sexta-feira, 13 de abril de 2018

DANTE




A fotografia é obra intelectual . Esta foto é protegida pela lei. Está escrito no art. 7., inc. VII, da Lei 9610/98:



C(l)aridade que aquece 
o coração amornado
da avó...

Torrente de sangue novo
cedendo à avó
um quê de vida à mais.

Gratidão é a palavra

Dante menino,
vencendo os desafios da retomada
na vida carnal.

Nada é banal Dante,
tudo cumpre um destino.
O seu sangue vigora o sangue de sua avó
de sua bisa, bisavô...
Dos seus pais,
de tudo enfim que tem a ver com você.
Dante...

Por que as palavras não dizem
quando precisamos dizer?

Mas para quê dizer?
Ser é maior Dante menino,
sangue atual,
luz que vira Sol,
que vira flor,
que traz paz ao antigo
viking
que "trajoua" o nome de seu pai.

Dante que dá.
Que faz revolver a Terra e brilha.

Sangue original,
que empresta vida
que devolve vida.

Sua luz é recebida com amor,
agasalha a alma quando a saudade
inventa dor.

Dante menino,
viajante do Universo,
do Paraíso que outro Dante não "conseguiu"
descrever...

Descreve você Dante.
Dá.
  
Te amo neto.
Assinado: vovó Sol.
Luanda, 13 de Abril de 2018.

quarta-feira, 28 de março de 2018

50



Não parece que faz tanto tempo que você se foi… Mais de centenas de canções estão o tempo inteiro a recordar que você existiu. Existe.
Eis que aqui na Terra você faria 50 anos de idade… Desejo que esteja num Plano bom, que quando voltar a reencarnar viva mais de 100 anos e que seu coração tenha muita força para aguentar todas as emoções.
Desejo de coração que não haja mais “eu quis o perigo e até sangrei sozinho” combinado?
Ninguém que lhe conheceu, lhe esqueceu. Nem quem nunca lhe viu de perto.
Fico imaginando as letras que escreveria hoje sobre o Brasil de hoje (que acavou de regredir), sobre a adolescência, sobre a falta de ações a favor desta, sobre Marielle, sobre a Educação, sobre o desrespeito aos Professores, sobre o esgoto a céu aberto que se transformou o Planalto…
Entretanto, percebo que já escreveu tudo. Cada canção sua diz exatamente o que anda se passando Renato. Você era um visionário mesmo! Ontem, quando ouvi “Perfeição” proferi isso em voz alta, na sala.
Desejo que você receba as vibrações de amor de sua canção “O mundo anda tão complicado”! E da música que mais gostava: GIZ.
Quando ouvi “Será” pela primeira vez devia estar na casa dos 14 anos de idade e nunca mais deixei de querer ouvir você e saber sobre o Legião Urbana.
Depois que vocês separaram, o que achei uma pena, você continuou a luzir nas interpretações das canções mais variadas. Foi dessa forma que deixou todos perceberem que para além de poeta, professor de inglês, intelectual contemporâneo, cantor, letrista e músico, existia o Renato Russo intérprete.
Vai Renato clareia um pouco a cabeça... Sei que havia alguma coisa incomodando você…
Grande abraço!
“Tentei chorar e não consegui”.
RENATO RUSSO
(Fonte da foto Google)

(Solineide Maria – Solineide Rodrigues – Solineide)

domingo, 25 de março de 2018

SOBRE TRILHAS QUE LEMBRAM O AMOR


Certa feita um Frei amigo me indicou que quando estamos desolados é porque estamos mais perto de Deus.
Não sei se o Frei lembra disso, dessa máxima, desse aforismo lindo, desse verso de poema.
Essa fala, hoje em especial, lembrou muito minha infância... E lembrar de minha infância é um pouco estar perto dos meus dois deuses na Terra: painho e mainha.
Lembrei de mainha correndo atrás de vaga para matricular os seis filhos; lembrei de painho chegando com uma sinusite que quase deu cabo de sua sanidade e lembrei de mim.
Lembrei de minhas irmãs todas e do meu irmão Solivaldo. Como eu e ele somos contemporâneos, penso, entendemos um pouco sobre essa infância indo embora.
Uma vez, falando filosoficamente com ele (meu irmão) perguntei para :
_ Sol, como esticar a infância? rsrs
Crianças... O quintal cheio de "caqueiros" e nosso pai chegando do trabalho às 17: e tal todos "tomados banho", era assim que mainha perguntava:
_ "Todos tomados banho"?
O silêncio tinha que ser respeitado, porque meu pai chegava com muita dor de cabeça. Mainha então providenciava o silêncio. Tão amoroso isso. Tão lindo!...
Nós todos estávamos lá, silenciosos, à espera de nosso pai. Tanto amor, tanto... Por que, em geral, quando se cresce, esquecemos o caminho do amor?
Mas tudo bem. Porque a gente sempre reencontra o caminho do amor. Ou porque quando estamos desolados estamos mais perto de Deus. Ou porque a força do Amor nunca será esquecida. ELE deixa uma trilha de ramos verdes pelo caminho.

(Solineide Maria de Oliveira - Solineide Rodrigues - Solineide Maria)

quarta-feira, 21 de março de 2018

O DIA SALGADO DA POESIA...

Chegou um pouco aluada
olhou-me e pediu sem força
quase:
"Tem café"?
Falou sobre os horrores
atuais,
disse que anda com dores
intermináveis,
que a decepção lhe alcançou.
Não quis caneta,
lápis,
papel,
computador...
Quis mais café,
café,
café...
"Se café aumentasse
nossa fé,
não é poeta"?...
Brincou, sem graça...
"Como é que a gente
sobrevive minha amiga"?
Sussurrou,
quase...
E caiu em meus ombros.
"É tanta notícia ruim,
tanto crime hediondo,
tanta tortura,
tanta falta"...
(Chorou baixinho e quieta).
"Como falar poeticamente,
como sobreviveremos"?
Disse-lhe que o Mundo precisa Dela,
que as crianças,
os bichos,
as florestas,
que o Planeta mais do que nunca
precisa Dela.
A Poesia abraçou-me longamente,
soluçou feito criança,
até suas lágrimas dolorosas
destemperarem o café...
"Faz mais café"?
Enxugando as lágrimas
pediu-me...
(Solineide Maria - Solineide Oliveira - Solineide Rodrigues)

domingo, 18 de março de 2018

Os pés do apartamento de cima


Aqui em cima de minha cabeça, os pés de uma criança fazem barulho. Certamente está brincando. Vai de lá para cá, de cá para lá e, às vezes, derruba alguma coisa no chão.
Eu sorri sozinha, sorri para meu coração. Porque me lembrou demais os pés de Flora quando brincava com suas bonecas, panelas, nevinho, tampa de garrafa petti, bijigangas mil...
Às vezes me perguntava: "mãe, vai demorar aí"? Quando estava escrevendo algum trabalho para a universidade.
Ou quando lavava pratos ou roupas, realizando alguma ocupação doméstica ou do Centro com minha irmã Neide Maria Oliveira, com quem tive o prazer de morar alguns anos em SP.
Ela perguntava e se ia embora novamente: brincar... Que saudade me deu... Ela estava perto de mim, longe dos perigos do mundo, longe das ilusões de todas as espécies. Longe de males, perto de mim. Comigo e com a tia. Mas era criança, tinha quatro, cinco, seis, sete, oito...
Depois nove, dez, onze, doze, treze, catorze, quinze, dezesseis.......
Esses pés de criança aqui em cima de minha cabeça, trouxeram-me lembranças tão boas, tão ricas! Meu Deus!... Recordou-me nitidamente aquela vez que fizemos a cirurgia das bonecas e Neide Maria Oliveira numa mão de cirurgiã, completamente focada (rsrs), tirava os guizos que produziam um barulho chatíssimo de dentro de três bonecas idênticas que compramos nas Lojas Mel... Flora muito quieta, observava a cirurgia e torcia para que todas ficassem bem. (rsrs)
Presentearam-me tantas lembranças boas os pés dessa criança, aqui em cima de minha cabeça, apartamento não sei qual número...
(Solineide-Luanda 27/12/2017)

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

1º de Janeiro de 2018 e meu contrato particular com as palavras

Carta-Contrato para todas as palavras

CONTRATANTE: Solineide, com sede na Rua dos Aprendizes da Terra, me ponho à disposição das palavras.
Amadas palavras:
vocês andaram distantes, por isso, quero pedi-las que volte este ano, 2018, mesmo embaralhadas, porque eu necessito de vocês todas para nutrir os textos dos dias de 2018.
A CONTRATANTE e as CONTRATADAS (todas as palavras), ajustam e convencionam um contrato de prestação de serviços que se regerá pelas cláusulas e considerações seguintes:
CLAÚSULA PRIMEIRA – DA NECESSIDADE DE DIZER.
Preciso das fortes e duras para não ser novamente traída por pessoas que estavam muito perto de mim: "amiga"...
Preciso das leves para meu coração não sucumbir de triste.
Preciso das confusas, para responder às pessoas que não querem entender.
Preciso das simples, para todos os que desejam, avidamente, entender.
Preciso das sérias e complexas, para escrever poemas para os dias com trovoadas.
Preciso das muito limpas, para escrever cartas para Deus, Jesus e Maria de Nazaré (dentre todos os outros Seres de Maior envergadura Espiritual).
Preciso das muito pequenas e desusadas, para os dias em que as emoções engasgam.
Preciso das de cor muito apagada, para que escreva cartas muito tristes e ingênuas.
Palavras, palavras, palavras, minhas amadas. Preciso de todas vocês para que eu consiga reverter histórias que poderiam desembocar finais infelizes, em grandes finais! Cheios de aprendizado e ainda mais pleno de amor.
Gratidão e amor por vocês, minhas amadas.

CLAÚSULA SEGUNDA - DA SEDE DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS.
O CONTRATADO exercerá suas atividades no espaço londe as palavras desejarem.

CLAÚSULA TERCEIRA - DO PRAZO.
O presente contrato terá validade a partir desta data, em que senti a necessidade mortal que por vocês todas, amadas palavras…

CLAÚSULA QUARTA - DA RESCISÃO.
Por favor não exista…


CLAÚSULA QUINTA  - DO FORO.
O foro é o Planeta Terra.

CONTRATANTE 
Solineide

CONTRATADO _________________________________________________
Todas as palavras
TESTEMUNHAS:
 Espírito das palavras.
 (Solineide Maria de O. do P. Rodrigues)

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

SE NÃO FOSSE A ARTE

Se não fosse a ARTE, que desastre.
Destarte, 
agradeçamos a Deus
que nos deu a possibilidade
de sobreviver,
pelas gotas de luz,
orvalho,
petiscos de pão
e azeite para as feridas emocionais,
lesão das solidões imensas,
das solidões pequenas...
Porque se não fosse a ARTE, 
que desastre.

Solineide
Luanda 25/12/2017

DANTE

A fotografia é obra intelectual . Esta foto é protegida pela lei. Está escrito no  art. 7., inc. VII, da Lei 9610/98: C(...