segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

SE NÃO FOSSE A ARTE

Se não fosse a ARTE, que desastre.
Destarte, 
agradeçamos a Deus
que nos deu a possibilidade
de sobreviver,
pelas gotas de luz,
orvalho,
petiscos de pão
e azeite para as feridas emocionais,
lesão das solidões imensas,
das solidões pequenas...
Porque se não fosse a ARTE, 
que desastre.

Solineide
Luanda 25/12/2017

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

"ENTÃO É NATAL"

O mundo, infelizmente, parece andar a fazer com que as pessoas queiram o que a foto indica. 
No Brasil então... Vergonha, descalabro, pornografia política às claras. Nojo...

Os filmes falam da mesmíssima coisa: nada (ou quase nada). E livros aos montes são publicados com várias mensagens e nenhum abraço de gente. Gente. Essa espécie ameaçada de extinção.

Lembro-me de quando li alguns dos títulos que me fazem falta hoje (eles estão longe, os livros)...
Histórias tão boas que sempre me fazem rir, chorar e, de rompante vou àquela página ver se era aquela  a fala da personagem.

O que há com nós?

Minhas poesias ensaiam umas palavras novas, mas rebelam-se e dizem: "esquece Sol... Vamos tomar café e ler mais um pouco" (os mesmo títulos que estão comigo em vida física ou virtual, PDFs.)

Assisti a um filme "A hora fria" (La hora fría) nunca mais encontrei (coisas boas e busca na Internet são um grande quebra-cabeças).
Narrativa: os homens usavam a bomba terrível e seres estranhos a nós, tomavam conta do que restou do Planeta Terra. À noite, ou em certa hora da noite, porque o tempo estava a ser contado meio torto, eles passavam pelo lugar.
Onde passavam, tudo ficava gelado, mas ao máximo.

O lugar era um desses últimos lugares que se constroem para o caso de haver guerra nuclear. Restavam uns humanos que por passarem muito horror, ficaram esquizofrénicos. Mas sempre existem os mais fortes. Os mais fortes...

Talvez seja isso... A Terra anda tão cheia de gente tão má, que anda desbastando o restante das gentes boas. E a sensação de solidão imensa, carrega a quase todos os mais sensíveis.

MAS POR FAVOR, vamos nos agarrar ao BEM, nos unirmos aos pensamentos positivos.

Não é possível que o mal vença. O mal caratismo, a maldade, a pilantragem, todos esses males humanos que circulam por aí com nomes e sobrenomes.
Deixemos que eles fiquem frios, mas nós que ainda temos uma centelha viva, não...
Por favor.
Soliniede.

(Luanda, 23/12/2017)

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

O BOSQUE

Sempre quis ter um banco de bosque no meio da sala, não precisa ser jardim. Qualquer sala. Ou na varanda de uma casa num lugar onde existisse mais gente do que pessoas. O mundo está cheio de pessoas, não encontro muita gente. Mas há gente dentro de nós. Isso é maravilhoso. Saber que apesar de determinadas pessoas, somos gente.



Solineide Maria


Luanda, 18/12/2017

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

TEMER APROVA O TRABALHO ESCRAVO

De onde saiu essa criatura que atende na função de Presidente de um país com gente que trabalha para pagar feijão, arroz, carne seca, água?
De onde saiu esse indivíduo que senta na cadeira da presidência de um país que há muitas décadas luta contra o trabalho escravo?
Reza a lenda que ele e Cunha tramavam a queda da antiga presidente há muito tempo. Óbvio que outras duplas sinistras estavam envolvidas na colocação dessa criatura, na cadeira da presidência de um país que estava crescendo e aparecendo para seu povo.
Esse tipo aprovou recentemente uma proposta que dificulta o flagrante e a responsabilização dos "senhorios de fazenda" e outras atividades, que colocam trabalhadores em condições de trabalho escravo. Ou seja, ele é a favor do trabalho escravo no Brasil.
Aprovar essa proposta é facilitar a ocorrência do trabalho escravo e isso é um descalabro, porque esse ser é indicado por pelo menos três crimes: "Obstrução de Justiça, corrupção passiva e organização criminosa".
A moção que essa figura aprovou, desaprova a moral humana. Mas ele é a favor de muitas coisas condenáveis, portanto, moral não é assunto que essa criatura entenda. Sugere ter nascido assim, esse extra terrestre que pousou no Congresso com aprovação do lado negro da força: um completo "desaprovável".
O trabalho escravo é uma vergonha da ordem das vergonhas hediondas e ele aprova. Aprova porque entende sobre não ter vergonha nenhuma e escrúpulo zero. Entende, por ser um completo censurado e censurável.
O indivíduo temido chegou ao poder pelas mãos do imponderável. O povo não sabe como aconteceu essa desgraça que regride o Brasil em 20 anos. Retrocesso lastimável e, pelo que se observa, que durará durante mais alguns anos. Porque mesmo que deixe a cadeira da presidência em 2018, os infortúnios gerados por ele vão ser fortes empecilhos para que a saúde emocional do povo e do país comecem a restabelecer.
Ditador? Vampiro? A morte? O fim? Talvez essa criatura resuma tudo num mesmo caldeirão, onde o povo de um país é cozido em banho-maria com fundo musical de filme de terror. Apelemos para o Divino pois é muito possível que até Ramsés temeria essa criatura.

(Solineide Maria - Luanda, 07/12/2017)



Leia a repostagem "14 pontos da portaria do governo Temer que dificultam detecção e punições ao trabalho escravo":
http://jovempan.uol.com.br/noticias/politica/14-pontos-da-portaria-do-governo-temer-que-dificultam-deteccao-e-punicoes-ao-trabalho-escravo.html

O HOMEM ABORTA E SOME

O homem é abonado do ato do aborto.  Não é culpado, não é pai, não é progenitor, não faz parte de nenhum momento que envolve o assunto. Aborta e some.
A mulher marcha solitária, infinitamente solitária pelas discussões sobre o tema, isso há pelo menos, duas décadas.
Não se ouve a palavra homem, pai, progenitor, o cara, o canalha, o cafajeste, o irresponsável, em nenhum momento da discussão sobre o aborto.
Ouve-se falar em estuprador. Nesse caso, o estuprador poderia chegar a ter mais representatividade do que o noivo, o namorado, o marido... Uma triste constatação.
A mulher é sempre vista como quem não tem coração, aquela que não pensa antes de engravidar, a que não tem nada na cabeça. Mulher assim é uma qualquer. Em geral, a  mulher é a vilã da história. A solidão da mulher que pratica o aborto é imensa, chega a ser descomunal.
Recentemente o Papa declarou que as mulheres que praticam o aborto e todos os envolvidos no ato devem ser perdoados e merecem prece. E o que merece o homem que abandona a mulher numa situação tão séria?
Uma matéria diz que mais de 50%dos brasileiros são a favor da prisão da mulher que aborta. Então é assim? E o homem que engravidou essa mulher? Cadê  os homens que abortam a mulher e o filho?
Sim, porque o homem rescinde da mulher e do filho. Seria um duplo aborto. Além de ser, mais das vezes, crime premeditado, porque viabiliza financeiramente uma clínica mal aparelhada e de péssimas qualidades técnicas e humanas. Ou entrega nas mãos da mulher, num beco, às escondidas e às pressas, um remédio proibido nas farmácias...
Dizem que muitas das mulheres que abortam, o fazem por vontade própria. Pode ser. Mas e as outras mulheres?
Exceto nos casos de estupro, será que todas as mulheres que abortam quereriam mesmo abortar? A decisão não ocorreria, sobretudo, por culpa da solidão de uma gestação abandonada? Já que a mulher, independente da idade, é malograda ao peso vasto de uma solitária circunstância?
Não sou a favor do aborto, sou contra a ausência da figura masculina na culpabilidade do o aborto. Sou a favor de lembrarem de que há a participação de um homem para que aconteça a concepção de um feto. Sou a favor de que procurem outorgar a esse "homem" a parcela das culpas que lhe pertencem.

Solineide Rodrigues
Luanda, 06 de Dezembro de 2017.


Versos para Dante

Deixa-me amar as árvores


A rua em luz noturna


Nadar nas águas do amor


Tomar posse da paz


Eterno renascer


Vó Sol 08/07/2017.

A VIDA CARECE DE DJAVAN


Djavan tem canções que são mares absolutos. Imensidão de águas que retornam cada vez mais límpidas nas conchas e colchas do dia a dia. A vida carece de Djavan.
Djavan é uma necessidade, tipo beber água. Tipo tomar café. Tipo assim… Tudo.

As canções têm uma coreografia sem dançarinos, elas dançam por si. Nós, esses djavanianos de carteirinha por puro amor, ficamos embevecidos, nadamos sem saber nadar, afogamo-nos nos vários oceanos de líricos acordes de suas canções.

Não sei de onde Djavan traz tantas canções inéditas. Penso que esse poeta maravilhoso e capaz, viaje para dimensões que nunca dantes tenham sido exploradas. Guardo a hipótese de que exista a dimensão Djavan numa região de claras águas, onde as palavras surjam emocionadas quando ele aporta de sua nave amorística.

Que fim levou o amor Djavan? Eu queria lhe perguntar isso hoje, porque a TV mostra umas loucuras que não são de minha compreensão. Não encontro nenhum fio de pensamento que consiga responder tal questão. Tudo que plantamos anda a dar capim…  E olha, é um capim sem poesia nenhuma, sem graça nenhuma, sem vento que o embale…

“Deixa eu chorar com você” Djavan, porque nem no Serrado as coisas andam fáceis… Nosso país tão maltratado, tão saqueado Djavan… Valei-nos! Um país tão bonito, um povo tão original, diverso, trabalhador sim…  

Tantos mares me atravessam, tantos mares de palavras mudas meu irmão. E não caem em “doces gotas de amor”, elas retesam de inquietude e de decepção…
Djavan: você “pode ter um jeito de acasalar o canto do mar com sua voz de cantor e fazer desse seu canto um brado tão fundo pra amolecer” o coração dessa gente nefasta, que anda a encavacar o Brasil?


(Solineide Maria - Luanda, 6/12/2017)

AS VIAGENS

(Este é um texto sobre lancha, sobre barquinho de papel, sobre saudades, sobre sala de aula, sobre ser professor-pesquisador na época em...