domingo, 26 de maio de 2013

O MOVIMENTO DA MUDANÇA


Para mudar é preciso um movimento.
Não precisa ser um GRANDE movimento,
basta um movimento.

Pode ser o mais simples,
o menor de todos,
mas é preciso se mover.

Não se muda, 
ficando no mesmo ponto.
Não se muda, 
permanecendo no mesmo lugar...

É preciso mover-se.
Para mudar é preciso 
levantar-se,
sentar-se,
sair ou entrar.

Partir,
ou ficar, de outro jeito...
Mas é preciso mexer-se.

Solineide Maria
Maio de 2013

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Da alegria


Eu queria tanto escrever um poema alegre,
Bem alegre!
Tão alegre que não deixasse nenhuma fissura,
Nenhum espaço,
nenhuma borda
Sem sua maciez.
A alegria é macia
(deve ser).
Ela chega como os primeiros raios de sol,
Silenciosamente...
Ela abraça a pele, enxuga o coração,
Põe a alma da gente pra dormir.
Deve ser...

Solineide Maria

LIVRO

Levo a vida

Indo.

Vou, ou

Rezando, ou LENDO,

Ou amando...

(Solineide Maria)

Poema sem título 1

Poema sem título 1

Nascer é esquecer a morte.
Esquecer a data de aniversário.
De maneira que possamos encontrar vida
pós extinção.

Você precisa nascer para a vida, dizem...
Agora entendo...
Nem sempre viver é estar vivo.
Estar vivo
é atravessar com força as coisas.

Nadar ferozmente,
andar velozmente,
respirar vividamente.
Mesmo estando sem força...
No ápice da lentidão...
Por um triz de vida...

O meio termo não acrescenta:
estar mais ou menos,
médio,
fraco.
Nessas horas o improviso é perfeito.

O improviso é para os melhores,
mais safos,
mais vividos!
Viver é um auto-arrebatamento diário...

(Solineide Maria)

terça-feira, 14 de maio de 2013

O ATO DE ESCREVER

É preciso escrever com decisão. 
Com técnica. 
Com confiança, mesmo que a desconfiança entenda que estamos, lá no fundo, nervosos. Não é falta de interesse... 
Existem algumas técnicas muito úteis. Outras... São bem "mentirosas"... 
É preciso ler para ter o que escrever... 
Inútil se atabalhoar em palavras e palavras, se você não leu sobre o assunto sobre o qual se destina escrever (isso só não vale para psicografia). 
É preciso parar de frequentar salas de aulas (MUITO caras às vezes) se você não se decide por escrever. 
Tem que chegar em casa e sentar e ler e pensar e organizar o pensamento e escrever. Simples assim. 

Solineide Maria (2011)

sábado, 11 de maio de 2013

BILHETE PARA MADRE TERESA

Madre querida... Empresta-me teu colo, para que nele possa chorar, sorrir, acalmar minhas dúvidas. Madre bendita... Empresta-me teus olhos, para que possa enxergar (de fato). Empresta-me tuas mãos, Madre santa, para que possa escrever palavras iluminadas, “iluminativas”, Iluminadoras... Madre Teresa... Vem aqui hoje à noite, vamos tomar um café... Deixe-me falar bobagens sobre o que penso, ou, apenas para que veja meu olhar entristecido. Tenho certeza que com seu abraço, ele seria, de pronto, aquecido. 

Solineide Maria

BILHETE SOBRE CECÍLIA MEIRELES

Não se lê Cecília Meireles e pronto. Ela não deixa a gente descansar as ideias... Os sentimentos... Ninguém lê Cecília Meireles e pronto... Pronto e acabado não existe em Cecília Meireles. O poema , nela, fica em aberto... O leitor fica "paralisado" por uma hora. Pensando... Ninguém lê Cecília Meireles e vai para a praia tomar sol. Tomar cerveja. Falar bobagem... Ninguém volta ser a mesma pessoa depois de Cecília Meireles. 

Solineide Maria

segunda-feira, 6 de maio de 2013

"Amar se aprende amando"

Acabei de amar uma mulher. 
Ela me olhou nervosa, 
boca cheia de ar, 
mãos ansiosas... 
Agarrou com força em minha mão e gritou... 
"Você pegou meu lugar na fila"!!!!!!!!!!

Eu a toquei no braço e respondi: 
"Por favor, me perdoe... 
Cheguei e não perguntei quem era o último na fila". 
Pelo susto, minha voz estava embargada (medo). 

Ela me olhou e retrucou: 
"Não tem importância"... 
Seu tom de voz baixou 
 e seu olhar me pediu desculpas, 
ao mesmo tempo que confidenciava: 
"Estou tão preocupada com minha filha... 
 Parece que é leucemia". 

Colhi novamente suas mãos e nada disse... 
Ofereci um pão doce 
(havia passado na padaria, 
 depois do exame a fome se anunciaria). 
Ela aceitou o pão doce, 
eu desisti do exame 
e repartimos nosso silêncio. 

Ela contou que está sem trabalho, 
que seu marido foi embora, 
que amanhã a filha será internada. 

Respondi que ela tem sorte, 
pois está uma loteria 
um leito para internação... 

Ela sorriu e concordou. 
Quando o pão acabou, 
perguntei se queria algum tipo de ajuda: 
"ela disse que por ora o pão havia sido tudo". 

Agradeceu-me com um abraço 
francamente comovido.
Dei meu número de telefone e disse que podia ligar: 
"Conversar sempre ajuda", justifiquei... 

Ela encheu de lágrimas seus olhos, 
abraçou-me de novo
e selamos nosso "gozo" 
em silêncio. 

Solineide Maria

domingo, 5 de maio de 2013

PALAVRAS PRESAS

Palavras presas 
são doenças em ebulição... 
Quando não, 
já aparecidas na pele, 
na boca, 
nos olhos da cara e da alma, 
nos ossos, 
nas veias, 
no sangue...
NÃO!!!!!

Solineide Maria

sexta-feira, 3 de maio de 2013

RENATO ME DISSE EU TE AMO

Jovem de tudo lá pelas bandas de 198e bolinha era FÃ do Legião... Vocês já sabem. rs 
“Bueno”... Renato morreu e nunca realizei meu sonho adolescente: ir a um show da banda que “traduzia” aquela geração... Ele me descrevia também. 
Escrevi umas letras para ele. rs Pensava em mandar pelo correio. Ingenuidade. Para quê??? Ele escrevia sua tolinha!... Acompanhei como pude a discografia (gravava em fitas cassete). “Bolachão” não era barato para “pobre”. 
Aliás, arte nunca foi coisa barata para pobre (financeiramente). Eis que Renato Russo morre. Foi uma coisa muito triste, já escrevi sobre isso... E eu que nunca o vi pessoalmente, fiquei um pouco morta também. 
Morta por procurar outra banda que me dissesse. Outro poeta... Sei lá. Quando a gente gosta de alguém, a gente morre um pouco quando perde essa pessoa. Mas me aventurei mais pela poesia escrita (por mim e pelos poetas e poetisas). 
Comecei a perceber a “polifonia” nas letras de Russo, antes de saber o que era “polifonia”. Sabia que era leitor voraz e intelectual entre os do Rock nacional. Admirava ainda mais aquela figura tão longe de mim e tão próxima de mim. Estranho isso né?... Mas acontece. 
Hoje ele ainda me ajuda a resolver algumas questões pessoais... Sonhei com uma bela noite com ele. Com a Banda gente!rs Ele estava gravando um documentário e fui convidada pelo correio (kkkkkkkk). 
Chegou um telegrama! Pasmem! Avisando que fui sorteada para tal evento porque fazia parte de um grupo de fãs e tal. rs Fui. Ele cantou todas as músicas marcantes da carreira da Banda. E alegremente conversava sobre os assuntos políticos da atualidade. Maravilha... Discorreu sobre aquele moço (o que representaria os direitos humanos em certo país)... Disse, sorrindo, que “ele é um enrustido, coitado”. E sorriu. Todos sorriram. Depois cantou para ele a canção que posto agora. Foi tão bonito... 
No final do show, convidou quatro pessoas para tomarem café da manhã com ele. TCHARAN! Eu estava no quarteto. rsrsrsrs Tomamos café e chá e comemos croissant e bolinhos de chuva e fizemos piada das coisas e lhe dei, ao final, meu livro. Ele sorriu e disse: “conheço sua poesia. Leio de vez em quando”. PASMEI e segurei tão forte em suas mãos. Ele sorriu e disse: “continue escrevendo. É trabalho solitário, às vezes triste de dar dó... Mas vale muito a pena”. E brincou rimando: “e sua alma não é pequena”. 

Acordei com a sensação de ter segurado suas mãos (mesmo!). Acho que dormi tão tristonha (com certos acontecimentos) que fui agraciada com esse sonho. Visita? Viagem? Realização metafísica de um sonho? Renato me disse EU TE AMO!

Solineide Maria