quarta-feira, 28 de março de 2018

50



Não parece que faz tanto tempo que você se foi… Mais de centenas de canções estão o tempo inteiro a recordar que você existiu. Existe.
Eis que aqui na Terra você faria 50 anos de idade… Desejo que esteja num Plano bom, que quando voltar a reencarnar viva mais de 100 anos e que seu coração tenha muita força para aguentar todas as emoções.
Desejo de coração que não haja mais “eu quis o perigo e até sangrei sozinho” combinado?
Ninguém que lhe conheceu, lhe esqueceu. Nem quem nunca lhe viu de perto.
Fico imaginando as letras que escreveria hoje sobre o Brasil de hoje (que acavou de regredir), sobre a adolescência, sobre a falta de ações a favor desta, sobre Marielle, sobre a Educação, sobre o desrespeito aos Professores, sobre o esgoto a céu aberto que se transformou o Planalto…
Entretanto, percebo que já escreveu tudo. Cada canção sua diz exatamente o que anda se passando Renato. Você era um visionário mesmo! Ontem, quando ouvi “Perfeição” proferi isso em voz alta, na sala.
Desejo que você receba as vibrações de amor de sua canção “O mundo anda tão complicado”! E da música que mais gostava: GIZ.
Quando ouvi “Será” pela primeira vez devia estar na casa dos 14 anos de idade e nunca mais deixei de querer ouvir você e saber sobre o Legião Urbana.
Depois que vocês separaram, o que achei uma pena, você continuou a luzir nas interpretações das canções mais variadas. Foi dessa forma que deixou todos perceberem que para além de poeta, professor de inglês, intelectual contemporâneo, cantor, letrista e músico, existia o Renato Russo intérprete.
Vai Renato clareia um pouco a cabeça... Sei que havia alguma coisa incomodando você…
Grande abraço!
“Tentei chorar e não consegui”.
RENATO RUSSO
(Fonte da foto Google)

(Solineide Maria – Solineide Rodrigues – Solineide)

domingo, 25 de março de 2018

SOBRE TRILHAS QUE LEMBRAM O AMOR

Certa feita, um Frei amigo me indicou que quando estamos desolados é porque estamos mais perto de Deus. Não sei se o Frei lembra disso, dessa máxima, desse aforismo lindo, desse verso de poema. Essa fala, hoje em especial, lembrou muito minha infância... E lembrar de minha infância é um pouco estar perto dos meus dois deuses na Terra: painho e mainha. Lembrei de mainha correndo atrás de vaga para matricular os seis filhos; lembrei de painho chegando com uma sinusite que quase deu cabo de sua sanidade e lembrei de mim. Lembrei de minhas irmãs todas e do meu irmão Solivaldo. Como eu e ele somos contemporâneos, penso, entendemos um pouco sobre essa infância indo embora. Uma vez, falando filosoficamente com ele (meu irmão) perguntei para: - Sol, como esticar a infância? rsrs Crianças... O quintal cheio de "caqueiros" e nosso pai chegando do trabalho às 17: e tal todos "tomados banho", era assim que mainha perguntava: "Todos tomados banho"? O silêncio tinha que ser respeitado, porque meu pai chegava com muita dor de cabeça. Mainha então providenciava o silêncio. Tão amoroso isso. Tão lindo!... Nós todos estávamos lá, silenciosos, à espera de nosso pai. Tanto amor, tanto... Por que, em geral, quando se cresce, esquecemos o caminho do amor? Mas tudo bem. Porque a gente sempre reencontra o caminho do amor. Ou porque quando estamos desolados estamos mais perto de Deus. Ou porque a força do Amor nunca será esquecida. ELE deixa uma trilha de ramos verdes pelo caminho. Luanda. (Sol Maria) FOTO DE SOLINEIDE RODRIGUES.

quarta-feira, 21 de março de 2018

O DIA SALGADO DA POESIA...

Chegou um pouco aluada

 olhou-me e pediu sem força

 quase:

"Tem café"?

 Falou sobre os horrores

 atuais,

 disse que anda com dores

 intermináveis,

 que a decepção lhe alcançou.

 Não quis caneta,

 lápis,

 papel,

 computador...


Quis mais café,

 café,

 café...

 "Se café aumentasse

 nossa fé,

 não é poeta"?...


Brincou, sem graça...

 "Como é que a gente

 sobrevive minha amiga"?

 Sussurrou,

 quase...


E caiu em meus ombros.

 "É tanta notícia ruim,

 tanto crime hediondo,

 tanta tortura,

 tanta falta"...


(Chorou baixinho e quieta).

 "Como falar poeticamente,

 como sobreviveremos"?

 Disse-lhe que o Mundo precisa Dela,

 que as crianças,

 os bichos,

 as florestas,

 que o Planeta mais do que nunca

 precisa Dela.


A Poesia abraçou-me longamente,

 soluçou feito criança,

 até suas lágrimas dolorosas

 destemperarem o café...


"Faz mais café"?

 Enxugando as lágrimas

 pediu-me...


Luanda - 
(Sol Maria)

FOTO DE SOLINEIDE RODRIGUES.

domingo, 18 de março de 2018

Os pés do apartamento de cima


Aqui em cima de minha cabeça, os pés de uma criança fazem barulho. Certamente está brincando. Vai de lá para cá, de cá para lá e, às vezes, derruba alguma coisa no chão.
Eu sorri sozinha, sorri para meu coração. Porque me lembrou demais os pés de Flora quando brincava com suas bonecas, panelas, nevinho, tampa de garrafa petti, bijigangas mil...
Às vezes me perguntava: "mãe, vai demorar aí"? Quando estava escrevendo algum trabalho para a universidade.
Ou quando lavava pratos ou roupas, realizando alguma ocupação doméstica ou do Centro com minha irmã Neide Maria Oliveira, com quem tive o prazer de morar alguns anos em SP.
Ela perguntava e se ia embora novamente: brincar... Que saudade me deu... Ela estava perto de mim, longe dos perigos do mundo, longe das ilusões de todas as espécies. Longe de males, perto de mim. Comigo e com a tia. Mas era criança, tinha quatro, cinco, seis, sete, oito...
Depois nove, dez, onze, doze, treze, catorze, quinze, dezesseis.......
Esses pés de criança aqui em cima de minha cabeça, trouxeram-me lembranças tão boas, tão ricas! Meu Deus!... Recordou-me nitidamente aquela vez que fizemos a cirurgia das bonecas e Neide Maria Oliveira numa mão de cirurgiã, completamente focada (rsrs), tirava os guizos que produziam um barulho chatíssimo de dentro de três bonecas idênticas que compramos nas Lojas Mel... Flora muito quieta, observava a cirurgia e torcia para que todas ficassem bem. (rsrs)
Presentearam-me tantas lembranças boas os pés dessa criança, aqui em cima de minha cabeça, apartamento não sei qual número...
(Solineide-Luanda 27/12/2017)

De certas dores...

Tem dor que não se conta porque ninguém entende. (Solineide)