sexta-feira, 2 de abril de 2010

Meu último poema de amor

Eu queria lhe escrever um poema, onde não houvesse nenhuma frase conhecida: verso ou rima. Mas não sou capaz de alcançar tais coisas, antes de nascerem.
Então, com as poucas palavras que tenho, peço que me ame.
Ao menos minta que me ama; que um dia ocorreu algum tipo de ensaio de tal sentimento por mim, em ti.
Até porque, este, nem eu mesma sei se o compreendo e sinto. Tantos já falaram (e escreveram) sobre ele, e veja a que ponto chegamos... Cheguei.
Não quero escrever sobre isso. Quero escrever-te o meu último poema de amor:

Assenta-te aqui, peço,
ouve, como minhas mãos
(que são sempre tuas)
querem teu toque.

Assenta-te, e, cala em meu ouvido,
algum silêncio que fale
sobre ribombos de uma paz
que nunca chegou.

Traz tua pele e dedica
à minha, um pouco do calor
que ela libera.
Não me abandone ao sonho inacábel.

Asseguro-te que não te chamarei mais
e, que, antes de partires,
já não será preciso saber
se viestes, ou, se sonhei.

Asseguro-te que não mais te chamarei,
nem horas mais, terei, de insônia insana.
E nem pranto nenhum, mais, chorarei,
porque terei sido feliz alguma vez.

Um dia basta quando amamos.
Um poema basta quando amamos...
O silêncio basta,
basta o segredo, o passado, um sonho.

Carrega, no entanto, estes versos
cravados em teu peito para sempre.
Não saberás jamais se foram escritos
ou se se são milagres transparentes.

Este meu último poema de amor,
será, então, o nosso Testamento.
Apenas versos frágeis feito ele...
Apenas isto, nunca mais, outro, escrevo.



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