe Bete... Estou perdendo tempo. Isso me incomoda bastante, mas é automático... 
Não me considere, por isso, uma total idiota, só metade idiota ok? Porque saiba de uma coisa: estou alerta. Os sinais me indicam final de tonteira à vista. Até me apaixonei novamente, mas o moço me deu o fora antes de ficar interessado. 
Veja que ridículo Bete, que situação mais desonrosa, para quem, nesse momento, não poderia ser afastada (novamente). No entanto, estou firme...
Um dia um psicólogo vai descobrir de que síndrome estou afetada... Uma amiga disse que se trata da “síndrome do vira-lata”. 
Você acha Bete? Acha que tenho indícios de cão sem dono? De um cão que procura uma casa, que em verdade, nunca existiu? Achei poética essa síndrome... 
Olha só Bete, acho que o intelectual Schopenhauer tinha razão quando disse que “as grandes dores fazem com que as menores mal sejam sentidas e, na falta das grandes, até o menor desgosto nos atormenta”. Será que não?... 
Será que por falta de sofrimento de verdade, tenha criado essa tormenta inútil, da perda de um bem, em verdade nunca fora meu... Nunca quis ser?... 
Será que não estou a fazer de mim, prisioneira de uma história que não chegou a acontecer?... 
Schopenhauer é uma dessas figuras emblemáticas da Filosofia. Conheci esse "monstro", porque me meti a escrever sobre a solidão e o amor... Leia-o! Peça por internet, o preço é bastante accessível. Talvez o encontre até em pdf, ele já morreu há muito, então, virou domínio público... Ficarei por aqui. 

Agradeço sua última carta. Lembrou-me de umas coisas boas e belas: a amizade, a consideração, a preocupação de alguém por outro... Essas emoções que nos deixam mais dignos de sermos denominados humanos... 

Um abraço apertado Bete querida. 
 De sua xará, BETE.


Escrito especialmente para minha afilhada AMADA Luísa!!! 
Dedico à Flora.

sábado, 9 de novembro de 2013

A MAIS SOLTEIRA ENTRE AS SOLTEIRAS

O homem estava solteiro. Estava solteiro e sozinho na festa... Estava bem, bonitão, vestindo uma calça jeans e uma camisa branca, toda branca. Disse-me que gostava de boa música e boa conversa. Disse-me que andava meio em baixa, mas estava, agora, bem melhor. Disse-me que estava mais alegre, depois de um tempo em baixa... Havia "perdido" um amor. Falamos sobre muitas coisas. Também eu lhe contei sobre amargores e amarguras, mas não nos fixamos nessas dissertações expositivas sem proveito. Ele me ofereceu um guaraná e aceitei. Depois, com olhar inquieto (olhava as mulheres), confessou-me que olhava para ver. Sorri. Lógico que olhamos para ver. Quem não o faz. Ele disse que acontece. Concordei. Alguns olham e nunca veem (eu estaria nesse contexto?). Preocupei-me... Ele perguntou se estava bem, pois saí dali por um minuto, acho. Respondi que sim. Perguntei o que estava procurando, ele se abriu dizendo que procurava "a mais solteira, entre as solteiras". Sorri baixinho... O que seria isso? Não lhe perguntei. Pedi licença e saí de perto de sua presença. Bom título de livro, mas que tipo de conteúdo? Talvez uma narrativa sobre o que buscam os homens... Lembrei dos livros de Hilda Hilst (solicitados via internet). Vontade de ler Hilda Hilst... "Como se te perdesse, assim te quero". Que poema lindo! Que escrita autêntica. Não o encontrei mais na festa, acho que eu não era "a mais solteira entre as solteiras". 


SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA

TALVEZ OUTRO LIVRO: Texto avulso para as perdas, os danos, os encontros e despedidas.

Poema sem palavras

Um poema nasceu pela manhã. Com um jeito de velho, esquecido. O assunto, confuso, frouxo, escuso, mais do que esquisito. Assunto desses que parece não fazer sentido. Um poema nasceu de manhã cedo. De um parto de um sono mal dormido. De um sono do medo do cansaço, de não ter muito feito e vivido. O poema, meu Deus, não disse nada. Feito quando a gente sente e não diz palavra. Feito quando sabemos a razão e a boca não fala.

SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

HERANÇA REJEITADA

Minha herança não lhe interessava...
Pouca coisa: um tamborete, 
um pote de barro,
no caso de enfeitar a mesa com flores...
Uma moringa, uma cabeça longe... longe...
Em busca de declarações de amor
que nunca me fizestes...

Minha herança não te interessava:
uma menina de porcelana com longos cabelos
pretos... Muito pretos.
Uma conta bancária quase zero,
um terreno acidentado sem escritura.

Não te interessava meu corpo pequeno,
(apenas quando estavas com fome).
Meu corpo não te fazia nenhuma diferença
( a não ser quando estava nu).
Muito menos minha alma poderia te interessar...

Por isso detestavas as palavras escritas
e faladas.


Solineide Maria

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

AMARELA



De cor se vive e se eterniza! 
A voz na mão fica possível... 
A primavera é toda vida! 
 A cor é tão fundamental, 
enche de paz qualquer janela... 
De vez em quando é tão total
feito essa aqui, toda AMARELA!!(

Solineide Maria
para Fabrício e sua flor amarela.

domingo, 3 de novembro de 2013

PELA ENÉSIMA VEZ

Você quer se casar comigo? Ela perguntou pela enésima vez àquele homem que não dizia nada. Ele desconversou pela enésima vez e forrou a cama com um lençol que apanhara no armário. As pontas não conseguiram se adequar ao colchão e, como sempre, ela adequou-as, fixando bem devagar o elástico às bordas daquele colchão familiar. Ele perguntou (feito sempre) quer tomar banho? Ela respondeu... Não. Ela silenciou e sentou-se no sofá que dava para uma TV antiga, mas de imagem boa. Ela ouviu pela enésima vez a água caindo, depois de algum tempo de silêncio (ele tinha passado 10 minutos no vaso). Ele gritou que a água estava boa... Ela sorriu baixinho, chorando. Pensou em sair sem dizer nada. Mas ficou (pela enésima vez). E pela enésima vez fez sexo. E pela enésima vez levantou-se, tomou banho e esperou que ele acordasse para levá-la de volta para casa. No caminho se perguntava pela enésima vez por que fazia aquilo. Por que não acabava com aquilo ali... Por que não estudava Psicologia como a vidente havia sugerido... Ela não tinha respostas. Apenas perguntas. Outro dia, depois do sexo, na cama, ele disse que queria uma TV 90'. Ela respondeu que queria uma casinha, um cantinho, ter mais um filho, talvez... Ele já estava roncando... Pela enésima vez ele respondia o que queria, mas pela enésima vez ela não quis ouvir... 


Solineide Maria (Livro meu, em sua trigésima página - "Por que você ainda faz isso com você?")

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Chuva e café



Você há de lembrar
(um dia)
daquele beijo todo festa.
E, de noite,
antes de dormir,
pedirá à Santa Teresa
(protetora dos poetas e poetisas)
que guie minhas mãos
e minhas pernas,
na direção da paz...
Essa paz que a chuva agora
(pela janela)
lembrou-me...
Você há de desejar minha felicidade
(um dia)
e fará preces ansiosas
à Nossa Senhora dos Que Desistem de Ficar...
para que tudo o mais que me ocorra
seja glorioso e santo.
E há de lembrar com saudade
dos banhos de balde...
E há de lembrar com saudade
dos cafés da tarde
(adoçados com a leitura de vários poemas inéditos)...
Mas nesse tempo
(que breve chegará)
já estarei MUITO BEM...
Já estarei tão bem,
mas TANTO,
que suas preces não serão
(mais)
necessárias...
AMÉM.


Solineide Maria
(para quem PREFERIU lavar as mãos).