segunda-feira, 6 de maio de 2013

"Amar se aprende amando"

Acabei de amar uma mulher. 
Ela me olhou nervosa, 
boca cheia de ar, 
mãos ansiosas... 
Agarrou com força em minha mão e gritou... 
"Você pegou meu lugar na fila"!!!!!!!!!!

Eu a toquei no braço e respondi: 
"Por favor, me perdoe... 
Cheguei e não perguntei quem era o último na fila". 
Pelo susto, minha voz estava embargada (medo). 

Ela me olhou e retrucou: 
"Não tem importância"... 
Seu tom de voz baixou 
 e seu olhar me pediu desculpas, 
ao mesmo tempo que confidenciava: 
"Estou tão preocupada com minha filha... 
 Parece que é leucemia". 

Colhi novamente suas mãos e nada disse... 
Ofereci um pão doce 
(havia passado na padaria, 
 depois do exame a fome se anunciaria). 
Ela aceitou o pão doce, 
eu desisti do exame 
e repartimos nosso silêncio. 

Ela contou que está sem trabalho, 
que seu marido foi embora, 
que amanhã a filha será internada. 

Respondi que ela tem sorte, 
pois está uma loteria 
um leito para internação... 

Ela sorriu e concordou. 
Quando o pão acabou, 
perguntei se queria algum tipo de ajuda: 
"ela disse que por ora o pão havia sido tudo". 

Agradeceu-me com um abraço 
francamente comovido.
Dei meu número de telefone e disse que podia ligar: 
"Conversar sempre ajuda", justifiquei... 

Ela encheu de lágrimas seus olhos, 
abraçou-me de novo
e selamos nosso "gozo" 
em silêncio. 

Solineide Maria

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