quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O Ano Novo não é novo... Mas pode ser.


O Ano Novo não é novo.
Muda-se a data no calendário,
mas as mudanças são
dentro em nós.

O Ano Novo marca uma etapa,
mas é entre nós, intimamente,
que as coisas mudam.
Tudo é conosco.

A roupa nova, o cinto,
o sapato, as sandálias...
São artefatos exteriores.
A mudança é na alma...

É de dentro para fora
que a viagem inicia.
A nova viagem anual,
o velho novo recomeço...

O Ano Novo é um sarau.
Brindar é tradição,
sorrir, dançar...
Mudar é pessoal.

FELIZ MUDANÇAS! Se forem necessárias.

Mas sempre é bom mudar. Afinal, "todo tempo tem mdança"e quem não muda, morre e não chega a progredir.
Dedico este poeminha à Carlos Drummond de Andrade. O poeta de minha vida. 
Drummond me presenteou com a insipração para meu TCC em Literatura. Um dia vou publicá-la. E certamente, meu Deus e Mentores me ajudarão a continuar em Drummond: no Mestrado, Doutorado, Phd...
Por enquanto, leio Drummond! Deito e acordo com ele, tomoo café e saio para passear. Tomo banho e me atraso e chego no horário... Sempre regida pela poesia do TEMPO.

Aos que de vez em quando passam por aqui: 
muito obrigada!
Saibam que a poesia nos alenta. Ela sempre será lar e abrigo aos cansados navegantes. Como Jesus é abrigo e lar aos sobrecarregados e aflitos.

Solineide Maria


O ano passado
O ano passado não passou,
continua incessantemente.
Em vão marco novos encontros.
Todos são encontros passados.

As ruas, sempre do ano passado,
e as pessoas, também as mesmas,
com iguais gestos e falas.
O céu tem exatamente
sabidos tons de amanhecer,
de sol pleno, de descambar
como no repetidíssimo ano passado.

Embora sepultos, os mortos do ano passado
sepultam-se todos os dias.
Escuto os medos, conto as libélulas,
mastigo o pão do ano passado.

E será sempre assim daqui por diante.
Não consigo evacuar
o ano passado.




Carlos Drummond de Andrade © Graña Drummond



E-mail para Bete

Nem te conto Bete...
Ontem, a realidade bateu em minha porta, rindo de minha cara.
E falou repetidamente: _ Eu te avisei...
Ria escandalosamente e repetia: _ Eu te avisei!
Falou que viu o moço numa praia, bebendo com alguns amigos... Declamando bobagens e ideologias sem cabimento.
Fiquei sem jeito sabe Bete. Sentei na cadeira e fitei aquela criatura naquela crise de risos. Não tinha como ponderar. Depois que ela percebeu minha quietude, pediu desculpa, mas insistiu em dizer que havia me alertado.
Ofereci-lhe uma água, um café, o resto da ceia de Natal. Ela aceitou. Almoçamos em silêncio entrecortado pelos pedidos de passa a salada, passa o peru, me dá a farofa.
_ Tem pimenta? Perguntou-me a dona da razão, respondi negativamente. Após o almoço, tomei o café de sempre. Ela não aceitou café, preferiu o resto de pavê. Elogiou a textura, o sabor...
Estava sem graça e perguntou o que iria fazer dali em diante? Disse-lhe que não havia nada a fazer a não ser seguir. Dessa vez sem entregar-me à luxúria, nem frivolidades outras.
A realidade ficou me olhando sem dizer palavra. Terminado o pavê, lavou os pratos sujos, arrumando-os no escorredor. Enxugou as mãos e disse que estava indo. Agradeceu por tudo e elogiou, mais uma vez, o pavê.
Um tanto vexada, pediu desculpa pela crise de risos. Disse-lhe que não havia problema, que ela tinha razão em rir em minha cara e de minha cara. Cair no mesmo erro duas vezes é mesmo coisa de otário. Otária, no caso. Ceder à mesma tentação de ser apenas carne malbaratada.
Ela me abraçou, desejou Feliz Ano Novo e saiu. 
Feliz Ano Novo. Desejei-lhe também.
Agora estou aqui Bete, escrevendo este e-mail sem viço...
Você vai viajar no Réveillon? Posso ir junto? Responda logo, por favor. Para dar tempo de comprar um biquíni novo e novas sandálias.
Um banho salgado é sempre bom...

domingo, 25 de dezembro de 2011

Prece ao Menino Jesus

Escuta-me Senhor nascido entre os bichos,
a prece simples que endereço-Te nesta hora.
Abraça-me e conduz minha jornada,
perdoa-me os retrocessos de outrora.


Assim, Criança ainda, 
toca em meu peito esgotado...
Faz com que olvide de mim, 
para viver ao Teu lado.


Quero lavar-me em Teus panos de bebê,
aproveitar a água usada no Teu banho.
Limpar meu corpo, renovando a esperança
de ter na alma, menos perda e mais ganho.


Perdoa-me a demora para o trabalho,
que amplia os horizontes de minha vida.
Recebe minha visita arrependida
junto ao Teu berço feito de palha ressequida.


Reforça-me a vontade na servidão,
fazendo-me uma operária abnegada.
Conceda-me ouvir Teu sono,
Filho de Maria devotada.


Deixa-me tocar Teus pés, 
Jesus Menino...
Para reascender a estrela
do meu destino.


Dedico este poema aos amados médicos espirituais:
Dr. Claudionor de Carvalho e Dr. Alenon.
À toda Equipe Espiritual e aos irmãos (encarnados) voluntários do CECC. Especialmente à irmã Raimunda, que voltou para a Pátria Espiritual - este mês.
Obrigada por tudo!







sábado, 24 de dezembro de 2011


Era uma vez um frei... Salvou-me da desistência de mim para comigo. Andava triste por ter feito uma escolha precipitada  (pensava), além de incomodar diariamente minha irmã Sirlene, com chorumelas e queixumes, também ia ter com este religioso. Seu acolhimento paciente e recheado de poesia - muita poesia - alegrava minha alma, naquela etapa, cansada.
Foi Sirlene quem me indicou, quando disse assim: “Por que você não vai conversar com Frei Edilson? Ele é ótimo orientador”. No primeiro encontro já percebi a diferença daquele sacerdote que se confessou fã de Adélia Prado e Fernando Pessoa. Dentre tantos outros poetas e escritores. Começamos então, uma amizade literária.
Eu, que me preparava solitariamente para o vestibular, na intenção de dar uma guinada em minha vida trabalhista, levava para ele minha canseira. Com jeito de artista, aquela criatura iluminada, fazia da argila que levava na cabeça, lindos arranjos para enfeitar a estante da sala do meu espírito ansioso.
Trocávamos livros e dicas de títulos a serem lidos. E passei no vestibular para ingressar em Letras numa instituição pública. Ele ficou tão alegre quanto eu, mas me lembrou que “aquele era apenas um passo”.
Durante o percurso do Curso, me norteou numa pesquisa sobre a preposição “para” e, além disso, me emprestou um livro sobre preposição, datado de 1856.
Havia dias que a tristeza pelo desemprego me abordava com maior ênfase. Mas aquele ser divinal pronunciava: “Nem só de pão vive o homem. Vive-se de poesia, lembre-se!”
Além de tudo, Frei Edilson escrevia lindas crônicas poéticas para o Jornal Anúncio (da Igreja Santa Rita). E hoje, arrumando livros, separando textos do Curso que acabou em Agosto deste ano (enfim sou Graduada em Letras com habilitação em Espanhol), rasgando folhas antigas e guardando papéis avulsos, dei-me de cara com uma das crônicas deste amigo mágico, amigo encantado e encantador, amigo-poesia encarnada.
Coincidentemente, a crônica publicada no Jornal Anúncio - Ano VII – Nº 77, datado de Dezembro de 2005, é sobre o Natal. Conseguintemente, sobre Jesus. 
Saquei uns minutos do tempo desta manhã, para digitá-la e compartilhar com vocês todos, leitores amigos, conhecidos e virtuais, porque a poesia é pão que se deve repartir. Ao mesmo tempo, reverencio meu amigo frei que hoje mora em outra Igreja, noutra cidade, longe da possibilidade de continuar saboreando dos momentos de cura nos mistérios de suas palavras poéticas.
 
Natal Mortal: “por outro caminho” (Mt. 2, 12) 

Frei Edilson Bezerra OFMcap

Cada ano, no limiar do Natal, nossos corações mais uma vez se comovem com a saga de um Deus que, por assim dizer, não quis ser apenas espírito e concluiu que divino mesmo é ser humano. E se encarnou, nascendo de uma mulher, nos arredores da Casa do Pão (Beith-lehem), sobre uma manjedoura. Porque, assim, deixava logo claro que era o mais fino manjar que à Terra pode oferecer o Céu.
 A cena do presépio, para quem ainda tem olhos de ver, é um memorial de saudades e esperanças. Faz-nos lembrar nossas raízes e nossas asas. Tudo o que compõe - o jovem casal, o boi, o burro, os vaga-lumes, a estrela, os pastores, os anjos, os magos – tudo é signo tradutor de uma vida que nasce (natal) para morrer (mortal) e ressurgir, renatalizando nossa humana condição.
Narra o evangelista Mateus que “magos vieram do Oriente à Cidade da Paz (Jesrusalém) e adoraram o rei recém-nascido (Mt 2, 1-2). Vieram guiados pela luz do desejo (em latim desiderium) tem o mesmo natal etimológico de estrela (sider). Viver assim, e por conseguinte, assim caminhar, pro-movidos por esse desejo de encontrar algo ou alguém maior, mais inteligente e mais amoroso, diante de quem dobrar os joelhos, num êxodo e num êxtase deliciosos, posto que dolorosos, é o sonho, a saudade e a esperança mais ancestrais da humana condição.
Há quem diga que eram três reis. Três por dedução dos presentes oferecidos ao recém-nascido. Mas reis? Um rei que depusesse a coroa, deixasse o palácio e saísse à procura de outro rei, guiado apenas pelo luzir de uma estreinha, seria no mínimo, considerado louco. Não, não eram reis. Eram astró-logos: liam, no brilho dos astros a chama do desejo! Se Zaqueu, desejando ver a Jesus, encaminhou-se á uma árvore na praça de Jericó, por que não dirigir-se na direção insinuada por uma estrela?
Encerra Mateus seu relato dizendo que os magos, “avisados em sonhos de não tornarem a Herodes (quem vê a Deus sobre palhas não pode voltar à tirania do ouro) voltaram paa sua terra por outro caminho” (Mt 2,12).
É sempre assim. E não pode ser de outro jeito. Quem vê a Criança e nela reconhece o berço da vida, morre para o velho ego e vira anjo (angelo). Como quem vê o Espírito vira pássaro (pomba). E como anjos ou evangelhos alados, deixam de lado os trilhos da mesmice e da mormose; e pelas trilhas abertas pelo desejo vêm e vão anunciando alternativas (outro em latim, alter, daí alternativa), viabilizando uma vida m,ais mansa, mais justa, mais leve. Mais sã e salva.
O poeta Mário Quintana sugere que o aborto não é um crime, é um roubo: rouba-se às crianças a alegria de ver estrelas! Pois vendo-as e ouvindo-as, entendemos que o Céu ainda nos sorri.
Neste Natal do Senhor, desejo experimentar o que Zeca Baleiro sugere numa de suas composições: “Não quero ser triste como o poeta que envelhece (...). Nem quero ser alegre como o cão que sai a passear (...). Quero no escuro como cego tatear estrelas distraídas.”
E assim, quem sabe?, serei novamente reconduzido à Casa do Pão e da Beleza.
Jornal Anúncio - Ano VII – Nº 77, Dezembro de 2005.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Tem um lugar em mim, que vive em Balanço.
Chama-se alma...

Um parafuso é um prego triste

Um parafuso é um prego triste. Só fica no lugar se a bucha ajudar, se a furadeira abrir caminho, se...
Um prego recebe a pancada e aguenta. Quando não, aceita a morte sem culpa. Depois volta a ser prego na reciclagm.
Um parafuso, se não der certo na vida, é muito chato...

Para minha amiga e escritora Simone Paulino, no sentido de explicar minha afeição aos pregos.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Senti uma força entrando em mim! (Sobre coragem, amizade e o que realmente vale a pena)

Não há palavra que descreva a falta de jeito que experimentei  ao comentar com uma amiga (que não via há meses) sobre seu novo corte. Disse assim:  

"Seu cabelo está perfeito"! Em seguida,  animadíssima, lhe dei um abraço.
Ela, com olhos marejados, perguntou-me:  
"Soli, você não soube"?  
Um pouco sem graça, respondi indagando:  
"Soube do quê?
Então veio a bomba: 
"Tive que tirar uma mama... Estou usando peruca, o cabelo ainda não cresceu..."

Foi aí que parei. Não disse palavra. Ela  começou a resumir sua jornada para terminar o Curso de Filosofia e dar conta de casa, trabalho, marido, filhas e filho adotivo (1 ano e dois meses). Como viu que me encontrava muito atônita e emocionada, consolou-me com voz doce: "Agora está tudo bem" e me abraçou. 
Não pude nem respirar... Chorei discretamente enquanto retribuí aquele abraço cheio de afeto e vitória. 
É impressionante como naquele momento não consegui maiores enunciados e nem lembrei de nenhum poema. Não lembrei de falar nada mais alto do que isso:  
"Você merece ser feliz"! 
Minha amiga me deu outra lição, respondendo:  
"Mas fui feliz Soli! E sou. Porque descobri o mal em tempo e cortei-o pela raiz".
Gente... Abracei novamente aquela mulher e acredito que dela consegui tirar um punhado de força, como fez aquela outra, quando tocou a túnica de Cristo (Lucas 8:40-48). Acho que esse punhado de força me fez refletir sobre minhas pequenezas...
Passei o dia com vergonha de ter ficado triste por causa da "deshomologação" de minha inscrição numa Pos-Graduação e do entrave na tentativa para Mestrado.
Passei o dia com vergonha de ter cansado por estar atravessando problemas cotidianos com minha filha adolescente
Passei o dia envergonhada por não ter escrito durante os meses todos de 2011, para Antônio Draetta, meu querido poetamigo, que sempre manda carta e poesia via correio (ele mora em São Paulo e tem 80 anos de idade).
Fiquei sem jeito a semana inteira, por não corresponder para a vida o tanto de benefícios que dela recebo. 
Tristemente percebi que não dei o quanto podia dar, de amor e de companhia e de pão em forma de poesia aos meus queridos irmãos do CECC.
Recebi de minha amiga (que subtraí, durante o ano, da minha presença) a mais grandiosa lição da vida: 
"é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã". 

É preciso ser amigo e não, ter amigos. 
É preciso compartilhar companheirismo e não mensagens no face, no blog, no orkut, ou no raio que o parta...
É necessário usar o telefone e perguntar:
"Está tudo bem? Podemos nos encontrar"?
É preciso escrever e-mail's e não, apenas, reencaminhar mensagens...
Tentarei fazer isso em 2012.

Obrigada Noelita! 
Que Deus lhe abençoe diariamente com a saúde que é merecedora! 
Aproveito a oportunidade e peço que me perdoe a negligência na amizade. 
Como sei que tem alma de gigante, dormirei em paz com minha consciência esta noite, pois desde o dia em que estivemos juntas e fiquei sabendo sobre sua difícil travessia, não consegui dormir direito; rememorando minha incapacidade em merecer tê-la na lista de meus amigos.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Concepção do verso

Para se escrever um verso
é preciso ter vivido,
ter falado,
ter sentido.

Para se escrever um verso,
é preciso abrir e fechar
portas e janelas,
acordar e ir dormir

inúmeras vezes.

E é preciso não escrevê-lo
logo.
A impaciência afugenta ideias,
ideais, companhias, companheiros,
homens covardes e valentes.

É preciso, para se escrever um verso,
detrminado tempo.
Porque os versos são feitos de matérias
muito sensíveis.
E qualquer movimento apressado
pode por tudo a perder.

Para se escrever um verso,
antes de mais nada,
é preciso senti-lo nascer.

12/2011
13:03
Solineide Maria de Oliveira

Para Rainer Maria Rilke

A infância é a melhor idade

É injusto crescer.
Porque quando eu era criança,
um chapéu de soldado,
feito com jornal velho,
já me trazia alegria.

Hoje nem sei ao certo
o sentido dessa palavra...
Emoção?

É injusto crescer.
Porque quando estou farto,
estou triste
e só,
muitas vezes, a totalidade
não conforta.

25/08/2010

QUANDO OS AMIGOS SE AFASTAM

Quando os amigos se afastam, 
fica um vazio na sala,
no quarto e na cozinha
de nossa alma.

Fica uma falta no peito
de paz
de amor 
e de pão.

Fica uma carta antiga,
que nunca chega a estar pronta,
para envio.

Quando os amigos se afastam,
fica uma flor perdida
num copo solitário
sem cheiro,
sem cor,
sem chão.

Para Neide e Camila

domingo, 4 de dezembro de 2011