segunda-feira, 31 de janeiro de 2011


Oração por um desejo carnal

Meu Deus,
Desejo um homem que não fale palavras ordinárias.
Um homem que tenha olhos que vejam mais, além do físico.
Um que goste de poesias tridimensionais, transmusicais, transcomunicadoras.
E que tenha a pele morena e que não se ressinta com bobagens que eu fale assim, do nada. É por causa da Poesia...
Um homem a quem eu possa ofertar minha paz,

DO Livro de Orações da Mulher - De Solineide Maria
no prelo!




A ANGÚSTIA

A angústia escreve poesias tristes
e tem uma luva de veludo cinza-escuro.
Sabe nossos endereços, a angústia...
Ela os guarda numa agenda cor violeta.

A angústia não gosta de música alegre,
mas não gosta de música triste:
gosta de música bonita.
Às vezes, ela escuta os clássicos.

Ela não sorri de nada, é triste de dar dó...
Ela chega nas horas mais bacanas
e estica as pernas no sofá da gente.

Ela acende um cigarro (ela fuma)
faz de conta que é sábia,
e mente baixinho: vim te fazer companhia.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

RILKE

Rilke olhava e via.
Poetisava o mundo
e as coisas extraterrestres.
Rilke não era poeta,
era um bruxo que escrevia
poesias...
Rilke sabia e olhava cisudo
sério, sereno.
Rilke morava em castelos,
e escrevia além muralhas,
muros...
As almas muradas
até hoje se desmuram,
com a escrita de Rilke.




segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Despoetisaram a lua. Sabia?

Vejo a lua já há muitos anos,
parece a sempre boa e velha
companheira.

Vejo-a da minha janela,
e daqui da praia
ela cobre a rua inteira.

A boa e calada voz de prata nua.
A solitária e perfeita fala
dos amantes.

Despoetisaram a lua. Sabia?
Mataram São Jorge,
desmentiram seu dragão...

No entanto, ainda vejo
o dragão temendo a morte,
na espada de Jorge.

Ainda creio nos amores
que se banham numa
noite de luar.

Pode ser pieguice, tonteria.
Mas a Poesia e a lua (para mim)
sempre terão seu lugar.


segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Difícil ouvir seus olhos tão vazados...

Guardo a lembrança do dia
No cabide, dentro do armário.
Faço minha prece noturna e abraço
Minha alma quase murcha.

Tenho sonhos ruins.
Abro e fecho janelas,
Fecho e abro...
Fecho e abro...

No início do sonho a música recita:
Ai, daquele que ama uma visita...
Pensei: vou escrever sobre isso
Quando acordar.

Acordei.
Escrevi o verso e li.
Reli.
Reli... Não escrevi nada que sirva.

No fundo somos todos visitantes
Uns dos outros.
Uns desejam ficar e isso é que difere
Amor, de Paixão.

Li e reli: Desilusão por vir?...
Antes de entregar meus dentes à escova,
Tentei um sorriso:
Não consegui...

Tomei o mesmo café preto e saí.
Senti a solidão perto de mim.
Fechei os pulsos e mantive firme
A fé na esperança do Amor.

Difícil ouvir seus olhos tão vazados.
Difícil ouvir palavras desconexas.
Vontade de dizer adeus às pressas?
Vontade de se ver livre de mim?

No sonho o abrir e fechar janelas
O que queria dizer para mim?
Será mensagem que deva ser
Desvendada?

Será que o outro sonho,
o que não quis,
Porque acordei agitada e confusa,
Traria a resposta do que vi?

Janelas abertas, fechadas...
Abertas, fechadas...

O amor tece essas confusões na gente.
Sobretudo nos que se dizem demais...
Deveria existir assim um Mapa, que indicasse
A direção nos casos do Amor.

É tão difícil ficar assim tão triste,
Quando o que sinto deveria sempre
Estar alegre e abrir janelas
Abrir, abrir, abrir mil janelas e sorrir...

Solineide Maria
17/01/2011

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Para que serve a Poesia?

Ontem de noite um menino me chamou
e perguntou para que serve a Poesia.
Não respondi, não soube nem me colocar,
mas entendi que se tratava de uma chamada.

Ele, moreno, pequeno ainda, mas não no olhar,
fitou-me assim, direto e fixo na minha cara.
Eu, meio tonta, disse que iria lhe procurar
para tentar lhe responder tal ousadia.

Fiquei vexada e caminhei pra minha casa,
que, na verdade, não é bem minha...
Fiquei tristonha porque não pude dialogar,
porque a pergunta instaurou gelo no meu pensar.

Para que serve a Poesia?
Olha menino, talvez não saiba nem falar
sobre Poesia.
Sou tão infante quanto sua pele...

Sou tão inofensiva quanto sua alegria.
Mas lá no fundo a Poesia me anistia,
libera em mim coisas tão boas quanto bonitas.
Penso que isso seja gesto Divino da Poesia.

Em mim a Poesia cria umas asas,
que flarpam palavras que me alegram,
que dizem palavras que me enlevam.
Penso que isso seja mais uma caridade da Poesia.

Algumas vezes, ela se esconde,
mas é algo que acontece para me proporcionar
melhor maneira de escrever, de comunicar...
Penso que isso seja uma forma de me elevar.

Menino, a Poesia, vê, é caridosa.
É Caridade do Criador para conosco.
Para que serve a Poesia ouso lhe responder:
serve pra tudo.

Serve como pão e socorro, abraço e susto.
Cobertor e luz e tormenta.
Serve como caminho com flor
e trilha pedregosa.

Serve para a vida e para a morte.
"E da morte sempre é vencedora."

Para Lucas.
Menino pequeninho e bonito e sagaz:
essa é minha tentativa de resposta viu?

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Solicitação de Empréstimo


Cecília Meireles,
empresta-me tuas vestes azuis,
de quem entende de mares
e de marés.

Empresta-me Cecília, aquele vestido lilás
que ai, ai, arrebatou corações,
que abriu amores em flor
me empresta Cecília, por favor.

Cecília, me empresta tua veste de professora
que em Março estarei em plena sala...
Estágio e tudo o mais me aguardam
no final das férias e do Curso.

Empresta-me Cecília umas palavras,
que a Poesia está de férias de mim,
que a Poesia está dormindo em mim...
Empresta-me Cecília, teu clarim de palavras.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Um poema não basta para agradecer

Ganhei uma coleção de músicas e uma caneta esferográfica azul.
Ganhei, depois, uma caneca de café e dois ouvidos: paciência e sinceridade.
Fui ganhando, aos poucos, uns consertos no meu computador, coitado, de 1994.
Fui ganhando conselhos e broncas, no bom sentido, opiniões maduras e linhas de seguir ( de raciocínio). Num momento como o que passava, nada mais saudável.
Fui acolhida por muitas palavras de refletir. Muitas delas usei, guardei algumas para momentos de urgência, emergência. Tão bom saber que é verdade e que é verdade alguém querer meu sucesso, meu alevante.
Um poema não basta para agradecer.
Não bastaria.

Obrigada

A mala carrega as roupas e a esperança. As meias e o cachecol.
A mala carrega o silêncio dos tecidos dobrados, arrumados.
Eles se perguntam o que há de ser? Para onde estamos indo?
Deve ser tão difícil ser roupas dentro da mala.
Nada saber do destino, nada saber a que horas o vôo pousará.
Em que estação vai estar o lugar que não se sabe...
Que peça primeiro sairá?
À dona da mala o coração ansiosamente preparado ou pré parado.
Ainda não se sabe, porque a viagem nada aconselha. A viagem é puro caos
Na cabeça, pensamentos amarrotados querendo neurônios mais calmos.
Em vão o desejo de calma.
Calma? Apenas quando descer...
Sair, desembrulhar a vida para a vida que será.


Para Cissa

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

PROPOSTAS PARA 2011

Proponho para todos nós neste Ano Novo, a reflexão que não se prolonga demais, porque aí, o tempo da ação se perde. A amizade sincera, sem cobranças, a paz de amar sem cobrar e, sobretudo, a prática da Caridade.
Proponho que tenhamos força o suficiente de nos dizermos equivocados, quando estivermos equivocados, e que possamos pedir perdão muitas vezes, todas aquelas que ferirmos. No entanto, que possamos dizer que amamos, com a maior veracidade que o coração consentir.
Proponho que possamos abraçar mais vezes do que o fizemos em 2010, mas apenas se tivermos vontade d’alma. E que possamos calar quando a ofensa ferir nosso ego. Aliás, proponho que façamos um exercício de esquecimento do nosso ego, ele, que é causador de muita rebeldia...
Proponho que sejamos mais leves do que o que fomos no ano passado, que tenhamos mais braços de abraçar do que de sufocar e que tenhamos bocas mais para beijar e sorrir do que para a maledicência.
Poderia propor mais, mas por hora está bom. E que sejamos melhores em 2011, em tudo o que nos propusermos realizar!