quarta-feira, 30 de junho de 2010

NOSSA SENHORA QUE ASSISTE AS MULHERES DESAJEITADAS (e baixinhas)

Faz com que minha pele se ajeite para quando for ver aquele homem, e, devagar ajeite minha voz esganiçada. Faz com que minha pouca estatura, não seja empecilho ou, ainda, que ele não fique vexado pelos olhares que caminham conosco em nosso passeio. Não deixe que desista de um encontro, em lugar muito público, porque saberei de belas mulheres altas, sendo o quadro do lugar. Amparai-me Nossa Senhora que assiste as mulheres desajeitadas (e baixinhas), não me deixes mais cair na tentação de não ser forte o suficiente, no sentido de ultrapassar a fase do encantamento.

Para as mulheres pequenas.
rsrsrs

domingo, 27 de junho de 2010

ATOS DE AMOR

Minha mãe é fruto da roça. Oriunda de uma grande família: pai, mãe, onze irmãos. Carinho para eles era uma fala mais mansa da mãe. Abraços e beijinhos, nem sempre. A preocupação pelo sustento da prole, por parte de meu avô, era maior do que o tempo para afagos.
Minha avó, segundo consta, era rezadeira e parteira, dava de si para o outro. Linda profissão, que ela exercia com o maior amor. Ela não tinha como profissão, fazia por quem necessitasse. Vocação? Não sei. Quem sabe... E o que ganhava não era dinheiro não, era prece, uma galinha, uma semente disso, daquilo.
A vida na roça era difícil, porque era década de 30. Tudo longe, quase no fim do mundo... Eles não eram grandes latifundiários, tinham uma grande porção de terra. No entanto, não tinham condição de tratar desta, de maneira a se tornarem fazendeiros renomados.
Quando minha avó saia para os afazeres do dia-a-dia, deixava a menina maior, cuidando dos menores. Sempre foi assim, até todos eles se criarem. Carinho? Afago? Acho que não tinha muito não.
Entretanto se amavam sim. Porque o amor não necessita de toque. Claro que é muito bom quase indispensável. Quase.
Para eles, o amor se fazia em atos. O amor era a mais velha se dando para os menores, quando cozinhava a comida, mãos pequenas ainda. Era quando um pegava no outro e dizia chorando que estava com fome, e o outro, logo providenciava uma banana.
O amor para eles era quando a mãe chegava e dizia gritando para ajudarem-na a trazer o peso das ferramentas e de algumas frutas catadas na estrada de volta, para dentro de casa.
O amor neles se fazia na troca de sapatos, que eram um par para todos quase. Ou no troca-troca da brilhantina para o cabelo crespo se ajeitar melhor no coque perfeito.
O amor em minha avó para com todos eles era a palavra.
Analfabeta, mas sábia, dizia sobre o mundo e sobre a vida, que nem mesmo sabia direito como era. Talvez dissesse o que ouviu da mãe, que ouviu da mãe e assim por diante.
O amor em minha mãe também se faz mais em atos. Dizer eu te amo, não é coisa fundamental para ela. Noto. Acato. O ato de amar seus filhos é muito maior. Noto e aprecio de forma muito emocionada e especial.
Há um ato de amor que ela pratica que acho especialmente bonito. Quando vamos para a roça, que subimos a ladeira de barro vermelho, nossas sandálias, sapatos ou que calcemos, volta abarrotado daquele barro, grudado no solado.
A gente deixa esses calçados na porta, para não sujar a casa. Quando vamos procurar os calçados, ou para limpar, ou para bater no murinho, na intenção de o barro seco se desprender, eles já estão todos enfileirados, limpinhos, secando ao sol. Façanha de minha mãe.
Isso é um ato de amor. Lavar as sandálias do outro, deixá-las limpinha, para serem calçadas novamente, para novamente caminhar, sem peso nos pés.
Amo você minha mãe, ainda que eu não apresente as condições necessárias para seus atos amor. E obrigada por todos eles.

QUEM AMA?

Ela ama
também amo.
Amamos,
não sei,
quem sabe?

Nós amamos,
eles amam?
Amam, mesmo,
ou estão de papo?

Ela ama?
Ou sente solidão?
Essa coisa de amar
dá um bom papo...

Eu o amo, mas
e ele?
Cinco dias
sem contato...

Amamos?
O quê?
O corpo ao acender?
As mãos, a boca, as pernas?

Amamos?
Quando estamos tristinhos?
Ou apenas amamos
quando alesgres estamos?

Amamos o outro com mal humor?
Com dor de dente,
com dores nas costas?
Ou logo desamamos?

Fazemos barganha do amor,
ou trocamos com o amor
mil e uma propostas?
Amamos de fato
minha gente?

Rafaela ama o seu
nobre rapaz, bom leitor.
Gente boa. Estuda muto!

Eu amo minha paixão,
que apareceu tem pouco tempo.
Já sinto até solidão, saudade
essas coisas tolas
quando se ama.

E eles?
Eles nos amam?
Pensam em nós?
SENHOR,
FAZEI QUE EU PROCURE MAIS AMAR
QUE SER AMADA!

rs Para Rafaela

sábado, 26 de junho de 2010

Isso é São João

É São João.
Quando meus pais eram mais jovens, comemoravam em casa, juntavam amigos e desconhecidos. Todos forrofeavam até de manhã. Literalmente. Uma animação típica de Festa Junina, que, hoje, não sei no que se transformou. No entanto, é entendível, já que tudo se transforma. Algumas coisas se deformam, mas...
Não consigo dançar do jeito que o bom forrofeiro gosta. Mingnon, para os altos, dou dificuldade, porque em certo momento da música, a colouna pede licença para o descanso. No caso dos pequenos, aquele esfregaço da dança, causa muita excitação... Vocês entendem não é? Nesse caso a incomodada sou eu.
Na contemporaneidade, o Forró virou tudo, menos o que seria. Todos os gêneros são tocados e todas as danças são arroladas nas festas, que, em geral, são apenas mistura de solidão, violência e excitação, para todos os cantos. Eu daria outro título ao que dizem ser Forró: MISTURA.
Poderíamos criar outra festa típica, que antecedesse ao típico São João, com canjica, milho assado na brasa, licor e músicas para forrofear.
Parece papo de quem já passou da idade, mas não é. Sou jovem, e, me considero inteligente, sensível. O que não me deixa muito equalizada para as Festas Juninas da atualidade, são, além de tudo o que expus, a degeneração do gênero Festa Junina.
Podem me intitular de saudosita, acato. Porém, vocês que não viram, também se agradariam da festança junina prototípica. Aquela onde ensaiávamos os passos para a quadrlha junina da rua, aquela que vinha com a satisfação natural das férias escolares.
Aquela que ficou na história de quem as viveu.
Hoje me refugio na roça de minha mãe e de meu pai. Lá, a gente acende a fogueira, dança as músicas típicas (de verdade), solta foguete e bombinha. Não soltamos balão! Soltamos a alegria que a satisfação da confraria entre os que se gostam, exala.
Isso é São João.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Aqui,

Vim, morrendo de medo de você ter desistido da idéia de me ver. Arrumei a bolsa, disfarçando entre meus cadernos e canetas e apostilas, um par de meias, e uma peça de roupa para usar no outro dia.
Vim caminhando em silêncio, ouvindo seu poema nos meus ouvidos: João Cabral de Melo Neto ressoando em mim, reverberando em meu coração a sua voz rouca.
Vim assim, tentando esconder que sinto medo, muito medo, aos já alguns anos de idade...
Medo de nunca mais esquecer você.
Claro, já que percorro sozinha a um ambiente onde o se, nunca mais e o nunca caminham lado a lado.
Vim tendo quase certeza que todos sabiam de que estava indo com o coração trêmulo e inútil, já que taquicardia não é batimento cardíaco.
Saberei apenas quando estiver lá, lá para onde vou. Lá...
Será que vai esconder-se de mim e virar a esquina e pedir licença e sair? Como se não tivesse marcado nada comigo? Será que estou ficando doida?
Chego, agora, a pensar que você não marcou nada comigo, tamanha a minha insegurança e aflição idiotizada.
Enfim, deixe-me chegar, deixa-me estar, deixa estarmos...

sábado, 19 de junho de 2010

Saramago (agradecimento)

Saramago
Muito obrigada por me desassossegar as ideias.
Obrigadíssima por me trazer para a luz que deixa para sempre cicatrizes do bem.
Obrigada por não me deixar em pânico, por pouco.
Obrigada por fazer um belo uso das palavras.
Obrigada por dizer SECAMENTE que a vida às vezes é falha.
Outras vezes TAMBÉM. Mas que a criatura humana é que seria culpada.
Porque você me alertou para a verdade essencial das coisas. Dos fatos. Das sentenças.
Obrigada por me apresentar a Santa Clara, na figura de Blimunda.
Obrigada por me apresentar a São Francisco, na figura de Baltasar.
Pena que não lerá meu Mestrado em você.
Já havia escolhido o tema viu? Não farei uso de sensacionalismo por conta de sua viagem não.
Obrigada por me salvar da cegueira.
Obrigada por experimentar da cegueira.
Tanto tenho a agradecer aqui desse quarto acanhado...
Tanto a agradecer aqui, desse coração abatido, mas nunca vencido.
Obrigada Saramago, obrigada.
Você sara âmagos adoecidos.
Seja você para sempre Saramago
Abençoado!

VOCÊ NÃO MORREU. EM BREVE (OU JÁ) SABERÁ.

MATÉRIA para POESIA

Uma amiga disse isso para mim:
Homem é assim...
Belisca, prova e enche.
Depois, se enche e abandona!
E não liga...
E nem liga...

NÃO DÁ PARA SER MATÉRIA para POESIA?!
rsrs

sexta-feira, 18 de junho de 2010

DÚVIDAS AD ETERNUM

A vida presente num alarido de coisas
que não entendo;
entendemos.

Quando seremos melhores?
Quando entenderemos de amor
flor
ternura
paz?

Quando será que o corpo
não será visto como mais que a alma?

Quando será que o gozo das
habilidades do corpo,
ultrapassará o tempo de uma noite?

quarta-feira, 16 de junho de 2010

CONTIGO

Contigo eu não me sinto vazia,
esvaziada.
Não me doem as mãos,
os pés. Não doi nada.

Contigo eu não me sinto
intranquila,
Nem despedaçada,
Não me sinto culpada.

Contigo eu ouço tudo
Mas fico bem, calada.
As palavras são dispensáveis,
Sua voz basta...

Contigo dá para ser feliz aos poucos,
dá para ser alegre aos poucos,
a tranquilidade visita minha alma.
Contigo.

domingo, 13 de junho de 2010

Pedido

encha-me de paz e não fujas mais.
não fujas mais, não desapareças mais,
não desistas mais.
encha-me de paz e chegue para mim
cada vez mais...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Ainda estou ontem

A felicidade sorriu pra mim.
Eu já não cria.
O dia sorriu.
A noite abriu em estrelas brilhando.

Eu já nem cria.
A felicidade me visitou.
Ouvi devagar a paz
e as canções que a noite chovia.

Meu coração ouviu você.
A felicidade me visitou.
E minha pele vicejou um tom
que não mais lembrava.
Vestiu-se de uma luz desmemoriada.
Ontem minha pele acreditou que há amor.

Ainda estou ontem.
Enquanto o ano que vem
não vem.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

DIÁRIO DE UMA DAS DEZ VIRGENS

Em verdade, em verdade te digo que sei que o meu som não causa nada em teu olhar.
Que é difícil, por dentro, nos unirmos. Bem, assim, por fora.
Em verdade, em verdade te digo que não aprendi ainda a me conformar com pouco. Por isso, tanto evoco por ti.
São palavras sem som, eu sei. Mas o que é palavra? E o que é som?
Em verdade, em verdade estou repleta de sins. Preciso aprender a ficar plena de nãos.
Em verdade, em verdade, não é pecado ser tentada, mas é preciso erigir barreiras.

Solineide Maria
01/10/200

O AMOR, DISSERAM, É UM TAL FOGO QUE CONSOME

O amor, disseram, é um tal fogo que consome,
É labareda que instiga uma fome
Trilha que perde e de repente triste se faz.
O amor, disseram, é uma luz
Que se distrai.

O amor
Palavra mal empregada quando emitida
Pois a maneira para que fora inscrita há muito anda esquecida.
O amor não sei: parece luz,
Parece fogo, parece brisa.

E este meu amor, querido homem
Agora sopra uma certeza que já não sabe
Nem onde e nem quando se assegure.
Talvez exista porto, casa, peito,
Paragem.

Mas é que o medo agora está
Muito mais forte,
Que a labareda que um dia ansiosa
Soprou unânime,
Em teu peito uma mensagem.

Também queria te encontrar...
Num espaço e tempo ainda possível
Para te amar.
Seria, no entanto, auspicioso?
Fornalhas entristecidas
Podem voltar a foguear?

O amor, disseram,
É um contentar-se de descontente.
Talvez por isso melhor seria
Erguer aos céus milhões de preces
Para este lírico amor desencantar.

domingo, 6 de junho de 2010

Poema de amor e de adeus

Deixe-me dizer do que eu sinto
Mesmo que pareça repetido.
Ainda que já tenha dito.
Deixa-me dizer.

Deixa-me dizer
Que pressinto
Que não tenho mais
Forças para te perder.

Deixa que o calor
Do teu abraço
Passe uma semana aqui
Comigo...

Deixa-me ser tudo
O que tu queiras.
Mesa, cama, banho
E cinema.

Deixa-me dizer
Que quando acordo,
Teu rosto em minhas
Horas permanecem.

Deixe-me ser eu mesma
Deixa-me sozinha por uns dias
Preciso me reencontrar
Nessa travessia solitária.

Deixa que eu te peça
Que me esqueças.
Deixa-me ser outra
Que não esta...

Deixa-me buscar
A sabedoria.
E me abandonar à solidão
Dos que a localizam.

Deixa-me ser mais
Fundamentada...
Amor é algo
Que rima com migalha.

Amor não leva
A lugar algum.
Ainda mais este,
De um coração só.

De uma só pessoa,
De um modo de amar só.
De uma só agonia.
De um texto só...

Deixa que antes
De padecer por doença
Sem causa mais louvável,
Já tenha sido salva do curtume.

Alma imbecil, que ama errado.
Coração palhaço e sem teatro.
Espírito mundano este meu...
Deixe-me a sós por uns minutos.

Deixe-me a sós por uns minutos,
Pois que necessito argumentar
De mim para comigo.
Sobre direções e chás.

Tomarei mais cuidado
Daqui em diante.
Acharei um modo de pensar
Com determinação.

Seguirei a bula
Que encontrei,
Presa à cintura de um poema:
Ame sem paixão.

Talvez seja disso
Que eu preciso.
Talvez seja isso
Que me acudirá.

De que história pensas
Estar falando?
Que história existe?
Estás louca?

Nem sabes se aquela criatura,
Tens a ti
Como amante.
Ora! Tola senhora...

Abre o peito e sai
Cedo desta história,
Que, parece, tu mesma
Inventastes.

Seja discreta e fuja.
Aliás, nem precisa,
Será que ele
Notará a sua fuga?

Tenho pena de ti.
Tanto amor ao relento.
Tanto amor ao ralo.
Tenho pena de ti.

Chora mesmo!
Precisas disso agora.
Mas depois minha amiga,
Levanta-te e anda.

Levanta-te e anda
Ao teu encontro.
Refaz tua seda de sentir
As coisas de outro jeito.

Refaz tuas vestes de encontrar.
De jantar e de ter café e cama,
E de ser cama e banho.
E sobremesa.

Seguirei a bula
Que encontrei,
Presa à cintura de um poema:
Ame sem paixão.


Solineide Maria
13h28min
23-05-2010