domingo, 31 de julho de 2011

Reflexões matutinas sobre a traíção

Hoje a manhã me despertou,
Mas fiquei presa ao cobertor
Pensando em vão sobre a vida,
Já ensaiando a despedida.


Trair é feio, é indigno.
Ninguém merece essa surpresa,
Nem mesmo herdeiros da torpeza.
Nem eu nem ti. É uma vileza...


Olhei num susto para o relógio
Era tão cedo, mas foi-se o sono.
Saí da cama e olhei no espelho
Trair é coisa de forasteiro...




Para Silvana Barreto. 
"Tudo passa, tudo passará" ...

domingo, 24 de julho de 2011

Diálogo de duas inocentes (sobre o acaso, desejos e necessidades)

A ternura é amiga.
Companheira dos momentos
Onde a saudade se ausenta.
Chora e ri comigo.


Toma a cadeira e senta,
Fala longamente sobre
Tudo,
E, sobretudo, sobre nada.


Um acaso lembra que somos
Quase iguais:
A pétala que caiu
No santuário.


A rosa despetalou
De velha;
Ela falou e riu.
Sorri e olhei, e vi.


Onde você esconde o abridor?
Ela perguntou.
Respondi que não tinha,
Se tivesse usaria


Para abrir a porta de minha
Alegria.
Ela disse: é isso que quero
Fazer.


Com a garrafa de vinho numa
Mão, e na outra
Um garfo velho e torto.
Abriu. Sorriu. Sorrimos


Bebemos vinho,
Falamos sobre o acaso
De termos, as duas,
Quase a mesma idade.


Ela confessou,
Talvez para me alegrar,
Que é mais velha.
Eu disse: não parece.


Não foi para agradar
Falei a sério.
O acaso nada sabe de mentiras.
O acaso é um joguete acriançado


Das séries muito velhas,
Das novelas
Dessa antiga
Raça humana.


A ternura parecia um tanto
Agreste.
Fiquei triste, melancólica,
Suponho...


Não pensei que até
Mesmo a ternura
Tivesse os seus dias
De rigorismo.


O acaso é apenas teoria,
Disse ela numa cara
Muito séria.
Eu baixei a cabeça pensativa.


Será mesmo? Perguntei
Atoleimada.
Será mesmo que o amor
É mero acaso?


Que o nascimento
Do filho esperado,
É somente façanha
Da Natureza?


Será que quando pari minha
Filha; suas mãos
E pezinhos e olhinhos,
Foram coisas do acaso


De um bichinho
Que se uniu ao um óvulo
Distraído meu?
Louco isso não?


Será que até mesmo a arte
A Ave Maria de Bach,
Terá sido um acaso
De muita sorte?


Arte é coisa gerada pelo homem.
Mas pela natureza também há.
Uma pérola é coisa do acaso,
E veja quanta arte nela há!


Acaso é coisa muito séria
De se falar numa hora dessas
Minha amiga.
Falemos de outros assuntos.


Vamos falar de coisas tolas,
De como e onde devemos
Aportar nossos corações sozinhos,
Solitários...


Não me pergunte sobre isso,
Pois se você não consegue
Agradar, o que tenho
Eu a declarar?


Não tenho a arte de
Por acaso, agradar.
Falta-me o acaso de ser bela
Ou charmosa.


Falta-me o acaso de ter nascido
De nariz arrebitado,
Ou de cintura mais afunilada,
Ou de ancas maiores, pele clara...


É minha amiga,
Vamos parar por aqui,
Porque o vinho
Por acaso, acabou...

Solineide Maria
08/05/2010

quinta-feira, 21 de julho de 2011

REFLEXÃO ÍNTIMA (para uma possível Reforma Íntima)

Eu não caminho direito
Olho o relógio e não vejo o tempo.
Olho o relógio e digo que não vai dar tempo.
Olho a vida e esmoreço...


Olho para mim e quase esqueço
Que meu caminho eu que traço;
Sem régua,
Sem compasso.


Eu que faço:
Sem nota de música,
Sem fundo musical,
Sem solenidade...

Eu quem escrevo:
Sem professor que corrija
Todo o material.
Sem correção textual...


Eu não caminho correto,
Leio e leio e nada guardo
Na alma, pobre, pobre,
lamacenta de coisinhas tolas que guardo.

Bugigangas que deformam meu cristal...
Estou cansada, cansada.
De tudo.
E de nada.

PARA MEUS AMIGOS

Não mereço ter amigos. 
Porque não retribuo na medida do possível,  nem do impossível. 
Em geral, sempre é falho o amor humano...
Por isso peço a Deus, em prece, que seja amigão dos meus amigos todos.
Que Lhes Seja presente, e que Lhes ampare e livre de todo o mal,
Amém,
Amor.

domingo, 17 de julho de 2011

A CARTA

Era uma vez uma carta. Ela foi escrita e foi guardada.
Com o tempo amarelou. As palavras, que eram vivas, já nem lembravam seu teor.
O remetente morreu de esperança. E o destinatário, suicidou...
A carta, ficou para sempre esquecida e o tempo (que tudo sabe e tudo vê), deu conta de enterrá-la no cemitério das cartas (em vão escritas) de amor.


Assinado,
Solineide Maria de Oliveira

terça-feira, 12 de julho de 2011

TA MESMO TUDO BEM?

Um homem ri e pergunta se estou bem,
Não digo nada e sorrio abaixando a cara.
Ontem era dia de pagar o cartão:
Farmácia e mercado, mercado e farmácia...

Levanto com tudo cansado
Ombros e unhas...
A moça pergunta se tenho vinte centavos,
Ela diz que não tem trocado

Eu digo que tudo bem.
Saio e sinalizo para o homem bêbado,
Ele é pedreiro (quando consegue).
Ta tudo bem...

Não sei que horas são,
Mas acho que dá tempo de tomar banho e café
Antes de ir para o Curso.
Quando volto nunca dá...

O rapaz pergunta se tenho trinta centavos,
Eu digo que tudo bem.
Ele justifica que não tem moedas
Eu sempre minto...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

NOTA DE FALECIMENTO DO IPEPI

O Hospital Infantil IPEPI morreu ontem às 22:00 horas.
A causa da morte: insensibilidade do Estado,
dos políticos,
dos que não precisam de hospitais infantis públicos.

O IPEPI vinha sofrendo faz tempo. Tentou sobreviver,
mas a insensibilidade, sobretudo a política, é uma doença muito grave... Acomete justo os que fazem o bem e quem é bom. Daí que por ser o Bem - e o homem de bem - ético: o mal acaba vencendo...

Tem vencido.

O IPEPI tinha 45 anos e deixa 5 mil filhos por mês (consultas) sem "eira nem beira".


Solineide Maria já foi muitas vezes quando criança, com sua mãe, ao IPEPI, para consulta ou pronto-atendimento.
Ficou sabendo ontem, quando levou sua filha para um pronto-atendimento médico, que o IPEPI morreria às 22:00.