domingo, 30 de setembro de 2012

Oração para a simplicidade

Senhor, 
ajuda-me a me ver livre de mim... 
Das minhas preferências (inclusive de amigos). ,
Ajuda-me a calar, 
calar, 
calar, 
até virar um jarro mudo, 
cuja única utilidade 
seja a de servir de abrigo 
para rosas brancas e belas. 


Solineide Maria de Oliveira

terça-feira, 25 de setembro de 2012

sábado, 22 de setembro de 2012

Metal contra as nuvens...

Não quero ser seu soldado:
matar, morrer,
tudo em vão.

Não quero crer
no que crê,
não me chame de irmão.

Não quero amar 
desse jeito...
Amor não seria isso.

Tamanho desequilíbrio
só rima com
servidão.


Não me prometa mais nada,
você não vale
um tostão...

Vá e mate,
morra,
suma.

Não conte 
comigo
não.


Para Renato Russo.
Se você soubesse o que andam fazendo por esses dias aqui no Planeta...


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O velho novo homem de maus hábitos...

O velho hábito,
costume desgraçado!
Não abandona o homem novo
renascido...

Volta e meia  chega perto,
faz companhia.

Hábito sujo,
feio,
pouco e
sem charme.

Por que o homem
não renasce todo dia?
Por que
não lembra de antes
só o que brilhava?

Destinação louca do homem:
ser novo em folha...
amassada...


Solineide Maria

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Mais uma leitura humilde de uma canção do Renato (Russo)

Para Regina (sobrinha)

Metal contra as nuvens seria uma viagem em busca da Terra Prometida? Uma visão de quando se davam As Cruzadas? Um filme épico? Um filme chinês, com direito a espadas e dragões? Todas as alternativas? 
Uma coisa é certa: uma composição poética de alto galardão. 

A referida composição sempre me pareceu emblemática demais, por alguns sentidos dos quais consigo impetrar. O poeta libera um desabafo, que parece estar por muito tempo camuflado, ou há muito esquecido, quando diz: 

Não sou escravo de ninguém
Ninguém senhor do meu destino. 

Mas para quem brada sua voz? Quem seria o interlocutor do seu protesto? Os céus? Deus? Os deuses? Todas as alternativas? Nenhuma delas? 
Estaria o vate, gritando abandonado num cenário devastado por determinada luta? E sobre quais dias desleais o poeta estaria se referindo? Seriam muitas as escolhas sobre esses “dias desleais”, mas parece que As Cruzadas combinariam com o cenário apresentado: as léguas andadas, a fé sem raciocínio... Afinal, foi um momento sangrento, onde se lutava mesmo por quê?...  
Lembrei-me... Era uma luta por alforriar certa terra. Uma, que diziam ser santa... Tinha promoção da Igreja e, talvez, tenha sido uma das mais sangrentas batalhas por razões santas. Parece hoje... 
Alguns expunham que aquele que lutasse nelas, seria salvo. Salvo de quê mesmo? De quem? Consigo enxergar a questão da fé cega, faca amolada - no caso seria espada amolada. 
Ouvindo o noticiário sobre essas coisas de fé e de crença, não dá para rememorarmos essa e outras histórias? 
O que ainda faz o homem lutar e sangrar e morrer por tais questões? Que tipo de fé é essa? 
Essas reflexões me fizeram recordar certa passagem. Não. Não é bíblica. Pertence a outro livro, que diz o seguinte: “A fé viva não é patrimônio transferível. É conquista pessoal”. E há outra assertiva ainda mais séria e condizente, que pronuncia: “A fé cega não é mais deste século”. 
Talvez o aflito eu - lírico do poema em questão, tenha alcançado esse fato e por isso tenha desabafado: “É a própria fé o que destrói”. Claro que esse tipo fé destruiria nobre soldado... Pois que não se trata de ser uma fé raciocinada. Até hoje esse tipo de fé devasta... 
Um pouco adiante, poderia ser possível dizer que tal combatente teria encontrado sua própria razão das coisas. De forma a entender que “a fé raciocinada, que se apóia nos fatos e na lógica, não deixa nenhuma obscuridade: crê-se, porque se tem a certeza, e só se está certo quando se compreendeu. Eis porque ela não se dobra: porque só é inabalável a fé que pode enfrentar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade.” 
Então o guerreiro levanta a voz e solta sua exclamação: 

Quase acreditei na sua promessa!
E o que vejo é fome e destruição!

Dizem que o sopro do dragão é o momento em que a consciência ganha força, renasce e se liberta dos seus verdugos. Acorda do sono imposto pelas desventuras de uma alma em servil. Não tenho como comprovar o que escrevo, são coisas que dizem... Mas faria algum sentido. 
Visitou-me a memória, outra passagem. Sim, dessa vez é bíblica: ocorre em Gênesis, quando se diz de um sopro, dessa vez, Divino. O sopro de Deus seria o vivificador do espírito humano: “Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente”. Poderia ser crido que o lutador da canção teria, enfim, desperto daquela servidão e determina: 

Não sou escravo de ninguém, 
Ninguém é senhor do meu domínio. 

A partir de esse despertar, a poesia revela a história do homem que combate numa guerra sem sentido, já que ele próprio diz: 

Quase acreditei, 
quase acreditei. 

O valioso soldado é salvo por sua consciência que desperta, mas não sem marcas dolentes. Não sem desgastes físicos e emocionais. Não sem descrença da fé que lhe divulgavam: 

É a verdade o que assombra 
O descaso que condena, 
A estupidez o que destrói 
 Eu vejo tudo que se foi 
E o que não existe mais 
Tenho os sentidos já dormentes,
O corpo quer, a alma entende. 

O acordo entre alma e corpo, parece se realizar enfim. De maneira a assentar o soldado à posição de pessoa, sujeito mesmo. Aquele que pode ser responsável por sua vida (ou morte), mas de porte de sua sanidade. 
Não seria bem o que se vê nas guerras (santas...) atuais. Elas parecem continuar as mesmas... Seus “homens” parecem continuar sem força para lutar contra aquele que se deve lutar: ele mesmo. Lutar contra sua própria ignorância, lutar por vida em vez de morte. Lutar para que haja um sopro de vida que reavive suas “almas” ensandecidas - por que mesmo?... 
Ainda que haja tristeza e o cenário seja desolador, o combatente da composição consegue ter fé que: 

... nossa estória não estará pelo avesso 
Assim, sem final feliz. 
Teremos coisas bonitas pra contar. 

Que essa Terra seja aquela que conseguirmos re-construir a partir de nossas novas consciências! 
Olha o sopro do dragão... 

Amém poeta. 

Solineide Maria

Alusões
http://www.institutoandreluiz.org/estudo_sobre_a_fe.html http://evangelhoespirita.wordpress.com/capitulos-1-a-27/cap-19-a-fe-que-transporta-montanhas/a-fe-religiosa-condicao-da-fe-inabalavel/

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

A realidade bate...

Tudo me pede uma prece... mas as palavras que tenho,
nem um verso pobre,
tece.
Tudo pede oração,
mas na sala a sujeira está em primeiro plano,
pano de chão nela,
então.
Tudo solicita um grito aos céus...
um louvor...
Mas em cima da mesa está a conta do conserto
do computador...


Solineide Maria

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Depois disso

Depois disso
ficou (mais) difícil.
Depois disso
eu me escondo,
eu enguiço
depois disso.
Eu explodo,
eu
um grito...
Prefiro trancar tudo 
de novo,
esquecer o caminho 
de volta.
Eu insisto que é praga:
depois disso.
Depois disso,
eu solitária,
eu parada,
eu sem itinerário,
eu sem graça.
Eu
velando a mim mesma.
Depois disso,
eu me calo.
Depois disso quero
um barco
que me leve pra longe:
um carro,
um avião,
uma ponte,
uma mão,
um bonde.

Solineide Maria
S.P. 2002

À deriva

Como num sonho perdido
corro em vias noturnas:
solitária.
Vivo um talvez irritante
de algo mais.
Sempre...
E esses pensamentos todos
vagueiam,
fecundam,
insistem,
esperam,
esperam,
esperam...
Como um navio no cais.


Solineide Maria

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A poesia pródiga

O verso volta:
tempo é nada,
vida é tudo.

O verso volta:

tudo parece
normal.


A poesia
sempre ampara
um filho bom.

O vate volta:
contra apatia
tempo é sal...



De Solineide Maria
Para o poeta Baudelaire

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Mais um versinho que queria ser um haicai (oriundo do recebimento de um e-mail)


From: xxxxxxx@hotmail.com
To: solys2002@hotmail.com
Subject: RE: Nenhum em específico...
sexta-feira, 14 de setembro de 2012 07:52:02

Para quem não tem grana
um e-mail de afeto
é tri-bacana!

Gostou? rsrs

Sua lembrança de Formatura está aqui comigo. Uma lembrança mesmo, já que presente ainda não posso comprar. rs
Estou sabendo (via TV) das confusões políticas e outras tramoias da Prefeitura daí. Aliás, nem sei por qual razão escrevi prefeitura com pê maiúsculo...
Suas lentes são seus olhos, sei disso. Os meus óculos (lentes) estão com o grau errado, mas meus olhos fazem vistas grossas, às vezes eles nem percebem. kkkkk
Não tentarei (acho) Mestrado. Flora insiste em precisar de minha presença física por MAIS tempo.
Sinto demais sua falta. MESMO.
Senti muito não ter podido ir à sua Graduação... Mas estendida na cama, orei por você, por nós e pelos que estavam lá, no dia.
Fiquei triste por não ter ido à minha Colação, mas não foi revanche não. rsrsrs Foi mesmo a questão da impossibilidade.
Amo imensamente você, para deixar de lembrar que sua existência é necessária em minha vida... Caixa de e-mail... Caixa de recados do celular... Caixa do Correio... Caixa Toráxica (coração).
Abrace sua mãe por mim e mantenha a Fé em Deus. O resto é café big pequeno!
Soli



Solineide Maria
Poetisa
Professora

Meu Blog:
http://solpoesiaeprosa.blogspot.com.br/


Visitem o Blog do Centro Espírita Claudionor de Carvalho (endereço abaixo). Sigam-no!
http://ceclau.blogspot.com.br/


From: xxxxxxxxx@hotmail.com
To: solys2002@hotmail.com
Subject: RE: Nenhum em específico...
Date: Fri, 14 Sep 2012 01:58:36 +0000

Soli,
Senti muito mesmo sua falta em minha formatura. Eu sei que nossos laços vão além da presença em qualquer que seja o evento. Lembrei sim do niver da minha maninha e do seu aniversário, mas também não estou passando por bons momentos. A Prefeitura não está pagando e fiquei sem net por um tempo. Apesar da distancia, saiba que sempre lembro de vc e que nossa amizade prevalecerá diante dos empecilhos a nós impostos. Não sei quando poderei ir aí, como disse, a situação aki está feia. Tenho que fazer minha lente, mas como? Final de mandato, sabe como é, né? Mas me esforçarei pra ir ai te ver, colocar os papos em dia. Manda um beijos pra todos ai...
Te amo muitão,
não se esquece disso...
Bjuss
Bruna

From: solys2002@hotmail.com
To: xxxxxxxxxxx@hotmail.com
Subject: Nenhum em específico...
Date: Fri, 24 Aug 2012 10:16:45 +0000


Oi
minha querida!

Não fui à sua Formatura por falta de carona...
Às voltas com uma sinusite que atacou por questões "financeiras". Questões financeiras são um dos meus obsessores na encarnação atual (parece). rs
Você sabe que sou o que sinto... Daí as confusões com a saúde do nariz e ouvidos e cabeça. rs
Estou sem graça e embora tente rir de mim mesma, não tem dado muito certo. Mas amo você e quero que saiba que fico alegre quando você fica alegre.
Fico triste quando fica triste e quase "mato" quem lhe deixa ferida.
Então, o mais é café pequeno...

A propósito... Senti falta de uma linha sua, me desejando feliz aniversário (que foi ontem/23/08).
rsrs
Um beijo,

Sua sempre amiga Soli.


Solineide Maria
Poetisa
Professora

Meu Blog:
http://solpoesiaeprosa.blogspot.com.br/


Visitem o Blog do Centro Espírita Claudionor de Carvalho (endereço abaixo). Sigam-no!
http://ceclau.blogspot.com.br/

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

DE SAUDADES SÓIS E FRIOS (sal sea sun)


Vontade de voltar...
Na janela
o quadro de uma rua 
nua de lirismo.

Não tem menino 
gritando;
não tem menina 
namorando....

Um cimento em vão...
Não tem criança
patinando...

Vão-se uns passantes,
antes uns bondes,
umas senhoras,
uns senhores...

Um gelo
nas mãos...
Aqueço com pão
e poesia.

Rabisco um texto 
sem nexo,
escrevo outro por cima.

Correção?
Antes fosse...
Minha função 
de educador
se perdendo nas linhas
de um artigo 
"escrito por um economista"...

Sorrio.
De mim, 
de tudo isso.

Chamo minha companheira e digo:
"sabia que te amo?"
Ela me beija.

Diz que está tarde,
alisa minha testa.
Sonhamos 
com uma praia linda!...
Um dia a gente volta.


PARA CLINIO E ADY COM TODO O CARINHO DO MUNDO!

Solineide Maria

Humilde leitura de uma canção do Renato (Russo)


Independente da admiração que nutro pelo poeta Renato Russo; não gostei de ele ter desistido de lutar contra a doença que lhe acometeu. No entanto, a assertiva de Jesus não me deixa esquecer que sou humana, demasiadamente humana e, por isso, “não julgo para que não seja julgada”.
Graduei-me há um ano em Letras e comecei a me dar ao “luxo” de investigar suas produções poéticas com olhar menos de fã e mais de pueril técnica da linguagem. Ouço, respiro e calo. 
Ouço, averiguo e escrevo que o poeta trouxe imensa carga de filosofia (por isso mesmo, reflexões) que ainda hoje instigam o ente no mundo.
Apreendi, não tardiamente, que além de leitor voraz (já o sabia), o incansável compositor, sugere ter sido, grande professor da elocução. Por vezes, ele próprio teria sido seu corpus, quando da arquitetura de suas canções. Outras vezes, a própria juventude que ele tanto defendeu em suas muitas mensagens, tornava-se “musa”.
Todas as composições (sem exagero) alcançam um nível de doutorado da emoção e da razão. Talvez por ter sido “amante” da Filosofia, tenha temperado suas escrituras, com as pompas da boa provocação, gerando mais dúvida do que certeza em seus leitores-ouvintes.
Hoje experimentei o bom ócio. Ouvi muitas das músicas da banda Legião Urbana, das quais, a maioria composta por este trovador da mocidade dos anos 80/90. Comecei pela bela e instigante “A dança”.
Ando tentando entender o que se faz com a juventude e o que a juventude faz de si... Difícil. Nesse instante ouvi a canção que me diz:
Não sei o que é direito
Só vejo preconceito
E a sua roupa nova
É só uma roupa nova.
Você não tem idéias
Pra acompanhar a moda
Tratando as meninas
Como se fossem lixo
Ou então espécie rara
Só a você pertence
Ou então espécie rara
Que você não respeita
Ou então espécie rara
Que é só um objeto
Pra usar e jogar fora
Depois de ter prazer.
Percebi que Renato também brigava com os jovens: aconselhando-os, dirigindo-lhes alguns recados, muitas vezes, atravessados de denso discurso. A canção traz versos que dizem a partir de um eu - lírico “insurgente” que o jovem (no caso, um jovem do gênero masculino) entende a rebeldia como mero capricho, que, ao fim e ao cabo, “não passa de convencionalismo antigo; concebido e imitado através dos séculos”.
Sexo e poder que sugerem caminhar juntos durante séculos, entrariam nessa questão russiana (?) de modo a rememorar o filósofo contemporâneo Foucault: estudioso célebre de tais temas. O filósofo citado diz sobre esse poder, de maneira a fundar importantes teorias, inclusive, sobre a questão da libertação homossexual.
Na canção, o eu - lírico narraria que ele sabe que o jovem percebeu que o sexo “admite a possibilidade de prazer e poder”. Por isso, faria uso da moça como uma peça para seu deleite. E seria moça - gênero feminino -, pois que o verso diz: Tratando as meninas como se fossem lixo”.
Mais adiante, o poeta dispara que a atuação de “moderninho” sob a qual o púbere da música se norteia, não passaria de mera imitação dos que cruzaram por tal etapa, acomodando-se na posição de adultos:
“Você é tão moderno
Se acha tão moderno
Mas é igual a seus pais
É só questão de idade
Passando dessa fase
Tanto fez e tanto faz”.
Tal mocinho, como muitos iguais a ele, seria joguete “das sensações moldadas pela ideologia dominante”. Um “coitado”, que no final das contas, não tem nada de moderno e de revolucionário. Trataria de ser mais um “fantoche” na mão da idade.
A canção é toda permeada de um tom quase agressivo (senão todo agressivo) que vai fundo na alma – se deixarmos – fazendo questões que parecem muito remotas, ressurgirem como novinhas em folha... A tal “onipotência juvenil” surgiria no moço em questão, a partir da fúria em fazer sexo, usando e desusando do corpo (próprio e do corpo de outro, outra). Uma característica típica da fase da “onipotência juvenil”: a de sentir-se um deus, e, em se sentindo assim soberano, nada indica que possa sair errado, nada pareceria censurável, ou nenhuma circunstância ruim o afetaria.
Com esse “poder” da puberdade e o do sexo, o moçoilo sentir-se-ia muito forte e capaz de tudo, e, chega a pensar: “Que se dane o futuro”. Já que ajuizaria ter a vida inteira. No entanto, o poeta afiança:
Você é tão esperto
Você está tão certo
Que você nunca vai errar
Mas a vida deixa marcas
Tenha cuidado
Se um dia você dançar...
Trata-se de um recado à juventude daquelas décadas. E por que não dizer, para a juventude contemporânea? Afinal, esta sugere mudar, apenas, de calendário, mas não de características. Ainda mais quando se percebe que:
“Passando dessa fase
Tanto fez e tanto faz.
Quando se lê - ouve - o verso "nós somos tão modernos,/ só não somos sinceros," poderia ser pensado que existiria certa contradição... Pois que a maioria dos jovens, tendo emergido da "rebeldia", ainda almejaria passar no vestibular; casar e ter filhos(as) seja com que parceiro(a) for; ter casa na cidade e no litoral (ou campo). Enfim, desejaria crescer e aparecer no jornal ou algum outro Edital. Talvez, por ter ciência disso (e/ou por ter passado de tal etapa com marcas doridas), Renato Russo tenha aconselhado, na canção averiguada, determinada parcimônia...

Solineide Maria de Oliveira
Poetisa
Professora
 ALUSÕES
FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade I: A Vontade de Saber. Rio de Janeiro: Graal, 1993.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Poema (tirado de duas notícias de jornais)

10 de Setembro
6 jovens chacinados
na Baixada Fluminense.

Foram ver pipas,
tomar banho
de cachoeira,
brincar
de ser feliz...
Foram mortos
por nada.

A ministra disse
que "isso é um marco terrível".
Outra pessoa disse que eles
"estavam na hora errada"
na cachoeira de Deus
que fez tudo
em sete dias...

Noutro canto
4 mortos,
2 tinham menos que 18...

Destes, um era aviãozinho.
Aviões são quase bombas;
bomba é coisa perigosa...
Qualquer que seja.

"Quando tem chacina de adolescente
como é que você se sente?"

A última palavra é da palavra

A palavra inicia fala.
Sobre o quê?
Amizade?
Pode ser...
Ando com dores no corpo,
queria um abraço de amiga.
Amigo.
Sincero abraço de amigo(a)
que dissesse assim:
vai dar tudo certo!

A palavra inicia o discurso.

Sobre o quê?
A escola falida?
Não sei, ando farta...
Farta de tanta falácia:
e tenho dito.

A palavra 

é a mãe de todas as coisas,
e o pai também.
E é a filha também,
e é o Espírito Santo também

Amém.



Solineide Maria

AUTORIA

Recebi um e-mail muito simpático. Nele, a leitora (querida) me perguntava sobre a fonte de um poema, o qual disse ter amado. Ela queria saber se a composição era de minha autoria, pois gostaria de usar em uma aula sua (de L.P.).
Aproveito a oportunidade para esclarecer que TODOS os poemas e versinhos e prosas e o mais que posto aqui neste espaço de mim, são SIM, de minha autoria. 
Exceto versos e poemas e vídeos de outros: mas em tais casos casos, sempre cito fontes e link's e o mais na ocasião da postagem.

Tudo é questão de COSTUME...

Já é costume lembrar de você,
seu jeito de ser.
Já é costume pensar suas mãos,
seu olhar,
sua sempre razão...
Já é costume lhe ver passear
em minha ilusão...

Solineide Maria

sábado, 8 de setembro de 2012

O cansaço de Deus

E se Deus já se cansou
e não tiver mais paciência
com a Ciência,
e outras coisas mais?
E se Ele parar 
de acender os dias?
E se Ele fechar 
as cortinas e lavar 
as mãos?


Solineide Maria

Dia da Independência

Haveremos de vislumbrar o dia
dos verdadeiros homens:
aqueles que valem pelo que são,
pelo que pensam,
pelo que fazem.

Sem a carência da bajulação
pelo emprego,
sexo,
pela atenção,
vida...


Solineide Maria

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

SALVEM A DIGNIDADE DO BRASIL! - Gil & Caetano - Haiti - Tropicália 2 -São Paulo - 1993

Salvem o 7 de Setembro


(...) "E hoje um batuque, 
um batuque
Com a pureza de 
meninos uniformizados
de escola secundária 
em dia de parada
E a grandeza épica 
de um povo em formação
Nos atrai, 
nos deslumbra 
e estimula.
Não importa nada: 
nem o traço do sobrado
Nem a lente do Fantástico, 
nem o disco de Paul Simon.

Ninguém, ninguém é cidadão." (...)



Caetano Veloso e Gilberto Gil
Haiti

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Perguntas simples que ninguém me respondeu


Que é que um homem poderia dar 
para alguém que o ame?

Por que ainda se quer algo em troca
do amor?

O que fazer para seguir
sem lembranças e não estar doente?

Onde se esquece o que poderia ter acontecido?

Para onde vão o corpo das árvores 
que as prefeituras
assassinam nas vias urbanas?


Para Pablo Picasso

de Solineide Maria

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

PASSADO, TEMPO E MEÓRIA

Posso ir ao passado,
várias vezes
e não volto igual.

Vou ao passado
inúmeras vezes
e não revejo o que via.

O passado rejuvenesce
à medida que envelheço?


Solineide Maria