segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A MÉDICA QUE ESCOLHIA MATAR

Não acreditava muito nessa história de fim de mundo até ligar a TV (esse transmissor de depressão quando somos incautos) e deparar-me com uma figura, no mínimo esdrúxula... 

ELA TINHA UNS OLHOS ASSIM GRANDES, E UMAS MÃOS GRANDES, E UMA CABEÇA ASSIM GRANDE... E, NÃO VI DIREITO, MAS PARECE QUE TINHA UMA BOCA ASSIM GRANDE... 
Não atenho-me à aparência física das pessoas, afinal, sou mingnon e não tenho muitos atrativos físicos... Procuro fazer o que aquele filósofo-poeta aconselhou: “não julgueis” (...). 
Mas o fato é que aquela criatura chamou-me atenção quando apareceu na tela... Não sei dizer ao certo por qual razão: a roupa? Não, não foi a roupa, pois abóbora está na moda e azul escuro também: e cabelo ruivo é bastante interessante... 
Não foi nada disso que deixou-me atônita. Talvez tenha conseguido enxergar seus obsessores... Pode ser, pois que fiquei parada durante uns cinco minutos, tentando refazer meu espírito daquele susto. Tratava-se da história de uma pessoa que "andava passando a perna na Morte".

Sentei e liguei a TV. Vi aquela “figura” entrando no carro da PM, apoiada por policiais. Seu crime? Ela, com sua patente (?) de médica, decidia quem morria e quem não morria num hospital onde era chefe da UTI. Nesse instante fui detida...
Rememorei Hitler... Fui mais distante e lembrei-me daquele outro que mandou dizimar crianças em determinada época da História. Recordei de quando matavam os filhos das negras (quando os senhores de senzala notavam algum defeito físico). Assustou-me a voz da professora de História contando, na oitava série, sobre infanticídios indígenas lá atrás da história humana... GENTE! O que é isso? Não evoluímos?! 
O pior é que sei que amanhã aparecerá outro conto (real) tão assustador quanto este, que fará com que nos esqueçamos do quão MONSTRUOSO é escolher matar, enquanto se pode escolher curar. E mais! O quão ANORMAL é escolher matar quando se estudou para fazer viver até o fim... Não seria essa a “função” de um (a) médico (a)?! 
Felizmente não tenho tempo para analisar e escrever sobre todos os desvios de personalidade que circulam pela TV... Mas parada, diante daquela “notícia” lembrei-me das pessoas comentando sobre o final dos tempos no último réveillon (31-12-2012). Lamentei em voz alta comigo mesma na sala simples da casa de minha mãe: 
Chegou o fim. Não tem mais graça gente... Não tem mais jeito... NONADA querido Guimarães... A Humanidade fora abortada... 
Perguntei-me mais tarde, quando parti para os afazeres do cotidiano, tomando um café comigo: 
Por que ela não se condena à morte? 
A Morte a levaria muito a contra gosto para o Além... Por muitos motivos, sobretudo porque ela (A Morte legítima) leva quando é chegado o momento. E não creio que seja horrenda como rezam certas lendas, nem como me pareceu a "persona" que vi na mídia...
Essa “fulana” (?) estava passando a perna na Morte e é médica!... Que coisa mais aterrorizante... Se estou tão indignada e assombrada, imaginem os parentes daqueles que se internaram naquele hospital?... 
Em dado momento do dia, chego a ter dó dessa criatura... Pois crendo em outra vida e no conceito de “Lei de Causa e Efeito”, me agasta o débito que a “infeliz” adquiriu com seus atos... 

A Menina que roubava livros desenhou a ideia de morte que mais se adéqua às suspeitas de quando fui criança (e buscava respostas para tal fenômeno). 
Volto a concordar com A Morte do livro: “OS SERES HUMANOS ME ASSUSTAM”.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

A IMPORTÂNCIA DA PRODUÇÃO TEXTUAL

“Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência a vossa!
Ai, palavras, ai, palavras,
sois de vento, ides no vento,
no vento que não retorna,
e, em tão rápida existência,
tudo se forma e transforma!”
Cecília Meireles


Quando se diz o que se quer dizer por escrito, estamos exercitando nossa capacidade de composição: nesse momento somos todos escritores. E não é nada demais fazer isso, basta ter o mínimo de organização. 
Para escrever é preciso ter o que dizer. Para isso, é imprescindível que sejamos leitores, bons observadores e, sobretudo, escritores. Sim, porque quem escreve é escritor. A escrita e a leitura estão imbricadas. 
Vejamos: se formos escrever uma carta, por exemplo, temos um destinatário (aquele que receberá a carta). Escreverei, então, para essa pessoa. E o que escreverei? Sobre os assuntos que ocorrerem, ou, algum assunto em especial. O corpo do texto será organizado, para que o leitor não se perca na leitura das notícias. Então, a carta será organizada assim: cidade, data e ano; um vocativo (nome do destinatário ou saudação), o corpo da carta (os assuntos, a minha escrita). Por último, a saudação final e a assinatura. 
No caso de adentrarmos no universo da poesia, também necessitamos de um tema (assunto). Caso sejamos um poeta sem assunto, a poesia terá uma cara de quem queria ser poeta e não organizou as ideias e as emoções. Vai ficar na cara que pensamos que ser poeta seria sentar e escrever o que lhe dá telha. Ser poeta não é nada disso!
O poeta é um ser inspirado por natureza, mas escreverá seu texto de maneira organizada. Pensará em que forma será sua composição: soneto, verso livre, hai-kai, cordel, quadras, prosa poética? Depois escreverá e revisará. Apenas posteriormente dará por acabada a sua “invenção”. É isso que o escritor faz quando vai produzir seu texto: ele para e pensa no que dizer, pesquisa sobre o assunto, só depois é que escreve. 
Os romancistas realizam duramente esse trabalhos de pesquisa (os bons...). Os cronistas da mesma forma. Estão vendo? Todo escritor é pesquisador e não escreve o que lhe dá na telha não... Há um caminho de escrita, reescrita, revisão... É assim que se chega a produzir bons textos. 
Este texto que você lê agora foi escrito e reescrito. Houve pesquisa para poder criá-lo e depositá-lo aqui nesta página. Houve contato com alguns pesquisadores sobre a questão da Produção Textual e Leitura. Anotações ocorreram. Depois foi escrito um rascunho dos pontos considerados mais importantes para o momento e de outros pontos considerados chave (aquele que não pode faltar). Deve-se levar a sério a questão da escrita, porque vivemos num mundo cercado de letras por todos os lados. Para que sejamos entendidos e consigamos entender, devemos ler e escrever. 
No entanto, ler e escrever de forma apropriada e lógica. E até que se chegue à realidade da boa escrita, deve-se ler e interpretar de maneira condizente. 

P.s. E mesmo revisando e remexendo e escarafunchando o texto, ele pode nos dar a volta e deixar alguma inconsistência... Palavra é um bicho danado... rs

Solineide Maria de Oliveira 
Professora 
Poetisa

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Tempo para amar


Meu pai está febril faz quatro dias.
Minha mãe reza e faz o café.

Ela pergunta se tenho muita coisa pra fazer;
respondo que sim, mas que dará tempo para tudo.

Ela diz que deveríamos ter um Plano...
Eu respondo que todos deveriam ter.

Ela termina o café e me dá um pouco,
no copo “Cica”...

Como sempre, delicioso!
Minha filha dorme.

Minha mãe pergunta se está na hora
de dar o outro remédio para meu pai,
Respondo que não,
é para dar de seis em seis horas
(explico novamente o procedimento).

Minha mãe reza...
São seis horas da manhã de sábado.
De um sábado com a cara fechada
(vi pela janela).
Mas na casa, o tempo está perfeito para amar.

Solineide Maria
Para minha mãe e meu pai e minha filha.


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

A menina tinha uma lua no coração,
por isso a luz lhe parecia tão natural.
Por isso a paz ficava onde estava,
por isso ninguém sabia que,
muitas vezes,
muitas vezes,
muitas vezes,
muitas vezes
amava quatro vezes mais.
A menina tinha quatro vezes mais amor.
Sofreu muito, a menina...
Achava que todos
poderiam lhe retribuir
em quantidade e qualidade...
Mas ela não sabia que não é todo mundo
que tem uma lua no lugar do coração...

Solineide Maria

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

REFLEXÃO

Sem Educação voltaríamos ao ponto inicial, e, talvez, o ponto inicial nem estivesse mais lá... Porque tudo deveria caminhar para frente... Mas... 
Por isso a Educação é tão importante, voltar para o antes daqui, serviria para realizar-se uma SÉRIA reflexão acerca dos papeis todos que devem ser empenhados para que a Educação SIGA. 
A importância da Educação não se resume num parágrafo, nem num texto com uma ou dez páginas. Ou cem... Justamente por ser algo de importância indizível, que, nem em mais de ZIL páginas chegaríamos à uma possível conceituação (?). 
Lembro-me de Paulo Freire... Ele diz que a Educação por si só não vence os "atrasos". É preciso que o outro queira educar-se... Ou seja, a Educação pode ter TAMANHA importância mas se o outro não deseja, não poderíamos empurrá-la consciência acima ou abaixo do outro... Então... 
Existem muitos percalços no caminho desta que é "plebeia" e "rainha" a um só tempo...

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Trecho que poderia integrar a Oração de São Francisco de Assis

É escrevendo que se é entendido, 
é olhando que se é olhado, 
é ouvindo que se é ouvido 
e é lendo que se lembra 
para a vida eterna. 

Solineide Maria

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Versos para confortar

Toma meus versos nesse momento de indecisão,
faz dele um pouco de lenitivo e fique quieto(a).
Toma meu verso e deite nele sua aflição,
não se incomode, pode pegar a minha mão.

Toma meus versos e faça dele seu estandarte,
leve-oo aos pés da Doce Mãe, que entende dores.
Ainda mais quando são assim por GRANDES AFETOS...
Toma meus versos, são o que tenho para ofertar-te.

Sinto-me triste por estar longe, sem abraçar-te
Mas minha alma está bem perto é só chamar-me.
Toma meus versos e, desse jeito, plasmarei forma.

A vida traz umas lições muito difíceis...
Toma meus versos e não se esqueça:
toda angústia chega, ensina e vai embora.


Solineide Maria
Para Marise e para um amigo.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Motivos de ser alegre

Bom é ser alegre. 
Ser triste está fora de moda...
E, 
além disso, 
dá um trabalho danado 
explicar os motivos de não sorrir direto... 
Feito a maioria...


Solineide Maria

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Aspiração poética

Eu queria tanto escrever um poema alegre,
bem alegre!
Tão alegre que não deixasse nenhuma fissura,
nenhum espaço,
nenhuma borda
sem o toque de sua maciez.
A alegria é macia
(deve ser).
Ela chega como os primeiros raios de sol,
silenciosamente...
Ela abraça a pele,
enxuga o coração,
põe a alma da gente pra dormir.
Deve ser...

Solineide Maria
Para Musashi

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Apagando vestígios em pleno mar alto

Teu navio não quis dar lugar ao meu barco. Pequeno demais, talvez, não chamou atenção em quase nada. 
Espaço havia, mas não quisestes gastar guinchos e cordas. 
A quilha enorme do teu navio a dizer em brancas ondas que me afastasse, mas meu barco escasso e triste já não ouvia mais nada. 
Meu barco não ouvia mais nem vento ao sul, nem vento ao norte. 
Meu barco sentiu medo diante de uma embarcação menor que ele... Sucumbiu e teve calafrios de naufragar diante da imensidão do desamor. 
Agora não respondes mais a nenhuma sinalização. 
Nem bússolas, nem números te alcançam. 
Mas preciso ter de volta, a salvo, o conto de minha autoria. 
Não é sobre os marouços gigantescos, nem sobre a fria brisa das manhãs e das tardes... e das noites. 
É sobre alguma coisa que não lembro. 
Sei que diante de toda ingratidão que arremessas em direção ao meu barco miúdo e melancólico, já deveria ter traçado em meu mapa, outra direção. Mas preciso apagar todos os vestígios de mim, das águas que me levaram até tua amplidão. 
Tua amplidão, que é destino de outra embarcação.


Solineide Maria
Poema que consta no livro de poemas e crônicas poéticas da autora: 
Ali longe no marEditora: Scortecci. Ano: 2010.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

"Não existem finais felizes..."

Me respeite!
Me respeite!
Dizer de rompante que está feliz,
quando estou tão triste?!
Passe devagar em cima de mim!
Me respeite!



Para o poeta Manuel Bandeira

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Encontros (dedico à Suylan)

Os encontros da vida
que de fato acontecem...
São presentes de Deus,
uma espécie de graça.

Estes nos trazem paz
e guerra...
Elementos cruciais...

Um alivia o cansaço,
o outro inspira para a luta.
Encontros assim,
renovam nossa estrada.

sábado, 2 de fevereiro de 2013