sexta-feira, 28 de outubro de 2011

POEMA SEQUIOSO DE PERDÃO


Eu não mereço tanto amor,
Tanto desvelo.
E esse dedo em Tua mão
Assim torcido...

E essa face que me ofertas
Nem nada Teu... Oh Doce e Bom
Querido Amigo
Não, não mereço....

Não merecia Tua sentença,
Tua desgraça.
Não merecia Tuas tão boas
Fortes palavras...

Nunca terei merecimento
De Tuas maneiras,
Que sempre acolhem
Amparam, abonam.

Não, não mereço
O Teu Calvário,
A Tua Dor.
Nunca merecerei Senhor!

Nunca merecerei
A Tua Santa submissão
Esse “presente” de Terdes
Vindo em tal Missão...


quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Cogitações eternas

“Tudo o que vemos é outra coisa”.
E nem vemos.
É uma artimanha o que os olhos fazem.
Cores que não existem,
imagens que não são.
Flores cegas, inatingíveis.

“Tudo o que temos é esquecimento”.
E nem isso. Porque a memória revive,
memória do esquecimento...
Para mastigar com melancolia,
saudade; ou amor.

“O segredo da Busca é que não se acha”.
Talvez.
Porque sempre achamos alguma coisa,
algo. Inda que seja outra coisa.

“Assim cheguei a isto: tudo é erro,
Da verdade há apenas uma ideia
A qual não corresponde realidade”.
Pode ser.
Um erro pode criar
uma verdade qualquer,
pode ser, pode não ser.
Cogitações eternas...


Solineide Maria Os trechos em aspas são de Fernando Pessoa, em O primeiro Fausto.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

RIO CACHOEIRA

   O Rio Cachoeira é um rio extenso. Banha algumas cidades do sul da Bahia, dentre as principais estão Itapetinga, Ilhéus e Itabuna. Sempre foi um rio de águas extensas, descendo em cachoeiras (por causa disso o nome). 
   Na cidade de Itabuna é que as cachoeiras sempre foram em maior número, fazendo dele, um verdadeiro espetáculo em época de chuvas. Sempre foi fonte de alimento para o povo mais carente, pois suas águas sempre ofereciam peixes de diversas espécies, principalmente as tilapias e as piabas. Também se pescava com certa frequência o peixe acari, e o pitu de água doce. 
   Hoje, tristemente, o rio ainda é vivo e oferece peixe, mas não se recomenda que sejam consumidos. Suas águas estão poluídas e a sua extensão diminuiu, por conta da cidade que cresceu e foi reservando para a naturezaum espaço cada vez menor. O progresso tem dessas... 
   Quem vê fotos antigas do rio Cachoeira, nem chega a imaginar que aquele é o rio Cachoeira atual. Suas corredeiras, cachoeiras, sempre desenhadas por pedras e redemoinhos, faziam dele o maior espetáculo da cidade. Ainda hoje ele causa orgulho, pois quando há fortes chuvas na região, suas cabeceiras avivam novamente e descem como em quedas torrenciais e reencontram a cidade de Itabuna. Então de repente, numa luta desesperada pela vida, dá um recado à todos: SALVEM O RIO CACHOEIRA! 
   Terezinha Leite, poeta, professora, escritora, soube, com simplicidade e grande emoção evocar aquele rio e pedir pelo estado do rio da atualidade. Acreditemos no sonho de realizar essa façanha nem tão difícil: a de socorrer um ser que ainda quer viver!

sábado, 22 de outubro de 2011

IV SEMANA LITERÁRIA DO CENTRO DE CULTURA DE PORTO SEGURO de 18 a 20 de outubro de 2011 - Local: Centro de Cultura de Porto Seguro Rua 15 de novembro s/n, Paquetá - Porto Seguro – Bahia. Homenageado: Castro Alves


Miriam Silva (de verde) é Diretora do Centro de Cultura de Porto Seguro e, efetivamente, constrói uma história de sucesso na cultura desta cidade, muitas vezes tendo de seguir por trilhas difíceis. 
A região carece de apoios muitos e a  Arte ainda não parece ser vista como alimento necessário para o engrandecimento do ser no mundo. 
A arte é muitas coisas, é mais do que praia e sol, é mais do que um ritmo que faz dançar. Isso também é arte, mas a arte é mais. Por caminhos difíceis Miriam consegue se desdobrar e fazer com que o Centro de Cultura de Porto Seguro se mantenha e realize eventos primorosos e importantes. E a IV Semana Literária de Porto Seguro, trata-se de mais um destes eventos.

Falei pouco com Rod Pereira (de camisa azul e óculos), mas é moço capaz demais. Preocupado em que todos possam consumir arte, leva suas apreesentações nas costas (literalmente). Está em cartaz, faz tempo, com um espetáculo. Cenário? Doze almofadas. O Rod faz isso porque é necessário. O custo de se trabalhar com arte é alto, quem paga, em geral, é o artista. Diretor Teatral desde sempre, discutiu ferrenhamente as questões de formação de platéia e expansão da cultura pela região (mais especificamente, Porto Seguro, já que vive ali). Rodo é sério, fala pouco e acertadamente. Está preocupado com a monocultura musical. O que seria isso? Ouvir um ritmo só, quase o tempo todo. Os jovens precisam de muitas músicas, muitas leituras. A arte pode ser uma ferramenta para a elucidação de tais necessidades.

Adriano (de camisa preta) é Produtor Cultural.


Zé Carlos Batalhafam, este moço ao meu lado, é poeta e memorialista. Amigo de muitas passagens. Tem um coração generoso. É batalhador da arte e fomentador de esperança, através da poesia (que habita em suas veias). Paulista de “Vila Nhocuné” acaba de escrever um livro, onde rememora a construção deste seu lugar de origem: Vila Nhocuné: Memórias da Tapera da Finada Ignêz & Outras Memórias- 2011. Bela reconstrução meu amigo. Estou já, a ler, sua obra. Certamente distribuirá milhões de cópias e seguramente será muito útil. O que toda arte acaba sendo. Mesmo em não tendo obrigatoriedade de ser.


Negra Poetisa escreve Cordel. Achei o máximo! Porque não sei exatamente, mas são poucas as autoras de cordéis. Vamos pesquisar? Eu só conheço Negra Poeta. Ela escreve literatura infantil e poesia. Aliás, a poesia é o verbo que sustenta tudo o mais em seu trabalho. Acho inclusive, que no princípio era a poesia. rs
A tarde com ela foi de paz. A paz de saber que a poesia chega e se instala e instaura vontades. Sobretudo a de sermos melhores e fazer o bem. Negra Poetisa é poetisa e verseja seu amor pela arte e cultura. Verseja sua vontade de levar todos com ela, para o universo do entendimento do conjunto: da união. 

As discussões sobre a Indústria do Turismo e formas de como viabilizar ainda mais a Cultura em Porto Seguro e região, foram especialmente bem colocadas por Donald Bertão. Donald, um expert em Cultura e Turismo, é apaixonado pela questão, mas um apaixonado crítico. Sabe perfeitamente que há a necessidade de que se concebam maneiras de gostarmos de nossa cultura enquanto coisa boa de ver e vender. Por que não?  Recolhe experiências que deram certo e as fomenta em todas as discussões e onde haja oportunidade de fazê-lo. Por isso é presença marcante em eventos onde o tema esteja em pauta.
Para Donald é essencial a busca por valorização da cultura local. Nesse sentido, seria necessário buscar a valorização desta, concomitante ao trabalho com os valores, junto à população da região onde se cogitar trabalhar tais elementos. Assim, a platéia, poderia ser formada, pois os elos de valorização seriam as linhas de cingir a relação entre o público e os artistas (que também é público, mas precisam de outro público: a platéia). 
O impacto estético, na opinião de Donald Bertão, é o que mais importa para que a arte encontre o outro e faça o que deve ser feito: o ânimo das antenas da alma. Ouvir Donald falar sobre o tema da Indústria do Turismo é ouvir alguém interessado em melhorar e fazer progredir. Sua fala mais tocante, dentre tantas outras para mim foi a seguinte: “a arte é feita para acordar”. 





sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Senhor,


Não sou nada. E mesmo que consiga despertar para o que deveria ser faz tempo... serei, ainda, uma migalha do que poderia ter sido.
Mas peço desenxabida: despertai-me!
Retirai de mim essas elocuções sem nexo. Fazei o meu discurso reto, certo e pleno de boas colocações, com orações urdidas de luzes que me acendam e aos meus.
Não sou nada, além de umas palavras assim falhas, frouxas, efêmeras. Além de umas intenções de não sei quê, nem quando.
Apesar de minha pouca erudição Senhor, recebei-me e fazei uso do que possa, de fato, ser útil.

Amém.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

GIZ


O título de uma das mais belas canções de Renato Russo (Legião Urbana) , é nome também de uma rocha que se constitui de sulfato de cálcio. Pode ser encontrado em águas muito profundas, em forma de umas placas de calcite (pesquisa vagabunda no google). Giz também se usa(va) para escrever nos quadros negros. Ou para os professores registrarem apontamentos aos alunos ou para os alunos brincarem de desenhar flor, coração, casinhas e suas árvores vizinhas, praia com palmeira torta... Vocês se lembram? Hoje, metade dos alunos perdeu a ludicidade e não desenham nada. É triste. Pior. Às vezes apagam ou querem apagar a construção dos outros e de outros...
Giz pode ser uma série de coisas: é nome de agência de propaganda, é nome de TV, é nome de site, é nome de revista... Entretanto, sempre será palavra altamente poética, em minha leiga opinião. Remete mesmo às coisas da infância, quando brincávamos de amarelinha, ou, de desenhar nas calçadas e na rua da gente. A rua da gente (que fique explicado) era a rua onde morávamos. Apoderávamos-nos da rua que guardava nossa casa, nosso endereço, nossa família e vizinhos.
Diz se giz não lembra algo frágil? No entanto, diz se não é tão forte que fica gravado na memória? Talvez seja isso que o compositor Renato Russo tenha sugerido se dizer e a todos nós, em sua poética letra de canção. Romântica? Parece que sim, houve um romance que fora apagado pelas contingências do tempo. Distância? Não se sabe.
O compositor canta que quando acabava o giz para a conclusão de seus desenhos na calçada, ele colhia um tijolo de construção e concluía sua obra. Parece ontem... Casas por serem construídas, é mesmo verdade que sempre havia tijolo de construção “na rua da gente”.
Quando Renato Russo canta “eu rabisco o sol que a chuva apagou”, não parece que diz assim: olha, apesar de fazer muito tempo que não nos vemos e que tudo aconteceu, volta e meia me vejo pensando em você e aclaro os contornos de nossa história com o giz de minha infância. Não parece?
E justifica ter continuado, ter seguido, apesar de ter gostado muito de tal criatura, porque a vida é para frente. Ela segue. Independente de nossas intenções. E o cantor, mais adiante desabafa que mesmo tendo continuado, algumas vezes é preciso dizer a verdade de si para si: Vivo, mas lá no fundo apesar de ser feliz sei que sou “só um pouquinho infeliz”.
Não se pode ser feliz cem por cento, querido Renato. Este mundo ainda é de provas e expiações... Creio. E saiba que
mesmo sem te ouvir
acho até que estou indo bem.
Só ponho seus discos para curtir
quando convém aparecer
ou quando quero.
Mas tudo, mas tudo bem
saudoso amigo!
Porque eu rabisco o sol que quis a morte apagar.

De sua sempre ouvinte 
Solineide Maria
17/10/2011

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O GUARDA-ROUPA DE BRUNA

Meu primeiro guarda-roupa
é perfeito.
Tem gaveta e espelho (emborolado)
É perfeito. Foi presente de aniversário.

Cor de ovo,
imitando pinho - é claro!
Minhas roupas dormirão
noutro cenário!

Acabou coisa de caixa,
de gaveta emperrada,
da cômoda incômoda
da vovó...

É tão perfeito, que ganhou
até poema.
A alegria superou
o seu estado.

PARA BRUNA BISPO.
Em homenagem àquele primeiro guarda-roupa. Lembra Bruna?
Agora, casada, tem um baita guarda-roupa. Quase um closet de tão enorme e chique!
Saudade de você minha querida amiga!!

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

sábado, 8 de outubro de 2011

Para Florbela Espanca

Acorda meu amor! Vem me beijar... 
Estendas em minha pele o teu olhar. 
Abraces a minha falta de versejar 
a praça, o rio triste e o luar. 

Acorda meu doce encanto:
vem me encontrar!
Que a noite é para aqueles 
que querem amar. 

Vem cedo, vem, logo, vem já. 
Nunca, 
jamais duvides deste cantar. 
Que guarda a doce ternura de te encontrar.

Que existe, porque existes em algum lugar. 

2003

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Turista alemão por um dia

Já decidi. 
Amanhã irei à Trier 
passarei o dia estudando. 
Olharei a Praça do Mercado,
tomarei vinho saboreando a noite. 

Virar turista no Museu Municipal. 
Olhar Karl Marx em sua barba fenomenal, 
será que ele gosta disso: 
ter virado um busto etc e tal? 

Serei imperador do meu itinerário, 
para visitar um Castelo Romano, 
antes só visto no meu imaginário. 
Vai ser tão bom... um romano antepassado. 

Eu gosto mesmo de coisinhas agridoces, 
então o almoço sei que vai ser saboroso. 
Vou lembrar dela... e sorrir meio tristonho. 
Depois serei menino leve numa soneca. 

Já desacansado voltarei ao meu destino. 
O casario visitarei no outro dia. 
Eu no Palácio Kurfürstliches - quem o diria?! 
No fim do dia passarei rápido em Termas. 

No outro dia Oktoberfest me aguarde. 
Vou beber muito e escrever embriagado,
sobre os soldados e as amantes desses soldados.
Sobre um amor que vive apenas por ter passado. 

Aos viajantes...

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

PRECE

Há no meu peito uma certeza
embora embalde.
No meu castelo, cartas desmarcadas
por toda parte.

Há no meu seio, uma flor fechada
por desilusão.
Na janela da frente,
uma orquídea em putrefação.

A amizade tem dessas coisas:
decepção...
Mas o Amor vem e sustenta
a nossa mão.

Por isso hoje, venho a Ti
oh meu Senhor! Entrego minhas mãos
e peço colo e cobertor.

Entrego meu olhar ,
e peço alívio
ao meu torpor.

Para meu amigo Lourival lá longe...
E para meu amigo Musashi, que perguntou: "por que seu eu-lírico
está melancólico?"



sábado, 1 de outubro de 2011

Poema difícil (ou o desencanto da poesia)

Quero escrever uma poesia
que alivie a tensão do dia a dia
nestes tempos difíceis...
onde a alegria está vestida de nada.
E nada alivia.

Eu quero escrever
um verso livre,
que aperte minha mão
e traga boas energias.
Maneira de dar sustento
às almas cansadas,
coitadinhas...

Eu quero.
Quero escrever uma palavra
doce aos desesperados.
E dizer-lhes mesmo no papel:
que tudo vai melhorar,
e que tudo é questão de tempo

Mas onde?
Onde estão as palavras
dessa mensagem
que se esconde feito
Uma árvore obscura,
bem à frente?
Onde estão as vírgulas
que pausam cada verso
rima,
cada possível paz
no horizonte?

Quero...
Queria tanto escrever uma poesia
revigorante!
Que desfizesse a discórdia,
a inveja,
a deseducação,
a falta de diálogo,
a pressa.
Que desfizesse
o menino atirando,
depois se atirando
ao lodo do mundo
Inconsciente.

Solineide Maria
22/09/2011