segunda-feira, 29 de outubro de 2012

PADARIA I (para Fernando Pessoa)

Não sou nada 
não quero ser nada. 
Se um dia chegar a ser eu mesma 
já está muito bom.


Solineide Maria

De ser PEQUENO e de ser GRANDE

 Uma formiga muito pequenina, dessas que anda na pele das plantas, por cima da mesa, catando farelinhos de pão, viajou para a floresta para passear. Ficou por uns dias na casa da tia que se chamava D. Formigona. 
Na verdade, D. Formigona era muito pequenina, feito a formiguinha pequenina, mas era tão poderosa sua mordida, que logo inchava o local onde ela dava sua dentada. E tem outra coisa: D. Formigona era muito autoconfiantequarentonizada e se dava muito valor. Sempre aconselhava a formiguinha pequena e tristonha que devia se animar, pois ela era uma Criação Divina, quer melhor que isso? Sempre a assegurava. Porém, não tinha jeito, a formiguinha não se entendia com o seu tamanho e com sua força reduzida e com suas dificuldades pela terra. Grandes pedras para escalar, altas folhagens para vencer... 
Eis que num dos seus passeios pela floresta, a formiguinha encontrou um velho leão, descansando em suas terras. Tomou coragem e foi até ele. Aquele animal enorme, com grandes jubas bonitas, para perguntar sobre tamanho e força. Venceu o medo e chegou às barbas do velho leão. Berrou alto para que ele ouvisse: _ Sr. Leão, pode me responder uma coisa?! _ Sr. Leão! 
A voz fininha, esganiçada, longe... Mas o Sr. Leão ouviu, enfim e perguntou: 
_ O que me perguntou senhorita formiguinha?
_ Sabe me dizer por que eu tinha que ser tão pequenininha? Queria tanto ser grande? Com um rosnado de gato grande, o Sr. Leão riu alto e disse: 
_ Ora... Todos somos de um jeito. Uns são grandes, outros pequenos. Veja o Senhor Hipopótamo, ENORME! Você pensa que ele não passa sufoco, com aquele tamanho todo? Todos têm suas limitações, mesmo que sejam gigantes. 
A formiguinha parou por uns instantes, ficou com ar reflexivo. Ficou assim muitos minutos, enquanto o Sr. Leão arrumava sua juba. Depois desse tempo de reflexão, a formiguinha abraçou um fio daquela juba e para agradecer a lição daquele velho leão. 
A "pequena" voltou contente para a casa de sua tia D. Formigona, a repetir com firmeza: 
_ Sou pequena, mas sou uma cria grandiosa. 

De Solineide Maria Para Flora Maria 19/07/2008

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

PARA JESUS! O NATAL QUE NOVAMENTE SE ANUNCIA!


 
Jesus: desculpa-me essa roupa assim puída...
e essas mãos cansadas de quase nada,
essa sala embrulhada em medo e inglória
por tantos sonhos meus amarelados.
Sei bem que esta
que vos escreve,
deveria ter melhor cadeira 
para ofertar-lhe,
mas olha...
Senta aqui nesse banquinho,
concebido por meu pai
que foi carpina,
era assim que o chamavam 
na empresa...

Toma esse café forte e cheiroso,
foi minha mãe Menino do meu peito,
que preparou cedinho, 
antes de sair
para o Posto pedir uma Consulta...
Faz meses que estamos dividindo
essa quase impossível empreitada...

Por que me fitas tanto 
e em tanto silêncio?
Ai desculpe, 
deve ser por causa desse pão...
Hoje em dia os pães são só fermento...

Desculpas é o que mais tenho ofertado,
mas olha, meu coração não faz teatro.
Acolhe minha família em Suas mãos:
tem um cunhado meu, 
é professor...
vive aturdido em meio às cobranças...
Oh Senhor, deixa que ele experimente
maior progresso financeiro...

Para meu irmão só agradeço.
Ele sabe que nesse momento,
agradecer é mais que ficar quites
com a graça de ter visto a luz
de novo... adentrar em seu coração choroso.

Ampara o meu pai 
e a minha mãe 
que me suportam...
Pois com a idade que tenho 
nas costas
já era tempo de ser tutora deles...
Mas ainda sou filha...
A mesma, quase, de quando
Viestes ao mundo.

Agradece à minha mãe
todo desvelo,
toda atenção e toda caridade,
todo amor e toda rigidez...

Ampara a saúde dos meus irmãos
de sangue
e de amizade.
De casa e do Centro.
E do Colégio Senhor,
pois somos todos
(somos MESMO),
todos irmãos.

Sabe minha filha...
Querido Santo
das mães aflitas?
Está melhor e 
mais autoconfiante!
Sei que a Espiritualidade agiu
em fazer-lhe sentir que o AMOR
é bálsamo que cura,
que cativa,
que encoraja!

Este ano foi duro...
mas com Vossa
presença a dor
é menina que não brincou
na infância.
A dificuldade financeira
é teste para nossas ambições 
por vezes desmedidas.
A solidão acompanhada
é prova para entender
o que de fato fortalece
uma alma desnutrida...

Ai Jesus que delícia de perfume...
Essa flor é mesmo para mim?
Obrigada Senhor, 
meu Doce Irmão!

Ainda é cedo, 
fica um pouco mais
aqui.

O Menino Jesus sempre sereno,
Acolheu minhas mãos em suas vestes
E me disse em palavras muito sóbrias:
_ Ama, ama...
seja sempre uma casa para o Amor.
Sejam suas palavras luz e chama. E que neste Natal todos entendam,
definitivamente que a vida, 
deve ser presente para o próximo. 
Dessa maneira minha filha, torna-se essencialmente ocupação em construção
da verdadeira vida.

Ouvir voz tão serena, 
em palavras de alto
garbo 
deixou-me sem palavras
e num gesto,
só pude oferecer-lhe 
o coração...
Inebriado de paz
por visita tão Alta 
e tão Sublime.


Solineide Maria de Oliveira
25/10/2012
(certamente cheia de inspiração Espiritual)

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Senhor, receba por enquanto apenas esta prece...

Ainda não sou gentil, 
não tanto quanto gostaria... 
Ainda elevo a voz, 
ainda eriço a testa, 
não calo, calo, calo. 
Ainda não sei não dizer. 
Ainda não sei usar as palavras certas... 
Os vocábulos me traem... 
No entanto Senhor, 
Tu que sabes que lá no fundo 
guardo o melhor de mim: 
o vestido mais bonito 
(embora puído), 
a sandália mais simples e confortável 
(ainda que gasta), 
o anel mais polido 
(apesar de latão inútil). 
Abraça-me apertado 
quando observardes que 
estou prestes a desistir 
do melhor que há em mim.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Reencontro

Hoje a luz me revisitou: 
escancarou as janelas, 
abriu a porta 
(para que eu colocasse o lixo na rua). 
Fez café e me desejou bom dia 
(quando fui para o Colégio...).
Da esquina
dava pra ver seus cabelinhos ruivos, 
com luzes nas pontas, 
acenando com aquelas mãos 
cor de azul-infinito.

Solineide Maria de Oliveira

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Aqui

Não se distancie demais
posso perder tua face.
Fique por perto...
Não saia sem avisar.
Não esqueça de dizer
que está na sacada:
ando muito esquecida,
posso desesperar...
Fique aqui,
aqui, bem aqui:
dentro de mim.

Solineide Maria
AGORA:
eis o momento exato
para viver feliz
de fato.

Solineide Maria

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

AMIGÃO

Um cachorro sujo e velho parou perto de mim. Olhou-me. 
Parecia que falava sem palavras: olha só que situação a minha... Meu primeiro pensamento foi o de sair de perto dele, afinal, estava limpa (será?) e meu destino era o de uma entrevista para emprego. Já pensou, chegar fétida e com semblante melancólico? Tinha de chegar lá, com ar de quem vira um passarinho colorido: cheia de vitalidade e disposição para crer que “todos somos iguais perante as oportunidades”... 
Não sei bem o que me fez ficar ali parada perto daquele ser que, ao que parecia, esperava a morte. Doente e velho, cansado e só. Sua vida tinha sido boa antes da doença, pois portava uma coleira onde se podia ler: AMIGÃO. Era seu nome? 
As letras eram bonitas, caracteres que pareciam esboçados para ele. Estrelas rodeavam o nome e, no final, tinha uma frase em letras menores dentro de um pequeno coração que dizia: para sempre. Quando li o nome e fiz a investigação do resto da coleira, quedei-me triste e sorumbática. Assim também se faz com os humanos... O cão me olhou como perguntando: precisava chover mais? Em verdade empacara ali para passar a chuva insistente e, no momento em que parecia cessar, veio mais torrencial. 
Já havia esquecido a entrevista empregatícia e nem sabia se acreditava em “amizade”. Nem de bicho para bicho, nem de homem para bicho. Quedei-me melancólica...
A chuva insistia e, em dado momento, aquele cão começou a tossir forte. Primeiro foi um “atchim” descomunal, depois ocorreu uma sucessão deles e, ao cabo o pobre abandonado, já não conseguia ficar de pé. Abateu-se deitado, com os olhos extremamente afligidos (procurando alguma fisionomia familiar?). Estávamos apenas nós dois no ponto de ônibus. Ele me olhou como quem dissesse: vela-me na minha morte? Meu Deus! Comecei a cantar a Oração de São Francisco numa carência de voz que parecia teatral, mas não era... 
Não sei se por estar muito impressionada com o sofrimento daquela criatura, ou se por acreditar que São Francisco é o Deus mais humano entre os Santos, tanto, que ampara até os bichos, percebi o cão começar a respirar fundo. Respiração de quem queria agarrar novamente o suspiro inicial da vida. Aquele que engrena toda ela... 
Lembrei de minha mãe, que tem uma simpatia descomunal pelos bichos sofredores. Pedi à Santa Teresa que apoiasse aquela criatura (ela era poetisa), os poetas entendem desses momentos (e de outros)... Solicitei a assistência de Chico Xavier, ele que amava os bichos e os tinha como irmãos menores. 
Enquanto improvisava preces por aquele ser, não me dei conta de que já o estava acariciando a cara: alisando as orelhas caídas e cobrindo-lhe o corpo cansado e doente com um jornal (que havia comprado para ler enquanto esperava ser chamada na tal entrevista). Ele me olhou com olhos em lágrimas – juro – e como quem parecia dizer muito obrigada, sorriu com suas feições de cão, durante o seu último suspiro.


Solineide Maria de Oliveira
São Paulo - Vila Guarani - 2002

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Compreendi...

A prova objetiva
 tem o objetivo 
de debilitar
seu objetivo.


Para Marise Limeira (companheira de provas objetivas...rs)

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O POETA JESUS

Ele me olhou com olhos de amor,
abraçando minhas mãos titubeantes.
Fez um sinal que queria entrar,
em minha casa
simples,
desordenada,
pequena.
Ofereci um copo d'água,
vinha suado,
o sol estava de "rachar".
Ele sorriu...
Talvez pensando assim:
"que pretensão"...
Fiquei vexada, afinal,
o que dizer,
o que, para Ele, poderia ofertar?
Depois de um breve silêncio
Ele me olhou, e perguntou
com voz de algodão:
- Soli, qual é seu medo?
Por que demoras tanto em sua decisão?
Carregue-se de suas obrigações, 
segue minha filha,
não olhes para trás.
Gente... Morri eu acho.
Melhor, desencarnei.
Quando acordei senti uma alegria,
que somente os menestréis explicam.
Havia sonhado com O POETA JESUS.


Dedico à Virgínia Araújo - irmã que reencontrei no CECC.
Solineide Maria de Oliveira

domingo, 7 de outubro de 2012

Pedido ao novo Prefeito de Itabuna

Peço a Deus que não ocorram:
ameaças aos funcionários 
concursados,
"sumiço" de verbas,
preconceito religioso
(ou nenhum outro).
A cidade necessita crescer.

Que as ruas sejam "abraçadas"
pelos olhos vivos da Segurança
Pública,
que as mães não continuem 
amedrontadas...
A cidade precisa respirar.

Que a Cultura volte a sorrir
(há muito ela anda cabisbaixa).
Que o Rio seja rememorado...
Não desfaça dos mil e poucos votos
que lhe asseguraram ser Prefeito.
A cidade tem pressa em ser grande.

Não despreze aqueles que não lhe
cederam crença.
Seja justo e honre as promessas,
sobretudo àquelas que foram
proferidas em nome de Deus...

Não professo da sua Religião,
mas seu Deus é o mesmo Deus 
no qual creio;
e à Ele solicito em minha prece,
que abençoe sua administração
nestes quatro anos em que Itabuna
(minha cidade sofrida),
estará fisicamente em suas mãos.


Solineide Maria de Oliveira

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Oração pessoal...

Fica comigo quando a manhã rompe  
e durante todo o dia.
Quando ficar triste e quando chegar 
alguma alegria.
Quando os que estão ao meu lado forem sinceros
e quando faltarem com a verdade...

Fica comigo e alivia minha falta de amor 
pelos que mentem simpatia...

Fica, Senhor, comigo
quando crer no homem que faz política.
E quando minha descrença pelos políticos desta 
Cidade,
deste
Estado,
deste
País
aflito de pobres, de gentes que não dão certo por falta de anistia, for maior do que minha harmonia.

Fica comigo
mesmo que minha pouca fé Lhe silencie...

Fica comigo quando esteja com alguém
e quando a solidão for minha companhia.

Fica comigo quando alguma indecisão me angustia.
Quando temer o futuro,
quando minha colega de trabalho me repudia...
Quando pensar que posso adoecer 
de melancolia.
Quando faltar luz nas frestas 
dos meus dias.
Quando me dizem a verdade 
e quando me tripudiam.

Fica comigo agora nessa rua vazia...

Fica Senhor, 
comigo,
quando o dia nasce 
e quando a noite se anuncia.

Ainda que o mal persista...
Quando em mim chegar a noite,
e quando raiar o dia.
Fica comigo, rege sua cria.

JARDINEIROS INFIÉIS...

Onde estão as rosas que colhi na manhã de ontem? 
Não cuidei bem delas... feneceram rápido.
No primeiro ato de intolerância... 
Na impaciência. 
Na voz áspera.
Por que se perde o vigor com tanta pressa?
Por que nossas rosas são tão efêmeras?
Por que será que cuidamos tão mal dos nossos jardins internos... Logo eles que não são suscetíveis às estações do ano?..

Solineide Maria de Oliveira

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Caminho para a simplicidade

Ficaram para trás as coisas que prestavam. Agora... Agora nada. Nada mais será igual, nenhuma novidade há nisso. Mas há. 
Há a novidade de não ser como antes, porque é um antes diferente de outros antes. 
Tudo isso, mesclado ao som horroroso que entra pela janela da sala, são motivos suficientes para desistir de tudo. Talvez escrever... 
Isso! Eis a ferramenta de me jogar pela janela “adentro” de mim! E voltar de lá mais fácil, porque o mundo já está farto de complicações...


Solineide Maria de Oliveira
PARA CECÍLIA E CLARICE 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Canção sem palavras...


Nenhuma delas me toca.

Nenhuma sua alegria.
Nenhuma
sua alma boa
Nenhuma...


Ai meu amado,
minha amada,
Amor meu...

Nenhuma delas
conserta 
meu pescoço...
Nenhuma...

Só mesmo essa
canção sem palavras
faz algo em mim
tão divino...

Para Fabrício 
(meu amigo pianista rebelde).

Nossa Senhora dos farrapos humanos?

Deve ter uma Santa para aqueles dias em que estamos um "farrapo humano"... Dias quando acordamos cansadas(os) de tudo e de nada...
Essa Santa deve ter assim uma cara boa... Dessas que aparecem nas melhores revistas de moda... Ela deve ser super corada, deve ter olhos ativos... Deve passar aquela atitude só na pose ne?
Se tal anjo existir, peço encarecidamente que me guie durante essa semana... Porque não sei onde foi parar meu dedão do pé.
Meu melhor perfil para foto...
Minha intenção de atingir a próxima sexta-feira.