quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

TEMER APROVA O TRABALHO ESCRAVO

De onde saiu essa criatura que atende na função de Presidente de um país com gente que trabalha para pagar feijão, arroz, carne seca, água?
De onde saiu esse indivíduo que senta na cadeira da presidência de um país que há muitas décadas luta contra o trabalho escravo?
Reza a lenda que ele e Cunha tramavam a queda da antiga presidente há muito tempo. Óbvio que outras duplas sinistras estavam envolvidas na colocação dessa criatura, na cadeira da presidência de um país que estava crescendo e aparecendo para seu povo.
Esse tipo aprovou recentemente uma proposta que dificulta o flagrante e a responsabilização dos "senhorios de fazenda" e outras atividades, que colocam trabalhadores em condições de trabalho escravo. Ou seja, ele é a favor do trabalho escravo no Brasil.
Aprovar essa proposta é facilitar a ocorrência do trabalho escravo e isso é um descalabro, porque esse ser é indicado por pelo menos três crimes: "Obstrução de Justiça, corrupção passiva e organização criminosa".
A moção que essa figura aprovou, desaprova a moral humana. Mas ele é a favor de muitas coisas condenáveis, portanto, moral não é assunto que essa criatura entenda. Sugere ter nascido assim, esse extra terrestre que pousou no Congresso com aprovação do lado negro da força: um completo "desaprovável".
O trabalho escravo é uma vergonha da ordem das vergonhas hediondas e ele aprova. Aprova porque entende sobre não ter vergonha nenhuma e escrúpulo zero. Entende, por ser um completo censurado e censurável.
O indivíduo temido chegou ao poder pelas mãos do imponderável. O povo não sabe como aconteceu essa desgraça que regride o Brasil em 20 anos. Retrocesso lastimável e, pelo que se observa, que durará durante mais alguns anos. Porque mesmo que deixe a cadeira da presidência em 2018, os infortúnios gerados por ele vão ser fortes empecilhos para que a saúde emocional do povo e do país comecem a restabelecer.
Ditador? Vampiro? A morte? O fim? Talvez essa criatura resuma tudo num mesmo caldeirão, onde o povo de um país é cozido em banho-maria com fundo musical de filme de terror. Apelemos para o Divino pois é muito possível que até Ramsés temeria essa criatura.

(Solineide Maria - Luanda, 07/12/2017)



Leia a repostagem "14 pontos da portaria do governo Temer que dificultam detecção e punições ao trabalho escravo":
http://jovempan.uol.com.br/noticias/politica/14-pontos-da-portaria-do-governo-temer-que-dificultam-deteccao-e-punicoes-ao-trabalho-escravo.html

O HOMEM ABORTA E SOME

O homem é abonado do ato do aborto.  Não é culpado, não é pai, não é progenitor, não faz parte de nenhum momento que envolve o assunto. Aborta e some.
A mulher marcha solitária, infinitamente solitária pelas discussões sobre o tema, isso há pelo menos, duas décadas.
Não se ouve a palavra homem, pai, progenitor, o cara, o canalha, o cafajeste, o irresponsável, em nenhum momento da discussão sobre o aborto.
Ouve-se falar em estuprador. Nesse caso, o estuprador poderia chegar a ter mais representatividade do que o noivo, o namorado, o marido... Uma triste constatação.
A mulher é sempre vista como quem não tem coração, aquela que não pensa antes de engravidar, a que não tem nada na cabeça. Mulher assim é uma qualquer. Em geral, a  mulher é a vilã da história. A solidão da mulher que pratica o aborto é imensa, chega a ser descomunal.
Recentemente o Papa declarou que as mulheres que praticam o aborto e todos os envolvidos no ato devem ser perdoados e merecem prece. E o que merece o homem que abandona a mulher numa situação tão séria?
Uma matéria diz que mais de 50%dos brasileiros são a favor da prisão da mulher que aborta. Então é assim? E o homem que engravidou essa mulher? Cadê  os homens que abortam a mulher e o filho?
Sim, porque o homem rescinde da mulher e do filho. Seria um duplo aborto. Além de ser, mais das vezes, crime premeditado, porque viabiliza financeiramente uma clínica mal aparelhada e de péssimas qualidades técnicas e humanas. Ou entrega nas mãos da mulher, num beco, às escondidas e às pressas, um remédio proibido nas farmácias...
Dizem que muitas das mulheres que abortam, o fazem por vontade própria. Pode ser. Mas e as outras mulheres?
Exceto nos casos de estupro, será que todas as mulheres que abortam quereriam mesmo abortar? A decisão não ocorreria, sobretudo, por culpa da solidão de uma gestação abandonada? Já que a mulher, independente da idade, é malograda ao peso vasto de uma solitária circunstância?
Não sou a favor do aborto, sou contra a ausência da figura masculina na culpabilidade do o aborto. Sou a favor de lembrarem de que há a participação de um homem para que aconteça a concepção de um feto. Sou a favor de que procurem outorgar a esse "homem" a parcela das culpas que lhe pertencem.

Solineide Rodrigues
Luanda, 06 de Dezembro de 2017.


Versos para Dante

Deixa-me amar as árvores


A rua em luz noturna


Nadar nas águas do amor


Tomar posse da paz


Eterno renascer


Vó Sol 08/07/2017.

A VIDA CARECE DE DJAVAN


Djavan tem canções que são mares absolutos. Imensidão de águas que retornam cada vez mais límpidas nas conchas e colchas do dia a dia. A vida carece de Djavan.
Djavan é uma necessidade, tipo beber água. Tipo tomar café. Tipo assim… Tudo.

As canções têm uma coreografia sem dançarinos, elas dançam por si. Nós, esses djavanianos de carteirinha por puro amor, ficamos embevecidos, nadamos sem saber nadar, afogamo-nos nos vários oceanos de líricos acordes de suas canções.

Não sei de onde Djavan traz tantas canções inéditas. Penso que esse poeta maravilhoso e capaz, viaje para dimensões que nunca dantes tenham sido exploradas. Guardo a hipótese de que exista a dimensão Djavan numa região de claras águas, onde as palavras surjam emocionadas quando ele aporta de sua nave amorística.

Que fim levou o amor Djavan? Eu queria lhe perguntar isso hoje, porque a TV mostra umas loucuras que não são de minha compreensão. Não encontro nenhum fio de pensamento que consiga responder tal questão. Tudo que plantamos anda a dar capim…  E olha, é um capim sem poesia nenhuma, sem graça nenhuma, sem vento que o embale…

“Deixa eu chorar com você” Djavan, porque nem no Serrado as coisas andam fáceis… Nosso país tão maltratado, tão saqueado Djavan… Valei-nos! Um país tão bonito, um povo tão original, diverso, trabalhador sim…  

Tantos mares me atravessam, tantos mares de palavras mudas meu irmão. E não caem em “doces gotas de amor”, elas retesam de inquietude e de decepção…
Djavan: você “pode ter um jeito de acasalar o canto do mar com sua voz de cantor e fazer desse seu canto um brado tão fundo pra amolecer” o coração dessa gente nefasta, que anda a encavacar o Brasil?


(Solineide Maria - Luanda, 6/12/2017)

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

OUTRA VEZ E DE NOVO... SAUDADES DO RENATO RUSSO.

TENHO SAUDADES DO RENATO RUSSO COMO SE ELE FOSSE MEU IRMÃO. COMO SE TIVESSE VIVIDO COMIGO A ADOLESCÊNCIA NO BAIRRO ONDE MORAVA COM MEUS PAIS, MINHA FAMÍLIA, NAQUELE TEMPO EM QUE  A GENTE SONHAVA EM TOMAR COCA-COLA... rs
CONHECI A ESSA BEBIDA COM 14 ANOS, QUANDO UM TIO FOI PASSAR O NATAL CONOSCO NO ANO DE MIL NOVECENTOS E BOLINHA...
ÀS VEZES FALO ALTO ASSIM: "POIS É RENATO"... DEPOIS DOU UM SORRISO DE BOBA, SORRISO DE QUEM SE DÁ CONTA DE QUE NÃO DEVE SER NORMAL TER SE APEGADO A ALGUÉM QUE VIVEU COMIGO, APENAS, NO MUNDO DAS IDEIAS.
COMO ASSIM APENAS? ELE VIVEU MUITO MAIS VERDADEIRAMENTE COMIGO DO QUE ALGUNS AMIGOS QUE CHEGAVAM E E IAM-SE EMBORA... SEM DIZER ADEUS...
ALIÁS, QUE AMIZADES ASSIM, SEMPRE EXISTEM E EXISTIRÃO. MAS SERÁ AMIZADE? MAS ISSO É TEMA DE OUTRO DEVANEIO DE MINHAS EMOÇÕES...
TAMBÉM EU VOU-ME EMBORA ASSIM. ÀS VEZES FERE-SE MENOS...
RENATO ME DIZIA O QUE EU NEM SABIA COMO FALAR.
UMA AMIGA FOI PARCEIRA NESSA AMIZADE. O NOME DELA É CIDA. MAS DEPOIS DO ADVENTO DA DOENÇA, ACHOU POR BEM TROCAR O NOME PARA LUCI. É BACANA, MAS NÃO CONSIGO ME ADAPTAR ATÉ HOJE. DESCULPA MINHA AMIGA.
NÓS DANÇÁVAMOS AS MÚSICAS DO RENATO E CONVERSÁVAMOS SOBRE AS LETRAS DELE E SOBRE COMO ELAS DIZIAM TUDO O QUE GOSTARÍAMOS DE FALAR.
O PAI DELA DETESTAVA... A GENTE FICAVA AGUARDANDO A SAÍDA DELE E EMBARCÁVAMOS NAQUELAS LEITURAS. CIDADE PEQUENA, GRANA NENHUMA, NADA PARA OS JOVENS FAZEREM... EM MAIS DE VINTE ANOS POUCO MUDOU. PRINCIPALMENTE PARA OS JOVENS DE FAMÍLIA DE BAIXA RENDA.
MINHA MÃE FICAVA AFLITA QUANDO EU ME APROXIMAVA DO SOM MARCA SONY, TRÊS EM UM. CARAMBA... QUANTA SAUDADE...
MINHA MÃE ATÉ HOJE NÃO SUPORTA RENATO RUSSO. É QUE EU REALMENTE ENCHIA COM O SOM ALTÍSSIMO E DANÇANDO "RENATISTICAMENTE" PELA SALA... DESCULPA MAINHA... EU PEGAVA PESADO MESMO...
RENATO ERA MEU AMIGO SIM. AINDA O É. HOJE MESMO ELE VEIO ME VISITAR E ESCREVEU UMA MÚSICA, MAS NÃO SEI TOCAR NEM CAIXA DE FÓSFOROS... VOU LEVAR PARA MINHA FILHA, QUE TOCA VIOLÃO E QUE TAMBÉM GOSTA DO RENATO RUSSO.
ELE ESTAVA TÃO CALMO, PEDIU PARA SEGUIR COM CALMA E COLOCOU UMA MÚSICA, ESSA, QUE ELE ESCREVEU. UMA CANÇÃO MUITO LINDA!
DEPOIS PERGUNTOU SE TINHA CAFÉ, EU PERGUNTEI SE ELE QUERIA, ELE DISSE QUE ESTAVA MAIS PRA CHÁ HOJE EM DIA. SORRIMOS.
EU PERGUNTEI SE ESTAVA TINHA VISTO A MÚSICA DELE NAQUELA NOVELA. ELE SORRIU E FALOU QUE É SÓ MORRER PARA SER AMADO POR TODOS. EU DISSE QUE ISSO NÃO É PARA TODOS. SORRIMOS...
DEPOIS LEMBRAMOS DE OUTRAS CANÇÕES EM TRABALHOS NO CINEMA E NOVELAS ENQUANTO ESTAVA VIVO.
ELE DISSE: "NESSE PLANO" E GARGALHOU. FALOU ASSIM:
"E EU QUE PENSAVA QUE ERA TUDO UMA GRANDE ILUSÃO COLETIVA, ESSE NEGÓCIO DE MUNDO ESPIRITUAL".
DEU-ME TANTOS CONSELHOS. MUITOS. INCLUSIVE O DE NÃO ENCUCAR DEMAIS COM OS ACONTECIMENTOS DESAGRADÁVEIS. "TODA VERDADE VOLTA MINHA AMIGA POETISA". DISSE E ME ABRAÇOU. DEPOIS DESPEDIU-SE TOCANDO AINDA É CEDO NUM RITMO BLUES LINDÍSSIMO.
ACORDEI COM A VISÃO DO SORRISO DELE ME DIZENDO ASSIM: "ESCREVA MINHA IRMÃ, ESCREVA".
FIQUEI UM TEMPO OLHANDO O TETO BRANCO E LI UMA PALAVRA MUITO BONITA: GRATIDÃO.

(Solineide)

Luanda, 30/11/2017.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

WEZA, A PEQUENA ZUNGUEIRA

Terça-feira, 24 de outubro de 2017

WEZA, A PEQUENA ZUNGUEIRA
(PEQUENA NARRATIVA PARA PEÇA DE TEATRO, BASEADA NO CONTO DE ANDERSEN, A PEQUENA VENDEDORA).

PERSONAGENS
Weza (vendedora – personagem principal)
Pai de Weza - Sr. Bocoio
Mãe de Weza - Dona Deolinda
Dona Muxima
Sr. Paka.
Avó (espírito – sonho)
Pessoas a andar na rua (figurantes)
Duas famílias: pais, mãe, irmãos, tios etc. (a menina vê pela janela)
Crianças
Narrador personagem

Era tarde de Natal em Luanda, weza estava em casa no Bairro Capolo a preparar a zua para sua mãe que estava incomodada, quando seu pai diz quase em berros:
(Pai) _ Weza deixa de mangoia e vai vender!
(Mãe) _ Bocoio, não precisa falar assim com a Weza. Ela é muito boa menina. Calma.
(Pai) _ Calma? Você viu como vendi pouca Cuca em plena tarde de Natal? Como vamos comprar a comida na semana que vem?
(Weza) _ Pai é Natal! Deixa só ficar em casa hoje ya pai?
(Pai)_ Não me faça repetir!
A menina, cansada de tanto mexer a mukua para o zua, vai à busca de sua chinela para ir  vender.
A bacia estava cheia de lanternas que seu pai comprou no mercado para vender pelas ruas de Luanda.
Weza ia muito triste pelas ruas do Capolo  até a Rua principal da Comuna do Palanca. A bacia pesada para uma menina de apenas 8 anos de idade fazia Weza parar muitas vezes para descansar.
Chovia muito, era Dezembro em Luanda. A chuva começou a ficar muito mais forte e Weza foi obrigada a procurar uma cubata.
Enquanto descansava, pensava numa vida diferente daquela. Afinal, sua vida a de seus irmãos, e a de seus pais, era muito pobre. Comida, apenas o jantar que se resumia em funji com cabueinha.
Já se fazia tarde, 18 horas em média, e a chuva não parava de cair. Por causa da chuva muito forte Weza acende uma das lanternas da bacia. Com cuidado, ela se cobre com um pano e fica encolhida na cubata.
Weza acaba adormecendo e sonha com uma casa muito linda (dessas que tem pelas ruas de Talatona). Na sala havia até um piano! Nossa! Weza sempre achou bonitas as músicas do Coral quando o pai a deixava participar. Lá era muito bom! O professor era voluntário e trabalhava sozinho, sem apoio de ninguém, só por amor às crianças e à música. Infelizmente Weza acordou. Era apenas um sonho…
A chuva ainda caía forte e Weza acaba por adormecer novamente. Dessa vez a menina sonha com uma mesa muito farta. Tinha de tudo: bolo rei, bacalhau com natas, muitas gasosas, arroz branco e arroz colorido, galinha rija… grelhados de todos os tipos… Hummmmm… Bom, bom, bom!
Mas era apenas o cansaço que Weza sentia e que fazia com que ela adormecesse tantas vezes… Além do frio, Weza agora sentia muita dor de cabeça… Talvez com febre começa a ver umas luzes muito bonitas numa enorme árvore natalina.
(Weza) Uau! Quantas luzes bonitas! E que casa fixe é essa? Onde estou? Ali é a avó?
A avó de Weza que tinha morrido de paludismo há um ano, grita seu nome com muita alegria.
(Avó) _Weza! Ê ê Weza meu Deus! Quantas saudades!
As duas se abraçam e conversam.
(Weza) _Avó para onde você foi?
(Avó) _Vim morar nas estrelas minha neta.
(Weza) _É por isso que vejo tantas luzes bonitas?
(Avó) _Sim minha neta amada. E o que você faz na rua até tão tarde e com essa chuva?
(Weza) _ O pai mandou vender lanternas…
NARRADOR: Weza conta tudo o que aconteceu nesse tempo longe de sua avó:
(Weza) _Avó… Depois que você veio morar aqui, nas estrelas, passamos tantas dificuldades. Saímos de sua casa na Província para morar aqui em Luanda, o pai nunca conseguiu emprego… nem a mamá.
A Avó chora de tristeza e diz para sua neta:
(Avó) _Calma Weza, tudo vai acabar bem. Eu vou ajudar você.
Weza acorda. Está com muito frio e sente muita dor de cabeça. A lanterna já não funciona e a chuva continua. Tenta levantar-se, mas não consegue.
De repente um carro para e de lá uma mulher desce com um guarda-chuvas. Ela é parecida com sua avó e Weza diz com alegria, mas sem força:
(Weza) _AVÓ. AVÓ.
A mulher chama o marido para ajudá-la a carregar a menina para o carro, pois Weza acaba por desmaiar.
(Paka) _ O que houve? Minha querida você vai levar a menina sem saber quem são os pais?
(Mulher) _ Primeiro a gente socorre meu marido. Depois pesquisamos com ela onde mora e sobre sua família.
Paka, um homem de bem e bom, sobrevivente da guerra, leva Weza para o carro. Muxima, sua mulher, forra um pano em Weza e a deita em seu colo.
Paka coloca a bacia de produtos de Weza no carro e partem para uma Clínica.
Não houve problema para atenderem Weza, Muxima conhecia o médico plantonista, afinal, foi enfermeira durante muitos anos.
O médico pede apenas que aguardem o socorro e depois chamaria os dois.
(Muxima) _ Será o que houve com ela Paka?
(Paka) _ Você viu que ela é uma pequena vendedora de rua querida. Pode ser fome, paludismo, pode ser tanta coisa. Mas vamos ser otimistas ya?
O médico retorna depois de uns 20 minutos e acalma aqueles dois corações bondosos.
(Médico) _ Fiquem tranquilos. A menina foi medicada. Ela está muito fraca, mal alimentada e com febre. Está acordada, podem ir falar com ela.
No quarto, o casal se aproxima de Weza com muito carinho e cuidado. Apresentam-se e contam como a encontraram.
Weza diz:
_Você parece muito com minha avó. Ela hoje mora nas estrelas. Obrigada por me trazerem para esse Hospital. Preciso avisar a meu pai.
(Muxima) _Vocês tem telefone?
(Weza) _ Sim. Meu pai tem das duas operadoras. Você quer o número da qual?
Muxima sorri e diz que pode ser qualquer número.
Weza diz o número e a mulher telefona ao pai. Conta toda a história e pede que fique calmo, pois levarão Weza para casa em segurança.
(Muxima) _Pois… então falamos em breve Sr. Bocoio. Desejo de melhoras para Dona Deolinda...
Sra. Muxima conversou bastante com o pai de Weza. Falou inclusive sobre a vontade de adotar a menina. Agora que estava com as filhas adultas e formadas, morando fora de Luanda, sentia vontade de ter novamente filho ou filha. O marido sempre estava presente, trabalhando juntos em prol dos pequeninos no Lar dos Utombiwi. Tinha 56 anos de idade e havia adotado duas das três filhas do casal. Naquela noite, Weza havia reacendido em seu coração, com mais força, a vontade de ser mãe novamente.
Paka já havia aceitado a idéia, enquanto conversavam na sala de espera da Clínica.
(Paka) _ Falou com os pais dela?
(Muxima) _ Sim. Eles nos esperarm.
(Os três saem da Clínica. Weza está bem e com roupas novas que D. Muxima providenciou. Os três vão para a casa de Weza, no Capolo).
Chegam à casa de Weza, depois de entrar por muitos becos e enfrentar muita lama.
A conversa com o pai de Weza e sua mamã Dona Deolinda é muito boa. Afinal, Dona Muxima não diz que vai tomar Weza para si, ela explica que quer ajudar a criar Weza. Tudo conforme a Lei.
(Paka) _ Sou advogado Sr. e Sra Bocoio. Faremos tudo conforme a Lei.
Os pais de Weza estavam alegres. O coração aflito da mãe de Weza estava tranquilo agora. Depois do sumiço da menina, depois de tanta doença, de tanto sofrimento, sabia que aquela ajuda era ajuda Divina. Na noite de Natal não poderia receber presente mais caro, saber que sua filha teria apoio para não morrer de fome ou doença como morreram quatro dos seus filhos. Weza era a mais nova.
(Pai) _ A gente queria dar certo Sr. Paka. Mas a vida faz surpresa. Às vezes surpresa ruim. O Sr. me entende?
(Paka) _ Claro que entendo Sr. Paka. Sou filho de Angola. Claro que entendo…O Sr. Vai trabalhar comigo. Trabalho e salário digno o Sr. Vai ter.
Os dois homens se abraçam e as duas mães dão as mãos.
Weza abraça as duas e sorri. Depois olha para o céu daquela rua no Capolo e grita:
_ O NATAL EXISTE.
(Nesse momento, muitas crianças aparecem de toda a parte, cantando uma linda canção que fala sobre um futuro melhor, educação e amor).


Solineide Maria de Oliveira  do Patrocínio Rodrigues - Autora.
Escrito em Luanda na data de 25/10/2017. 


quinta-feira, 19 de outubro de 2017

PÉ DE ESPERANÇA (uma criança).

Nasceste num tempo onde flor e amor
estão a cair no esquecimento.
Mas seja forte, estou aqui,
nunca vou sair de perto de ti
que ainda nem vi...
Não tocar não diminui o amor.
 Dante Tu és meu pé de força...
Pé de esperança.
Uma criança... E já tão forte.
Veja, sinta, ame:
mesmo que as pessoas não sejam
amor derramado,
siga amando sorrindo,
vendo bonito assim por dentro,
por dentro Dante.
Por dentro
se a gente é grande
é maior. Te amo.

 Vovó Sol (Solineide Maria Rodrigues)
Para DANTE.
4 meses de luz!
Luanda 20/10/2017

TEMER APROVA O TRABALHO ESCRAVO

De onde saiu essa criatura que atende na função de Presidente de um país com gente que trabalha para pagar feijão, arroz, carne seca, água?...