quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A Poesia não é brinquedo (coitadinho do poeta)

A Poesia não é brinquedo.
Não manda recado.
Não diz a que horas chegará.
A Poesia não marca encontro.

A Poesia é quem manda.
O poeta obedece.
A Poesia é Senhora,
tem validade ad eternum.

O poeta, coitado, pensa
que manda.
O poeta, coitadinho,
pensa que é dono...

Senhora é a Poesia.
A Poesia tem a chave da hora,
tem a hora,
é dona de si.

Coitadinho do poeta...

PROCURANDO A POESIA...

Enquanto 2011 não vem
e a pausa é cansada...
Enquanto ouço a voz
da saudade de madrugada.

Enquanto nosso encontro
não acontece.
Enquanto a prece não
funciona.

Enquanto a ansiedade
é quem toma posse
toda semana,
toda semana...

Enquanto não há o que ver
de interessante na TV.
Enquanto isso tudo,
nada: se passa.

Por que não aparece um
poema bem legal p'reu escrever?

NASCIMENTO DO POEMA (ou da necessidade de escrever)

Basta...
sentir que se poderia viver sem escrever para não mais se ter o direito de fazê-lo.
Rainer Rilke

Não posso, não consigo.
A veia enquadra a mão,
passeiam gestos.
A voz noturna, bombeia as palavras.
Palavras!

Escrevo à luz de nada,
à luz do que queria.
Querer: outro nome para
anti-coisas não possíveis.

Preciso, preciso,
eis o termo correto.
A folha.
O lápis,
caneta?

Não importa,
já vai nascer,
já vai sair...
Apenas uma frase inicia,
uma frase,
o poema, a Poesia.

Para RILKE
De Solineide Maria

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

AINDA

Disse ainda, porque não pude
(ou não posso)
dizer para sempre.

Que o sempre ,
não sei quando,
pode ser um instante.

Disse ainda,
porque sendo assim,
há o momento seguinte:

Outro presente
dentro de um momento
que não existe.

Mas existe...

Ainda que não
seja assim,
às vistas...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Continua...

Olha só. As fotos continuaram.
No entanto, amanhã, postarei uns poemas que dei o nome de Poemas pesados.
Vocês vão gostar (suponho).
São pesados, porque falam de coisas pesadas.
Noutros casos, porque nos pesam nos ombros as palavras que tentam dizer essas tais coisas pesadas.
Estamos vivendo uma época pesada...
Um grande abraço agradecido.

Agradeço eternamente a vocês, pelo cuidado amoroso que deram aos poemas.
Ficou verdadeiramente lindo!
Nunca hei de agradecer direito.

UMA FOTO MAIS QUE ESPECIAL


Minha mãe,
eu,
minha filha,
meu pai.

MINHA FAMÍLIA

Claudia, Agildo, Elenilva, Jefferson e Tcharly


Amigos do Curso Letras - UESC.
Obrigada por comparecerem!
Fiquei imensamente feliz.

INSTITUTO DE FLAUTA PROFESSOR CARLOS OLIVEIRA


Professor Carlos e seus alunos abriram o Evento.
O projeto Instituto Professor Carlos Oliveira, é uma ideia de Carlos (professor de instrumentos). Não cobra nada dos meninos e meninas.
A gratuidade está presente também, na figura sempre alegre em apoiar e ajudar.
Obrigada Carlos. Obrigada aos meninos e meninas, à Silvana - esposa do professor.
Minha noite foi nossa noite!

Cibelle e Solineide


Últimos acertos!
O que falar?
O que calar?
Cibelle deu um show!

Hora de começar!

Mercedes Midlej


Mercedes, sempre elegante, numa conversa com Sira e Zélia.
Lucas, Designer Gráfico(amigo), mirando a todo.

Amigos, amigos, amigos...



Estou de costas e converso com o amigo Luiz Leite e a amiga Clícia.
Professor da UESC, Mestre em História, Marcelo Lins (meu amigo da época do secundário)de mão no queixo. Saboreando um salgadinho? rsrs

Estava tudo muito bonito.

FOTOS DE PAULO FONTES


Uma criatura de olhos de poeta esse Paulo Fontes. Clicou os detalhes assim: poetizando.

Cibelle Midlej - Minha amiga e Mestre de Cerimônia


Um abraço saudoso para Mercedes, sentada.
Minha amiga querida, obrigada por ter ido ao Lançamento, apesar do frio e dos dissabores dqueles dias.
Minha gratidão eterna!

De branco: Sira, Diretora da Aquarela (onde trabalho). As mãos pequenas de Anne, filha de Cibelle. Zélia, no canto esquerdo, minha advogada favorita. rs
Cibelle é a que tem a pasta na mão.
Ao fundo, meu amor.
Um cantinho muito especial!

Convidados



Os dois de camisa amarela: meu irmão Solivaldo Marques(costas) meu cunhado professor Joselito Machado.

Sentado de calça branca (canto esquerdo) professor Carlos, do Instituto de Flauta Carlos Oliveira.

Dona Regina e Seu Lourival. Minha mãe e meu pai.



Foi ótimo! Eles foram, apesar do frio da noite e do pouco jeito com Eventos demorados... Fiquei feliz da vida.

Os meus sobrinhos: André, Rejane, Regina . E Tiago (marido de Regina)

Flores e poesias

ALI LONGE NO MAR - Dia do Lançamento


As fotos são de PAULO FONTES - Fotógrafo de Ilhéus/Ba. Ele poetizou cada pose e detectou a Poesia a noite inteira, através de sua máquina fotográfica.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

ALI LONGE NO MAR

RAFAELA

Rafaela querida,
Escrevi umas coisas novas.
A Poesia às vezes não visita quem está com dores físicas... Às vezes, ela precisa se distanciar e olhar pela janela do nosso coração.
Às vezes ela manda recados, pelos corações que nos amam sinceramente. Do tipo que você me deu ontem:
"escreve aí Soli. Seu blog está uma pobreza". rs "Cadê a Poesia"?!
Obrigada viu!
Tomara que lhe seja útil as coisinhas que postei hoje. Hoje que Flora Maria desmaiou na cozinha... Um susto!
Mas agora está tudo bem. Ela se alimenta mal quando está solita em casa. E você sabe, ando agitada pela correria do papel!...
Um grande, imensamente feliz e com Poesia (em tempo) abraço!
Sua eterna amiga,
Soli

Tentativa de Cordel - Sobre a Influência deste na "Literatura chamada de grande"

DEPARTAMENTO DE LETRAS E ARTES
DISCIPLINA LITERATURA DO CACAU I – LTA 058
DOCENTE:
REHENIGLEI REHEM

Professora Reheniglei
Propôs para nosso grupo
Uma leitura importante.
De um texto muito bom,
Palavras muito pujantes,
De um autor pesquisador
Chamado Mark Curran.

Esse moço inteligente
Entendeu depois de estudos
Que o Cordel foi sempre fonte
De inspiração para muitos
Escritores importantes.
Citou o nome de alguns,
Mas escavacou foi dois.

Falou sobre Jorge Amado
Que foi sabido bastante.
Foi o primeiro a escrever
Influenciado sim
Pela escrita do poeta
Que se mistura com o povo.

Esse escritor baiano,
Esperto feito coruja,
Usou de tudo um pouco
Da cultura do folheto.
Dessa linguagem bonita
Que já foi discriminada
Por ser coisa popular.
Veja só, esse escritor
Romancista de mão cheia,
Inspirou-se nos cordéis
Historietas profundas:
Coisa viva de emoção
Porque povo e poesia
É rima que erra não.

Amado pegou o jeito
As palavras, a ideia,
O corpo do cordel mesmo.
Botou dentro das histórias
Bonitas dos seus romances.
Usou da linguagem toda
Dos sofrimentos do povo.

Falou demais do homem pobre,
Que trabalha por merreca,
Falou das mulher da vida,
Falou das mulher sozinha.
Falou dos home avarento
Dos coronéis abastados
Contou de toda essa gente.

Um poeta esse moço
Só que de escrita corrida,
De escritura de romance.
Ele sempre foi famoso
Por ter querido viver
Dentro da vida do povo.

Ariano suassuna
Foi o outro escritor
Estudado por Curran.
Ele mais se debruçou
Na obra tão conhecida
Desse malandro da escrita.
Malandro de muito bom!

A obra intitulada
Auto da Compadecida
Tem tudo o que é cordel
Dentro dela estabelecida.
Eita escritor danado,
O homem é arretado
Outro desse não se avista.

Suassuna até parece
Ter herdado da onça
Sussuarana, astúcia
Demais de hábil.
Literatura do povo
Misturou genialmente
Com a tal da “escrita boa”.

Para tal disposição
Ariano utilizou os cordéis
De Leandro Gomes.
Cordelista de mão cheia
Que nasceu na Paraíba
Sua terra de nascença:
A missão já tinha eia.

Este homem das palavras
Sempre deu a entender
Que gosta mesmo é do povo
E sua linguagem plena
De vida e de transparência.
Não dizem do pó ao pó?
Para Ariano é do povo ao povo.

No Auto da Compadecida
Os folhetos reunidos
O Enterro do Cachorro,
O Cavalo que Defecava Dinheiro
E o Castigo da Soberba,
Estão todas bem visíveis
E era pra ser assim mesmo.

O autor usou de tudo
Do Narrador que é o palhaço
Igual como é no cordel;
Personagens anti-heróis
Como é o caso do Chicó.
Teve inspiração também
De gente que convivia.

Curran o pesquisador
Que escreveu essas passagens,
Teve bastante trabalho
Para dar o seu recado.
Escarafunchou bem profundo
Tudo isso e mais um pouco.
Temos ainda um minuto?


Mais um minutinho dá
Pra gente se despedir
Agradecer Reheniglei
Pela indicação do escrito
Que tanto acrescentou
Sobre a tão bonita
E boa Literatura do povo.

"Cordel" escrito por Solineide Maria, lido na apresentação do texto de Mark J. Curran – Literatura de Cordel pelos discentes: Agildo Oliveira, Bruna Bispo, Jefferson França, Liliana Macedo, Priscila Cardoso e Solineide Oliveira, à Professora Dra. Reheniglei Rehem.

Setembro de 2010.

Versinho pueril (psiu...)

Sinto paz.
Você em minhas mãos,
eu no seu ombro.
O que eu quero mais?

SOBRE CERTA CHEGADA

Precisa, mesmo, que viesses,
E que trouxesses contigo,
Umas flores silvestres.
Flores novas para meu jardim.

Precisava, mesmo, de cores
Novas. De mais pão, mais
Gás no lampião, novas cortinas
Para antigas janelas...

Precisava.
Precisa de nova mobília
Para esta minha sala
Inabitada.

Precisa, mesmo, que viesses.
Que trouxesses umas falas
Novas. Novo discurso,
Ainda que revisto.

Precisava trocar a minha lente,
Cuidar direito da pele,
Deixar de roer as unhas,
Desanuviar...

Precisava, de fato, de tua chegada.
Eu, que nem sabia se virias.
Que nem sei se chegastes de fato.
Ainda mirro uma vez na semana...

Apesar de já ter alcançado
Ser menos mirrada do que antes.
Ainda desconfio de tal felicidade.
Coisa de poeta, desconfio...

Precisa, mesmo, que viesses.
Pois a lâmpada queimada,
Aguardava já empoeirada,
Sua reposição.

Precisava.
Precisava revisar a literatura.
Construir novos versos de ternura.
Ampliar a emoção...

PEDIDO DE CASAMENTO (refutado)

Ninguém quis (quer) casar comigo
ver meu vestido antigo
que a fada da Cinderela
bordou nele uns cristais.

...Ela pôs assim do lado
uma renda primorosa
e nas mangas, fitas tais
que nem sei como dizê-las.

Na barra ela bordou,
em tom charmoso de prata
rosas, flores e trigais.
Para enfeitar nosa vida.

Para enfeitar nossa vida
depois de casados enfim...
Mas ninguém quis,
(quer) casar mais.

Solineide Maria - 09-09-2010

DESEJO

um dia você vai dizer pra mim
as coisas mais bonitas
que já ouvi.

um dia você vai me olhar
assim, como fazem os
apaixonados, e vai sorrir.

um dia eu vou chegar
e lhe tocar até a sua alma
ebolir...

um dia vou conseguir
esconder, o quanto
já preciso de você.

NAMORANDO COM LAMBRETAS

Ele compra e limpa e borda amor nelas.
Faz uma assepsia que dá jeito de ver
até, a alma delas.


Elas ficam assim,
luzindo a paz de ser alimento
e momento de sentar
e olhar aqueles olhos...


Faz o sacrifício de apanhar
uma por uma:
essa sim, essa não,
essa sim, essa...

Vai separando e pensando:
"vai ficar uma delícia".

Eu apenas corto os temperos.
E de vez em quando
esbarro minhas mãos nas dele.

Ele arruma todos eles (os temperos) nelas,
eu olhando o carinho ali,
materializado em forma de mãos de homem.

Ele faz um molho especial,
desses que não se encontra,
desses que não se passa a receita.

Toda vez fica melhor,
toda vez é inédito.
Eu apenas corto os temperos...

Ele salta de alegria com aquele olhar:
"e aí? Está bom"?
Eu respondo que sempre está bom,
e que cada vez melhora.

Ele ri e diz: "se você diz, acredito".
A gente se olha e se fala sem palavras:
é tão bom dividir lambretas com você.

O amor bordado nas lambretas
vira namoro.
A gente conversa, ri, saboreia,
sabota dores,

dissabores cotidianos,
a falta de paz do mundo,
e segue feliz.

O POEMA SOBRE PAZ (QUE NÃO ESCREVI)

Queria hoje escrever um poema de paz.
Sair correndo, brisa leve em minha cara.
Paz!
Viver de hoje em diante em clima de harmonia.

Queria ouvir a doce campainha
Do amor compartilhado.
Sem sombras de amores ilhados,
Sozinhos, egoístas...

Queria ir e vir e abraçar,
E andar de mãos dadas
Coladinha com a esperança.
Colher em mim sorrisos de criança.

Queria tanto acreditar que é verdade,
Que o homem traz em si sinceridade,
Que o coração é mesmo casa
Que abriga emoção.

Quando meu Deus?
Quando vamos ver
A paz aqui em breve alvorecer
As frágeis intenções de nossas veias?

Solineide Maria

DEDICO ESTE POEMA À RAFAELA!

Publicado no Recanto das Letras em 20/09/2010
Código do texto: T2508784

AUSÊNCIA

Sinto sua falta...
Da voz poetizada,
das falas calmas.

Da rosa que você nunca me deu.

Sinto sua mão abrindo eu.
E sua boca nua
falando nada.

Nada além de mim
agora, é verdade.
Mas sou apenas carne.

Carne é pouco,
às vezes incomoda.
Sinto muito
por ser pouco.

Sinto muitas coisas,
mas no fundo,
noraso também,
sinto MAIS, sua falta.

domingo, 19 de setembro de 2010

Poema de acreditar

O que quer que aconteça
vou querer.
Combaterei o frio
por você.
Enxugarei os caminhos.

Quando os dias parecerem frios
vou aquecer.
Tudo o mais que aconteça...

Temo muito eu sei,
mas deixa estar,
que meu peito não teme
se me abraçar.

sábado, 18 de setembro de 2010

TAMBÉM NÃO DORMI

A insônia que invadiu a sua noite,
como intrusa, também veio
no meu quarto.

Deitou e riu da minha cara
de ansiosa,
Coisas de agora...

Fez piada do meu medo,
da minha falta de paciência,
da minha falta de ânimo.

Contou sobre umas coisas de você.
Eu não acreditei.

A insônia falou que fez umas bobagens,
umas traquinagens,
umas viagens.

Foi nessa hora que eu acordei.

O GRUPO

Na descrição inicial, o autor narra a figura do que seria o grupo a que se destinará a falar. Em seguida diz que o grupo é fragmento unido. Ou seja, somos, seria este grupo, reunião de emoções, sobretudo de sentimentos comuns, os mais vulneráveis possíveis. No entanto, em sendo grupo, não saberiam se proteger. Seria, então, reunião inútil...
Reunião inútil, porque não se completa em suas incompletudes. Não se protegem. Sabe este grupo de doze, trinta e seis pessoas, mais, menos pessoas? Sabe o que seja a ideia verdadeira de grupo? Estariam verdadeiramente unidos, apenas, pela certeza da morte e da dor.
O grupo seria uma reunião de seres que dizem ser grupo, apenas, na hora do caos. Mas nessa hora, seria grupo, porque haveria o medo de o caos se instalar próximo demais deste. São humanos buscando pela humanidade que ainda não teriam aprendido, apreendido.
A arrumação da crônica deste autor indica que sabe sobre o que está narrando. Primeiro explica e depois conflitua. Acaba com a ideia de grupo, nos tira o conforto, no momento em que escreve que este saberia sobre suas fraquezas de nascença. Saramago não chama à reflexão, ele nos rapta, nos seqüestra mesmo à reflexão sobre a ideia do que seja grupo: que é grupo?
Pergunta até mais simples de se responder, ao contrário de outra que me faço sempre: que é Saramago?

Sobre a crônica "O grupo" que está no livro Deste e de outro mundo. Editora Caminho, ano 1985.

domingo, 12 de setembro de 2010

Insisto.
A vida pede respostas.
Invisto.
Livros, Cursos, Apostilas...

Qual nada.
A vida não é assim:
tudo ou nada.
A vida é outra coisa...

Bobagem minha filha,
sua incapacidade
é incapacidade
e acabou.

A vida é simples sim.
Vem, acerta ou erra.
Vem quita ou se estrumbica mais
e acabou.

Poesia é para outras esferas...

terça-feira, 7 de setembro de 2010

LANÇAMENTO DO MEU LIVRO: ALI LONGE NO MAR.

Professor Dr. Odilon Pinto. Ou simplesmente "O maravilhoso Odilon" como chamamos eu e a Turma Letras 2007 até hoje. Foram três semestres maravilhosos na companhia desse "profissional" da Educação.
De camisa amarela, com meu livro na mão, Professor Samuel - Diretor do DLA. Sempre solícito, sempre disposto para ajudar. Sempre presente!
OBRIGADA!