segunda-feira, 30 de julho de 2012

O outro medo


Aterroriza-me.
Tanto...
Esse pranto em mim,
esse espanto que não desiste.
Essa angústia de querer abdicar,
ir embora,
mas há lugar
onde a primavera vigora
depois de ter existido?
Apenas caos...
Mas e as naus? 
Onde a poesia?
Onde há poesia?
Aterroriza-me tanto...
Esperarei você
em algum lugar,
a qualquer hora,
para, juntos, partirmos
o universo ao meio.
Então... Novas energias,
novos rumos,
novo verbo.
Agora vou dormir.

Para Genny Xavier
foto: Blog da poetisa
http://badeguardados.blogspot.com.br/2010_05_01_archive.html

domingo, 29 de julho de 2012

Deus Hawking

Amo este homem com história cabalina.
A sua paz, o seu cabelo, a sua palma...
Amo, admiro, mais do que a um irmão;
ele me faz acreditar que sou divina.


Ele me faz parar e ler horas seguidas...
Faz-me acordar para entender a minha dor,
e desse jeito reverter descrença em luz.
Amo esse homem, inventor do novo amor...


Ele está torto, mãos e pés não funcionam.
Outra pessoa agora veste-lhe as roupas. 
Precisa muito de ajuda para tudo:
número um, número dois, limpar a bunda...


No entanto, longe de toda humilhação
que tal condição pudesse indicar,
Hawking é deus aqui na Terra para a Ciência.


Agora faz leitura até da mente!
Tornou sua aflição experimento,
erguendo o seu próximo descrente...




Com amor, para Stephen Hawking!

sábado, 28 de julho de 2012

Vem

Vem aqui palavra querida,
enfeita de amor essa página!
Diz-me que a vida é boa, 
embora breve...


Vem aqui, vem agora...
Abrace esse coração
que ainda não acertou
o rumo,
o prumo,
a praia...


Vem... 
Palavra clara,
escura, 
monossílaba
polissílaba...


Vem fonema,
fale num triz de segundo
o que é feito de mim,
esse ser que tateia ser...


Vem palavra...
Diz-me o que não sei,
o que não consegui,
o que não consigo...

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Tem capitães da areia em Itabuna...

Tem capitães da areia em Itabuna,
minha cidade que 
daqui a pouco fará aniversário;
e em Outubro irá às urnas...


Tem muitos deles nos bairros 
periféricos,
nas ruas onde apenas
o esgoto passa 
livremente 
pelos pés 
da criançada descalçada
(de cimento, sandálias e sonhos)...


Tem muitos capitães da areia
nos bairros "chiques".
Esses são ainda mais flagelados,
pois que por opção vão pra miséria...
Escandalizam para dar visão
àqueles que são capitães da areia
por falta dela.


Ontem foram ao chão
três desses "bichos,
assassinos, ladrões
primos do canho"...
Disse olhando para mim
um negro idoso
no ponto de ônibus
(sem proteção)
de um bairro central
desta cidade.


Fiquei triste, ainda mais...
Não sei bem lhe dizer
se por causa da violência
praticada pelos capitães da areia
ou se pela violência das palavras
ditas assim da voz de um 
já maduro senhor.


Perguntei-lhe ousadamente:
O senhor é daqui?
Ele respondeu com ar superior:
Sou da capital. Vim para Itabuna
bem menino. Tive família que
me deu educação. 
Exerci a advocacia até outro dia.
Amo esta cidade como se fosse
minha.


Não parece. Respondi.
Ele, surpreso pela minha ousadia,
indagou: 
Por que?
Disse-lhe:
Quem ama uma coisa, um lugar,
alguém...
Diante de uma tal calamidade,
o mínimo que faz é um poema.
Descrevendo a dor de ver 
que a adolescência aqui
não chega a amadurecer...


Salvei-me pelo ônibus
Mangabinha...
Subi, entrei, sentei
e vi, pelo vidro da janela,
que o velho olhou-me fundo...
O ônibus, precariamente,
me acolheu e me levou.

Para Jorge Amado e para Itabuna em seu Aniversário (28/07)

DIA DO ESCRITOR



Escrever. Sobre o quê?
Tantos assuntos
perseguem minha mente,
olham as minhas mãos,
tremem a língua...

Escrever. Como?
Há em torno de mim
uma angústia
que come e consome
as vogais,
adentra pela porta
das consoantes
quisera ser "tacanha"
feito antes...

Quando não queria saber nada,
nem ver, nem ter nenhum
conhecimento.
No entanto, a força abissal
do pensamento,
deixou-me assim,
absorta ad-eternum...


Escrever. Para que?
Para ficarem tristes os vocábulos
presos num velho livro na estante
empoeirada?

Não sei se devo...
Escrever?
Sim!!
Todos os dias!!
Para serem sempre
jovens as palavras!

quarta-feira, 25 de julho de 2012

A graça está em ver e não ser visto.
Em dar e não ter nada garantido.
Em amar... amar... amar...
Ao infinito.

terça-feira, 24 de julho de 2012

O sonho

Ontem sonhei um sonho esquisito...
Uma flor que jazia no infinito
olhou-me um simples olhar
e de repente, ofertou-me
com mãos muito contentes
uma pétala sua, carinhosa.

terça-feira, 17 de julho de 2012

38% (Trinta e oito por cento)

O índice não sei qual
indicou que xis %
dos universitários
não sabem ler
nem escrever
profundamente.


Isso não é novidade...
Mas o índice acha que sim.
E disse que o EJA
terá papel importante
para a salvação de tal
situação...


O índice esclareceu
que muitas universidades
se importam
com quantidade,
esquecendo-se
da qualidade...


E esse índice ainda
assinalou
que as universidades 
públicas
e particulares
acabaram se adequando
ao "baixo nível"
do alunado atual... 
au, au, au...au...




http://estadao.br.msn.com/ciencia/no-ensino-superior-38percent-dos-alunos-n%C3%A3o-sabem-ler-e-escrever-plenamente

Côrte para o amor

Um corte não corta
a dúvida,
nem é cortês
com a pele da vida.

O amor não corta nada:
dá passagem,
asas,
o amor faz pontilhado
em saia balonê.

Para você ficar linda!
Mais ainda.

O amor faz um
bordado de Luz
no meu peito,
só pra mostrar pra você.

Para você ficar
ainda mais
bonita.

Faça a côrte para o Amor.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Poema para Pedro

A vida é boa Pedro,
importa que seja amada
por todas as nossas fibras.
Importa que seja lida
com olhos infantes
(infantes são muito criativos).


A vida, Pedro,
é um emaranhado de Notas,
para composição nossa.
Às vezes dá um soninho
viver...


Mas é coisa que passa logo;
deve passar.
E como é bom, sabe Pedro,
acordar num colchão limpo,
lençol e fronha cheirosas!


Como é delicado comer bem,
feijão, 
alface,
fruta.


E como é legal Pedro,
ter amigos,
pai,
mãe,
irmão,
professor,
escola.


A vida, querido Pedro,
é tão, 
mas tão boa,
que nem se importa
com nosso mal humor:
nasce pra gente, todo dia.


Para Pedro (que tem 11 anos e anda cansado da vida)...

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Sou tia-avó


Sou tia-avó.
Tenho um sobrinho
(neto de minha irmã).

Nasceu já tem um aninho...
Estou mais um pouco
em minha família.
Transformei-me noutro ser:
multipliquei-me em João Erick.

Parece estranho:
a sensação de ir além,
de ter outra vida agora,
de exercer a eternidade
numa mesma encarnação.

Sou tia-avó...
No corpinho de João,
o meu sangue também há,
um pouco de minha tez,
um bocadinho de meu riso,
um tanto do meu olhar.


Para João Erick em seu 1º aninho!
Para Regina, mamãe corujíssima.
Para Tiago, papai mais do que apaixonado.
Para Selma e Valfredo (avós maternos).
Para Zezinho e Ana (avós paternos).

quarta-feira, 11 de julho de 2012

LIXO TAMANHO G

Um homem grande
comia o lixo dos ricos
na manhã desta quarta-feira.


Deu-me ânsia 
de vomitar
a pobreza dos burgueses.


Deu-me ânsia
de vomitar
a ganância dos abastados.


Deu-me ânsia 
de vomitar a mim,
que "nonada" posso,
além de balbuciar
uma prece...


"Cordeiro de Deus 
que tirai os pecados do mundo:
Tende piedade de nós!"


Dedico ao irmão que vi hoje pela manhã na Rua Quintino Bocaiuva, comendo restos de um saco de lixo tamanho G...

Eu ainda não amo feito as flores

Ainda não amo feito as flores. 
Não sei repartir, sem cobranças. 
Não sei me dar, sem ressalvas. 
Não sei ouvir, sem condições. 


Ainda não...
Não sei me dar ao que basta. 
Anseio, anseio, anseio... 
E não sei assumir que não sei amar. 


Todos esses verbos 
que são válidos na prática: 
ainda devo, ainda evito, 
ainda não os pratico. 


Não saberei...
Até que volte o meu olhar marasmo 
para dentro, e de lá seja içada 
pelos anjos. 


Assim, 
vinda do mais profundo de mim, 
seguirei sem vacilo, 
sem supostas amarras. 


Dourada, anil, clarividente. 
Feito as flores, amarei 
e passarei, gentilmente.

Caetano Homenageia Jorge Amado no dia em que o escritor desencarnou

terça-feira, 10 de julho de 2012

Por que você não muda?

MUDEI DE COR... estou mudando...


QUERIDOS LEITORES,


Um grande abraço para todos que ainda visitam este espaço.
As mudanças pedem pressa, então:
errou: perdoe-se.
caiu: levante-se!
Se nada der certo: continue crendo!
Amanhã é outro dia, outra página! Espaço para novo texto, novo poema!

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Farewell

Quando termina tudo?
 Ah... 
quando termina tudo...
é duro acreditar.
A festa do olhar, que já não há.
A dança do sorriso, que já não vigora.
As mãos, antes, insistentes,
jazem caídas:
parecem flores murchas, incompetentes...
Aquele longo telefonema:
"desliga você, vai... 
não... deliga você"...
é coisa do passado.
A conversa é monóloga, 
o assunto? 
Contas, 
dor de dente, 
a morte de alguém, 
o sol, 
a chuva, 
o frio persistente... 
 Quando termina tudo 
a falta é bem vinda. 
Aceita-se o convite: 
para o chopp, 
para o jogo, 
para... 
As falas muito curtas, 
o espaço se faz longo 
entre o beijo e a boca. 
 Quando acaba o amor? 
Ah... quando acaba o amor 
é duro de aceitar.


Para Dora.

Para minha mãe



A casa hoje estava com saudade.
A porta, a janela, a cadeira.
O seu retrato preso na memória...
Uma agonia. A sala? Incompetente.

A sua roupa, junto ao cobertor,
e o seu quarto: triste moribundo.
O seu casaco em solidão total,
sentindo frio, abraçava o sobretudo.

A cozinha, sozinha, consolava
o fogão, que fraco aquecia
um café velho...
abatido pela noite.

A casa é sua, não há outra senhora.
O chão, o teto, as vigas, as paredes.
Até o passarinho lhe procura,
sentindo, inconsciente, essas horas.


A mesa inútil, resistindo a falta
do seu tempero e da toalha alegre.
A foto de Jesus olhando a porta
vigiando, saudosa, sua volta.

Para minha mãe, que muita falta faz, quando viaja para a Fazenda dois corações, com meu pai.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Legiao Urbana - Perfeição (legendado)

Meu P é da POESIA. 
Nunca mais será de Partido nenhum!

A ESCOLA. Dedicado aos professores de verdade! Aqueles que "combateram o bom combate" da Greve, onde os traidores se mostraram, de uma vez por todas!

A escola é uma fábrica falida
de educadores que funcionam,
mas em vão...


De estudantes que perderam
a esperança,
de salas cheias de maldade
e ilusão...


A escola é uma fábrica de vidas
que são vencidas pela falta
de um pão
que não se faz,
sem que a mão
seja estendida:


o pão da vida
a POESIA, a emoção.

O PT É O PARTIDO DOS TRAIDORES!

Legião Urbana - Fábrica