sábado, 16 de janeiro de 2010

Análise do poema Olha Marília, As Flautas Dos Pastores - de Bocage

Olha Marília, as flautas dos pastores,
Que bem que soam, como são cadentes!
Olha o Tejo a sorrir-se! Olha: não sentes
Os Zéfiros brincar por entre as flores?

Vê como ali, beijando-se, os Amores
Incitam nossos ósculos ardentes!
Ei-las de planta em planta as inocentes
As vagas borboletas de mil cores!

Naquele arbusto o rouxinol suspira;
Ora nas folhas a abelhinha pára.
Ora nos ares sussurrando, gira.

Que alegre campo! Que manhã tão clara!
Mas ah! Tudo o que vês, se eu não te vira,
Mais tristeza que a morte me causara.

Este é um dos poemas líricos mais conhecidos do poeta português Manuel Maria Barbosa Du Bocage. A natureza serve de cenário para o acontecimento sentimental: “Olha o Tejo a sorrir-se! Olha: não sentes”.
O amor neste poema está alegre, o eu-lírico está satisfeito em amar Marília e deseja aproveitar a manhã com ela: “Vê como ali, beijando-se, os Amores/Incitam nossos ósculos ardentes!”. É um convite, mas também uma ilustração: “Ei-las de planta em planta as inocentes/As vagas borboletas de mil cores!”
É ornamental, porque tais composições neoclássicas valiam-se de forma a exacerbar na descrição do campo. O poema é arrumado em soneto, marcado pelas regras: catorze versos distribuídos em dois quartetos e dois tercetos. Esse rigor sempre exige do poeta uma certa habilidade literária.
Segundo este eu-lírico, tudo quanto de encantador a natureza exprime quando a contempla, não teria a mesma beleza sem a sua amada, como é perceptível no terceto seguinte: “Que alegre campo! Que manhã tão clara! /Mas ah! Tudo o que vês, se eu não te vira, /Mais tristeza que a morte me causara”.
A flauta, que faz alusão a Pan, deus que chefiava os pastores que se dedicavam além do pastoreio, à poesia, na Arcádia, região mitológica da Grécia: é daí que se origina o nome Arcadismo. A flauta está presente, como que para harmonizar ainda mais o ambiente: Olha Marília, as flautas dos pastores, /Que bem que soam, como são cadentes!”.
A pureza que há na natureza supõe-se estar presente nas borboletas que este eu-lírico cita:” Ei-las de planta em planta as inocentes/ As vagas borboletas de mil cores!”.
O amor deste eu-lírico tem luz, e pode até entristecer-se no caso de Marília não aparecer para, juntos, desfrutarem do ambiente natural que narra, mas não irá desfalecer, não irá desesperar-se e nem fenecer. Ficará triste, mas não mais que isso.
Segundo pesquisadores, Bocage teria amado Gertrudes, a quem denominou em seus poemas Gertúria. Mas Bocage também teria amado Marília, que conta, teria sido Maria Margarida Rita Constâncio Alves, filha de um médico da Corte Portuguesa. Era típico dos árcades e neoclacissistas, usarem em suas composições poéticas, nome fictício para aquelas por quem se enamoravam na vida real”.

A análise acima, foi solicitada para crédito na Disciplina Literatura Portuguesa, no IV semestre do Curso Letras. Hoje estou no VII semestre.
Lembram que falei de postar umas atividades antigas aqui, por conta da faxina no computador? É apenas para compartir.

8 comentários:

  1. qual a linguagem foi ultilizada para sugerir um espaço agradavel e inocente?

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    1. toda interpretação, apesar de usar também técnicas de A.D., trata-se de concepção "individual". Pode ser que tal ambiente não sugira, em alguns, um espaço agradável ou inocente. Aí vale escrever outra análise. Obrigada pela visita! Um abraço!

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  2. o que sao "zefiros"? qua a funçao deles no poema?

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  3. o que sao "zefiros"? qua a funçao deles no poema?

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  4. CIELEM:
    De acordo com a Mitologia, Zéfiro era um titã filho de Eos e Astreu. Trata-se de um dos quatro ventos. Tinha três irmãos: Bóreas, Notus e Eurus.
    Diz-se que era um vento brando e suave, diferente de seu irmão Bóreas que era forte e imprevisível.
    Conta o mito "que Zéfiro fecundava as éguas de certa região da Lusitânia tornando os cavalos dessa região muito velozes".
    A função deles no poema poderia ser dirigida à "vontade" de trazer ao poema um elo entre Neoclassicismo e Cultura Greco-latina (seriam Zéfiros e pastores seus representantes, na ordem que discorri).
    OBRIGADA pela visita!!
    Solineide Maria

    http://www.analytica.inf.br/

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  5. Pode- se afirmar , que nesse texto , o uso razão predomina sobre a emoção ? Por que ?

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  6. como o eu lirico enxerga a figura da mulher nesse poema ?

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