quarta-feira, 31 de agosto de 2016

O SILÊNCIO AMOROSO DE JESUS

Tão bonito o silêncio de José. Tão imenso. Tão Divino.
Imagino José recebendo a explicação do Espírito a lhe esclarecer sobre a vinda de Jesus a partir do útero de Maria.
E me emociona perceber que o silêncio de José ali se fez para sempre. Acolheu as palavras de Gabriel e ofereceu, suponho um chá. Para momentos grandes uma bebida calmante cai bem.
Mas José estava tra...nquilo na presença do Espírito Mensageiro.
Suponho que dissertaram sobre os acontecimentos vindouros e trocaram presentes.
José deu à Gabriel um porta espadas de madeira. Às vezes os Anjos usam essas ferramentas contra os espíritos recalcitrantes.
Gabriel adorou o presente e ofertou a Pedro um tecido onde poderia envolver-se, outro para envolver Jesus e mais um para envolver Maria, quando fosse necessário.
"Tecidos Divinos"... o Anjo explicou.
Depois da troca das prendas, os dois apertaram as mãos e se abraçaram. Despediram-se e antes de sumir na estrela mais alta José disse a Gabriel, alegremente: "Gabriel diga ao Pai que estou honrado em ter Este filho. Saber passo a passo da relação à alegria do parto... Cuidado pela mulher, que a todo nós segura".
Uma luz muito linda cobriu aquele carpinteiro poeta.
E o tão amoroso silêncio de José, o pai carpinteiro de Jesus, protegeu Seu filho e Sua Esposa, silenciosamente, para que Jesus pudesse cumprir a História da semeadura do Amor no Planeta Terra.

Solineide M. De Oliveira do Patrocínio Rodrigues.
19/03/2016

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Toda leitura tem preço


Toda leitura tem preço

ou 

O preço da leitura nA Menina que roubava livros.



Solineide Maria de Oliveira

Aluna da UESC - Bolsista CNPq



Professora Dra. Patrícia Pina

Orientadora



Sugere-se que cultura e leitura estão caminhando juntas há algum tempo – senão, quase todo o tempo. A vida parece tomar melhor significação quando vira palavra escrita: Liesel, protagonista do romance A Menina que roubava livros sugere saber disso.

Ser uma das linguagens com que é possível compor o mundo bastaria.

Bastaria? Não se pode concluir definitivamente. A evolução do ser humano supõe estar imbricada na evolução da escrita. E no que diz respeito a quem sabe mais, o homem ou o livro: existiriam controvérsias.

Quando lemos a narrativa de Marcos Zusak, nos deparamos com uma menina que não estaria qualificada para a escrita: “Desde seu aparecimento, a escrita exigiu profissionais qualificados, de que são exemplares os escribas egípcios, figuras que, apesar da origem plebéia e do anonimato em que foram mantidos, gozavam de privilégios”. (LAJOLO, Marisa; ZILBERMAN Regina, 2001, p. 25)

Liesel, nossa pequena escritora, ainda não sabia ler, nem escrever. No entanto, tal infante escreve sua própria história, e sugere ser tão boa, que a Morte gosta, se emociona, guarda e eterniza. Boa autora mesmo, dir-se-ia: conseguiu seduzir a Morte para sua leitora principal.

A construção de uma sociedade, logo de pessoas, tem muito mais a ver com leitura do que se supõe. Seu aterramento igualmente. Não à toa, Liesel procura construir sua própria leitura – sozinha. Escolhendo, tateando as palavras – improvisando possíveis entendimentos, afinal, toda leitura tem preço e

Tudo se traduz, transcreve, simplifica, banaliza, complica, recria, transcria ou transfigura. Nada permanece a primeira e única visão, nem para o autor, nem para o leitor. Cada leitura, assim como cada escritura, pode ser, simultaneamente, tradução e recriação. Quem lê, assim como quem escreve, está simultânea e necessariamente traduzindo, buscando significados, recorrendo a significantes, em busca dos sons e sentidos, ritmos e formas, cores e vibrações.

(LAJOLO, Marisa – ZILBERMAN – Regina: 2001: p. 11)

Talvez por isso, Liesel escreva sua própria história, porque inconscientemente ou magicamente já o sabia. E escreve com tinta, folhas reaproveitadas de um livro que não lhe serviria. Um livro que guardava um discurso do qual ela não consagraria jamais.

Necessário que “se sinta o gosto amargo das perguntas” (ZUSAK, 2007, p. 338) melhor ainda, quando tais indagações são fruto de nossas próprias opções – ou falta delas.

Faz-se necessário também saber que nem toda leitura é doce resposta. Às vezes – ou muitas vezes – é número vencido, “é grupo de trabalhadores envolvidos na produção de livros” (LAJOLO, Marisa; ZILBERMAN Regina, 2001, p. 26). Talvez, poderíamos expor à pequena leitora Liesel, que tudo tem preço. Saiba cara menina escritora, que o livro percorreu longo caminho até encontrá-la na guerra daquele pulha. Muitos outros idiotas existiram:

Na Inglaterra, por exemplo, a rainha Maria Tudor, em 1557, concedeu, por intermédio de carta-patente, a exclusividade de impressão aos membros da Stationers’ Company, que, conforme Roger E. Schechhter, “dependiam do favor da Coroa inglesa para sua existência, de modo que somente publicavam materiais que não ofendiam as autoridades reais” (...) (LAJOLO, Marisa – ZILBERMAN – Regina, 2001: p. 26)

Até você chegar a ler querida menina Liesel, aí nesse outro mundo terrível, já muito livro teria sido queimado. Outros foram escritos na intenção de se eternizarem cânones. Alguns o foram, outros não, mas quem disse que apenas os canônicos são boa literatura? Saiba que até você, pequena Liesel, saber “ler aquele livro horroroso das sepulturas, de olhos fechados” (ZUSAK, 2007, p.52):

Na França do século XVII os escritores não tinham independência financeira, tendo de recorrer ao clientelismo ou ao mecenato. Alain Viala anota que “o fenômeno da clientela é banal no século XVII e em redor de personagens ricas e poderosas, reúnem-se indivíduos ou grupos que se colocam a seu serviço em troca de diversas vantagens”. (LAJOLO, Marisa – ZILBERMAN – Regina, 2001: p.34)

Esta infante corajosa, roubadora de livros e encantadora da Morte conseguiu bastante. Conseguiu aprender a ler, escrever, produzir seu próprio texto (discurso), tudo isso ou sozinha, ou com a ajuda daqueles que realmente a amavam. Antes “não apenas o universo étnico ficava limitado: os livreiros também eram penalizados quando divulgavam gêneros proibidos” (LAJOLO, Marisa; ZILBERMAN, Regina, 2001, p. 37).

Sempre ocorreram, no entanto, os que escrevem boas obras e aqueles que não o fazem (a exemplo do Mein Kampf). Outros escrevem obras divinais, que agradam inclusive a leitora Morte. No mundo, parece, sempre houve dessas e de outras.

Sobre o autor, o que verificamos é que em geral esteve na mão de outros, “o reconhecimento de que o autor do texto é o dono da obra e que esta propriedade, tal como qualquer outro objeto de valor, pode ser transmitido a outrem tem conseqüências dignas de nota”. (LAJOLO, Marisa; ZILBERMAN, Regina, 2001, p. 59).

Os poetas também deram preço à suas poesias, “na exposição franca e direta do interesse do poeta em ganhar dinheiro, quebra-se um dos mitos da tradição literária ocidental, ruptura responsável pelo bom humor e originalidade dos versos”. (LAJOLO, Marisa; ZILBERMAN, Regina, 2001, p. 79).

Dessa forma, o ideal seria imitar a pequena Liesel: escolher nossas leituras, ler, mas cautelosamente, porque “as palavras pesam muito” (ZUSAK, 2007, p.368) e um livro, você sabe, é uma obra que pode ser “tão medonha e tão gloriosa, e ter palavras e histórias tão amaldiçoadas e tão brilhantes”. (ZUSAK, 2007, p.382)



LAJOLO Marisa; ZILBERMAN Regina. O preço da leitura: Leis e números por detrás das letras. 1ª edição. Rio de Janeiro: Ática, 2001.




MENSAGEM


Estamos do teu lado todo o dia. Não temas as agruras da jornada. Estás mais amparado do que pensas, segue em paz e caminha armado de pensamentos positivos. Não seja o primeiro a piorar a situação que te afliges. Seja sempre o primeiro a rogar as bênçãos e a diminuição das dores. Estás amparado, não duvides. Acalma teu coração e segue em frente. Tua estrada é mesmo a retidão. É sofrido mesmo andar desarmado das armas da competição que tanto o mundo manifesta afeição. Não ouças as críticas, não seja detentor de mensagens que não te ampliará o caminho por Jesus iluminado. Anima-te e segue e segue e segue, e segue. Jesus é o teu amparo, o que mais queres? E nós como ele estamos trabalhando.
Alaor
(Escritor Espiritual)

terça-feira, 9 de agosto de 2016

A TOCHA BRASIELIRA... (ATOCHA DIARIAMENTE)

A Tocha quem carrega,
é o povo...
Todos os dias...
mas ele se esquece
quando consertam um trecho
de uma capital
para uma festa...
Nem lembra que falta pão...
Esquece que falta ÁGUA...

O povo também,
apaga tochas naturais...
Ai, ai... Brasil...

A Tocha da indiferença à Saúde,
quem apaga?
A Tocha da dignidade
na Educação
quem acende?

A grande Tocha acesa
no ......... do brasileiro pobre,
trabalhador,
professor,
do médico no Hospital Geral do RJ.
quem apaga?
Quem pagará
esse show (nem tanto assim...)
durante 10 anos???????????????????????????????????????

( Poema de SOLINEIDE M. DE OLIVEIRA DO P. RODRIGUES)

sábado, 6 de agosto de 2016

Românticos…. Realmente são uma espécie em extinção…


Soa tão prematuro o desencarne do compositor, cantor e intérprete, mas, sobretudo, do POETA, VANDER LEE….

Apresenta-se como um gênero de apagão…. Daqueles grandes…. Daqueles no qual ficamos com medo e pensamos que o Mundo vai acabar…

O que se pode dizer é que ontem houve mais um grande blackout de sensibilidade, no Planeta Terra.

Para aqueles que não conheciam seu trabalho: meus pêsames. Entretanto, também posso consolá-los, porque a poesia dele ficou, para que possam conhecer e desfrutar da sensibilidade de um moço de 50 anos, brasileiro, mineiro, simples, discreto, mas extraordinariamente emotivo.

Talvez por causa da sensibilidade, tenha desencarnado por culpa de um enfarto… Os sensíveis sofrem disso, de alta atividade do coração…

Isso não é defeito, não… Nunca…

Essa capacidade de sentir tudo de modo maior, isso, de sentir antes e de sentir sobremaneira, é qualidade. Porém, existem os perigos iminentes, num mundo onde a poesia tem perdido para a vulgaridade…. Desse modo, enfartar é um dos perigos que os românticos mais sofrem…

Podem até “manchetear” stress, mas o stress também é efeito sofrido pelos sensíveis…

Embora tenha passado tão rapidamente pelo Planeta Terra, o poeta Vander Lee deixou cânticos que nunca vão morrer. Jamais. Registro cânticos, porque canções parece não denominar a poesia desse rapaz.

Talvez, querer entender a insensibilidade, tenha lhe deixado muito cansado e contribuído para esse desenlace tão fugaz… Talvez…

O apagão de sua ausência Vander Lee estimado, será sentido agora e a partir de agora. Porque muitos terão acesso à sua poesia, infelizmente (…e, felizmente), apenas, a partir de agora… Exatamente nesse momento, no qual seu Espírito já foi para outra expedição poético-astral. Rogamos que, para uma Morada, onde Deus possa lhe ouvir de mais perto…

Talvez você tenha razão…. Românticos sugerem ser uma espécie em extinção…

Em minha “desimportante” opinião: românticos, são, realmente, uma espécie em extinção. E isso soa como uma completa (e pesarosa) realidade….


Luanda, Planeta Terra - 05/08/2016

 (Com carinho…

De Solineide Maria de Oliveira do Patrocínio Rodriques
Para Vander Lee).


terça-feira, 2 de agosto de 2016

O FERRO-VELHO DO AMOR


As coisas sem importância
são as que mais me chamam
atenção.
Gosto,
muito mesmo,
delas...
Um botão desencontrado,
um desenho amarelecido,
esses pequenos pedaços de papeis,
jogados no fundo da gaveta...
De todas as gavetas...

As coisas mais desprezíveis:
uma tesoura cega...
Aquele batom rejeitado,
por qualquer motivo...
Uma história escrita com amargor,
mas bela...
Sapatos velhos...
Todos os tipos de
sapatos gastos...
O amigo mais quieto,
o mais franzino...
A colega menos amada,
e a mais calada...

Sobre amizades tenho tomado
uns goles amargos...
Tenho sentido que o Status
afasta os amigos...
Mas eram amigos?
Duvido...

O que menos importa
me importa...
Talvez por ter um espírito
ainda
desajustado
àquilo que chamam de
perfeição...


Para Flora.
(assinado: mamãe
Poema de Solineide Oliveira Rodrigues)
Luanda em 03 de Agosto de 2016.