sábado, 31 de maio de 2014

Como se fosse uma historinha de criança

A Luz olhou para a Sombra e disse:
_ Vem comigo, preciso de sua ajuda. Auxilia-me na dignificação do homem, ele precisa perceber onde há paz e onde há tristeza. Onde há pão e onde sobra fome... Vem comigo amiga educadora, faz de ti uma professora sobre asperezas. 
A Sombra pensou um pouco e muito insegura respondeu: 
_ Tu pensas que poderei ser útil?
_ Claro! Respondeu apressada, a Luz à amiga "educadora". 
A Sombra então pegou suas melhores vestes (cinza médio, cinza escuro e cinza-grafite) e colocou em sua maleta de viagem (cinza-cinza). 
Fez um "sinal da cruz" e fechou a porta da ociosidade. 
A Luz disse à amiga: 
_ Não temas, estarei do teu lado. Em qualquer situação de dúvida me chame. 
As duas, então, partiram para Missão de Aclarar as Consciências Humanas... 

(Solineide Maria) Maio de 2014 - 22:50.
Chegando em casa após Semaninha Espírita (em Itabuna-Bahia).

Papo Coragem...

Uma coisa é necessária: CORAGEM.
Coragem de ir na lama de nossa alma e arrastar de lá todas as algas preguiçosas.
Alias, ALMA é um anagrama interessante: as letras, rearranjadas de outra forma, pode formar a palavra LAMA. Já repararam?
Então essa seria uma proposta que se diz no próprio vocábulo que dá nome ao espírito encarnado.
Olha... Tenho umas lamas bem antigas. Umas que estão me olhando faztempo.
Elas sabem que chegou a hora de se transformarem em monturos fora de mim.
Elas sabem que ficarão lá na margem, secando ao sol. O sol da fecundidade.
Elas sabem que sofrerão outro efeito interessante da Natureza... Virarão novamente coisa que fecunda. Vão fecundar o terreno espiritual ao redor de minha alma.
Ter coragem é corar a alma.
Outro aliás: se a gente arruma a palavra coragem de outro jeito, vai aparecer a palavra COR e o sufixo AGEM. Então, podemos supor que ter coragem tem a ver com corar nossa vontade e ir para a aragem de nós mesmos...
Cor é para os que agem?
Puxa. Hoje estou tão filosófica. (rsrs)
Mas é verdade! Ou parece. E veja que interessante, quando agimos com determinação, parece, há uma cor diferente em nosso rosto, talvez ela advenha da alma que sente a alegria de estar com a cor da aragem.
Que tenhamos CORAGEM então.

SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA
Maio de 2014.
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quinta-feira, 22 de maio de 2014

DESEJUM COM A SAUDADE

A saudade acordou descompassada...
Olhou-se no espelho e disse:
"Estou com cara de pasta amassada".
A moça sorriu dela.
Depois,
a saudade tomou café com a moça
(que tem mãos pequenas)...
Ela disse que iria ficar em casa,
lendo o livro de Florbela,
para se aplicar melhor em
"maneiras de fazer os amantes
sofrerem por ausências"
(curtas ou longas).
E deu uma risadinha sarcástica...
A moça ficou calada:
levantou e foi escovar os dentes.
Ela gritou do quarto:
"Hoje não vou perturbar muito você".
A moça sorriu baixinho,
trancou a porta e saiu
para o trabalho.

SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA
Maio de 2014
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PRECE PARA OBTER ALGUMA UTILIDADE

Deus meu Pai... 
Ajuda-me a ser nada... 
Nadinha de nada, 
para, 
então, 
ser alguma coisa... 
Sua Benção... 
Boa noite... 


SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA
Maio de 2014.

sábado, 17 de maio de 2014

A PRECE TEM PODER

 O peso das bolsas nem tanto incomodava Bete. O que mais a incomodava eram as "provações"... 
 Ultimamente Bete vinha atravessando muitas "provações", mas tudo é aprendizado... Então... O ônibus apareceu e Bete estava do outro lado da rua. Seu desespero foi tão grande, que se esqueceu de que as ruas devem ser atravessadas com cuidado. Quase fora atropelada. 

Descabelada e ofegante conseguiu chegar até o ônibus, mas ele arrastou rapidamente. Bete ainda sentiu aquela fumaça traseira atrapalhar a respiração, que já estava dificultada por conta da corrida. Nada a fazer a não ser esperar outra condução... 
Enquanto esperava, organizava a agenda. "Puxa, que cansaço", pensou Bete... "E ainda é quarta-feira"... Concluiu seu pensamento levantando-se apressada porque avistara outro ônibus. 

Como é que uma pessoa se alegra com a visão de um transporte público "em frangalhos"? Bete conseguiu se alegrar e, pasme, até sorriu. Entrou e sentou-se ali mesmo, na frente (antes de atravessar a roleta). A "marinete" estava lotada... Mas tudo bem sentar-se era um luxo e ela havia conseguido tal feito. 

Ajeitava-se ainda, quando uma senhora lhe olhou com "intenção de assassiná-la". Tratava-se de uma idosa de cabelos tingidos de louro e uma minissaia muito "mini" mesmo. Bete pensou: "nessa hora ela quer ser idosa"... Bete, que é muito honesta e cidadã, levantou-se e ofereceu o lugar àquela "idosa de ocasião"... Melhor atravessar a catraca. Atravessou e conseguiu um cantinho protegido naquela "lotação lotada"... 

Mais um ponto se passa e Bete consegue sentar-se. Ao seu lado vem sentar-se uma senhora negra, com três dentes na boca, muito suada e mais ofegante do que ela quando conseguiu adentrar no ônibus. Carregava um bolo de fubá na mão esquerda e uma "fanta" genérica na outra mão. A mulher pergunta à Bete se aquele ônibus passava no presídio... “Que presídio”? Ah sim... Havia um presídio na cidade... Bete respondeu que não sabia. A cidadã então pergunta ao cobrador, no que este responde que parava perto, pois aquele transporte fazia o itinerário "Via Urbis IV". 

A mulher começou a conversar com Bete. Primeiro, se disse aliviada de aquele ônibus parar perto do Conjunto Penal, porque seu filho estava lá e na semana anterior não pode ir visitá-lo. Bete oute tudo atenta e calada. Depois de um minuto aquela mãe pergunta para Bete se ela queria um pedaço de pão com mortadela (sacando o alimento de uma sacolinha plástica). Bete recusa e agradece. Durante o itinerário, a mulher conta como seu filho fora detido: "Olha moça, perdi uma filha mulher por causa de um marido ciumento e meu filho mais velho perdi para as drogas, mas Deus prendeu esse mais novo pra mim lá na cadeia. Pedi tanto uma providência que Ele agiu. Foi mesmo sabe fia. Ali eu vi que a prece tem poder". 

Bete ouvia aquela irmã, com uma emoção sem conta... Como é que quase se queixava para Deus há instantes atrás por causa do atraso de um ônibus? Aquela mãe muito linda em amor continuou: 
“foi numa sexta-feira de noite, teve tiroteio e meu fio estava nessa vida, eu sabia moça... Mãe sabe né? Aí me contaram que o pessoal do lado de lá iam na favela pegar os de cá, meu fio na rua, tarde da noite. Ajoelhei no chão e pedi para Deus me ajudar. Para Ele não deixar eu perder meu fio mais novo para as droga também”.

"Sou mesmo homem de pouca fé" pensou Bete com seus botões... 
Sorridente, aquela heroína disse que não foi visitar o filho porque conseguiu outra faxina e não queria perder no primeiro dia: 
"A muié marcou para o dia de visitar meu fio, eu não podia perder esse dinheirinho né dona"? Dona era Bete e Bete concordou... 

“Dona do quê”... Bete pensou... "Dona de uma fé ainda bruxuleante? De uma fé anêmica? "Ai amiga... Dona de umas faltas persistentes"?... O ponto de Bete chegou. A mulher levanta-se e auxilia Bete em sua saída. 
Aquela mãe agradece ainda sorridente a conversa matutina com Bete. A heroína anônima deseja que Bete tenha bom dia e dê boas aulas e lhe abençoa: 
"Deus lhe acompanhe". Bete responde "amém" e diz para aquela mãe honrada que tudo vai acabar bem. Que seu filho logo será solto, pois Deus sabe de todas as coisas e se ele tiver bom comportamento sai mais rápido. A mulher sorriu um sorriso cheio de alegria e abraçou Bete... Transbordante, disse que Deus havia de ouvir aquelas palavras. 

Bete, muito emocionada, precisou sentar-se um pouco no banco maltratado do ponto de ônibus próximo à escola maltratada do bairro periférico, também maltratado, que iria ministrar as aulas da manhã e fez uma prece, pedindo que Deus a perdoasse pela ingratidão de reclamar por nada e agradeceu mais uma lição de vida, dessas que Ele envia para ela, ainda que não tenha merecimento... 

(13-05-14)