domingo, 25 de agosto de 2013

O CANSAÇO DE BETE (pingado e reflexões na mesma insônia)

Uma amiga disse assim para Bete ontem: "na vida a gente precisa dobrar esquinas"... Na hora ela consentiu com a cabeça, de soslaio, meio sem querer. Mas à noite, na cama, aquela fala, conselho, máxima, advertência, lição, consolo? O fato é que à noite, aquele enunciado, charada, frase, pista?... Deixa pra lá... 
O fato é que na cama, aquelas palavras pululavam à frente dos olhos emocionais de Bete e ela não entendia se a tristeza ou a insônia deram força àquelas palavras a ponto de levantá-la da cama. Levantou-se e, sem querer, tomou um pouco de leite com café. Não tinha chocolate e nem tinha chá, ou fruta, ou sorvete (Bete extraiu dentes, sorvete seria melhor)... Tinha aquele café pingado e a sensação de que o mundo acabaria assim que absorvesse o último gole. 
Enquanto sorvia aquele líquido, lembrava-se de tanta coisa... Tantas pessoas que lhe disseram coisas "intelectuais" e muitas pessoas que lhe abraçaram quando precisou e outras (poucas) que ficaram até que ela dormisse de doente, cansada ou triste. 
Lembrou-se de Diene, uma irmã que, em verdade, é mais amiga do que irmã. Ou em verdade, é anjinho encarnado para lhe defender dela própria e de suas "perdas e danos". Diene seria perfeita agora... Murmurou baixinho... Ela lhe falaria coisas bem profundas e lhe mandaria ir dormir, sem maiores cobranças. No final, afirmaria que tudo passa e que nada é por acaso. 
Certamente Bete ficaria mais animada e se reconfortaria para dormir e acordar mais desperta para outro dia. Lembrou-se de Maliv, uma vizinha que se tornou amiga. Morava (ainda mora) no fundo das casas da Rua João Batista Ventura. 
Um dia, muito febril por conta de uma infecção dos seios nasais (atravessava uma crise emocional, foram tempos difíceis para Bete...) aquela criatura chegou a sua casa com um prato LINDO: arroz, feijão, pirão de carne, carne e noutro prato, uma salada de capa de revista gastronômica. Essas pessoas são impagáveis, pois, como lembra Madre Teresa: "amor não tem preço"... 
O pior é que isso tudo fez Bete lembrar-se dele... Ele também era assim, impagável. Vixe e agora? Bete conseguiu destruir o que vinha escrevendo para se amparar. Bete, quase sempre, faz isso... Logo se lembrou da máxima: "na vida a gente precisa dobrar esquinas"... 
Pois é. Mas e quando a pessoa vem de uma sucessão de dobras de esquinas e, quando parece ter acertado o caminho, as coisas desatinam? Bete queria uma longa estrada. LONGA que não acabasse mais. Uma estrada sem curvas ou atalhos, uma estrada em perpétua extensão... 
Bete estava cansada de tantas esquinas e tantos becos e tantas vielas e tantos labirintos... Bete queria uma estrada INTERMINÁVEL, sem nenhuma curva, sem nenhuma seta à direita, à esquerda... Bete queria ir, ir, ir... Mas Bete estragou tudo, ela quase sempre estraga... 
Fiquei com pena de Bete... Senti que estava cansada... Ela queria ter o tempo de um mês atrás, para acertar seu relógio com o da vida. Para ajustar sua cabeça e para não ter deixado as coisas desarvorarem naquele café pingado, solitário e triste... 
Mas o mundo não acabou... O café pingado acabou, mas o mundo não acabou. 
"Isso é bom" (pensou Bete). Depois se perguntou: "Isso é bom?" 
Deve ser... Para quem acordou no meio da madrugada, lembrando uma máxima, no mínimo, incômoda... 

Solineide Maria de Oliveira 2013-08-25

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