segunda-feira, 29 de abril de 2013

Soneto de um encontro desencontrado

Que pena que encontrei você agora...
Tão longe de vivermos sempre juntos.
Tão longe de abraçarmos as mesmas causas,
tão longe para sempre, embora atados...

Que pena que não soube esperar
por suas doces e tensas palavras...
Por suas mãos sempre tão acertadas...
Por seu olhar sempre tão elevado.

Queria lhe dar meu amor sincero,
e um pouco do que sei
da vida agora...

Mas veja meu amor
estamos longe...
Embora estejamos tão ligados.


Solineide Maria
Abril de 2013

Mais um dia

A vida abre mais uma oportunidade.
O céu avisa que mais tarde vai chorar.
Minha caneta, meus papeis sobre a mesa
parecem mortos que não se deixam deslembrar...

A sala pobre, mas arrumada me empresta um canto.
Sento e bebo um bom café enquanto assisto
o mundo inteiro se transformando em vão presente...
Silencioso, Deus observa, muy descontente.

Tomo o café e então concordo com a escritora:
"não há notícia, hoje em dia, tudo é desgraça".
A gente lê, a gente ouve, a gente nada...

Troco de roupa, pego a pasta: livros, cadernos.
Vou trabalhar, talvez encontre um texto bom,
que me abrace e apague tudo que não traz graça.

domingo, 28 de abril de 2013

RECEITA DE COMO NÃO CRIAR OS FILHOS E FILHAS

Desrespeitar a face do professor,
fazer piada de colega e de amigo,
brincar de astro pelo grande corredor,
chutar sandália do porteiro lá pro fundo...

Em casa ser apreciado como rei.
Ser todo santo, todo belo e todo amado.
Agraciado pelo bom e do melhor:
ser entendido por qualquer delito ou fato.

Dessa maneira é que se cria um marginal.
Desse jeitinho é que se gera uma fera:
capaz até de atear fogo numa donzela.

Começa quando se desrespeita o professor...
Depois vem bullying e "hediondagem" de todo tipo...
SOCIEDADE!!! O alerta é para todo o mundo!


Para 
Cinthya Magaly Moutinho de Souza.
Com muito amor!

De
Solineide Maria de Oliveira
Poeta e professorinha que vez por outra é assediada por alunos e mães... Apenas por realizar, de fato, seu papel em sala de aula.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Poema para um crítico anônimo

O leitor pede um verso juvenil...
Um poema, talvez,
uma estrofe...
Uma carta?

O leitor pede uma mensagem alegre:
disse que é sem graça o que leu...
Disse que não gostou do que viu...
Mas comeu...

Leu!
Isso é perfeito.
O leitor é crítico, mas agressivo:
"seus poemas são muito sem graça": escreveu...

Não parece leitor "de poesia"...
Não sugere que sabe de Dante,
Mallarmé, Rilke, Santa Matilde,
Santo Agostinho ou Patativa do Assaré...

Pediu poemas juvenis...
Sei... Poemas juvenis...
Não minto, crítico anônimo:
não escrevo poemas juvenis.

Escrevo.
Os poemas é que se dizem.
Eles nascem com identidade pronta.
Eles são o que são...

Mas aconselho que seja mais elegante,
quando criticar a obra alheia:
juventude também rima com leveza,
com pesquisa, opiniões embasadas e gentileza.




segunda-feira, 22 de abril de 2013

Poema para virar Prece (Poema escrito para concorrer à uma publicação no Site Clarabóia)

Revele-me minha parte boa.
Acende a minha luz:
que anda fraca, que anda,
fosca, que anda falha.

Revele em mim, homem fugaz,
minha ternura, minha canção
de amor
e de morte.

Revele-me para mim
minha esperança fugidia.
Ancora em minhas mãos
tua sabedoria.

Revele para mim as águas
do Mar Sagrado;
e um pouco da
Terra Santa de algum dia.

Revele meu amor:
minha atitude altiva
para o exato
regozijo.

Canta comigo
um Cântico novo.
Um cântico que me faça
sentir a paz do pão repartido.

Reparte aqui comigo,
o teu corpo.
Embora o teu peito
não me tenha acolhido.

Canta um Cântico de amor comigo.
Mesmo que sua estrofe,
atrofie ainda mais,
esse amar ressentido...

Descobre em mim forma melhor
de escrever sobre tudo
e sobre nada.
Descubra em mim uma palavra exata...

Descubra minhas idiossincrasias
e não fale nada.
Descubra minha pele
assoberbada.

Descubra aqueles aforismos
tolos, que pensamos
depois de termos sido
santuário para o gozo.

Descubra em mim
O Cântico dos cânticos.
O Cântico de amor
de Santa Matilde alemã.

Revele em mim o que não sabe
ser
sem que tuas mãos
toque.

Revele minhas palavras
e coisas
das quais tenho vergonha
e medo.

Revele tudo e tudo
o mais que apareça
para revelar. Revele!
Depois esqueça.

Depois de tudo revelado,
põe tua mão no meu ombro
debruçado sobre tuas coxas
e benze minha fronte.

Bendiz minha fronte
suplicando à Virgem que
apareça um verdadeiro
amor em minha vida.

Benze a minha fronte
suplicando a Santo Antônio
que descase o meu coração
da tua companhia.

Benze minha fronte inquieta,
e pede à Santa Terezinha (que é poeta)
que leve essas preces
Ao Criador.

Fique um pouco quieto
abraçando-me.
Sentindo o quanto é difícil
quando tenho de partir.
  
Fique um pouco quieto
só ouvindo meu coração,
vidro quebrado,
na ilusão de ter-te em mim.

Cale em mim a súplica
que poderia repetir:
"Quero mais, quero mais,
Mais um pouco de ti".

Benze minha fronte
e solicita ao Arcanjo
dos Amantes
que me siga na semana que virá.

Benze minha fronte
e suplica a Deus
que eu deslembre de ti
para sempre.

Amém.

Solineide Maria
15h49min de 14 de maio de 2010.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Vou estudar coisas "úteis"...

Farei um  Curso de massas e molhos:
começa amanhã e ainda tem vaga...
Dele sairei com um Certificado útil.
Farei massas e molhos...

Terei outra habilidade!
Serei a que faz molhos e massas
para todas as ocasiões.
A mesa agradece!

Os Cursos que fiz (faço)
não estão aceitando...
Não estão respeitando...
Não estão enxergando...

Os Cursos que fiz (faço)
estão enjeitando...
Estão ignorando...
Não estão prestando...


Solineide Maria

Dedico este poema ao Edital 044 da UESC.

domingo, 14 de abril de 2013

JANAÍNA

Tem um olhar
 de quem ainda ganha o mundo...
Fala ligeira, pele morena,
mão quituteira.

Tem na cabeça planos,
ideias de viajar!
Ideologia?
Ser gente boa.

Tem coração
que cabe mais de zil pessoas.
Vaidosa e boa. Religião?
Saber amar.

Tem um e pouco de altura,
na verdade nem sei quanto tem...
Mas é uma gigante na alegria:
uma ambulante Lição do Bem.


Para minha prima Janaína, que passou uns dias conosco, mas infelizmente não estávamos de férias também, para aproveitarmos mais (e melhor) de sua doce e grande presença! Solineide Maria

Ele...

Ele chegou...
Está de roupa nova, todo brilhantinho, todo novinho... Todo engraçadinho...
Está mais alvo. Estampa uma cara alegre. Acho que é cinismo puro sabe.
Não acredito que fique alegre só por causa da roupa nova. Todo branquinho...
Ele vai me tirar o sono. Vai me deixar sem graça por uns tantos dias. Ele quer me destruir como canta Wanessa...
Ai meu Deus... Ele está me esperando nesse momento: todo prosa, todo limpinho... Cheirinho de novo...
Ele sempre me deixa nervosa... Sempre! E ainda por cima fica todo indiferente. Ele não liga para minha falta de sono e de graça e de fome. Sim! Ele me deixa sem fome, caros e caras...
E vocês acham que é "só" dar aula e pronto?! Não! Ainda tem ele, ele, ele!!
O tal do Diário de Classe...

Solineide Maria

sexta-feira, 12 de abril de 2013

A "humanidade" perdeu mano!

Labuto contra uma força sem igual,
tento vencer de forma digna e formal,
revolvo séria no coração arma coerente
para usar contra a demência do animal...

Não vejo uma que me dê tênue esperança,
"humanidade" não se enxerga nessa dança...
Bonecos doidos procurando "satisfação":
na idiotia, na loucura, na danação... 

Há quem ainda no coração queime uma chama...
Há quem ainda acredite em mudança...
Doces crianças a  esperar outro Natal...

Também queria ter mais humor contra a miséria
que angustia a doce face do AMOR real...
Mas ando triste, não tenho mais força vital...



Solineide Maria
Para Victor Hugo Deppman que foi morto por causa de um celular por um ser de 17... 

"Victor Hugo foi atingido por um tiro na cabeça durante um assalto na porta de casa. Ele chegou a ser levado para o pronto-socorro do Hospital Santa Virgínia, mas não resistiu. O criminoso roubou seu celular e fugiu em uma moto. O estudante cursava rádio e TV na Faculdade Cásper Líbero"(...)

domingo, 7 de abril de 2013

Certificados inúteis... (para O Livro das Escritas tristes - no prelo)

Tenho que escrever um trabalho que me dará Certificado...
Certificado...

Quem pode me garantir que estarei "certificada"
de reconhecimento de capacidade
se meu trabalho for o MÁXIMO?...

E se meu trabalho for o MÁXIMO,
ainda assim, 
podem me dar nota MÍNIMA?

Acontece... Ouçam o que digo...
Ai... estou tão cansada 
e hoje ainda é domingo.

E amanhã desmarcaram o médico...
Terça não sei dizer...
E quarta já chega com tudo 
e todas as dúvidas aguardam respostas...
E o prazo do trabalho a ser escrito
(para ganhar Certificado)
fica me olhando e rindo de mim,
porque tem gente 
(muita gente)
ocupando vagas e ganhando BIG bem
sem ter Certificado algum...


Solineide Maria