terça-feira, 26 de julho de 2016

ESPIRITISMO E POESIA: CONJECTURAS A PARTIR DA POSSIBILIDADE DE MEDIUNIDADE DE PSICOGRAFIA EM FERNANDO PESSOA.


ESPIRITISMO E POESIA: CONJECTURAS A PARTIR DA POSSIBILIDADE DE MEDIUNIDADE DE PSICOGRAFIA EM FERNANDO PESSOA.





Solineide Maria de Oliveira do Patrocínio Rodrigues[1]


solpoesiaeprosa.blogspot.com





UMA POSSÍVEL INTRODUÇÃO



Pode-se dizer que a admiração e, ao mesmo tempo a desmesurada falta de entendimento sobre como pode um poeta “ser” tantos ao mesmo tempo, podem estar presentes nas leituras, por vezes pueris, que os leitores mantem com frequência, ou não, dos poemas e prosas do imenso poeta português Fernando Pessoa.

Interessante que seja exposto que uma leitura de modo mais crítico, da obra de Fernando Pessoa, sugere solicitar, por parte do leitor, um envolvimento penetrante. Talvez, após a quinquagésima leitura de algum título do poeta, aconteça o momento chave, aquele que poderá desvendar o olhar interior de quem lê Pessoa. Supondo-se que as leituras realizadas anteriormente, tenham sido ensaios de leitura do que poderia vir a ser Fernando Pessoa.

A partir de leituras de obras vinculadas ao Espiritismo, mais especificamente voltadas para o fenômeno de Psicografia, teria sido possível associá-la ao que ocorria, com determinada frequência, com o poeta Fernando Pessoa. Desde então, tornou-se aceitável perceber que, talvez, Fernando Pessoa tenha sido um Médium de Psicografia, sem que este soubesse ou cresse e mesmo se soubesse e acreditasse, em sua vida particular. Desse modo, ampliou-se a vontade de ler seus escritos e, ao mesmo tempo, examinar sobre o tema Mediunidade de Psicografia.

A investigação em nada desacredita do talento inabalável de Fernando Pessoa: jamais. Trata-se mais de outra maneira de entender as muitas falas de um poeta. E, ainda que seja a fala de um único homem, Fernando Pessoa, pode ser forma de falar sobre dois assuntos muito atraentes e igualmente importantes: a poesia e a psicografia.

Pessoa, aos catorze anos de idade já observava com nobreza própria do olhar que se origina, apenas, dos olhos da alma de um deus:

“Quando eu me sento à janela,

pelos vidros que a neve embaça

 julgo ver a imagem dela

que já não passa... não passa...



Os versos acima, escritos na puberdade do vate, indica tratar-se de uma composição séria, apesar de o seu autor, contar apenas com catorze anos de vida física. Pode ser (nos versos expostos) que o poeta esteja a declarar-se apaixonado. No entanto, como deve ser toda leitura crítica, o exame dos versos deve-se voltar para o que o eu-lírico diz, e não, sobre o que o poeta sente, ou por quem sentiria. O sentimento exposto na composição poética, a forma como molda o corpo do sentido, a maneira como discorre sobre imagens através das palavras, é que são o objeto de investigação do pesquisador apropriado.

É indiscutível que janelas e neves e vidros são elementos que facilitam a elaboração poética de qualquer texto. Poderia o leitor refletir que seria fácil escrever tais versos, e, além disso, poderia (o leitor) imaginar que se trata de versos não tão ricos apesar de levar a assinatura de Fernando Pessoa.

Porém, lembre-se que tais versos foram compostos quando o poeta estava a descobrir as janelas do mundo exterior e as de seu mundo interior. Idade em que o poeta estava a perceber a neve incrustada na alma dos amores que não vingam... Idade em que o menino Fernando António Nogueira Pessoa, começava a sentir que, muitas vezes, o amor poderia ser frio e acromático, tal qual o vidro. E que algumas vezes, o ser amado poderia ser mantido longe a partir da imagem, essa esperança forte e frágil ao mesmo tempo.

Seria possível estimar que o poeta, fascinante desde sempre, além de ser gênio em seus versos e prosas, conseguiria lidar de modo muito poderoso e leve (ao mesmo tempo) com o olhar. O olhar para o outro, para aquele que passa diante de si, ou através de uma janela. Talvez, por estar apaixonado initerruptamente. Talvez por estar e não estar. Talvez por ser e não ser deste mundo físico, consecutivamente.



UMA POSSÍVEL ANÁLISE



O próprio poeta, Fernando Pessoa, dá pista de que algo de “excelso” lhe ocorria, quando escrevia, em carta encaminhada à Casais Monteiro: (...) “foi em 08 de março de 1914, acerquei-me de uma cômoda alta, e, tomando o papel, comecei a escrever de pé, como escrevo sempre que posso. E escrevi trinta e tantos poemas, numa espécie de êxtase cuja natureza não conseguirei definir”. A partir daí, poderia ser sugerido então, que o poeta seria um médium psicógrafo ou escrevente.

Sobre os Médiuns Escreventes ou Psicógrafos, o Espiritismo esclarece que

“de todas as formas de comunicação, a escrita manual é a mais simples, a mais cômoda e, sobretudo a mais completa. Todos os esforços devem ser feitos para o seu desenvolvimento, porque ela permite estabelecer relações tão permanentes e regulares com os Espíritos, como as que mantemos entre nós. Tanto mais devemos usá-la, quanto é por ela que os Espíritos revelam melhor a sua natureza e o grau de sua perfeição ou de sua inferioridade. Pela facilidade com que podem exprimir-se, dão-nos a conhecer os seus pensamentos íntimos e assim nos permitem apreciá-los e julgá-los em seu justo valor. Além disso, para o médium essa faculdade é a mais suscetível de se desenvolver pelo exercício” (O Livro dos Médiuns – Allan Kardec).



A Psicografia é um fenômeno espiritual e físico. Quando ocorre, o Médium (como se chama a pessoa que possui tal “capacidade”) é inspirado por um espírito que lhe recomenda as ideias. Pode acontecer de o espírito lhe dirigir a mão, como no caso de Chico Xavier, que também era Médium Mecânico, um dos mais raros.

Psicografia é uma mensagem de um espírito, não é do Médium. Pode acontecer através de inspiração por meio dos sonhos (quando o espírito do Médium se desdobra). Pode se dar, ainda, de modo que o espírito narra para o Médium, ao passo que este escreve o que ouve.

Fernando Pessoa seria Médium de Psicografia (por inspiração), ao mesmo tempo de Psicofonia (fenômeno que se dá quando o Médium ouve o espírito) e de vidência (quando o Médium ouve e vê o espírito). Tais categorias serão explicadas no decorrer da análise, ao mesmo tempo em que seja analisada a carta do poeta Fernando Pessoa a Adolfo Casais Monteiro e alguns poemas previamente abstraídos para a tarefa de buscar indícios do que poderia vir a ser prova de Mediunidade de Psicografia no ilustre poeta português.



ESPIRITISMO E POESIA: CONJECTURAS A PARTIR DA POSSIBILIDADE DE MEDIUNIDADE DE PSICOGRAFIA EM FERNANDO PESSOA.



Problema

Os tantos heterônimos do poeta português Fernando Pessoa, poderiam ser entes desencarnados a transmitir poesia e prosa, através da mediunidade de psicografia?



Hipótese

A hipótese é a de que o poeta Fernando Pessoa teria a capacidade de ser Médium de Psicografia.



Objetivos

Geral: analisar a possível ocorrência do fenômeno de Psicografia em alguns poemas dos heterônimos de Fernando Pessoa.

Específico: investigar de que maneira o fenômeno acontecia com o poeta Fernando Pessoa.





Justificativa

A partir da leitura de duas cartas de Fernando Pessoa ao crítico Adolfo Casais Monteiro, surgiria indício de uma possível Mediunidade de Psicografia no poeta Fernando Pessoa.





BIBLIOGRAFIA



PESSOA, Fernando. Obra poética VII. Poesias inéditas e poemas dramáticos. Editora L & PM. Rio Grande do Sul, 2014.



KARDECK, Alan. O LIVRO DOS MÉDIUNS. Editora Federação espírita de São Paulo, 2014.



______________ O Evangelho segundo o Espiritismo. Editora FEB. Rio de Janeiro, 2006.








http://www.centroespirita.com.br/literatura/olivrodosmediuns/pagina021_02.asp


(AVISO: O WEB artigos publicou. SOLINEIDE)



[1] Poetisa. Professora de Produção textual (em Língua Portuguesa do Brasil). Professora de Literatura. Pós-Graduação em Planejamento Educacional e Docência no Ensino Superior.

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