quinta-feira, 29 de abril de 2010

OLHAR INFRACTO (para você nunca deixar de chegar para mim)

Quero quebrar o meu olhar
para que não, nunca;
nunca deixe de enxergar
como você chegou.

Quero que ele fique para sempre,
vendo, você chegar.
Do mesmo jeito, mesma maneira.
Meu olhar vendo você chegar, sem parar.

Quero quebrar o meu olhar,
paralisando, assim, o momento
justo, de quando sorriu e disse:
"olá"!

Vou quebrar meu olhar
prender você ali, nele,
cá.


Solineide Maria

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Chá de alecrim, saudade de Lígia e mais um desencontro experimentado pela Bete

Certa pressa em sair. Constrangida... Talvez ligue procê. Talvez suma de vez... Pensei comigo: Que encontro mais desencontrado.
Nada de novo, em casa. E a solidão à tarde, veio em forma de chá de alecrim. Um pacote que o Correio trouxe, junto, uma correpondência que dizia assim: "em breve estaremos juntas minha amiga, tomaremos chá e choraremos nossos homens faltantes". Minha amiga Lígia, que saudade!
Um dia, juntas, num recital de piano, ela me confessou baixinho que já havia feito amor ao som da nona de Bach. Não contive as lágrimas. Lígia sempre muito romântica, coitada. E eu, sempre tão descolada (ledo engano). Você é uma tola Bete!
Hoje queria Lígia aqui. Pois não consigo me desvincilhar de uma história que apenas me enfraquece. E o pior de tudo, é que sei, intimamente, que devo dizer não a mi mesma. Mas como? De que forma, se minha pele também sente solidão?
Amanhã vou ao dentista; quem sabe reflita melhor, afinal, é na dor que surgem as respostas. Mas você já tem as respostas Bete, esqueceu? Você só precisa usá-las consigo mesma.
Ai Lígia, Lígia...

domingo, 25 de abril de 2010

A nova década

Véspera do ano 2000.
_ Quem diria! Exclamam uns.
E, derepente, o tempo parece ter mais pressa.
E as pessoas, todas elas, procuram
(urgente)
financiar um microcomputador!...
É uma euforia só.
A correria é geral às lojas
que vendem coisas desse tipo.
Lucram, lucram, lucram.
Há quem vá comprar um micro
e saia com tudo o mais:
novidades da informática.
E as ruas começasm a mudar,
as pessoas começam a mudar,
o mundo começa a mudar.

Ninguém percebe que continua tudo igual.

1990

A poetisa aqui, contava com 19 aninhos... rsrs
Passa o tempo à revelia.
O homem, ereto e solitário.
Sobram, para os que sonham, desesperanças.
E a vida, essa maldita e bendita soberana,
que despeja ódio aos que não cumprem
suas sentenças.
E enche de terror os que não a cumprem.
Passa o tempo à revelia,
e a sombra da noite na cidade,
passam as horas entre o tempo deitado no relógio.
Escavando vai, o homem, a terra.
A terra que é si mesmo.
Moldando um homem novo, mas velho, o de sempre...
Passa o tempo à revelia.
O tempo é um menino mal criado,
desses que não ouve nada.
Nem ninguém.


1990

Se fosse só isso

O tempo passa,
meus amigos passam,
o cão passa,
a chuva passa e o sol.
Os carros passam,
os meninos passam e os velhos.
Os namorados passam,
o dia passa e a noite.
A manhã passa e a tarde.
O tempo passa.
E eu estátua.

1990

sábado, 24 de abril de 2010

Amo um poeta
(muito)
que não crê
demais no amor.

No fundo amo
(penso)
a ideia
de ter um poeta.

De tê-lo aqui,
(por perto)
para me animar
os versos.

Amo a presença
(distante)
de suas mãos
que não são minhas.

Amo
(sinto),
mas é um pouco
triste este amar.

Porque é velado
(quase),
é acanhado,
é quase silencioso.

Não fosse alguns
poemas
que insistem;
por nada.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Sobre seu medo do meu amor e uma promessa sem data

Um dia, assim do nada
Deixarei de te amar.
Assim, simples.
Passou.

Um dia, de repente
Deixarei de te amar.
E nunca mais,
nunca mais...

Um dia, para sempre,
Deixarei de te amar.
Como fazem os amantes
que não voltam.

Como fazem os amantes
que não conseguem amar.
Um dia, assim do nada,
Sumirei na paragem.

Não sei se pela manhã
ou pela tarde.
Não sei se triste ou
decadente.

Não sei se de roupa
ou nua,
vazia ou plena de ter
te amado.

Mas por enquanto não garanto
nada.
Por enquanto,
ainda te amo.

A morte como suporte contra coisas de enganar

Forte e farta fui um dia
Mas o mar carregou tudo.
Meus versos, os meus bordados,
minha pluma, a poesia.

Levou. Carregou. Tomou.
Quedei com as mãos tendo cortes,
com olhos muy solitários.
Quedei somente com a morte.

A morte, então, compadecida;
ergueu o meu rosto triste,
colheu minhas mãos caídas.
cuidou de minhas feridas.

Disse num tom carinhoso
que a todos somente importa
se tens no barco algum dote.
Todo o resto são mimosas quinquilharias.

Bugigangas de brincar,
de inspirar, de enaltecer egos e corpos
preferentes de outros barcos abastados.
Poemas e bordados são bobagens de afagar.

Ela não quis me levar.
Deixou-me a salva na praia.
Aconselhou-me a ser forte e farta,
esquecer de velas, bordados, poesia.

Do Livro Ali Longe no Mar - Solineide Maria

quarta-feira, 21 de abril de 2010

CARTA DE SAUDADE


Sinto sua falta. Um cara falando coisas que eu queria dizer. Parecia minha voz ecoando por aí.
Ouvi discos seus, bolachões mesmo, ontem. Não me esqueço de limpá-los, depois, os protejo de mim, que ainda não consigo evitar que "me digam que não vale a pena acreditar num sonho que se tem".
Tem mesmo "gente que machuca os outros. Tem mesmo "gente que não sabe amar". Mas ontem estivemos juntos. Você dizendo coisas tão bonitas, sempre muito apaixonadamente e sinceramente interessado em dizê-las. Esqueci o resto das pessoas, todas muito desonestas, duas ou três interessantes, quatro que se interessam por mim, minha paz e felicidade.
Sinto sua falta. Você, no entanto, não estaria bem por aqui não, sei lá, posso estar dizendo bobagem, mas " o mundo anda tão complicado" Renato... Estamos todos fartos de nada e de tudo, e somos culpados de tudo o que acontece. Sempre foi assim, e, parece, sempre será . Sabia que estão desinventando o Amor? Agora, amar é tédio. Desse modo, as pessoas "ficam". Você que sentia a solidão imensa dos poetas todos do universo, você entende o que significam essas tormentas meu amigo? Daí onde você está, o horizonte está perdido?
Conheci você com quinze anos... Faz tempo já. E parece que foi hoje. Sabe aquele dia da justiça que você labuta com a voz na Fábrica? Ainda não ocorre, "o mais forte ainda escraviza quem não tem chance". O pior é que isso ocorre incluso nas universidades... Não está pior?
Foi sempre assim Renato? Você que sofreu a verdade mais de perto: foi sempre assim mesmo? Por isso você cantava que "esse ar deixou minha vista cansada"? Não duvido, porque quando você dizia que "toda dor vem do desejo de não sentirmos dor", eu fazia minha versão sabia? Cantava que "toda droga vem do desejo de não se sentir dor". Acho que isso que vem acontecendo; os seres não querem sentir a dor de perto, a dor de nada e de tudo, da fome, da solidão, da frieza dos humanos, da indiferença dos ricos, dos poderosos, dos professores doutores, dos padres, dos "falsos profetas" e se lançam cada vez mais para a marginalidade. O quadro é este meu amigo...
Entendo hoje mais que antes, sua fúria em Metal Contra as Nuvens: "estes são dias desleais". Mas você foi embora, foi embora "cedo demais". A droga que você bebeu, cheirou, fumou, se aconteceu, entendo. Entendo que viver é mesmo difícil e perigoso para os que se embrenham pelos caminhos da emoção. Amo-te mais ainda por isso.
Mas devo preservar meu coração e minha coragem, porque "tudo passa, tudo passará" e, embora, enquanto isso, na enfermaria, todos os doentes estejam morrendo; "apenas começamos".

PARA RENATO RUSSO

Solineide


terça-feira, 20 de abril de 2010

Desassossego II

O que tenho aprendido?
Tantas vezes me detive num estudo muy frágil:
Procurar em mim, eu mesmo.
Não consegui. Não consigo responder.
E essas cartas...
Tolo, idiota, homem comum!

Desassossego I

Sou um poeta sozinho que não sabe escrever.
Vivo apenas. Ou nem isto.
Sou um cidadão qualquer,
Ouço vozes, silencio...
Sou isto? Ou nem isto sou?

Solineide Maria
Você está vendo os sinais?
Quais?
Você está ouvindo?

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Vou não vou

Poderia ir
se estivesse bem,
mas no fim do mês pode ser que eu esteja.
E, pode ser, que além disso,
você,
eu,
estejamos com horas e horários livres.
Pode ser.
Mas no fundo, eu nem queria ir, para não ter
que deixar você.
Para não ter que lhe deixar.
Para não sentir que deixando você ali,
disponível, livre,
talvez nunca mais possa voltar
ali.
Lá,
em você.

domingo, 11 de abril de 2010

Não fique em Silêncio! Tem gente virando lixo...

Um poema veio aqui, hoje pela tarde. Conversou comigo numa voz tão triste... Perguntou: como pode aquilo lá (ele estava se referindo ao lixo humano e não humano da capital elegida para acolher os jogos).
Não respondi. Não era uma pergunta, era uma indignação sem força. Indignações, hoje em dia, em geral, são sem força...
Ficamos sem força por meio de meia hora. Ele querendo se posicionar, eu, tentanto, em vão me dispor.
Ele, em palavras tristes e melancólicas, eu, com vergonha de tudo. Incluso de mim.
Olhamo-nos, e percebmos que ali, naquele momento, e durante alguns dias, nosso encontro seria atrapalhado.
Entendemos que palavra forçada é palavra abortada. Ficamos, os dois, calados.
Antes de ir embora gritou para mim: não fique em Silêncio! Tem gente virando lixo...

Mãos desatadas

Não desejo escrever livros que enfadem o mundo
Com algumas confusas emoções.
Sentimentos...
Não sei escrever para este Mundo.
Nem desejo escrever para nenhum deles
Alguma coisa que não seja útil.
Mas é tão triste não falar sobre a tristeza deste Mundo.
Estamos muito afastados. Muito...
Os Anjos, para onde foram?
Diziam (os mais velhos), que no fim do Mundo
Haveria Anjos e trombetas...
Nem Anjo e nem Música Divina.
Nem um Serafim...
Contentemo-nos uns sem os outros.

Solineide Maria
Fico sem força quando vejo o lixo que fomos,
praticamos,
seremos.
Quando haverá a fatalidade
da alegria?
O que esperamos?
Fico sem viço,
nada a declarar.
Nenhuma palavra tem a força
de expressar o lixo
que seremos,
praticamos,
somos.

PEÇO PERDÃO AOS MEUS IRMÃOS.
DE CORAÇÃO.

Não sumi não

Pessoal!
Não abandonei esta via de comunicação. Passei uns dias sem computador e um pouco sem força (sinusite). Mas estou de volta e publicarei coisas novas logo. Loguinho!
SOLINEIDE

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Oração para Madre Teresa

Madre Teresa:
Não me deixe voltar a ser a mesma de um minuto atrás.
Não me deixe exceder em humildade, quando isso beirar falsa modéstia;
No entanto, não me deixe faltar com a humildade.
Mas se não existir meio termo, Querida Irmã, que eu seja então,
O pó das sandálias do mais adoecido leproso, que um dia a Senhora cuidou.
Não me deixe ser feliz demais, porque aí, eu esqueceria de agradecer a Deus.
Mas não me deixe na tristeza sem consolação nenhuma.
Abraça meus irmãos mais solitários, porque, aparentemente, já sei um pouco
Lidar com a solidão.
Afinal, hoje não me sinto mais solitária.
Amada, Abnegada Irmãzinha, pega na minha mão
Preu não querer escrever apenas minhas poesias tolinhas.
Que eu seja um instrumento para uso útil da literatura que edifica
Aquelas almas mais desiludidas.
Ó Ilustre Mãezinha dos sozinhos, rechaçados, segregados,
Abraça meu espírito e me inspire o melhor;
Para dar o melhor de mim aos meus irmãos carnais e
Espirituais.
Que assim seja.
Amém

20:27 Solineide (obrigada Alaor).

Oração de antes de dormir

Eu tenho uma filha pra cuidar
E um chinelo que não cabe, direito, nos meus pés.
Ontem de noite cheguei a pensar em sumir
Por aí...

Sem graça, sem grana, sem grão-visir;
O que Você quer que eu faça?
Deixa eu abrir meu peito,
Deixa eu desabafar.

Quero Lhe contar,
Você pode me ouvir? Então fica quieto,
Quietinho,
Depois você dispara um conselho.

Depois Você me bota pra dormir.
Mas me deixa uns dois sonhos extras,
Porque acho que terei insônia
Acho que não sei...

Solineide Maria

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Meu último poema de amor

Eu queria lhe escrever um poema, onde não houvesse nenhuma frase conhecida: verso ou rima. Mas não sou capaz de alcançar tais coisas, antes de nascerem.
Então, com as poucas palavras que tenho, peço que me ame.
Ao menos minta que me ama; que um dia ocorreu algum tipo de ensaio de tal sentimento por mim, em ti.
Até porque, este, nem eu mesma sei se o compreendo e sinto. Tantos já falaram (e escreveram) sobre ele, e veja a que ponto chegamos... Cheguei.
Não quero escrever sobre isso. Quero escrever-te o meu último poema de amor:

Assenta-te aqui, peço,
ouve, como minhas mãos
(que são sempre tuas)
querem teu toque.

Assenta-te, e, cala em meu ouvido,
algum silêncio que fale
sobre ribombos de uma paz
que nunca chegou.

Traz tua pele e dedica
à minha, um pouco do calor
que ela libera.
Não me abandone ao sonho inacábel.

Asseguro-te que não te chamarei mais
e, que, antes de partires,
já não será preciso saber
se viestes, ou, se sonhei.

Asseguro-te que não mais te chamarei,
nem horas mais, terei, de insônia insana.
E nem pranto nenhum, mais, chorarei,
porque terei sido feliz alguma vez.

Um dia basta quando amamos.
Um poema basta quando amamos...
O silêncio basta,
basta o segredo, o passado, um sonho.

Carrega, no entanto, estes versos
cravados em teu peito para sempre.
Não saberás jamais se foram escritos
ou se se são milagres transparentes.

Este meu último poema de amor,
será, então, o nosso Testamento.
Apenas versos frágeis feito ele...
Apenas isto, nunca mais, outro, escrevo.



quinta-feira, 1 de abril de 2010

Declaração

Componho sim, versos românticos.
Mas não sou apenas a que sente
saudade,
solidão.

Também me afeta a violência deste,
que é um mundo,
em plena podridão.

Também sofro pela menina que não mais brinca,
pois, de pronto,
escolhe o lado menos pueril
que a vida lhe apresenta.

Também choro pelas putas
pobres,
pretas,
roxas luzes que nunca brilharão.

E choro igualmente pelas putas
brancas
bonecas
de aluguél
que apenas animam uma noite
de alguém que nem se diverte.

Sei dos meninos serviciados
pelos seres viciados por tão vil
imperdoável sensação!

Sinto muito pela idiotice
dos que acreditam em alguma verdade
nas próximas eleições.

Não deixo de rezar pelas mulheres
que morreram
porque acreditaram no "amor",
e se entregaram a relações sombrias,
com homens igualmente misteriosos...

Não me esqueço do planeta que sufoca,
sem ar,
sem água,
sem chão.

Componho sim, versos românticos.
Mas não sou apenas a que sente
saudade,
solidão.

Embalde não.