quarta-feira, 28 de setembro de 2011

De volta para casa

Devagar é que se anda
e devagar se vai longe...
Mas só para quem não tem pressa.
Para quem tem,
nada interessa:
nem a paisagem urbana,
nem a lua (linda) brilhante.
Nem as gentes...

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

NÃO SABEMOS DE AMAR

Não sabemos de amar,
nem de amor,
nem de dar,
nem de dor.

Nem de ser,
nem de ter,
nem de estar.
Não sabemos...

Sabemos pouco.
Muito
pouco,
de nós.

Saber mesmo,
Do que sabemos?
Nada,
quase.
Tudo são interpretações...

Outra coisa,
outra via,
outra definição.
Não sabemos
Se amamos,
Ou se desejamos.

Ficar?
Partir?
Amamos?
Partilhamos?
Sabemos?...

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Luto pela Educação


 
Foi quando ele, um menino de 10 anos, atirou em sua professora e depois se matou.

Não. Isso não é frase de um conto policial medonho. Isso aconteceu ontem, em São Paulo. Mas poderia ter acontecido aqui na Bahia, no Rio Grande do Sul ou na China. Poderia. Porque o que se revela diariamente é uma humanidade desnorteada. Infelizmente, cada vez mais cedo isso ocorre: o desnorteio do ser.
Deparamo-nos com uma situação limite! E onde está a porta de saída? Para onde fugir? Talvez não haja saída, porque parece, o caos se instalou,  e isso pode ter ocorrido, justamente para que se apurem culpados e inocentes e, definitivamente se faça a separação do que tem e do que não tem crédito.
A Educação está de luto. Não somente em tal área a desordem impera, o que se tem apresentado no país (no Planeta) é um misto de degradação de tudo o que os humanos pensaram um dia estarem a construir. São muitos problemas, poucas soluções são apresentadas – ou nenhuma.
Recorrendo aos antigos, porque é preciso recorrer aos antigos sábios, para que se percorra um caminho possível de entendimento nesse (e em outros) assuntos, percebo minha solidão. E porque não dizer minha falência...
Há que se decretar falência enquanto seres humanos, enquanto pessoas que se dizem humanas, enquanto profissionais, vizinhas (os), amigas (os), irmãs (os). O caos se instalou. O guia, agora, parece ser o olho do furacão. O guia agora, para medir o que é mais hediondo do quê, é a próxima Manchete, a próxima notícia, a próxima catástrofe...
Volta e meia minha avó paterna dizia assim: “- Minha filha: vai chegar um tempo onde o que é certo vai parecer errado”. Olha que sábia profecia. Eu, que não entendia nada de nada, achava aquilo uma charada. Alguns diziam que ela estava gagá, porque estava com 84 anos e um câncer na garganta. Era a dor que sentia, diziam, que lhe fazia falar bobagens... Tonteiras... Qual nada. Ela estava certíssima, e morreu assim. Certíssima. Um dia dormiu e não acordou mais. Graças a Deus.
Digo assim, graças a Deus, porque creio que a morte é início de outra jornada. Mas a morte nunca deve ser premeditada. Não se deve apontar um revólver para o outro e tentar matá-lo. Pior: não se deve matar-se. A manchete é assustadora: “Menino de 10 anos atira na professora e depois se mata”. Quantos estão assim, estarrecidos até agora? Não se sabe. Porque em seguida falou-se do Rock in Rio e depois das construções atrasadas para a Copa de dois mil e não sei quanto. E depois nada...
Antes, se lutava por escolas melhores. Os estudantes se “armavam” de palavras, e saíam pelas ruas, com faixas e cartazes, ferramentas de brigar por suas causas. Muitos foram presos e tantos outros foram maltratados. Antes, o estudante clamava por escola e professor, e por material escolar e por bibliotecas. Antes, os estudantes gostavam dos Engenheiros do Hawaí e Legião Urbana (que tinham lá seus maluquinhos, mas não prejudicavam ninguém). Antes, o estudante estudava.
Hoje, as armas são a faca e o revólver (de verdade). E muitos matam professores (matam alunos também). Hoje, os presos são adolescentes (muito jovens), que abarrotam outras Instituições falidas... Hoje, músicas de cunho muito erótico entram para as salas através de celulares e net books... Hoje, a maior parte das escolas tem Biblioteca... Hoje, a rebeldia parece ser (mesmo) sem causa.
Recorro novamente aos antigos, e leio num livro amarelecido (presente de uma professora querida) um poema que até doi, de tão real: “Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus./ Tempo de absoluta depuração./ Tempo em que não se diz mais: meu amor./ Porque o amor resultou inútil./E os olhos não choram./E as mãos tecem apenas o rude trabalho./E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.


Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Percebo que estou de luto. Luto pela Educação...

Solineide Maria de Oliveira é recém-formada em Letras (Licenciatura) através de uma Universidade Pública.
Seu percurso estudantil foi todo ele, realizado em escolas públicas. Numa época em que não havia bibliotecas nas escolas, nem distribuição de livros didáticos, nem celulares e note books...
Suas artilharias eram um singelo lápis e um pueril caderno brochura (pequeno).
E a PROFESSORA compunha (junto com ela) o quadro de sua possível ascensão enquanto estudante/pessoa/gente.


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Recado

Cecília mora num castelo alto,
bem alto.
Ainda escreve, e ainda ama o mar.
É Padroeira das Poetisas Infantes.
E Fada Madrinha
dos que ainda acreditam
na infância.

Cecília ainda se veste com vestidos,
mas estes, são de tecidos
indizíveis...
E ri assim de leve,
feito antes. Feito sempre.
Contou-me que adora a Serenata
que ouve Na Praça Fundamental.

Ainda gosta muito de vitrais,
torce demais pela Educação,
mas disse que é preciso mais AÇÃO
e menos "artigos"...
Ela pediu que trouxesse um pacote
para entregar a um moço muito nobre
chamado Odilon Pinto Mesquita.

Falou que era para seguir a Receita,
que logo, logo, assim que sua saúde
pronto-estabeleça,
quer ler aqueles Contos do Jornal.
Que ela leu uns três, e que adorou!
Depois me deu um longo e doce abraço
e me acordou.

Para Odilon Pinto!
Fique bom!

domingo, 18 de setembro de 2011

Forbela Espanca hoje em dia...

Florbela Espanca, eu vi,
agora é feliz.
Mora numa casa amarela,
e é atriz.

Casou-se com um poeta nordestino
e dança muito nos bailes
da terceira idade.
Está com setenta e sete anos...

Florbela Espanca teve dois filhos
(gêmeos).
A menina é bailarina,
O menino é designer.

São, os dois, muito famosos,
mas Florbela, que é mãe,
só quer saber se os dois,
Vão pra cama muito tarde...

Florbela Espanca, eu vi,
escreve agora, apenas cartas
aos parentes que moram
em Pasárgada...

Solineide Maria

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

BILHETE PARA RAFAELA

Rafaela,
faça o favor de mandar dizer que está bem.
Que está viva, e que ainda acredita na possibilidade
de alegria.
Mande um raiozinho de ânimo para mim... Rafaela,
que São Rafael é o Anjo responsável pelas Curas.
Você, em sendo sua persona feminina, deve ser a Anja.
Então me cura de minhas insitentes vãs procuras...

De Solineide Maria
para Rafaela (amiga que mora em Salvador e sumiu...)


VAZIO-VAZIÍSSIMO...

Estou vazia...
feito um vaso de perfume
que fica na mesinha,
de cabeceira.
olhando para o passado...
Belos banhos de aroma
dava em sua dona...
Agora, espera quieto,
a hora de ir pra lixeira.


Solineide Maria de Oliveira

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Intensidades da dor


Nunca uma dor doi pouco.
Ela simplesmente doi.
Incomoda igual
Uma dor de dente
E uma dor de parto.
Não dá para ser feliz,
Não dá para ser inteiro.
Assim também são 
as dores emocionais:
Uma dor de amor,
De quase-amor,
De findo-amor,
De saudade,
De rupturas de amizade,
De perdas de filhos e pais
E mães...
Todas as dores doem.
E pronto.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

NAQUELE TEMPO


Naquele tempo, quando tu não existias em mim, minha calma era paciente. Havia cor para separar as claridades.
Naquele tempo, quando eu não sabia de tuas maravilhas, meu andar percorria por onde eu ordenava. Encontrava tranquilidade em tudo (quase) que diziam serem coisas de sossegar.
Naquele tempo, quando nunca antes havia degustado do teu abraço, do teu beijo e do teu peso, conseguia me concentrar.
Naquele tempo, quando tu não existias em mim.
02/08/1986
PARA O LIVRO DIÁRIO DE UMA VIRGEM LOUCA

domingo, 11 de setembro de 2011

11 de Setembro

Quatro aviões.
Duas torres.
Um campo
(sem flores)

Virou notícia.
Entrou pra história.
Ninguém jamais esquecerá.

Mais de 2.996 pessoas foram mortas...

A queda da humanidade é a eterna negação
do AMOR.

As contas ficam enlouquecidas,
e ninguém paga, depois...
E todo o mundo paga depois...
Não tem nada de novo,
e de novo o dia começa.
E nada diz novidade.
A vida, mesmo assim, é promessa.

Aplaco a descrença (tento).
Acendo o fogo e ponho água,
café...
Talvez o novo café me anime.

Qual nada. Os pós atuais são ruins.
Dia a gente acerta e o café fica ótimo.
Dia a gente erra e o café...
Que horas são?

Não tem nada de novo.
Acho que vou cortar as unhas,
ler alguma poeisa...
Preciso rezar...

sábado, 3 de setembro de 2011

Blecaute íntimo (mas não ínfimo)

A chama apagou-se...
E a voz não acendeu nada de novo.
Não há mais nada para dizer,
Mas o silêncio é som...
E, dizem, palavra.
A única saída é ficar.
Encontrar uma razão para não desistir,
Seguir,
Porque “para frente é que se anda”.
O jornal anuncia todas as coisas de ontem,
E hoje, parece, não quer passar.
Um frio imenso em pleno dia,
Uma tristeza invade o pensamento
Além de tantas que se acumulam, no íntimo.
Dúvidas de soslaio entram pela porta de mim.
O que será que diria Drummond?
Onde será que existe o “sono limpo”?
Longe feito uma folha perdida,
Dessas de caderno, que voam amassadas
Carregadas pelo vento...
Essa é a sensação agora,
Agora que o repórter anunciou 
Velhas novidades.
Agora que perdi o elo com O Alto,
Agora que o galo cantou três vezes...


Solineide Maria
Para O Livro das Novas Velhas Poesias Infantes

DESENHANDO CASAS

Agora são escassas as chances.
Onde encontrar a linha de partida
E de chegada? Elas se misturam.
“Temos o todo o tempo do mundo”,
Não é verdade Renato?
Onde penduro esse lustre?
Não sei...
Quem sabe em mim?
Quem sabe me ilumine uma ideia
E eu sorria amanhã.
Arrumar a casa é abrir os poros,
A vida fica cheia de respostas...
Ela pergunta se ainda gosto das mesmas músicas
Depois de tanto tempo, e sorri.
Deixe de bobagem menina.
Minha filha tem catorze anos
E desenha casas e casas...
Ela quer um espaço, feito todo mundo...
E eu ainda não o tenho para lhe dar.
Agora são poucas as chances...
Será?
Mamãe, vem ver, desenhei outra casa para nós!
Vou olhar já.

10:31h (15:31h)


Para minha filha
FLORA MARIA