domingo, 28 de novembro de 2010

Oswaldinho Mil não perde o tempo de encantar em cena

O tempo é invenção dos vivos. Serve para marcar momentos em que se foi alegre, triste, corajoso, covarde, frágil, forte.
Serve para marcar o quando, mas aonde se esconde o presente? O presente não existe, quase. Chega e passa... passou.
O tempo é assim, ansioso. Determinado em ir embora, ir embora, fugir. Deve-se por isso, ter precisão, marcar aquilo que se quer fazer, ter, ser, não ser. Ou ter e não ter, ser e não ser.
O Espetáculo de Oswaldinho Mil, ator oriundo de Itabuna, filho mais que pródigo, traz ao palo do Centro de Cultura, uma discussão filosóficosentimental sobre a questão do tempo.
Não é para rir não. E, talvez por isso, eu o tenha abraçado em minha alma. Precisamos refletir um pouco, precisamos parar de rir um pouco. Precisamos "descarnavalizar" os espetáculos, um pouco.
Não sou contra as peças de humor, jamais. No entanto, é preciso que se tenha a medida sobre as coisas, sabe. Por exemplo:
Oswaldinho fala do tempo que não aproveitamos. E aí? Você pensa sobre isso? Deveria. Deveríamos meus amigos, porque o tempo é ferramenta única. A gente vem e tem apenas aquele exemplar único: "você viverá 80 anos"; "você viverá 50 anos"; "você viverá 35 anos". Daí, que o dinâmico ator pondera, assevera e instiga sobre esse tempo pre-determinado por um Deus que "dizem" existir.
Oswaldinho fala sobre a vozinha que escutamos, aquela que nos indica caminhos. As decisões às vezes em curvas de mais de dois caminhos: encruzilhadas da vida. "Não gosto quando tenho três opções", diz o ator, segurando três copos, momento no qual deve escolher um, para medir o leite, na preparação do bolo.
Cozinhar um bolo em cena, tem uma originalidade múltipla. Remete-nos (a mim me remeteu) ao tempo de infância, quando achava que minha mãe era mágica. Eu não sabia que ela administrava o tempo do cozimento do bolo. Eu pensava isso, que ela, magicamente sabia do tempo certo.
O Espetáculo chega no momento em que ele diz sobre um encontro delicadíssimo: o seu encontro com Dona Clarice, uma senhora amiga de sua avó, num asilo. Essa senhora, delegada aos cuidados de outrens e outros, declara ao visitante inusitado, que se sua avó fosse viva, ela não estaria num asilo. Foi aí que chorei. Ele me acertou. Vi naquele instante que ele não havia aproveitado daquele tempo, tanto quanto deveria.
Por que não voltou no asilo? Por que? Mas quantas vezes nós outros, também deixamos passar o tempo de se dar.
Um amigo meu disse certa vez: "Soli, sinto muito ter desperdiçado o tempo ao seu lado". Isso se deu quando voltei de São Paulo, para Itabuna. Foi num telefonema emocionado que ele me desabafou essa fala linda, linda.
Oswaldinho, eu não sou crítica de arte. Fui tocada, apenas, por sua arte. Bom demais saber de você entre nós, enriquecendo nossos finais de semana com um texto tão profundo, quanto poético. Ou vice versa?
Um enorme abraço,
Em tempo...
Solineide Maria

p.s. Vá ver Oswaldinho em seu Espetáculo hoje, 28/11/2010, às 20:00 no Centro de Cultura Adonias Filho.

domingo, 21 de novembro de 2010

"O amor só começa a desenvolver-se quando amamos aqueles de quem não necessitamos para os nossos fins pessoais."
E.Fromm

Achei tão bonito isso... Lembrei de Saramago.
Aliás sei tão pouco de tudo. É uma leitura que faço... Vejo em Saramago mais Deus (esse que inventaram - dizem) do que os tantos religiosos e "crentes" que já vi e conheço.
Saramago se aproxima de Madre Teresa,Gandhi,Santo Agostinho e do próprio São Francisco. Digo, em questões filosóficas.
Sei que o transcendental em Saramago é o "aqui e o agora". Embora a Metafísica seja bastante interessante (opinião).
Fiquei envergonhada ontem. Minha fala (na sala de aul sobre O Ensaio sobre a Cegueira, de Saramago) ficou como se fosse pueril demais. E eu nem havia terminado.
Li hoje isso e lembrei de ontem, de Saramago, de Deus, das cegueiras da gente, que nem vê que o outro fica triste, cala e sai.
A gente já ensaiou demais a bondade de ser menos gente e mais humano.
Precisamos praticar a humanidade!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

EU NÃO SEI CONTAR POEMA

Eu não sei contar poema
Me perdoe.
Não sei mesmo escrever um
É tudo trama.

Eu não sei ler um poema
Me desculpe.
São eles que me dão
Leitura e amor.

Nunca soube também
Amar direito.
Disso, creio, já te disse
Mas repito.

Tenho mesmo muitas falhas
Mas suplico:
Tende piedade de mim
Rogai por mim.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Carta para Paulo Freire

Paulo Freire:

Você não me conhece.
Sou uma dessas pessoas comuns, que desfilam pelas ruas, muitas vezes, ensimesmadas, pensando suas impossibilidades.
Ainda não sei o suficiente para me dizer intelectual. Ainda não sei ler direito, não sei escrever direito... Embora esteja cursando uma licenciatura numa universidade pública.
Moro numa cidade do interior do sul da Bahia, no Brasil que você amou. Ainda não sei o que farei quando terminar o Curso. E na condição de estudante, devo permanecer. Mas acho isso bom, porque me desviará da possibilidade de virar uma dessas pessoas que retesam o “pouco” saber a que tiveram acesso.
As suas falas ficam me pedindo reflexão... E, por isso, talvez, não tenha parado. Por isso, talvez, com 36 anos, tenha superado algumas pessoas, alguns pesadelos e muitas barreiras gramaticais.
Por isso, por saber que sou um ser inconcluso, por saber que sou mesmo inacabado (fissurado até) graças a essa certeza, devo ter seguido.
Peço que nos ajude a termos essa consciência para sempre, a de que somos seres condicionados. Peço que guie nosso entendimento para tal verdade, e que nos ampare quando estivermos sucumbindo aos monstros da antipatia, do pedantismo, da ignorância que fazem com que alguns creiam que sabem mais do que o outro. Pois como você asseverou, estamos todos nos inserindo no mundo, a todo o momento.
Peço que nos ajude a chamar o outro para a consciência de tal inacabamento. E que este tenha vontade de buscar um acabamento possível até o próximo, e próximo e...
Porque nunca se está pronto e acabado.
Nada é imutável.
Amém

Carta

Itabuna, 09 de março de 2010.

Professora Marialda:

Ao falar o que mais me tocou com relação à Língua Portuguesa nos anos de escola, não podia deixar de fora um lado importante dela, que, em geral, na contemporaneidade, parece sofrer muito preconceito: meus primeiros anos de escola. Esses anos, que vão da primeira à quarta série, são hoje pertencentes ao Ensino Básico.
Naquele tempo, as escolas de maternal até o pré-primário eram chamadas de escolinhas. Eu e meu irmão frequentamos juntos durante seis meses apenas, tempo em que meus pais puderam arcar com tal despesa. Mas não foi nada demais ficar pouco tempo ali, já que minha mãe, com apenas sua quarta série do primeiro grau de escola rural, havia nos alfabetizado.
Conhecíamos as letras do alfabeto e os números. Conseguíamos escrever nossos nomes e ler algumas palavras. E mesmo não tendo decorado a tabuada, já conseguíamos resolver as operações mais elementares.
Foi assim com os seis filhos. Minha mãe alfabetizou todos em casa. De modo que fica difícil entender como hoje, pais – alguns até “doutores” – podem ter filhos tão dispersos e, muitas vezes, avessos à educação, atividades de escola, caderno, caneta, lápis e borracha, livros. Não sei se exatamente qual a ordem.
Achava minha mãe muito sábia, porque a maneira como trouxe a cartilha para nós e nos fez codificar cada palavra, depois pequenas palavras, era, para mim, algo de alto nível.
Sua estratégia de nos ensinar resumia-se a um pedaço de papel, geralmente aquele de embrulho, papel-madeira de enrolar bisnaga de pão (popularmente conhecida como bengala) ou outro qualquer quando não havia aquele, que rapidamente ela obtinha nas gavetas do armário da cozinha. O papel era furado ao meio, e ela o arrastava nas letras, tapando o desenho do bicho ou da coisa que, na cartilha, indicava a letra, e, em seguida, perguntava-nos “que letra é essa? E essa”?
Lógico que, quando chegávamos ao nível do pedaço de papel fendido ao meio para a codificação das letras, já havia repetido conosco, inúmeras vezes, a cartilha todinha. Pois sabia, do alto de sua sabedoria de mãe alfabetizadora, que a repetição nesses casos era indispensável.
Falar de minha escolaridade, sem falar dessa parte importante da alfabetização que tive por parte de minha mãe, seria não alcançar o que, para mim, significaria achar o caminho, o encontro com as palavras, com a significação da escola e tudo o mais. Resumindo: um enorme encantamento.
Quando cheguei à Escola Agrupada Ozanam, para a primeira serie do primeiro grau, a professora Celeste notou algo diferente em mim. Percebeu que eu já detinha um conhecimento maior que o dos colegas. Observou que terminava rapidamente as atividades, e que o dever de casa, muitas vezes, nem chegava a ir para casa. Então, decidiu fazer uma sabatina e prova escrita comigo e, em seguida, transferiu-me para a segunda série.
Foi uma experiência inesquecível: ela pegou minha mão e disse: você hoje vai para a outra sala. A outra sala era maior e, embora os alunos tenham me chamado baixinho de xereta, não liguei.
Gostava mesmo, muito, da professora, pois, apesar da maneira firme com que me tratava, era atenciosa, solícita, e, isso, em minha opinião, era característica importante para uma professora. Aliás, era assim com todos os seus alunos, a implicância deles comigo durou pouco tempo.
Professora Celeste passava atividades diárias para casa. Recheava os cadernos com todo tipo delas: separação de sílabas, descoberta de palavras e sua escrita nos quadros, formação de palavras e interpretação de textos que ela copiava de outros livros e mimeografava para nós. Foi dessa forma que conheci Carlos Drummond de Andrade. Naquele tempo, achar palavras escondidas e ler Drummond quase significaram a mesma coisa.
Minha professora, naqueles saudosos anos, já era o que chamam hoje de professor leitor. E melhor, trazia para a sala as suas leituras, escolhia a dedo, suponho, pois, éramos suburbanos, não tínhamos acesso a muita leitura de livros. Penso que ela lia, mas a emoção que se fazia depois da leitura desse ou daquele texto é que decidia: esse eu posso levar para meus alunos.
Da primeira à quarta série foi assim, um achamento, um encantamento, um sofrer com a matemática, com artigos indefinidos, com o enigma que eram (são) os substantivos, suas classificações e gêneros... Normas e regras...
Passar para a quinta série foi um desespero, ao mesmo tempo uma inquietação boa. O que viria? Deixar professora Celeste foi o mais difícil. Mas a vida segue e foi e vai ser assim para sempre.
Não era mais uma (a “minha”) professora. Agora eram várias (os) e, de certa maneira, nenhum (a)... Mas a vida teria de seguir. Havia de adquirir outras informações, o mundo da escola com mais de quatro salas, mais de uma professora e mais de um horário. Com o tempo pude vencer isso tudo. O que não consegui ultrapassar foi a diferença com que a professora de Língua Portuguesa lidava com seu ofício.
Foram muitos dias escrevendo cópias, muitas tardes perdidas, muita desilusão, muito entrave. Ela, muito indiferente, tomava café com rosquinha na Sala dos Professores, via a revista AVON, comprava calcinha, sutiã, cangas, requeijão, mel de garrafa e tudo o mais que alguma mocinha ou senhora vendedora, arranjada por algum professor da turma dela, levasse, para tais figuras verem, escolherem e contraírem.
Não sei se meus colegas ficavam felizes. Da minha parte, ficava extremamente triste e preocupada. Triste por notar que aquela professora não conseguia ser um diferencial em nossas vidas; preocupada porque sabia que meus textos seriam marcados por esse travessão.
Não sei dizer de nenhuma atividade marcante nesse período. Lembro de ouvi-la falar sobre análise morfológica, mas era tão de soslaio e sem aviso que, na maioria das vezes, ninguém escutava, creio. Nem redação solicitava. Certamente, também acho, para poupar-se ao trabalho de corrigi-las, já que teria de grifar, sublinhar palavras escritas de maneira inadequada para a gramática normativa, conteúdos diversos, criatividade etc. Passemos...
Na sexta tive a surpresa mais desagradável de minha vida. A professora da quinta série seria a mesma da sexta série... Já pensou? Tudo igual, cópias e leituras em voz alta, interpretações sem comentário por parte dela, nenhum acréscimo. Nada.
Procurei professora Celeste para que me orientasse sobre o que fazer, mas ela havia se aposentado e estava em Salvador. Havia de solucionar aquilo, o que poderia fazer? Não admitiam reclamar de professores na Secretaria. Em minha vida escolar, mais um ano a menos na Língua Portuguesa.
De tal maneira seguíamos. Segui. Debrucei-me, então, nas outras disciplinas, elegi Educação Artística como minha predileta e adotei a saudosa professora Terezinha como minha conselheira em leituras. Foi muito bom, a sexta série decorreu, feito tudo, mas é claro que carregaria essa falta de jeito com acentos e grafias, análises e afins.
Até aqui deu para perceber que o que havia conseguido com Celeste era o que permancia vivo em mim. Minha cara professora do Ensino Básico, aquela que me apresentou o mundo da leitura e da literatura. A que mandava atividades de férias para casa, umas dez folhas mimeografadas, com atividades de gramática e interpretação de textos. Meu Deus, quanto esmero. Ela asseverava que era pra gente não voltar enferrujado.
Professora D’Ajuda não sabe, não lembra, mas foi minha professora na sétima série. Eis uma das dificuldades de minha vida: uma professora do barulho, depois de dois longos anos de total nada em Língua Portuguesa.
Muito empenhada, D’Ajuda fez o que não pôde, revisou muita coisa, mas não dava para revisar tudo, senão, teria de nos colocar a todos na quinta série de novo. Muito corajosa, levou-nos até o fim do ano. Muitos foram para a recuperação, alguns repetiram a série e eu passei de raspão como diziam: arrastando a barriga no chão.
Mas aí a senhora poderia objetar: e por que não estudar em casa? E eu lhe responderia: não dava! Era babá nas horas vagas. Família grande e sem muita condição, trabalhávamos cedo, no que desse/pudesse. E livros eram raros, inclusive os didáticos. Mas não parei de ler, sejam os emprestados por Celeste, sejam, depois, os de Terezinha.
Do oitavo e últimos anos não lembro quem foram meus professores e professoras. Mas creio que nada mais iria mudar a falta de braço, de perna e de pulmão na minha vida devido ao fato de ter sido “aluna de ninguém” na Língua Portuguesa. Dizendo melhor, não recordo nada de extraordinário vindo da parte deles. Porém, pensando melhor, creio ter havido uma, na oitava série, primeiro ano se não me falha a memória. Ela tentou entender como eu escrevia até razoavelmente sem saber direito gramática. Recomendou-me, então, um curso depois de findo o tempo escolar...
E foi o que fiz. Uns dois cursos, li e leio mais, escrevi e ainda escrevo mais um pouco, incluindo cartas. Até hoje, levo a sério essas atividades por me serem prazerosas.
Peço-lhe desculpas por não trazer lembranças mais dignas da Disciplina de Língua Portuguesa nesses anos de Fundamental e Médio.
Como cheguei até aqui? Cursos, leituras, que me estimularam a escrever sempre mais: crônicas, poemas, cartas. Conservo até hoje paixão por textos. Eles, talvez, tenham sido o caminho (sinuoso) pelo qual venho alcançando meus objetivos. Isso, embora em andamento, já me é muito gratificante.

Eu te amo tanto e não te digo (para o amor que virá)

O mundo pede homens muy da carne
E tenho pouco a oferecer:
Talvez um quadril, uma perna
Uma coxa, uma costela...

Talvez mãos que sabem aquecer.
Talvez olhos, não, olhos não.
Pois estes mais atiçam que enternecem
A fome de viver.

Eu te amo ainda que não saibas.
Ainda que de longe estejas, homem,
Fitando minhas pobres rimas fáceis,
Ainda que não queiras recebê-las.

Saiba, no entanto, que te escrevo,
As melhores palavras que existem
Dentro do meu peito de menina
E de mulher que nasceu para amar.

Para amar e nunca escutar
A frase verdadeira pronunciarem:
Espera-me amada vou contigo!

Inda assim te amarei mais um instante.
Seguirei tuas estradas, os teus passos,
Estarei ao teu lado e do teu lado.
Inda assim te amarei mais um instante.

Se um dia fitares minha face,
E perceberes minhas flores castas,
Meu vestido de algodão alvo e limpo,
Meu cabelo penteado com carinho.

Se um dia fitares minhas faces,
Meu pote de barro cheio d’água,
Minha mesa e tamborete
E meu sorriso...

nota: ONDE VOCÊ ESTÁ? 
ONDE VOCÊ, VERDADEIRO AMOR, 
ESTÁ?

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

De nada adianta amar errado

De nada adianta amar
e não abrir mão
e não dar a mão
e não,
não, não, o tempo todo.

ALGUMAS PALAVRAS À POETA SOLINEIDE MARIA E, SEUS LEITORES.

Em 1999, vivia eu em Porto Seguro, quando pela enésima vez, uma amiga de Itabuna que por lá também vivia, disse-me que eu precisava conhecer Solineide Maria de Oliveira; a amiga foi insistente, disse que Soli... isso; Soli... aquilo; que era uma poeta sensível, que tinha uns escritos interessantes, que era gente boa, enfim... foi convincente.

Feito o contato, Soli e eu, iniciamos correspondência... eram trocas de cartas, poemas, visões de mundo, opiniões, até queixumes eleitorais; ela em Itabuna, eu em Porto, e a internet e os Correios fazendo a ponte.

Fui conhecê-la pessoalmente, apenas, em 2001; quando, de retorno à São Paulo encontrei-a na Estação Paraíso do Metrô e, a essa altura, já sabia que tinha diante de mim uma pessoa especial, uma amiga, uma poeta madura, lapidada, pronta para os leitores.

E hoje, passado tanto tempo de uma amizade sem declínio, meu desejo de estar presente neste momento especial, se realiza através deste texto de homenagem.

A verdadeira poesia não carece de grandiloquência, de artifícios pirotécnicos, nem de ataviados rebuscamentos. Lhe basta ser simples, vir da alma, comunicar a vida e, ter uma linguagem correta. E é assim, a poesia de Solineide Maria.

Soli, escreve com a simplicidade de quem fala; mas, não se engane o leitor, ao contrário do que possa parecer, permeando seu estranhamento diante do mundo, seja perguntando ou respondendo, sua poesia desnuda as relações humanas e propõe outros rítmos, outros sonhos à vida de quem a lê.

A poesia de Solineide fala do encantamento. Não está engessada pela métrica, pela rima ou pelas formalidades poéticas; é simples como um beijo; no entanto, sua prosa alegórica, sua amorosidade, suas inquietações, sua perplexidade diante da vida, e sua densidade, propõem outras leituras, outros entendimentos. O “Mar” ali, pode não ser mar, e a distância pode ser aqui, ao alcance de um abraço. Vista, assim... com outro olhar, a poesia de Soli é multipla e vária. E diversa, é sua forma de olhar o mundo.

Já disseram que a atitude de ler, é uma tentativa -uma vontade- de interpretar o mundo, e escrever, é a pretensão legítima e transcendente de transformá-lo; portanto, poeta, é na distância deste imenso mar que é a vida, aqui tão perto, que te saúdo, e deixo, aqui, o meu fraterno abraço.
Parabéns, pela nova empreitada! Sucesso, sempre!

de São Paulo: Zé Carlos Batalhafam

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Da apresentação

Tensão
tensão
tensão...

São tensas pessoas,
tesas pessoas,
não são
intensas pessoas

que avaliam...

Desprezam
humilham
retesam.

Na maioria dos casos.