segunda-feira, 25 de junho de 2012

Outras palavras

Agora escreverei outras palavras
que rimem festa e paz
em nossas almas.
Agora escreverei coisas de luz:
feito as que foram ditas
por Jesus.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Prece para Santo Antonio (ou quase isso)

Santo Antonio,


dizem que você é casamenteiro.
Dizem que anda a unir casais...
Ai, ai...
Dizem que sabe dar cor às relações,
que sabe trazer paz para todas as uniões.
Disseram-me para lhe fazer um pedido:
mas qual?
O que se pede para um santo que arranja casamentos,
a não ser casamento?
Não sei se quero casar Santo Antonio. Difícil me entender,
difícil entender o outro, difícil ser feliz em dupla.
Um par de pessoas é coisa muito difícil.
Uma pessoa já faz tanto estrago em si mesma,
imagine duas...
Mas peço que abençoe aquelas uniões
que melhoram a vida dos viventes.
Todas elas:
de pais e mães que formaram família,
de casais que sabem que querem formar família,
de pessoas que se encontraram para ficarem unidas.
Para mim,
peço a paz de unir-me comigo mesma:
e não ferir ninguém (mais).

Diálogo (ou da necessidade de escrever)

O verso para me olha e ri,
viu minha falta de entendimento.
Pergunta baixo: _ Quer prosseguir?
eu calo muda... eis meu tormento.


Ficamos tesos, parados ali;
uma conversa de mil silêncios.
Cortando o frio o gato passa:
a cena volta a ter movimento.


Ele me diz: _ Acho que sim,
acho que você quer ir adentro.
Eu lhe pergunto: _ Achas que devo?
Ele responde: _ Precisas disso?


Boa resposta, sincero amigo.
Por hora é só, e lhe respondo:
_ Sim. Necessito!


Para Rainer Maria Rilke



terça-feira, 5 de junho de 2012

Nosso SUS é JeSUS


Sentada esperava o atendimento médico (terrícola).
Desde cinco horas da manhã, estava numa fila para pegar uma senha. 
A senha me daria direito à marcação de uma consulta. 
A consulta seria marcada para uma semana seguinte (ou mais, é meio uma coisa de"sorte"). 
Segundo Dona Maria, companheira de fila, a chamarei assim, "tudo é coisa de sorte".
Dona Maria é uma dessas mulheres idosas, que assomam os Postos de Saúde do país (Brasil). Mais especificamente, da cidade de Itabuna, no Estado em estado de lamúria: Bahia.
Todos estavam meio sonolentos, mas ela estava a todo vapor. Estaria excelente, não fosse a catarata que aguarda cirurgia faz um ano...
"A televisão diz que é só vim no Posto ne minha fia?" Perguntou afirmando - aquela senhora simpática, apesar de "nitidamente" sofrida. As mãos calejadas, as unhas (duas) ausentes dos dedos. Soube que fora por causa de tanto lavar roupa "dos outros".
Respondi que a televisão mente. Ela riu. Confirmando minha suspeita: ela não tinha mais nenhum dente. A televisão também mente sobre isso... Brasil sorridente? Aonde? 
Não seria: Brasil, o país que sorri, mesmo sem dentes?!
Fiquei sentada num dos batentes da porta (fechada) depois de pegar o número 28 - minha senha. 
Dona Maria pegou a senha 29, dos idosos... Ela me olhou e falou: "quase que a gente se inguala ne?!" Mostrando-me seu número. Respondi que poderíamos trocar, para que ela fosse atendida antes de mim, que cheguei depois.
A criatura, bem humorada, àquela hora da manhã disse: "precisa não minha fia, quando saí de casa, deixei o feijão no ponto. Quando vortá é só fritar uma carne e tô sartisfeita."
Tive inveja dela. Quietinha, calada ali, senti inveja, admito, daquela mulher. Conversadeira, faladeira e animada. De seu, uma sacola de plástico com a documentação necessária para o atendimento no posto: identidade, cartão do SUS e cartão da farmácia do posto.
Contou-me que tinha ganhado uma "casinha do Governo", mas não deu para se mudar, porque invadiram-na. Disse-lhe consternada: oh meu Deus, que coisa... 
Dona Maria, muito fervorosamente disse-me para não ficar triste porque foi Deus: "mataram um lá 'drento' minha fia!" E fez o sinal da cruz.
Nisso já eram sete horas e a movimentação indicava os funcionários chegando. Minha amiga logo me aconselhou tomar meu lugar na fila: "o povo enrola, fique esperta!"
Nós duas ficamos empareadas: ela na fila dos idosos e eu na fila comum. "Dá pra continuar a prosa ne?!" Toda contente me oferecendo seu lanche, um pacote de biscoitos "poca zói": "é meu biscoitcho favorito!" 
Deu -me vontade de chorar, porque aquela mulher me trazia vontade de ser tão pobre, mas tão pobre, feito o mais pobre dos devotos de Cristo...
Lembrou-me Madre Teresa, lembrou-me Irmã Dulce, lembrou-me Santa Clara, porque fiquei sabendo ainda, que aquela senhora, cuidava de uma vizinha que fora abandonada pela família, uma senhorinha de setenta e seis anos, paraplégica e asseverou-me: "ô minha fia, fiquei pensano anssim, que eu não tenho nada, mas posso ser uma irmã de coração dela ne?"
Quis morrer de vergonha!... Eu, que tantas vezes acordo para a inutilidade de um dia inteiro de bobagens vãs... 
Contou-me que às vezes ela agradece aquela vizinha irmã ter aparecido, porque era sozinha no mundo. Não casou, não teve filhos, nem marido... "Querdita?!" Acredito. Acredito Dona maria...
No final, estávamos pertinho do atendimento da senha, a moça olhou para ela e disse: "a marcação para oftalmologista acabou." Ela me olhou, sorriu e disse: "é minha fia, nosso Sus é JeSUS!" 
Pedi que fosse ao "Lactário" (posto do bairro vizinho). Ela disse que iria no outro dia, falar com uma amiga na Prefeitura. Abracei-a e disse tão do fundo do coração: obrigada!
Ela respondeu, "oche! por mode os biscoito? Quê mais minha fia?!" Agradeci e respondi: "obrigada por tudo!" 
Nem sabia mais se queria marcar consulta depois de ter estado com aquela senhora, tão simples e tão rica. Acho que foi um presente Dele para me curar um pouquinho de mim... Concordo Dona Maria: nosso Sus é, definitivamente, JeSUS.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

"Toda dor e desequilíbrio vem e passa"

Tudo vai se acertar.
Esses acontecimentos todos:
servem para acordar
as consciências.


Lembremos Emanuel:
"Toda dor e desequilíbrio,
vem e passa."

Prece para a Médica Ângela Tenório

Senhor,

estudei para salvar vidas e ter dignidade de pagar o ônibus ou a gasolina.
Estudei para cicatrizar feridas e suturar ferimentos.
Estudei para estar perto de Deus, já que, como Ele, poderia devolver vida, esperança e ânimo.
Estudei e formei-me Médica.
Como a Santa Madre Teresa, sinto dores e odores:
diariamente.
Sofro também com o diabetes que apenas se desenvolve. Além disso, Senhor, sou hipertensa.
Faz muitos anos que sou Médica, mas nesses últimos tempos não tenho mais orgulho de minha profissão.
Somos um bando de trabalhadores sobrecarregados. Assim como eu, existem milhões, na mesma situação.
Poderia ter comprado um Big apartamento, se tivesse sumido para o interior do Nordeste há uns vinte anos atrás... Não o fiz, por ter consciência de que devia devolver ao meu próximo a "caridade" do meu atendimento.
Lógico que queria estar bem, com boa poupança e vida (nada demais) se tivesse o reconhecimento financeiro e moral que a profissão merece.
No entanto, não deu certo... Nasci num país de mentiras, quando não, de meias-verdades...
Nessa prece sem força, peço que não me condene por desabafar e dizer que sinto muito, mas abro mão de minha função salvadora... 
Quero que aconteça comigo, o mesmo que ocorreu com aquele "padrezinho" do interior, num vilarejo de pescadores, que sugeria operar milagres (da crônica de Raquel de Queiroz)... 
Peço que o milagre que me caiba, seja o de ser simples mortal e, se for possível, morrer dormindo. Para não chegar a confirmar que a Saúde não teve salvação...


A crônica cujo me refiro,  intitula-se "O padrezinho santo". Consta no livro Cem crônicas escolhidas de Raquel de Queiroz. Editora: Círculo do Livro, páginas 201, 202, 203 e 204. 

EQM da Saúde

Bilhete para Jesus

Um ser em mim pede paz,
a paz que há pouco perdi.
Pede mais,
mas não ouvi...
Um ser queria ser mais,
correr, quem sabe, sorrir:
mas onde há, que seja real,
a alegria de ir e vir?
O transporte em greve,
a Educação em EQM,
a Saúde em coma...
Um Ser para mim diz:
- Não desista!
Diga-me, no entanto:
Como? Onde? Quando?

sábado, 2 de junho de 2012

ATO DE CONTRIÇÃO

Meu Deus
me arrependo de tudo,
mas acredito na Educação do Espírito,
na Fé,
na Vida em seus Códigos Secretos.
Realmente não mereço Seu olhar,
mas acredito no labor de todo pobre 
e de todo rico que tem 
MESMO um coração.
Não tenho o direito de Lhe Ter
como Salvador e Diretor,
mas acredito que a Força do Divino
pode ter dó de nossa
pobre condição
(desumana).

Para a Bailarina pobre que mora na minha Rua

A bailarina dança,
pulando,
contra a lama
que a chuva acumulou
na rua suja,
do bairro onde reside.
A bailarina é tão bonita...
Falta-lhe a meia-calça,
falta-lhe o chumaço do coque,
mas ela vai tão elegante,
mesmo sem dentes...
Mas ela vai tão alegremente
mesmo de sandálias simples...
Mas ela vai tão realizada,
que dá pra ver que é, mesmo,
uma bailarina.
Vive saltando contra as falhas
de sua vidinha severina...
Te amo bailarina da Rua Bela Vista,
Bairro Mangabinha,
Itabuna-Bahia!




Para a pequena bailarina (pobre) que passou pela janela lateral da cozinha da casa onde moro com minha mãe há muitos anos. Mas de uns tempos para cá, desde 2005.