sexta-feira, 23 de abril de 2010

A morte como suporte contra coisas de enganar

Forte e farta fui um dia
Mas o mar carregou tudo.
Meus versos, os meus bordados,
minha pluma, a poesia.

Levou. Carregou. Tomou.
Quedei com as mãos tendo cortes,
com olhos muy solitários.
Quedei somente com a morte.

A morte, então, compadecida;
ergueu o meu rosto triste,
colheu minhas mãos caídas.
cuidou de minhas feridas.

Disse num tom carinhoso
que a todos somente importa
se tens no barco algum dote.
Todo o resto são mimosas quinquilharias.

Bugigangas de brincar,
de inspirar, de enaltecer egos e corpos
preferentes de outros barcos abastados.
Poemas e bordados são bobagens de afagar.

Ela não quis me levar.
Deixou-me a salva na praia.
Aconselhou-me a ser forte e farta,
esquecer de velas, bordados, poesia.

Do Livro Ali Longe no Mar - Solineide Maria

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Soli era morte não sei pq escrevi noite. Então Retifico para MORTE, RSRSRS.

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TEMER APROVA O TRABALHO ESCRAVO

De onde saiu essa criatura que atende na função de Presidente de um país com gente que trabalha para pagar feijão, arroz, carne seca, água?...