terça-feira, 29 de outubro de 2013

CONSELHO



Olha para o dia agora.
A noite já se foi,
repara bem...
Olha que beleza a chuva fina,
a rua em silêncio a receber
o abraço dos pingos andarilhos.
Segue a jornada do teu dia,
recolhendo apenas alegrias
e refazendo assim teu coração.
Olha para o dia agora.
A noite já nem sabe de tua insônia...
A vida é mais do que breves vitórias,
e muito mais do que uma ilusão...

Solineide Maria

domingo, 27 de outubro de 2013

Oração

Meu Deus:
deixe-me ser aquela que ama e passa,
a que ama e segue,
a que ama e vai
para frente!
A que aprende a amar
na secura de uns braços frios
de ternura.
A que chora,
mas depois se cura.
Deixe-me ser a que ama
e é deletada,
ninguém precisa saber
que amei
e que passei
despercebida.
Deixe arquitetar amores
fortes
para a SUA SEMEADURA!

SOLINEIDE MARIA

Do espírito natalino

Será onde fica o espírito natalino
nos meses que antecedem
Dezembro?!...



Novo livro sendo escrito...
SOLINEIDE MARIA


DAS UTILIDADES DA POESIA

Poesia não é resposta:
é um entrelaçado
de perguntas...

Solineide Maria

AVISO

O espírito natalino
 não mora mais em Dezembro
mudou-se para as lojas no início de Outubro...

Solineide Maria

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Outro desejo

Meu desejo é amar
perdidamente.
Mas não a carne de um homem,
nem a alma de um homem,
nem minha própria carne,
nem minha própria alma.
Meu desejo é amar de verdade!
Amar a Terra e tudo o que ela traz
que me faça produzir luz e calor.
Meu desejo é ter amor,
mas
muito mais, ser AMOR.


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

ELE LAVOU AS MÃOS

Toma meu corpo,
e sonha com a minha ausência.
Toma minha paz e lave as mãos.
Lave as mãos,
enquanto vou embora.
Lave as mãos,
já arrumei sua sujeira.
Lave as mãos a poeira foi tirada.
Lave as mãos,
já arrumei seu quarto e sala.
Lave as mãos,
como sempre fez...

Para todos os PILATOS do mundo.

 

sábado, 12 de outubro de 2013

COMO SE FOSSE UMA LEMBRANÇA

“Nunca se sentira tão infeliz. Jamais pensara que um dia seria capaz de se ver assim, sentado numa calçada, sozinho, chorando”. Nem mesmo o abraço de um amigo de infância fizera com que se sentisse melhor... 
Havia se arrumado para ela: a melhor roupa, o melhor tênis, o melhor perfume. Quando era criança, pensava que amor fosse uma brincadeira. Alguma coisa boa que deixasse a pessoa feliz. Lembrava-se de sua mãe aconselhando-o sempre para que não se apaixonasse por completo... Agora ele entendia. Sabia que sua mãe assegurava sobre as armadilhas do amor... “Mas aquilo era amor”? Pensava, sem ter noção de que essa pergunta já havia sido feita por milhares de seres adolescentes. 
Quando seus pais se separaram, pensou que o mundo acabaria... Nada disso... Foi maravilhoso, pois conseguia ver seu pai duas vezes por semana e sua mãe começou a arrumar-se como nunca fizera antes. Ele começou a ser feliz assim... E a dor inicial (por causa do divórcio dos pais) passou a não existir mais. Talvez isso acontecesse agora... 
Talvez sua dor passasse logo, mas a impressão que tinha era que seu peito ia rasgar como se tivesse contraído alguma doença rara... “Isso é amor”? Pensava ensimesmado. Algum tempo atrás, pouco tempo, dispensou uma menina que se declarou apaixonada. Coitadinha... A mesma sensação teria experimentado a pobre criatura. Se pudesse voltar no tempo e responder sim àquela menininha baixinha e quase sem atrativos físicos...  
Raquel se sentava sempre na última cadeira da primeira fileira (do lado esquerdo de quem entrava na sala). O rapaz passou alguns minutos lembrando-se de como era bom conversar com ela, como era revigorante trocar ideias e discorrer sobre suas aventuras com o novo videogame que havia ganhado do tio, que adotara os Estados Unidos para morar fazia mais de quinze anos. Como queria, naquele momento, receber um abraço daquela pessoa incrível... Mas era tarde demais. O que tinha para hoje, era aquele momento detestável: cheio de dor e de tristeza onde, imóvel, permanecia sentado na calçada, sem ânimo nem para seguir, nem para voltar. Em verdade, queria mesmo era desaparecer como se fosse uma lembrança... 


Solineide Maria de Oliveira.
Poetisa
Escritora
Professora de Produção Textual

Crônica escrita para os alunos do Nono Ano no Segundo Bimestre na Disciplina Produção Textual onde estou professora.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

LEITURA NÃO CANSA...

 Por Solineide Maria de Oliveira.

Gostei de todas as leituras que realizei nesses dias de recesso escolar... Experimentei momentos alegres, outros muito tristes e outros instigantes...
Afinal, para quem não tem grana nem tempo para viagens longas - ou curtas - nada mais VALOROSO do que a leitura para nos levar aonde quem viaja fisicamente nem chega a aportar... Além do mais, escrevo uma Monografia para entregar em Agosto próximo (até o namorado anda cheio...).
Com o tempo, discorrerei sobre eles todos para lermos, certo?!
Enfim descansando... Pude arrumar alguns livros que ficaram comigo (doação de uma amiga) por falta de espaço na Biblioteca Municipal (pasmem)... Verdade...
Cheguei com aquele pacotão de vinte e dois livros no recinto citado, peguei moto táxi, um chuvisco persistente e, depois de esperar pela abertura do local, deram-me essa “vergonhosa” notícia. Voltamos – eu e os livros doados – para a casa de minha mãe, onde me hospedo até hoje...
Eles ficaram empacotados até ontem, quando eu e minha filha faxinamos de verdade meu quarto e a casa. Devastamos casas de aranha e a poeira lá de cima... E aquelas insistentes traças. Sabe esses bichinhos que gostam de morar na casa dos outros, sem pagar aluguel, e ainda destroem as coisas e a decoração? Então...
À tarde, desembalei a pacotão de livros, arrumado por mim, para a doação aludida anteriormente. Meu irmão disse assim: “esse é muito bom Soli” e narrou rapidamente do que se tratava. Gostei da síntese dele e me embrenhei na leitura do volume.
Meu irmão já leu quase todos os títulos que temos. Já aconselhei que escrevesse pequenos resumos para treinar sua escrita e capacidade de sinopses, mas... Um dia não é? Afinal, LEITOR ele já é!
O livro chama-se “Eles não são anjos como eu” de Márcia Kupstas. Acho que foi um desses livros encomendados para a leitura colateral na escola... Sei... (fiquei pensando que tipo de trabalho a professora realizou com a obra, mas logo me detive na leitura do romance).
Sim, é um romance:
tem Oswaldo, o velho muquirana, que de tão “ranzinza” afasta toda a família de perto de si; tem o Garoto, que mais tarde ficamos sabendo que se chama Oscar, porque a mãe gostava de nomes de estrelas do Cinema e o dele é homenagem ao prêmio... (rsrsrs) Tem os “meninos drogaditos”, colegas de rua de Garoto (Oscar)...
Mas o melhor de tudo é que tem a narração do Anjo da guarda de Oscar, o Samuel: ele ganha essa tarefa, a de endireitar o Garoto, assume seu trabalho e consegue o feito!
O anjo conta a história de porte de uma linguagem coloquial muito bem colocada, extremamente meticulosa e, em minha parca opinião, genialmente pensada. Ótima escolha, já que o Anjo de Guarda de Oscar tinha passado por quase as mesmas experiências do menino: foi dependente químico e “otras cositas más”... É como o próprio Samuel diz no livro: 
“Se o anjo é da guarda e o Senhor é o Senhor dos Exércitos, aleluia! Não peço serviço mole!”
Gente, sugiro leitura! Li de uma sentada porque é um livro de 196 páginas, com caracteres em 14 me parece e, além disso, com o enredo todo “amarradinho” da Márcia Kupstas, a vontade é de largar o livro apenas quando terminamos a leitura.
Infelizmente não tinha lido esse MARAVILHOSO livro ano passado... Senão, teria assinalado para ler com os alunos que estão comigo este ano. Leitura também é isso: compartilhamento!
O Anjo da guarda se traveste de uma personagem na trama, uma que está presente em quase todos os hospitais que conheço... Samuel cumpre “astutamente” sua primeira missão!
É muito bom gente!!
Pronto Marcia Kupstas... Sou sua leitora-fã! Será que ficou claro? rs

Dormir e roubar é só começar...

Não estava muito bem. Trabalhando muito e ganhando mal, comendo apressadamente e também mal, acabou por ter problemas de sonolência. Foi isso que o prejudicou naquele dia, quando, sem querer, dormiu em serviço. Saiu tarde, como sempre, porque seus horários de trabalho sempre foram organizados pelas oportunidades que surgiam.
Levantou-se e vestiu um casaco de marca (recém-adquirido...) de um transeunte incauto. Organizou sua agenda, mentalmente, e saiu. Sabia o endereço do próximo serviço; era perto de onde se abrigava. Avistou todos se recolherem e seguiu para o trampo. Abriu à força a porta do carro com bastante facilidade, anos de experiência lhe outorgaram tal capacidade, que considerava muito útil. Utilíssima... 
Encontrou um notebook quase novo, enfiou na sacola (habilmente preparada para apanhar os objetos de valor). Leu a agenda do dono do carro e descobriu tratar-se de um médico. “Interessante”... Pensou... Se precisasse um dia de cardiologista, teria um número. Escova de cabelo ele não precisava: careca desde os vinte e oito anos, agora com quarenta e oito, não tinha mais por que se preocupar com esse detalhe (sorriu consigo). Nesse momento se deu conta de que deveras estava cansado, pois trabalhava sem férias há vinte longos anos. 
“Claro!” Matou a charada, precisava tirar umas férias, descansar por um mês ou dois... Ninguém aguenta trabalhar sem parar por tanto tempo, é desumano... Muitos anos de luta... Muitas noites perdidas por tão pouco. Nem tinha (ainda) casa própria, não tinha também uma família. Fazia falta uma família, uma “nega” esperando para cafunés e conversas depois de um dia exaustivo de trabalho... Ligou o som e verificou que era de boa marca e sonoridade. 
Ouviu uma canção bonita, gostava do grupo Raça Negra e decidiu ouvir a canção até o fim, antes de depositá-lo na sacola de achados e perdidos (era assim que chamava sua sacola). “Estou mal/ vem me consolar” dizia os versos da composição. Lembrou-se de Rosenilda, sua recente ex-namorada e lembrou-se da última noite em que dormiram juntos, abraçados de conchinha, para, no dia seguinte encontrá-la com tanta raiva dele, só por ter saído com a periguete da Rosilda... “Poxa... Que mancada” - bocejou. Águas passadas... 
Recostou-se se consolando... Ah, mas que maravilha abraça-la de novo, mãos gostosas, corpo perfeito (ele prefere as gordinhas). “Vem me consolar... Estou mal. Preciso de você”. E todos os beijos foram dados naquela volúpia carnal, naquele barraco que cheirava a desejo. “Maravilhosa!” Ele gritava apertando seus braços, suas pernas. “Oh nega não vai mais embora... Fica comigo pra sempre!” “- Acorda vagabundo!!” Despertou atordoado, ainda tentando reter aquele corpo maravilhoso de Rosenilda... Havia sido vencido pelo sono, em pleno trabalho. 
O dono do carro chamou a polícia às 7:00 da manhã, assim que viu “Serjão ”dormindo profundamente no banco de couro do seu automóvel, quando iria para o hospital onde trabalhava há vinte longos anos, realizar uma cirurgia coronária marcada para 08:00 da manhã, num paciente que o aguardava, internado há dois dias. 
A polícia teve trabalho de conseguir o depoimento do meliante. “Serjão” estava sonolento ainda, cansado, depois de tantos anos de trabalho, sem um período mínimo de férias... O delegado pergunta bastante curioso, ao operário invigilante: 
- Dormiu em serviço hein rapaz... Começou a roubar quando?
E “Serjão” responde ainda entorpecido, mas com ironia: 
- É "Dôtor", o senhor sabe né... Dormir e roubar é só começar...

Solineide Maria de Oliveira. Agosto de 2013 (Crônica escrita em sala de aula na Disciplina de produção textual como incentivo aos alunos do OITAVO ano, provando-os que é possível SIM escrever, a partir de sugestão de produção).

quinta-feira, 3 de outubro de 2013