terça-feira, 22 de junho de 2010

Aqui,

Vim, morrendo de medo de você ter desistido da idéia de me ver. Arrumei a bolsa, disfarçando entre meus cadernos e canetas e apostilas, um par de meias, e uma peça de roupa para usar no outro dia.
Vim caminhando em silêncio, ouvindo seu poema nos meus ouvidos: João Cabral de Melo Neto ressoando em mim, reverberando em meu coração a sua voz rouca.
Vim assim, tentando esconder que sinto medo, muito medo, aos já alguns anos de idade...
Medo de nunca mais esquecer você.
Claro, já que percorro sozinha a um ambiente onde o se, nunca mais e o nunca caminham lado a lado.
Vim tendo quase certeza que todos sabiam de que estava indo com o coração trêmulo e inútil, já que taquicardia não é batimento cardíaco.
Saberei apenas quando estiver lá, lá para onde vou. Lá...
Será que vai esconder-se de mim e virar a esquina e pedir licença e sair? Como se não tivesse marcado nada comigo? Será que estou ficando doida?
Chego, agora, a pensar que você não marcou nada comigo, tamanha a minha insegurança e aflição idiotizada.
Enfim, deixe-me chegar, deixa-me estar, deixa estarmos...

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