domingo, 6 de junho de 2010

Poema de amor e de adeus

Deixe-me dizer do que eu sinto
Mesmo que pareça repetido.
Ainda que já tenha dito.
Deixa-me dizer.

Deixa-me dizer
Que pressinto
Que não tenho mais
Forças para te perder.

Deixa que o calor
Do teu abraço
Passe uma semana aqui
Comigo...

Deixa-me ser tudo
O que tu queiras.
Mesa, cama, banho
E cinema.

Deixa-me dizer
Que quando acordo,
Teu rosto em minhas
Horas permanecem.

Deixe-me ser eu mesma
Deixa-me sozinha por uns dias
Preciso me reencontrar
Nessa travessia solitária.

Deixa que eu te peça
Que me esqueças.
Deixa-me ser outra
Que não esta...

Deixa-me buscar
A sabedoria.
E me abandonar à solidão
Dos que a localizam.

Deixa-me ser mais
Fundamentada...
Amor é algo
Que rima com migalha.

Amor não leva
A lugar algum.
Ainda mais este,
De um coração só.

De uma só pessoa,
De um modo de amar só.
De uma só agonia.
De um texto só...

Deixa que antes
De padecer por doença
Sem causa mais louvável,
Já tenha sido salva do curtume.

Alma imbecil, que ama errado.
Coração palhaço e sem teatro.
Espírito mundano este meu...
Deixe-me a sós por uns minutos.

Deixe-me a sós por uns minutos,
Pois que necessito argumentar
De mim para comigo.
Sobre direções e chás.

Tomarei mais cuidado
Daqui em diante.
Acharei um modo de pensar
Com determinação.

Seguirei a bula
Que encontrei,
Presa à cintura de um poema:
Ame sem paixão.

Talvez seja disso
Que eu preciso.
Talvez seja isso
Que me acudirá.

De que história pensas
Estar falando?
Que história existe?
Estás louca?

Nem sabes se aquela criatura,
Tens a ti
Como amante.
Ora! Tola senhora...

Abre o peito e sai
Cedo desta história,
Que, parece, tu mesma
Inventastes.

Seja discreta e fuja.
Aliás, nem precisa,
Será que ele
Notará a sua fuga?

Tenho pena de ti.
Tanto amor ao relento.
Tanto amor ao ralo.
Tenho pena de ti.

Chora mesmo!
Precisas disso agora.
Mas depois minha amiga,
Levanta-te e anda.

Levanta-te e anda
Ao teu encontro.
Refaz tua seda de sentir
As coisas de outro jeito.

Refaz tuas vestes de encontrar.
De jantar e de ter café e cama,
E de ser cama e banho.
E sobremesa.

Seguirei a bula
Que encontrei,
Presa à cintura de um poema:
Ame sem paixão.


Solineide Maria
13h28min
23-05-2010

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