sábado, 8 de julho de 2017

A JANELA A ESPERANÇA E UMA CANÇÃO DO LEGIÃO URBANA



Houve um tempo de esperança... Os jovens estavam atentos e lutavam pelo melhor para seu país. O céu era tão azul e nas roupas. Os "botons" diziam palavras de ordem (e progresso).

A Bandeira sempre mentiu... Não. A Bandeira sempre lutou pelo melhor. Tão bonita... Linda! Verde e amarelo! Ouro, e floresta... Céu azul, paz de estrelas nos amparando a todos.

Mas olha só... "Veja o sol dessa manhã tão cinza".

A música toca longe, da janela de uma casa de lata, ouço a canção... Meu Deus! Aqui tão longe do meu país, ouço a voz implorando por mudança, melhoria e por consolo. Voz que pede um olhar! Somente um olhar...

"Somos tão jovens"... Assevera o cantor na canção...

Ele diz na música que "temos todo o tempo do mundo". Não temos mais Renato. Todo o tempo do mundo se foi. Agora é apenas o momento. Errou, passou. Só na próxima para acertar (próxima encarnação).

No entanto, não é desesperança que consigo alimentar em mim, ouvindo essa canção, que sai da janela dessa casa de lata. Não consigo alimentar tristeza com essa visão e audição.

O tempo paralisa em minhas retinas, e vejo um jovem dançando euforicamente. Meu Deus... Como não deixar a lágrima rolar em meu rosto. Uma amiga me perguntou: "o que foi Sol"?

Não expliquei. Porque não daria para explicar o que senti, vendo eu mesma ali naquela casa, entre alegre e descontente, dançando uma canção que rememorou toda minha adolescência.

(prece e lágrima)… O jovem se deixando levar pela emoção deixando-se lavar pela emoção. Canção de mais de vinte anos... Canção de agora…

SOMOS TÃO JOVENS ele grita! Balança as mãos imitando Renato Russo. Ele salta e grita: SOMOS TÃO JOVENS!...

O refrão é declamado em prece:

"Nosso suor sagrado

É bem mais belo que esse

sangue amargo

E tão sério e selvagem".

"Filomeno! Tá na hora de trabaiá! Caba cum essa gritaria".

O jovem sorri discreto. Ele ama sua mãe e diz: “tô indo mamá”. Filomeno cata a camisa no varal improvisado na janela (com uma fita de pano velho). Abaixa o volume do som e, certamente, vai se arrumar para ir trabalhar.

Ouço o violão dedilhado no fim da canção e também sinto um riso discreto e silencioso no coração de minha alma…

Ainda há esperança...

"Temos muito tempo".

(Solineide Oliveira Patrocínio)

08/07/2017

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