domingo, 27 de fevereiro de 2011

OS DOIS CAMINHOS

Tenho dois caminhos por seguir:
Um me diz sempre que a vida é doce
E santa,
O outro desmente.

O outro caminho, lapidoso,
Diz que estarei evoluindo,
Caso suporte a dor
Que for surgindo.

O caminho de luz e alegria,
Traz um monte de coisas numa cesta:
Flores mis, festa e dança.
Serpentinas...

O caminho que diz que evoluo,
Faz das tripas coração
Para me ofertar algum pão,
Alguma água, um cadinho.

Não consigo eleger...
Tenho que decidir:
Ser feliz e dançar?
Sentir dor e crescer?

De Solineide Maria 


Fotos: Solineide Maria - Local: Praia da Barra em Ilhéus-Bahia. Janeiro 2011.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Quero ir para onde vou


Quero uma hora sozinha
para brincar de ser eu.
Para brincar de ser minha,
quero uma noite inteirinha.

Para brincar de ser mais
que uma pessoa sozinha.
Na busca de ser melhor,
quero esquecer minhas rinhas...

Rinhas de mim para comigo,
brigando para vencer
meus vícios, as más tendências
quero sim soerguer.

Quero uma vida inteirinha
para acertar quem eu sou.
Para acertar a altura,
quero ir para onde vou.

Solineide Maria

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

TIPO ASSIM

Quero escrever uma música
Com refrão simples assim.
Tipo...
Tipo assim.

Uma música.
Uma música que diga o que sinto
Assim... tipo dessas músicas
Sabe?

Tipo assim, essas músicas românticas,
Essas de amor, de romance.
Sabe?
Tipos assim, bem fáceis.

Com um refrão tipo bem fácil,
Tipo assim...

Para Isaura
De "tia" Solineide

E a menina me dizendo "tipo assim" e eu sem entender o que ela estava querendo dizer. Foi muito engraçado. rs 
Eu perguntei que tipo de música ela mais gostava, ela disse que todas, mas que estava apaixonada e queria escrever uma música para ele. "Poesia é difícil tia", disse assim e foi para a cadeira. (sala de aula)
A conversa me inspirou. Quase escrevi alguma coisa... rsrs

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O CASAMENTO

Dizem que é preciso ter coragem para casar. Pode ser sim, mas minha mãe casou com a primeira feira comprada com dinheiro emprestado. Estão juntos (casados) faz 50 anos. 

Acho que as pessoas casam porque querem ficar mais perto... Porque desejam se conhecer nas dificuldades; porque querem ver a cara amassada do outro na hora em que acordam pela manhã; porque querem ver o outro de roupa comum...

O casamento é resposta ao desejo da companhia daquele ser que gostamos mais intensamente, por mais tempo, perto da gente. 
O casamento pode ser (também), vontade de ter alguém para dividir o silêncio. Mas dividir silêncio não é estar sozinho.

Quando dividimos silêncios, há um diálogo individual. Você sabe que o outro está com a cabeça pensando muitas coisas, MUITAS... E que essas coisas não são suas. É conversa muda, secreta, de nenhum dos dois... e dos dois.

Tenho uma filha de 13 de uma relação amigada.
Minha Flora nasceu fora da vida arrumada em pai, mãe e filha. Daí em diante tem sido um casamento entre mãe e filha. É um ótimo casamento, mas às vezes, naqueles dias mais tristes do que tristes, seria bom casar e ter outro filho, outra filha, e sorrir da pipoca que caiu, enquanto assistimos "A era do gelo" todos misturados no sofá...

Digam sim ao casamento! Digam sim ao companheirismo! Digam sim ao amor!

Solineide Maria

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

CASO SIM (a resposta idealizada)


Caso sim
Mande fazer a barra do vestido
Prepararei o vinho e o bolo:
Eu mando Lio fazer.

Convidados, apenas os amigos
E aqueles que conosco se alegrarem
Por termos a coragem de dizer
Sim - ao amor nascido.

Já tenho roupa,
não se preocupe comigo.
Ademais, o que importa é estar bem
Para lhe aguardar.

Sei que não tens muitas vaidades,
Que preferes as coisas mais simplórias,
Sei o quanto se alegra com apenas
Um café e uma história.

Caso sim,
A viagem será para uma praia,
Onde a vista pro mar se alongue
Tanto, que nem precisaremos de proa.

Caso sim.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

ONDE FOSTES DESAGUAR?

Cadê os barcos e as canoas?
E as águas que corriam alegres
Fazendo chuá, chuá?
Cachoeirinhas de águas
Caindo por sobre as pedras...

Onde foram parar as corredeiras?
Onde,
Diz menino triste
Cachoeira...

Cadê as  lavadeiras e seus filhos?
Onde foram parar suas risadas,
Brincadeira de pirata,
Onde, Cachoeira,
fostes desaguar?

Solineide Maria


O MEDO

o medo veio ontem em minha casa,
contou-me de diversas travessuras
que quis empreender,
mas receou, preferindo dormir tardes inteiras.

Contou-me que quis ir à uma praia
onde se fabricam velas indestrutíveis
para aqueles que desejam velejar seguro.
No entanto, resolveu deixar pra lá...

Lembrou-se que quase foi à China,
quando assistiu a um documentário,
e ligou respondendo alguma coisa.
Sortearam o seu nome. Mas sozinho? Viajar?

Perdeu, o medo, a oportunidade de amar,
porque não se acostumaria com a tristeza,
se a amada (ou amado) o abandonasse...
Melhor se aquietar com as almofadas.

O medo nessa hora chorou muito.
Disse-me que quando for mais corajoso,
esquecerá de todos os perigos
que almas muito frágeis alimentam.

Mostrou-me como suas mãos tremiam,
pediu-me que servisse um café,
mas logo desistiu: medo de insônia...
Abraçou-me frouxinho e disse: até...

Solineide Maria
16-02-2011
Para mim, para Rafaela, Priscila, Agildo, Neide, Flora, Rejane, Paula Faraone, Sirlene, Lenívia, Bruna (que quase não tem medo), Selma.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O AMOR


O amor, disseram, é um tal fogo que nos consome.
Tal labareda que instiga uma fome.
Trilha que perde e de repente triste se faz.
O amor, disseram, é uma luz
Que se distrai.

É uma palavra mal usada e não mais dita
Da forma exata de como um dia fora inscrita.
O amor, não sei,
Parece luz,
Parece fogo, parece brisa...

E este meu amor, querido homem:
Agora sopra uma certeza que já não sabe
Nem onde e nem quando se assegure.
Talvez exista porto, casa, peito,
Paragem.

Mas é que o medo agora
sopra (quase) unânime.
Quase maior do que a certeza
que antes soprava,
Em teus ouvidos uma mensagem.

Também, eu, quero te encontrar
Num espaço e tempo ainda possível
Para amar.
Seria, no entanto, auspicioso?
Fornalhas entristecidas
Podem voltar a foguear?

O amor, disseram,
É um contentar-se de descontente.

Inverno de 2010.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Entrevista Especial com Pedro Demo sobre Educação

É triste mesmo

É mesmo triste esperar príncipes encantados,
ficar na espreita de um doce e bom cavalo
ou barco.

É mesmo triste olhar e ver que tudo é vago.
Que o silêncio é o nobre amigo
do pouco abraço...

Também é triste ficar vivendo de temperança,
perder a hora, perder a crença, perder a dança.
É triste mesmo ficar perdida, feito criança numa avenida.

É triste mesmo esperar sempre uma mudança,
e se abraçar ao vão de um fio
de esperança.

Para Paula Faraone e eu (rsrsrs)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A MEMÓRIA DO TROVADORISMO NA CANÇÃO ADMIRÁVEL GADO NOVO

video

Este "clipezinho" fez parte de um trabalho realizado por Solineide Maria (essa que vos escreve)  dois colegas do Curso Letras - UESC/2007-2011. Deu saudade... a gente ainda verdinho, lá no início, tateando o que era estar na Academia. rs
Um abraço para Agildo Santos e Bruna Bispo, pessoas que se tornaram amigos meus.

DESENCONTRO (OU O CANSAÇO DOS SENTIMENTOS)

Ele chega e senta e diz olá. Eu, pensando no primeiro encontro. Por que não conseguimos encontrar nosso parceiro de meses, como se fosse o primeiro encontro e experimentar o olhar e a ansiedade do beijo, a empolgação de querer ouvir e querer falar?
Por que, em algum momento, perdemos a paciência de deixar que o outro se fale, se exponha e seja dono de suas opiniões e se estabane todo querendo se dizer e se expressar?
Por que será que diante das primeiras falas, após algum tempo juntos, há uma certa morosidade no ouvir e no falar? Onde deixamos que o fio inicial se estique e esgarce? Onde?
Ele diz olá e avisa - sem emoção - que não pode demorar. Eu, então, penso em falar: por que me chamou? Por que me convidou? Não digo, não consigo dizer. Porque não conseguiria, depois, desdizer. Então respondo que tudo bem, pois que não saberia o que fazer se ele desaparecesse...
Daí eu conto que fiz umas coisas e outras, ele com o olhar atento não sei a onde. A onde é que a gente perde o olhar do do outro? Por que o olhar atento à nossa fala, lá do primeiro encontro, volita para outras mesas?
Digo, numa tentativa de que me olhe novamente, que talvez viaje para longe durante uns dias... Ele pergunta se pode pedir a conta. Percebo que não ouviu, percebo que não me viu. Percebo que não foi me encontrar, que foi comer, beber um chope, um guaraná, mas que faltou ir para me encontrar.


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

"MULHER DEMAIS DÁ PROBLEMA"

No início, todos estavam nus
e era bonito.
Depois (com a traição)
todos ficaram envergonhados.

Eva já não satisfazia mais,
tinha de ser com mais...
Foi quando Adão percebeu
(hoje em dia)
que mais de uma mulher,
que mulher demais
dá problema.

Problema 
é que tudo demais dá problema.

No início
todos eram nus,
e era bonito...

sábado, 5 de fevereiro de 2011

A SOLIDÃO


A solidão é muito bonita,
mas nunca acertou no amor.
O tempo, seu atual namorado,
só quer passar um tempo com ela...

É muito lida, sabe alemão,
às vezes costura cortinas artesanais.
Sabe tantas coisas sobre o mar,
lá moram muitos dos seus ancestrais.

A solidão é um tanto imatura,
acredita no outro demais...
Acredita que tem uns que gostam dela.

A solidão é um tanto esquisita,
adora chocolate, laço de fita, literatura.
E nunca acertou no amor...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O TEMPO

O tempo dorme muito.
Em sua casa não existem relógios.
É amigo intimo da saudade
E namorado da solidão.

Em sua cama, sempre desforrada,
Ficam livros sobre a confusão do ser
diante do tempo.
Ele gosta muito de Platão.

Ele ri do ser. Ele é o tempo.
Sua namorada agoniza,
porque passa mais tempo sozinha
do que por ele acompanhada.

Mas ele não liga,
faz sexo com ela
para tirá-la de tempo.

Ela, então, fica feliz.
Mesmo sabendo que depois
de um triz de segundo, sentirá solidão.

Solineide Maria


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A SAUDADE



A saudade tem um chale violeta.
Ela chora mil vezes por dia.
E senta para tomar café,
quase toda hora.

A saudade não tem hora,
sua casa não tem relógios.
Esse tempo, para ela, não existe.
Será que, por isso, ela quase não dorme?

A saudade gosta de Poesia,
lê um livro por dia. Sabia?
Sabia que a saudade gosta de dançar,
mesmo sendo tão melancólica?

A saudade tem um chale violeta.
E muitos papeis em sua escrivaninha,
escreve cartas, bilhetes e aforismos;
gosta de ver o sol se despedir, todo dia.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

MUDANÇA


No que você muda, saem coisas velhas do fundo das gavetas. E saem de si.  Do seu ser intracasa.
No que você põe dentro da caixa a roupa em desuso, faz usar a ideia de doá-la.
Desmontando a casa, você encontra coisas dadas por perdidas:
alegria,
entusiasmo,
esperança,
euforia,
botões,
brinquedos,
fita para cabelo,
fita para empacotar,
par de meia,
par de sapato,
pilhas,
presilhas,
roupa desaparecida,
tesourinha...
Coisas tão sumidas, que se faz difícil crê-las encontradas.
E dentro de nós também ocorre mudança: de conceitos, emoções, rumo, pensamentos, sentimentos, visão...
Estarão a salvo, os maus hábitos, estes, são terríveis de serem extirpados...
É preciso, para com com os tais, vontade firme de vê-los extintos! Mas tudo é possível quando a ideia de mudar nos acompanha.Na mudança, há rearranjamento, reajustes, retoques. Então, você se toca mais uma vez, que coisa definitiva não há.
No que você muda, saem coisas velhas do fundo das gavetas da memória: cerebral, coronária, emocional. Você as atualiza, guarda as saudáveis, segrega as menos saudáveis, localiza, limpa, reorganiza os sentimentos: sente alguma melancolia novamente e continua a vida.

O IDEAL SERIA MUDAR
TODO SANTO E 
BOM DIA!
Ótimo Fevereiro, Março, Abril, Maio, Junho, Julho, Agosto, Setembro, Outubro, Novembro, Dezembro, Janeiro, Fev...