quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Acontecimentos cotidianos

Ela disse que tenho o cabelo bonito,
que devia soltar.
Respondi: "vou cortar".

Ela disse que encontrou um fio branco...
Eu respondi:
"vou pintar".

Ela sorriu, é menina...
Não sabe ainda que o tempo
é quem marca nossa sina...

Solineide Maria
 para Lorena Leite.

domingo, 25 de agosto de 2013

O CANSAÇO DE BETE (pingado e reflexões na mesma insônia)

Uma amiga disse assim para Bete ontem: "na vida a gente precisa dobrar esquinas"... Na hora ela consentiu com a cabeça, de soslaio, meio sem querer. Mas à noite, na cama, aquela fala, conselho, máxima, advertência, lição, consolo? O fato é que à noite, aquele enunciado, charada, frase, pista?... Deixa pra lá... 
O fato é que na cama, aquelas palavras pululavam à frente dos olhos emocionais de Bete e ela não entendia se a tristeza ou a insônia deram força àquelas palavras a ponto de levantá-la da cama. Levantou-se e, sem querer, tomou um pouco de leite com café. Não tinha chocolate e nem tinha chá, ou fruta, ou sorvete (Bete extraiu dentes, sorvete seria melhor)... Tinha aquele café pingado e a sensação de que o mundo acabaria assim que absorvesse o último gole. 
Enquanto sorvia aquele líquido, lembrava-se de tanta coisa... Tantas pessoas que lhe disseram coisas "intelectuais" e muitas pessoas que lhe abraçaram quando precisou e outras (poucas) que ficaram até que ela dormisse de doente, cansada ou triste. 
Lembrou-se de Diene, uma irmã que, em verdade, é mais amiga do que irmã. Ou em verdade, é anjinho encarnado para lhe defender dela própria e de suas "perdas e danos". Diene seria perfeita agora... Murmurou baixinho... Ela lhe falaria coisas bem profundas e lhe mandaria ir dormir, sem maiores cobranças. No final, afirmaria que tudo passa e que nada é por acaso. 
Certamente Bete ficaria mais animada e se reconfortaria para dormir e acordar mais desperta para outro dia. Lembrou-se de Maliv, uma vizinha que se tornou amiga. Morava (ainda mora) no fundo das casas da Rua João Batista Ventura. 
Um dia, muito febril por conta de uma infecção dos seios nasais (atravessava uma crise emocional, foram tempos difíceis para Bete...) aquela criatura chegou a sua casa com um prato LINDO: arroz, feijão, pirão de carne, carne e noutro prato, uma salada de capa de revista gastronômica. Essas pessoas são impagáveis, pois, como lembra Madre Teresa: "amor não tem preço"... 
O pior é que isso tudo fez Bete lembrar-se dele... Ele também era assim, impagável. Vixe e agora? Bete conseguiu destruir o que vinha escrevendo para se amparar. Bete, quase sempre, faz isso... Logo se lembrou da máxima: "na vida a gente precisa dobrar esquinas"... 
Pois é. Mas e quando a pessoa vem de uma sucessão de dobras de esquinas e, quando parece ter acertado o caminho, as coisas desatinam? Bete queria uma longa estrada. LONGA que não acabasse mais. Uma estrada sem curvas ou atalhos, uma estrada em perpétua extensão... 
Bete estava cansada de tantas esquinas e tantos becos e tantas vielas e tantos labirintos... Bete queria uma estrada INTERMINÁVEL, sem nenhuma curva, sem nenhuma seta à direita, à esquerda... Bete queria ir, ir, ir... Mas Bete estragou tudo, ela quase sempre estraga... 
Fiquei com pena de Bete... Senti que estava cansada... Ela queria ter o tempo de um mês atrás, para acertar seu relógio com o da vida. Para ajustar sua cabeça e para não ter deixado as coisas desarvorarem naquele café pingado, solitário e triste... 
Mas o mundo não acabou... O café pingado acabou, mas o mundo não acabou. 
"Isso é bom" (pensou Bete). Depois se perguntou: "Isso é bom?" 
Deve ser... Para quem acordou no meio da madrugada, lembrando uma máxima, no mínimo, incômoda... 

Solineide Maria de Oliveira 2013-08-25

sábado, 24 de agosto de 2013

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Máximas mínmas

Tem um 0800 pra ontem?

Solineide Maria

Enquanto isso...

Enquanto isso,
vou espiando a vida
e tomando nota do que sim
e do que não...
E do que talvez,
e do que agora
e do que depois.
Assinalando xis
para a alegria.
Xis para a fantasia.
Xis para as gôndolas de festa.
E xis para um tempo feliz.

Solineide Maria
05h38min
Itabuna, 22 de agosto de 2013.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

ENCONTRANDO A JUVENTUDE...

A "juventude" passou por mim hoje...
Vinha de batom rosa choque,
trazia cabelo cacheado
como se estivesse
procurando, elegantemente,
(como ela)
seu destino.
A "juventude" olhou assim para mim...
Olhar de gente determinada.
De baixo para cima,
de cima para baixo...
O que terá pensado de mim,
que ando tão desalinhada?

Solineide Maria
19-08-2013

terça-feira, 13 de agosto de 2013

DECIDIR

Decidi abandonar a roupa antiga.
Estava difícil de se agarrar à minha pele...
Curar mazelas desse peito iludido: nova intenção...
Insistirei em luz mais bela pro meu destino...
Dobrar esquinas, ver novas vias, abrir vielas...
Ir cada vez mais adiante: outra vontade.
Rimar o verbo acreditar, com os mistérios do coração.

Solineide Maria (13-08-2013)

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Fernando Pessoa (IN SONHO)

Estou escrevendo para Pessoa, um livrinho interessante... Acho que ele até gostou da ideia, pois me visitou noite passada.
Disse que tenho que parar de ter medo de mim. Escrevemos um poema juntos. rs Foi muito bom.
Depois ele virou Fabrício Halsmann. rs Não é um sonho idiota, estive com o amigo (da vida real) um dia antes e conversamos muito sobre poemas e fatos, sobre tristeza e amores-quases, amores findos, amores-falhos: mas tudo isso foi concluso como NECESSÁRIO.
Eis por qual razão teria o Fernando Pessoa me visitado e, depois ter "se encarnado" em Fabrício Alves.
Um sonho muito bonito. Cheio de papeis e palavras, com café e conhaque (Pessoa bebeu uns três copos) e, claro, REPLETO DE POESIA.
Salve Pessoa me salvando... A poesia me resgata... (Soli)

Cansa, mas não demais menina pobre.
Abre as tuas asas à liberdade,
que a Terra é quase finda (na verdade).
Anima-te de ti para ti e pega a embarcação
que segue para as rotas da VERDADE.
Não cortes o pulso da poesia por tolices,
nem por coisas graves...
Tudo o que acontece é ensinamento.
Não foi o que disseste a tua irmã?
Não é o que te ocorre toda manhã?
Por que tanto temes a AMPLIDÃO?
Olha a caravana se arrumando,
vê quanta bobagem ainda sentes?
Remorso,
pena,
medo,
desconsolo...
Tudo são bons meninos
dão-lhe sinais...
Venha comigo agora, deixe de pranto.
Venha comigo agora, toma a nau!
Venha comigo agora e desce o pano
dessa tão pobre "vida real".

Solineide Maria e Fernando Pessoa (In sonho)

XX FOREI - Centro Espírita O Caminho - Itanhem

Manter o espírito ocupado com os estudos e as tarefas que o dignificam, é maneira segura de manter-se na trilha do Bem real e do Amor que redime. 
Um amigo



sexta-feira, 9 de agosto de 2013

PARA DIZER ADEUS

Solineide Maria compartilhou um link.

Para esse "ti" que não chega...
Que chega
e quer partir...
Que mal chega
e vai embora.
Para esse "ti" que só quer comer
e cuspir no prato,
e lavar os dedos
e levantar motivos de não ficar.
Para esse "ti" que não existe,
que não diz que ama...
Que só quer cama...

Solineide Maria

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O problema do ser...

Destinação louca do homem:
ser novo
em folha
amassada...

Solineide Maria

CANÇÃO DO AMOR ESCOADO

Você só dá importância
ao que não presta
ao que não interessa...

Faça o favor de ler,
de ver nas entrelinhas
o meu amor esticando,
se esticando,
por você.

Não se esqueça
lembre-se mais uma vez
de esquecer
o que não importa...

Você poderia me dizer
(no mínimo)
se queria casar,
ficar velhinho comigo,
morrer de rir,
assistir ao filme que seu amigo emprestou...

Você estava levando,
levando,
até ver onde
poderia
ia
e
s
correr...

TEMER APROVA O TRABALHO ESCRAVO

De onde saiu essa criatura que atende na função de Presidente de um país com gente que trabalha para pagar feijão, arroz, carne seca, água?...