quinta-feira, 29 de março de 2012

quarta-feira, 28 de março de 2012

Descuido

Sinta o rumor da passagem diária,
escoando por suas mãos,
o tempo indo, voando... trapaceiro.
Longe... longe vão ficando os passos,
a calçada da infância,
o último dente de leite,
a voz de nossa mãe avisando:
vai chover, leve o guarda-chuva.
A apreensão de crescer,
o medo de não entender.

A angústia de separar-se dos colegas,
da escola,
dos amigos,
dos amores...
do instinto de sobrevivência.

Porque chega uma hora 

em que o instinto de sobrevivência:
falha.
Ou porque vamos ficando mais velhos, 

mais cansados...
Ou porque somos mesmo 

“homens de pouca fé”:
falhamos.
Ou por isto, ou por aquilo.

Às vezes o amor é assim

O amor não é o que dizem:
ele pede que se lute,
que se arranque
o coração.

A ferro e fogo é o amor.
Tem caminhos tortos,
tem mãos e pés grossos,
tem o clima instável.

Mas só até conseguir casa,
lar, morada.
Depois fica calmo.
As armas são esquecidas,
o coração transmutado.

O clima se instaura favorável.
Pés e mãos se amaciam,
na leveza da paz indiferente.

Inflluenza?

CHOVE
CHOVE
CHOVE:
frio.
COF
COF
COF:
virose.

Desejo de viagem

Amanhã quero ir para longe,
nem que seja só por um instante:
ficar perto de quem diz que ama,
essa minha alegria infante.

terça-feira, 27 de março de 2012

Sofrimento de um amante

Eu sofro feito um poeta
que escreveu um verso:
lírico, belo, original,
mas não pode assinar.

Sofro essa paternidade
que não pode se dizer,
que não se mostra,
que é abortada...

O verso ali a me olhar
mas sem poder falar:
meu pai, minha mãe!
Como dói meu filho...

Para Manuel Bandeira (um meu outro amor lírico)



Pasárgada não tem muito dessas coisas que se anseia.
Na porta tem tabuleta, dizendo em letras foscas:
Não seja besta!
Não seja bobo de querer mais do que mereça.


Pasárgada não tem muito do que se pensa.
Comer se come, mas mal, não tem cerveja.
De noite tem uma luz que é só tristeza;
o céu lá é mais cinzento, não se alucine.


Não se iluda meu querido e bom poeta
Também já quis outro lugar, já quis mais festa.
Também cri serem mais serelepes
Outras promessas...


Desiludi examinando outros lugares:
Outros canteiros, outros jardins,
Outros altares. É tudo igual.
É dentro mesmo que está a chave.


 Solineide Maria
Inverno de 2008

segunda-feira, 26 de março de 2012

O Anonimato

É mais gostoso o doce anonimato:
suave encanto para todo amante,
enlevo para os crentes da poesia,
luz de amor acesa em todo canto. 

É melhor a voz do anonimato 
a inspirar sonetos delicados;
abrindo o peito feliz à fantasia 
compondo só - canções de alegria. 

O anonimato é chale contra o frio:
é a paz do corpo em febre de agonia,
é lápis para o papel da solidão. 

Querido amigo é o bom anonimato: 
fica calado quando o sono pede, 
tagaralela se o peito necessita.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Menino de Rua e Menino de Shopping

O menino de Shopping
sabe de bolinhas coloridas
e sanduíche:
de carne de minhoca.
Sabe também da morte triste
de uma dondoca,
que compra roupa
mas em verdade
sempre está nua - exposta...


O menino de rua,
não é de rua,
só não está em casa.
Na rua ele entende
que a vida é dura,
mas até gosta,
quando encontra 
uma pipa boa 
num lixão qualquer!
Arremessa alegre
todos seus sonhos
à São José.


E lá do céu, São José
triste e envergonhado,
não pode (ou não deve)
mudar de vez o rumo
de tais histórias...


sexta-feira, 9 de março de 2012

Oração - Faz-me ser pão e poesia...

Meu Deus,


não me deixe ser apenas pão
ou carne que satisfaz...
Quero ser poesia.
Ou muito mais que isso:
quero ser a paz de acolher
de abraçar.
Ser 
e ter pão e poesia.

quinta-feira, 8 de março de 2012

As Mulheres e Cristo

Quem lavou os pés 
e enxugou os cabelos
de Cristo?

Quem mandou-lhe
voltar para casa,
com autoridade?

Quem chamou-o no canto
e pediu, sutilmente,
"um milagre supérfluo"?

Quem foi que Ele
pediu que João
protegesse, depois que partisse?

A mulher certamente tem
um quê a mais
entre as gentes...


Uma evolução chamada MULHER

Nunca quis ser feminina,
apenas fêmea.
Amar e ser amada.
Ser amada e ser cuidada...


Depois cresci.


Hoje consigo ser
o que quer que seja
que precise ser.


Sou pai e mãe,
companhia 
e companheira.
Tudo ao mesmo tempo,
tudo a seu tempo.


Consegui evoluir:
sou mulher.

quarta-feira, 7 de março de 2012

TEMPO DE ESCOLA

As enciclopédias compradas na porta de casa, eram para ajudar nas pesquisas escolares. Todas elas muito bem apresentáveis, capa, contracapa, o lustre ilustre das imagens e dos desenhos. Ali estavam os grandes vultos brasileiros: datas importantes, geografia, e tudo o mais que houvesse. 
Ajudavam, certamente. Pesquisas escolares àquela época eram como uma espécie de "recreação" escolar do fim de semana.
As prestações eram pagas religiosamente. Dinheirinho juntado com afinco por minha mãe. Às vezes economia do leite, do pão, do açúcar, da mistura... Sendo, dessa maneira, pagas também por meu pai. 
Meu pai trabalhava na Ceplac o dia todo e "deixava" por conta de nossa mãe a educação dos filhos. Algumas vezes não entendi tanto silêncio, quando ele, voltando do trabalho se encerrava em frente da televisão. Outras, não entendia a falta de contato físico dele conosco, com minha mãe, com a casa... Raramente entendemos as coisas na hora exata. 
Hoje, rememorando as enciclopédias, posso até sentir a mão do meu pai afagando meu cabelo, num daqueles finais de semana de pesquisa escolar dizendo: _ Estude, o estudo é tudo
Minha mãe, sempre altruísta, orgulhava-se em ver que aquela aquisição havia sido formidável. 
Essas lembranças foram elaboradas com carinho por meu coração. Enfileiradas estão, como se fossem mensagens para serem lidas depois de adulta, no sentido de luzir meus dias de gente grande.
São as melhores lembranças do meu tempo de escola. 

Solineide Maria - 2001.
Do livro Na casa onde estão meus dias (inédito).

domingo, 4 de março de 2012

Tem uma pedra no caminho...

Tem uma pedra no meio do caminho...
Tem muitas pedras perto de onde moro.
Tem várias pedras no Novo Horizonte.
Tem pedras muitas no Pau do Urubu.
Também tem pedra no charmoso Goes Calmon.
Dizem que tem, também, no Zildolândia,
e ouvi dizer que tem demais no Jaçanã.


No Califórnia nunca foi novidade,
no Caixa D'agua, lá no Santa Inês.
Tem uma pedra dura de derreter
no meio do caminho de quem já
tem peso demais para vencer.


Nos mais distantes morros tem "a pedra"
e tem de monte no Centro Comercial.
Entre os pequenos e os mais maduros...
Tem pedra quase em todo fundo de quintal.
Passou do meio do caminho para aqui
ali
acolá.
Tem uma pedra no meio do caminho
que pode ser um câncer terminal.

A IMPORTÂNCIA DA PRODUÇÃO TEXTUAL

   Para escrever é preciso ter o que dizer. Para isso, é imprescindível que sejamos leitores, bons observadores e, sobretudo, escritores. Sim, porque quem escreve é escritor. A escrita e a leitura estão imbricadas. Difícil responder quem nasceu primeiro... 
   Quando escrevemos, exercitamos nossa capacidade de composição, e não é nada demais fazer isso, basta ter o mínimo de organização. Vejamos: se formos escrever uma carta, por exemplo, temos um destinatário (aquele que receberá a carta). Escreverei, então, para essa pessoa. E o que escreverei? Sobre os assuntos que me ocorrerem, ou, algum assunto em especial. O corpo do texto será organizado, para que o leitor não se perca na leitura das notícias. 
A carta, então, será organizada assim: Cidade, data e ano; um vocativo (nome do destinatário ou saudação), o corpo da carta (os assuntos, a minha escrita). Por último, a saudação final e a assinatura. 
   No caso de adentrarmo-nos no universo da poesia, também necessitamos de um tema (assunto). Caso sejamos um poeta sem assunto, a poesia terá uma cara de quem queria ser poeta e não organizou as ideias... As emoções. Pode ficar na cara que pensamos que o poeta é uma criatura que apenas senta e escreve o que lhe dá na "telha". Ser poeta não é nada disso! O poeta pode até se inspirar em algum acontecimento, mas escreverá seu texto de maneira organizada. Pensará em que forma será sua composição: soneto, verso livre, haikai, cordel, quadrinha, prosa-poética? 
   Depois escreverá e revisará. Apenas depois de algum tempo, dará por acabada a sua “invenção”. É isso que o escritor faz quando vai produzir seu texto: ele para e pensa no que dizer, pesquisa sobre o assunto, só depois é que escreve. 
   Os cronistas são "feras" nesse trabalho de pesquisa, os escritores de Romances da mesma forma. Estão vendo? Todo escritor é pesquisador e não escreve o que lhe dá na telha não, há um caminho de escrita e reescrita, de revisão... É assim que se chega a produzir bons textos. 
   Este texto que você lê agora foi escrito e reescrito. Houve pesquisa para poder criá-lo e depositá-lo aqui nesta página. Houve contato com alguns pesquisadores sobre a questão da Produção Textual e Leitura. Anotações ocorreram. Depois foi escrito um rascunho dos pontos considerados mais importantes e de outros pontos considerados chave (aqueles que não podem faltar). 
   Deve-se levar a sério a questão da escrita, pois vivemos num mundo cercado de letras por todos os lados. 
   Para que sejamos entendidos e consigamos entender, devemos ler e escrever. No entanto, ler e escrever de maneira adequada e coerente. E o caminho para uma escrita satisfatória, deve ser o de ler, interpretar e escrever, de maneiras condizentes.