quinta-feira, 29 de julho de 2010

Não saia de repente.
Guarde a chave da frente
e volte quando quiser.
Não fique sem palavras,
entre e sinta-se a vontade
quando der na telha
de querer voltar.

domingo, 25 de julho de 2010

As palavras me pegam de surpresa.
Todo dia é assim e sobre a mesa nem sempre há exatidão.
Exatidão não é coisa da palavra.
Elas colhem em nós o mais difícil de expor, de descrever.

Fatalmente "erramos" em algum trecho do discurso:
falado ou escrito.
Inda tem a ortografia e a gramática!
Meu Deus! Essas orações todas que existem...

As palavras seguram no meu braço,
pedem voz.
O que faço! Às vezes desespero.
Porque nem sempre consigo bem dizer...

Então lembro que antes era o nada
E que Deus deu assim de dizer:
FAÇA-SE O VERBO!
E Ele habitou entre nós.

Por isso, peço a Deus
Muita coragem,
Muita sensatez e mais
Adestramento.

Tudo vem Dele e para Ele deve ser.
Amém!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

AGRADECIMENTO

Deus é tudo.
É Pai e Mãe,
Irmão e Primo.

E sete vezes
Perdoa.
E Setenta vezes sete
Perdoa.

E se zanga,
mas não joga a gente
fora da proa.

A gente prossegue,
em outros convés
da mesma embarcação
VIDA.

Obrigada meu DEUS pelo dom da VIDA e da palavra escrita.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Filho: ter ou não ter?

Filho é coisa de outro mundo.
Doi as pernas, cresce o útero,
pesa, bole e esguincha,
a mãe (serena) sorri...

Filho é assim.
Causa streas, causa inchaço,
causa dores quase inumanas:
mas passa depois que nasce.

Filho: ter ou não ter?
Como saber da boa sensação
do olho no olho
na hora de amamentar?

Como saber da agonia
de febres hediondas,
e da queda
de cima da estante?

E como descrever a alegria
do abraço da mão tão
pequenininha
no nosso dedo polegar?

Filho: ter ou não ter?

continua...

segunda-feira, 19 de julho de 2010

PARA TODOS OS AMORES-QUASE VIVIDOS

Ainda que amahã não seja tarde
a tarde que me vem, que seja dia.
Ainda que amanhã as seis da tarde
Você nem lembre mais dos nossos dias...

Ainda que me esqueça
lá no fundo, vai sempre existir
a agonia
de termos visto alguns luares nus
exercerem em nossos olhos simbologias.

Esqueçerás tudo o mais,
quem sabe amanhã,
quem sabe um dia.
No entanto, não poderás jamais,
apagar de tuas linhas,
resquícios de minha poesia.

sábado, 17 de julho de 2010

SEPARAÇÃO AMIGÁVEL

Quando for embora lembre
de acordar mais cedo
e não fazer barulho.

Reflita que não terá
outra chance
escovando os dentes.

Repense: é isso?
Quero ir para nunca mais,
eu aguento?

Lembre que amanhã
vence a antepenúltima
parcela desse apartamento.

Nosso? Dividiremos então?
Lembre-se de cancelar
com o homem dos armários.

Lembre-se que a escola
dos meninos aumentou.
Este mês eu pago...

Esqueça tudo o mais
que ontem a gente
se falou...

Muita bobagem.
Até que durou.
Vinte anos!

Depois a gente se fala.
Não foi sempre assim?
Depois, depois, depois...

sábado, 10 de julho de 2010

Capaz V

Talvez minha emoção
Seja muito frágil,
E canse logo.

Anda aflita (coitada) por
Palavras
Que digam mais
Do que frases desconexas.

Capaz...

Capaz IV

Capaz que seja amor
o que se sente,
quando o sexo
pega, abraça e come.

Capaz que seja apenas fome.

Capaz?

Para responder à Rafaela, sobre romances indecisos.

Capaz III

Na escrivaninha está perdido
o meu diário.
Enquanto busco uma palavra
que fale baixo,
procuro ele.

Diários são viagens ao contrário.
São coisas ditas de algum modo,
especial.
Às vezes são
a terapia fundamental.

Capaz...

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Capaz II

Minha poesia está perdida,
abre a geladeira várias vezes
durante a noite.
Não é comida o que deseja.

Minha poesia está tristíssima;
chorou, ontem, de saudade.
Acho que nela funcionaria
um certo abraço.

Capaz...

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Capaz...

Minha poesia está fraquinha,
Deve ser o inverno.
Essas manhãs frias.
Deve ser a falta de sua
companhia.
Capaz...

quarta-feira, 7 de julho de 2010

NO BANCO DO BRASIL

Vim abrir uma conta.
A moça que abre conta não veio.
E agora?
E agora nada. Só amanhã...
Mas eu preciso dessa conta pra hoje!
É, mas não posso fazer nada.
É assim mesmo, vocês não fazem nada, nunca!
Meu Deus que absurdo! Aqui ninguém trabalha mesmo.
Próximo...

Primo da luz

Em qualquer lugar tua presença vigora.
Agora mesmo,
Aqui,
Assim do nada...

(continua)

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Água pura

Onde será que há
Que existe
Ainda,
Alguma coisa que seja leve
E que o medo ainda não tenha erguido
Suas mãos de covardia
E pressa, e preguiça?

Onde será
Que a alameda é mais bonita
E que as árvores sejam
Enfeitadas de um verde-verdadeiro;
Folhas, folhagens, fidelidade
Sã da natureza em festa?

Onde será que a palavra “amor”
Não tenha perdido a beleza,
O viço, vozear da verdade
De uma verdade que onde será
Que há?
Onde, a verdade?

Há verdade?

Onde será que meu amor
Por você foi parar?
Andou tanto,
Pra lá
Pra cá,
Parou.
Onde será? A onde está?
Será que algum vento, vadio, virulento
Levou meu amor por você?

Onde a paz que nunca descansa,
Querendo existir
Está gora?
Sentada na sarjeta de uma
Praça pequena e pobre?

Pensar que ontem,
Algum tempo atrás,
Pouco tempo;
Estive a ver meninos
Brincando de bola de gude,
Ouvindo o som da chuva numa janela
Lilás-desbotante.
A alegria era a brandura,
A verdade existia, era pueril.

Onde está a primeira palavra
Aquela que não foi verbalizada
Em palavra, pura, água pura...
Aquela que se fez carne
E habitou entre nós?

TEMER APROVA O TRABALHO ESCRAVO

De onde saiu essa criatura que atende na função de Presidente de um país com gente que trabalha para pagar feijão, arroz, carne seca, água?...