terça-feira, 30 de agosto de 2011

COISAS URGENTES

Precisamos abraçar nosso filhos
e amigos de nossos filhos;
e ensiná-los a brincar de pega-pega,
bola de gude,
subir em árvores...

Precisamos aprender a ser gente.
Gente que se preocupa (de fato),
que quer ajudar (de fato),
que não quer sugar o que disse ter doado.
Perecisamos...

Precisamos ser "dignos de entrar em outras moradas".
De fato.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

DE AGORA EM DIANTE

De agora em diante,
Uma flor basta.
Um verso já dá conta...
Um poema inteiro é luxo!
De agora em diante,
Acho que meia palavra basta...

domingo, 28 de agosto de 2011

A casa de Paulinho

A casa de Paulinho tinha um portão
nhenn, nhenn! Era assim o barulho dele.
Preguiça de abrir e fechar,
preguiça de fechar e abrir...

A casa de Paulinho tinha uma cozinha
toda vermelha:
fogão, mesa e geladeira!
A gente se esquentava comendo bolinhos de chuva...

Era tão bom ver paulinho (quase gay)
e a mãe dele dizia: Isso são modos menino?
Ela já sabia... e o amava.
E Paulinho era amado por todos!

A casa de Paulinho era quentinha,
e cheirava a bolinho de chuva,
e acolhia a gente, quando saíamos do CEI,
a gente ficava na sala, vendo O Incrível Hulk!

Hoje a casa de Paulinho não existe mais,
fisicamente.
Virou um desses prédios sem graça,
com muitos apartamentos pequenos...

Nunca mais o portão,
nunca mais as velhas e largas janelas,
nunca mais os bolinhos de chuva.
Nunca mais Paulinho...

TEM QUE SER AGORA PROFESSORA?

Uma menina me falou assim:
tem que ser agora professora?
Eu quase respondo
que  essa coisa de hora, 
de tempo,
são temas muito relativos...

Mas ela tem 10 anos,
e eu não podia (ou devia?)
falar sobre essas coisas,
ali,
naquele dia,
onde queria que as horas de outro dia,
d'outro tempo,
não tivessem chegado a termo...

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

TECLAS MACIAS E PESADAS PALAVRAS

As letras macias escorregam nos dedos
Lampeja-me uma ideia:
Escrever.
Escrevo sobre...
Deixa ver...

Sobre as letras pesadas
Dos jornais? Ai, ai...
Meninos de 8 anos,
Drogados, roubando,
Matando...

São letras pesadas demais.
Palavras repugnantes,
Infância perdida...

Letras macias (essas do teclado)
Para escrever sobre
pesadas informações...

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Aniversário

O tempo de amar passou
Foi quando vi no espelho
A moça que antes fui,
A moça que hoje sou.


O tempo, não sei...
Quem sou?
Restou de mim algo meu,
Além dessas mãos caladas?


Há quanto tempo não sei
De mim, de ti,
Do horizonte
Das tardes ensolaradas?


O tempo aprendeu a ser,
Eu não sei se sou ou finjo
Não sei se agora escrevo
Ou persisto...


O tempo me achou aqui
É mais um ano de estrada
É mais um tempo de mim
Num mundo cheio de farsas...


Esparsas, escassas, estraçalhadas
Alminhas que procuram redenção.
Eu vou junto enquanto há tempo,
Quero amar, quero o perdão...




sábado, 20 de agosto de 2011

Diário de um dia qualquer

Chego em casa, uma carta e uma cobrança.
Abri a cobrança, a carta é para me abraçar,
abro depois.
As notícias são de violência e corrupção,
e o final da novela é anunciado mil vezes...
as pessoas ainda caem nessa.


Desligo a TV e abro a geladeira:
suco de manga, arroz e frango,
escolho tomar banho.
Volto para o quarto e me enxugo,
boto um moleton e sento na cama,
no espelho, um rosto que demonstra nada.
Sem nenhuma expressão, esse rosto agora,
ali, no espelho.
Faço umas caretas e sorrio, só para discontrair.


Sento para tomar café, não quero ouvir música,
nem nada.
Fecho a porta e as janelas,
certifico-me das trancas:
abro a carta.


Saudades do meu amigo que diz que
faço falta.
Abraço o papel e suspiro.
Tomo o café que esfriou e lembro de você,
que não esqueci durante o dia.
que não saiu de mim durante a noite,
que sempre ficará, latente,
latente,
entrando, nunca saindo,
nos versos e reversos de mim.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Depois de ter você

O que se diz quando o dia aparece em cores novas,
nunca antes experimentadas?
Meus olhos estão agora sem saber para onde olhar,
para onde ir...
Cadê a sua mão?
Para onde vai você depois de amanhã?
O desassossego da pressa em responder perguntas
que se fazem sozinhas...
Onde você esteve tanto tempo?
Olhar o quê depois de ter  você?
Desenhar paredes invisíveis,
sonhar com lugares nunca dantes imaginados.
Fazer o quê, depois de ter você?

Para os quase-amores. Este poema estava escrito desde 1992.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

O tempo que amava você


O tempo que amava você
Era perfeito, era real.
Folhas brincavam no meu quintal,
Enquanto em você me aquecia.

Mas foi tão curto o tempo da alegria
Passou, voou, horas e dias...
Não sei do que se fantasiou
Aqueles instantes de fantasia.

O tempo agora passa arrastado.
Prende meu rosto nesse quadrado
Que mostra “a vida besta meu Deus”
De uma pessoa que em vão nasceu.

Esse tempo sim que é real
Pisa e faz pachorra de minha sala
Ri e ainda bebe do meu café.

Eu, que nada sei e nada tenho,
Escrevo umas besteiras no papel
Enquanto o sono tarda nas estrelas.

Meu Deus, que sinto agora?


Meu Deus, que sinto agora?
O que, nesse momento vem
E se assenta na sala
De minhas emoções?

O que é essa vontade,
Que me faz esquecer razão
Prudência e paz
Em face de um olhar?

Que devo fazer para amparar
A pouca força de não sucumbir,
De não atar ao elo do porvir
A face de algum ressentimento?

Meu Deus velai por minhas emoções!
Mas devo confessar minha fraqueza
Minha incapacidade em lutar
Quando ouço a voz da delicadeza.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Sonho-pesadelo

Eu tive um sonho que acordava sem a poesia
E me atirava, louca e demente a procurá-la!
Feito um cego, muito aturdida cambaleava.
Chorava louca! Igual menina desesperada.

Seguia assim, já algum tempo,
Sem sul ou norte.
Dentro do peito uma angústia me consumia
Pobre coitada, pela magia abandonada...

Estava presa num labirinto frio e assombrado
Às vezes urros e alguns gemidos de longe, ouvia.
Fiquei com medo e roguei logo à Virgem Maria,
Que me acudisse naquela hora de agonia.

Vi uma luz surgir no escuro, clarão azul.
Varreu com força, tremendo tudo na escuridão!
Senti a paz invadir logo meu coração
Era a poesia toda ornada num manto anil.

Para Professor Clinio Jorge

domingo, 7 de agosto de 2011

ODE À ODILON





Poeminha para Odilon ou
Tentativa de Ode para Odilon 
(a foto é de 2007/IIIsemestre)

Ó de longe olhava a Torre,
O Bosque e a sala.
Nada sabia de mim.
De longe também a luz,
A fé, a força e a cruz
Da falsa sabedoria, se riam de minha pena.

Eis que a luz então se fez,
Estava bem ao meu lado,
Voz de assombrar cristão.
Era Odilon, professor,
Amigo, homem e Doutor.

Criatura que traduz
O que se diz que é ética.
E eu que de longe cismava
Olhando a Torre e o mais,
Ouvi de Odilon a pista:
A Torre é para ser tomada.

Estudai pequena criatura,
tens na sacola algum talento,
força a cabeça mais um pouco,
verás que podes bem mais.
Odilon querido Mestre,
venho aqui agradecer e oferecer
sinceramente, minha feliz gratidão.

Obrigada Odilon, 
Doutorando da humildade.



Ainda não graduei, mas está perto. Acho que em Setembro deste ano (2011). Um abraço meu amigo professor!

POEMAS SÉRIOS SOBRE VISITAS EM OUTRA DIMENSÃO - II Poema

Quando saí daquele muito feio lugar
bêbada quase, e com feridas muitas no pé
vi uma moça que me olhou e a falar
não parou mais: acho que era Lou Salomé.


Ela me disse que ali não tinha mais proteção
Que o fim de tudo não era fácil,
Nãor era não...
Aconselhou-me a não parar e me salvar.


Fiquei tristíssima com tal infeliz visão.
Como alguém pode chegar àquela situação?...
Sentei cansada, para descansar um pouco
E vi um Anjo a me olhar num tom jocoso.


Ele sabia de minhas dúvidas (Anjos lêem pensamento)
Mandou-me uma reflexão por pensamento:
Não julgues minha irmã, estás aqui...


Olhei para ele e envergonhada, consenti.
Amarrei um farrapo nos pés,
Tomei mais fôlego e trôpega, segui.

POEMAS SÉRIOS SOBRE VISITAS EM OUTRA DIMENSÃO (SERÃO 12 POEMAS A PARTIR DESTE)

Abracei Dante, dialoguei junto ao sopé.
Fiquei com Nietzsche, Che Guevara e Baudelaire.
Dancei com Freud que discorria com o velho Sartre
Ouvi sorrindo as idéias de Mallarmé.


Afortunada me encontrei com o Neruda,
Rilke me disse que não ficava bem a ser puta.
Ouvi Clarice me aconselhar a ser feliz,
Seguir a luz que Santo Agostinho me indicava.


De longe vi duas mulheres a me acenar:
Charlotte Brontë, Florbela Espanca
Deu pra notar.


Siga adiante menina ingênua, não peques mais
Segue pra frente, que o inferno
É ruim demais...

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

MORTE AO CONTRÁRIO


Ficar alegre com a morte de alguém é triste, mas fiquei. Não com a morte da pessoa, que deixou filhos (ingratos, mas filhos), marido ingrato, mas marido é agregado, então não é tão surpreendente, e deixou mãe. De todos, sua mãe é que sentirá orfandade, afinal, viveu oitenta anos para ver sua filha morrer.
Pensando friamente, a vida é feia, sombria e ingrata. No entanto, se percebermos a poesia que há (houve) de essa filha vir de longe para cuidar da mãe adoentada por sequela de um derrame, e, acabar falecendo perto de sua mãezinha de cabelos brancos, a gente agradece a Deus (para aqueles que acreditam em Deus). Para os que não creem em Deus, no mínimo, devem perceber que houve algo de metafísico nesse engenho da fatalidade.
Se assim não fosse, essa mulher teria morrido perto dos que não a consideravam, vejam vocês, eles nem quiseram vir para o enterro... Um alegou não ter dinheiro, o outro, alegou tê-la avisado muitas vezes sobre seus desmazelos com a saúde frágil... 
Ter vindo cuidar de sua mãe idosa e adoentada, foi uma espécie de “presente Divino”. É como se Deus tivesse lhe dito “Vai minha filha, morrer perto de sua mãezinha que lhe ama”.
O choro dessa mãe na madrugada fria acordou a vizinha em frente, depois, a vizinha da esquina foi avisada, em seguid minha mãe, e, de repente, estavam todas aquelas mulheres, vizinhas remotas, reunidas no passeio em frente de sua casa. Também eu fui ter com elas, aquele momento solidário. 
Senti tristeza, mas alegria, porque ensimesmada fiquei pensando essas coisas que narro agora, simploriamente, no corpo desta folha branca; branca como brancos são os cabelos de Nenzinha, minha antiquíssima vizinha.
Pensei também que essa tenha sido uma morte ao contrário. Pois que esperamos todos, sermos nós (mães e pais), os que viajem para "o além", antes dos filhos. No entanto, a vida é o mistério de não entendermos o que muitas vezes se apresenta muito óbvio, ou justo. Ainda que temporariamente estejamos com olhos e ouvidos fechados...
Ficar alegre com a morte de alguém é triste e não fiquei, entendam. Fiquei confortada em saber que o corpo de uma filha foi velado pela mãe, e, antes disso, foi cuidado com amor, por sua mãezinha de cabelos alvos na altura de seus oitenta e tantos anos. 
Um provérbio conhecido diz que “Deus escreve certo por linhas tortas”. Eu penso que ele não precise de linhas nem margens para desenhar o amor e a morte. Mesmo que pareça uma morte ao contrário.

Para a vizinha mais antiga da Rua Bela Vista no Bairro Mangabinha neste momento tão difícil...
Para Nenzinha, com carinho.
De "minha moça" como me chama afetivamente por tantos anos...