quinta-feira, 25 de abril de 2013

Poema para um crítico anônimo

O leitor pede um verso juvenil...
Um poema, talvez,
uma estrofe...
Uma carta?

O leitor pede uma mensagem alegre:
disse que é sem graça o que leu...
Disse que não gostou do que viu...
Mas comeu...

Leu!
Isso é perfeito.
O leitor é crítico, mas agressivo:
"seus poemas são muito sem graça": escreveu...

Não parece leitor "de poesia"...
Não sugere que sabe de Dante,
Mallarmé, Rilke, Santa Matilde,
Santo Agostinho ou Patativa do Assaré...

Pediu poemas juvenis...
Sei... Poemas juvenis...
Não minto, crítico anônimo:
não escrevo poemas juvenis.

Escrevo.
Os poemas é que se dizem.
Eles nascem com identidade pronta.
Eles são o que são...

Mas aconselho que seja mais elegante,
quando criticar a obra alheia:
juventude também rima com leveza,
com pesquisa, opiniões embasadas e gentileza.




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