sexta-feira, 2 de julho de 2010

Água pura

Onde será que há
Que existe
Ainda,
Alguma coisa que seja leve
E que o medo ainda não tenha erguido
Suas mãos de covardia
E pressa, e preguiça?

Onde será
Que a alameda é mais bonita
E que as árvores sejam
Enfeitadas de um verde-verdadeiro;
Folhas, folhagens, fidelidade
Sã da natureza em festa?

Onde será que a palavra “amor”
Não tenha perdido a beleza,
O viço, vozear da verdade
De uma verdade que onde será
Que há?
Onde, a verdade?

Há verdade?

Onde será que meu amor
Por você foi parar?
Andou tanto,
Pra lá
Pra cá,
Parou.
Onde será? A onde está?
Será que algum vento, vadio, virulento
Levou meu amor por você?

Onde a paz que nunca descansa,
Querendo existir
Está gora?
Sentada na sarjeta de uma
Praça pequena e pobre?

Pensar que ontem,
Algum tempo atrás,
Pouco tempo;
Estive a ver meninos
Brincando de bola de gude,
Ouvindo o som da chuva numa janela
Lilás-desbotante.
A alegria era a brandura,
A verdade existia, era pueril.

Onde está a primeira palavra
Aquela que não foi verbalizada
Em palavra, pura, água pura...
Aquela que se fez carne
E habitou entre nós?

Um comentário:

  1. Soli, acho que essas palavras e sentimentos tiraram férias da humanidade que se diz humana. A ausência dos sentimentos básicos para o homem viver na dignidade se ausentou do convívio humano. Hoje só existe os restos e convivemos das sobras e na sombra do que foi o homem...
    Rafa.

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