domingo, 27 de novembro de 2011

NATAL (hora de comprar)


Meu Deus,
o Natal de novo se anuncia.
Na verdade, as compras encabeçam
a lembrança de tão doce confraria.

Insisto em crer
que tudo faz sentido.
Que um vestido novo,
tem lá o seu brilho.

Insisto em acreditar
que a fartura que aparece
na mesa, em meu lar,
não é afronta aos meus
irmão famintos...

Tento firmemente
convencer-me,
que a doce mão
que me abraça no Natal,
não me faltará no Ano Novo...

Sabe Senhor,
permito-me esquecer
que há muito tempo
o Natal é bolinha brilhante
onde nosso reflexo
não queremos ver.
Tento esquecer
que os enfeites
não adornam
a mentira,
a vileza,
a avareza.

Não enfeitam
um coração tristonho,
nem a mais terrível falta
de gentileza.



Quero crer que ao menos
por um dia,
os homens sejam dignos
de paz
e Poesia.



Perdoe-me meu Deus
por minha prece,
que é bem pouca,

pueril e pobre,
mas suplico
mesmo assim o Vosso olhar.
Dez. 2010

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

PRECE (POR CAUSA DE UM POEMA)


“esta fome de tão pouco me confunde”.
Velai por mim Nossa Senhora do Bom Costume.
“esta fome de tão pouco me confunde”.
Amparai-me Nossa Senhora da Boa Esp-Era!
“esta fome de tão pouco me confunde”.
Rogai por mim Santa Maria dos Acordados...
“esta fome de tão pouco me confunde”.
Livrai-me de todo o mal
doce São Francisco dos desarmados...

Para Genny Xavier  
(minha eterna Professora Regente)

Este verso: “esta fome de tão pouco me confunde”,
adorna um poema da poetisa Genny Xavier. 
O enderço do Blog da autora é:

http://badeguardados.blogspot.com/

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

MONOTONIA


Está chovendo.
O café não resolve o frio.
As notícias são as piores.
Todos estão corrompidos,
parece.
Onde é a saída daqui?
Diz...
Onde é a saída para onde esteja a paz,
a poesia?
Está chovendo.
E nada aquece...
Nem café, nem cobertor,
nem música, nem Literatura.
Nenhuma coisa que aquece (hoje) me aquece...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Deve ser bom ser freira


Lavar batina todo dia, enxugar o chão e coar café. Deve ser bom fazer isso tudo por amor a Deus. 
E deve ser bom não se irritar com filhos, mas se doar aos meninos que chegam à creche. Amparar e cuidar. 
Dizem que freira é tudo nervosa, porque elas não fazem um monte de coisa que uma mulher comum faz. Será? 
Elas não cuidam do marido que acorda de mau humor... Não levam os meninos à escola... Não labutam com “a outra” nossa de cada dia...
Não deve ser... Acho que as freiras são felizes... Porque Deus não trai, Jesus é fidelíssimo e Nossa Senhora abençoa
Amém.


Este texto foi em resposta à uma amiga que afirmou que ser freira é estar perto de Deus. Discutimos sobre o assunto - leigamente - claro. 
Fiquei com a conversa na cabeça...
Depois de escrito, descobri que uma freira faz muito mais do que o exposto, a partir de informações de uma amiga de minha amiga. 
Respeito as freiras, padres e todos aqueles que buscam sua maneira de sentirem-se íntimos com Deus e consigo.

2009-Agosto

domingo, 20 de novembro de 2011

PARA MACABÉA


A noite estava perfeita, tinha até fogueira...
Ao longe, o som de alguma lembrança quase esquecida, avisando que já eram trinta e dois.
Eram férias. Trinta e dois dias de alegria colorida, com as recordações das ruas tão familiares. Trinta e dois anos...
Muito perto do coração selvagem, umas dúvidas pesadas e cansadas afastavam o sono perfeito. Dentro da casa uma mesa rica, com comidas bem típicas, a Bahia tem um jeito...
Certas pessoas do passado telefonando, para dizer não sei bem o quê, mas para dizer.
A noite gerando uma animação pós tristeza, mas a tristeza incide. O sintoma mais forte da falta de coragem é a saudade incessante dos que se foram, dos que sumiram, do que não deu certo, das coisas que não aconteceram do passado.
E no canto, o vazio incômodo da certeza que nunca chegava. Nunca chega.
Afastados de mim, todos os melhores sentimentos... O caldeirão da vontade borbulhando, louco, insano por alguma realidade mais próspera.
Onde estão aqueles que projetavam sonhos comigo? Estão buscando derramar o tal infame caldeirão das vontades?
A noite gerando uma animação pós tristeza, mas a tristeza existia. Os sonhos em preto e branco, agitados, perturbados, como uma declaração solene dos pequenos fracassos.
Algumas estrelas nascem para não brilhar. Elas figuram um céu de luzes que não se acendem, elas brilham para dentro, numa confissão extrema de impotência.


ADEUS

Adeus,
não se diz outra coisa para quem nunca quer ficar.
Adeus,
só se poder dizer isso quando não se sabe ficar.
Adeus,
afinal - eis a única palavra que realmente vivemos dizendo
uns aos outros.

Solineide Maria

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

PARA QUE SERVE DIZER A VERDADE? (Para Rafaela)


Escrevi uma carta pra você:
Rasguei.
Menti tanto...
Disse que estava tudo bem
Sei...

Inventei que durmo direito
e que o sono está ótimo.
Disse que saio pra passear 
quase todo domingo.
Rasguei...

Escrevi um e-mail pra você:
Apaguei.
Disse tanta besteira,
Tanta asneira,
Tanta tonteira...
Não enviei...
Deletei.

Não deveria mentir
então, voltei a lhe escrever.
Dessa vez, um poema sincero
Sem rima nenhuma,
Sem mistério,
Sem arte moderna,
nem clássica
nas entrelinhas dos versos
Que nem são versos...

São frases dialógicas.
Escrevi um enunciado diferente:
deixei em cima da mesa.
Não guardei,
Deixei ali.
Olhando-me,
Olhando para mim...
Com pena de mim,
Querendo lhe encontrar
para se dizer.

Para dizer que estava com dó de mim
Mas você não está por perto.
O poema diferente,
inacabado,
(feito "O homem de nariz quebrado")
não revisado...
Ali, a não sei quantos quilômetros
De distância dos seus olhos
Dos seus ouvidos...
Para que serve dizer a verdade?



terça-feira, 15 de novembro de 2011

Bilhete para Rafela

A Rafaela é uma amiga que mora longe. Lê minhas coisinhas, deixa recado e bilhete.
Gosto de ler seus comentários. Sempre imbuídos de críticas emocionadas.
Sinto sua falta... 
Sinto falta de sua atenção, mesmo quando minhas falas nem eram tão interessantes.
A gente acaba deixando as pessoas partirem cedo demais, ainda que estejam por perto. 
Elas não partem porque morreram, partem porque a gente não dá conta de efetivá-las perto de nós. Entende?
Certa vez, um amigo que mora em São Paulo me disse assim: _ Soli, a gente não se gosta de verdade, porque se gostasse, se aproveitaria.
E não é que Antônio tem (tinha) toda razão... A gente fica se dizendo amigo e cadê? Cadê que não "é" efetivamente amigo. Visita pouco e mal. Fala com o outro pouco e rápido... Quase nem fala, quase nem vê... Cutuca...
Rafa: este bilhete é para dizer que sempre amarei você. Aqui, lá, ou aí! 
Em qualquer lugar.
Soli

EU NÃO SEI CONTAR POEMA


Eu não sei contar poema
Perdoe-me.
Não sei mesmo escrever,
É tudo trama.

Eu não sei ler um poema
Desculpe-me.
São eles que me dão
Leitura e amor.


Nunca soube também
Amar direito.
Isso – creio - já te disse
Mas repito.

Tenho mesmo muitas falhas...
Mas suplico:
Tende piedade de mim
Rogai por mim.


sábado, 5 de novembro de 2011

Palavras I

Procuro palavras que guardem minha face obscura.
Não posso encontrá-las. Elas escurecem se escureço.
Aclaram se me aqueço.
Palavras, palavras... Doces elementos de me desordenar.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Quem matou Michael Jackson?


O mundo matou Michael Jackson
Aceitando seus temores.
Os amigos mataram Michael Jackson
Quando não disseram: 
“_ O que é isso agora?
Tome tento!”
A família negligenciou sua moléstia
De não conseguir seguir sem maquilagem.
E ela também o matou...
A imprensa matou Michael Jackson
Arrancando uma por uma suas defesas.
Esse médico matou seu cliente,
tem médico-monstro...
Michael Jackson matou Michael Jackson
Que em verdade não era afortunado.
E que agora aspiraria uma chance para
Fazer diferente...



quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Para Carlos Drummond de Andrade

Antes que faltem palavras
Meu querido amigo,
Escrevo para você:
Carlos Drummond de Andrade.

Faz anos que fostes para além
Das paredes deste mundo.
Mesmo assim (ou por isso mesmo)
Todos cantam suas falas.

Vê-se de tudo:
TV, Ipod, Internet,
Todo tipo de mídia
Mas nada abate sua poesia.

Há muita falta de assunto
Carlos Drummond.
Mas não por isso te lêem:
É que você alumia.

É que em você,
A poesia é obra vasta
De muita (toda) euforia
Das palavras.

Tanta gente lhe visita
Em Itabira.
Tantos posam para foto
Perto de sua estátua.

Carlos Drummond
Que ironia,
Até eu quis escrever
Um artigo muito bom.

Um professor de Semiótica
E outro de Filosofia
Ampararam minha ousadia.
E põe ousadia nisso!

Queria mais de você...
Sair por aí ouvindo
A sua doce poesia,
Sua magoada poesia.

Carlos Drummond de Andrade
Há catorze anos estou nua.
Quem disse que não sou forte?
“O coração continua”...