sábado, 9 de novembro de 2013

A MAIS SOLTEIRA ENTRE AS SOLTEIRAS

O homem estava solteiro. Estava solteiro e sozinho na festa... Estava bem, bonitão, vestindo uma calça jeans e uma camisa branca, toda branca. Disse-me que gostava de boa música e boa conversa. Disse-me que andava meio em baixa, mas estava, agora, bem melhor. Disse-me que estava mais alegre, depois de um tempo em baixa... Havia "perdido" um amor. Falamos sobre muitas coisas. Também eu lhe contei sobre amargores e amarguras, mas não nos fixamos nessas dissertações expositivas sem proveito. Ele me ofereceu um guaraná e aceitei. Depois, com olhar inquieto (olhava as mulheres), confessou-me que olhava para ver. Sorri. Lógico que olhamos para ver. Quem não o faz. Ele disse que acontece. Concordei. Alguns olham e nunca veem (eu estaria nesse contexto?). Preocupei-me... Ele perguntou se estava bem, pois saí dali por um minuto, acho. Respondi que sim. Perguntei o que estava procurando, ele se abriu dizendo que procurava "a mais solteira, entre as solteiras". Sorri baixinho... O que seria isso? Não lhe perguntei. Pedi licença e saí de perto de sua presença. Bom título de livro, mas que tipo de conteúdo? Talvez uma narrativa sobre o que buscam os homens... Lembrei dos livros de Hilda Hilst (solicitados via internet). Vontade de ler Hilda Hilst... "Como se te perdesse, assim te quero". Que poema lindo! Que escrita autêntica. Não o encontrei mais na festa, acho que eu não era "a mais solteira entre as solteiras". 


SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA

TALVEZ OUTRO LIVRO: Texto avulso para as perdas, os danos, os encontros e despedidas.

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