quarta-feira, 13 de novembro de 2013

DE UMA BETE PARA OUTRA

Bete querida; 
Uma noite de choro é companheira da paz que virá. Virá... Tem de vir, porque senão é melhor ir atrás de um caminhão de lixo. Poxa... Sabe Bete... Estou perdendo tempo. Isso me incomoda bastante, mas é automático... 
Não me considere, por isso, uma total idiota, só metade idiota ok? Porque saiba de uma coisa: estou alerta. Os sinais me indicam final de tonteira à vista. Até me apaixonei novamente, mas o moço me deu o fora antes de ficar interessado. 
Veja que ridículo Bete, que situação mais desonrosa, para quem, nesse momento, não poderia ser afastada (novamente). No entanto, estou firme...
Um dia um psicólogo vai descobrir de que síndrome estou afetada... Uma amiga disse que se trata da “síndrome do vira-lata”. 
Você acha Bete? Acha que tenho indícios de cão sem dono? De um cão que procura uma casa, que em verdade, nunca existiu? Achei poética essa síndrome... 
Olha só Bete, acho que o intelectual Schopenhauer tinha razão quando disse que “as grandes dores fazem com que as menores mal sejam sentidas e, na falta das grandes, até o menor desgosto nos atormenta”. Será que não?... 
Será que por falta de sofrimento de verdade, tenha criado essa tormenta inútil, da perda de um bem, em verdade nunca fora meu... Nunca quis ser?... 
Será que não estou a fazer de mim, prisioneira de uma história que não chegou a acontecer?... 
Schopenhauer é uma dessas figuras emblemáticas da Filosofia. Conheci esse "monstro", porque me meti a escrever sobre a solidão e o amor... Leia-o! Peça por internet, o preço é bastante accessível. Talvez o encontre até em pdf, ele já morreu há muito, então, virou domínio público... Ficarei por aqui. 

Agradeço sua última carta. Lembrou-me de umas coisas boas e belas: a amizade, a consideração, a preocupação de alguém por outro... Essas emoções que nos deixam mais dignos de sermos denominados humanos... 

Um abraço apertado Bete querida. 
 De sua xará, BETE.


Escrito especialmente para minha afilhada AMADA Luísa!!! 
Dedico à Flora.

Um comentário:

  1. O cavalo chamado auto-estima é demasiadamente arisco, as rédeas não podem ser afrouxadas, nem sua sela emprestada. Quando se permite que outro cavaleiro/amazona o cavalgue demais, ele já não mais obedece ao verdadeiro dono.

    Agora, é como eu lhe disse, o poeta já sente a dor que é fingida, quanto mais a dor que é real, lhes faltam um escudo porque necessitam estar abertos demais para produzir.

    Abraço!

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