terça-feira, 8 de setembro de 2015

A MEDIDA INJUSTA

Algumas das pessoas mais altas da história da humanidade tinham estatura mediana ou, muitas vezes, eram quase pigmeus.

Os maiores líderes da paz e, até, os maiores líderes da guerra, (que provocaram os maiores horrores da história humana), não eram pessoas de ampla estatura.
Para citar alguns exemplos, comecemos por Teresa de Calcutá. Essa mulher, que foi afetada sem proporção, pela misericórdia a seus irmãos, tinha 1.55 de estatura, mas provou (sem necessidade de fazê-lo) que sua alma não tinha medida... A história da humanidade (da HUMANIDADE em ação), nunca seria a mesma, se não fosse à presença maiúscula dessa criatura mignon no planeta.
Nero era um homem baixinho. E infelizmente, “doidinho”... Mas apesar de sua doidice, oriunda de uma vaidade desenfreada, teve nas mãos, muito poder, isso durante um tempo extenso da História.
Ghandi, “além” de baixinho era magro. Sua magreza tinha a ver com a disciplina alimentar que mantinha (ou falta de alimentos para uma alimentação adequada...). No entanto, a despeito (apesar?) dessas duas características (que para a maior parte das pessoas, simbolizaria fragilidade), venceu a batalha de um povo, usando um material, igualmente frágil, segundo os humanos mais pueris: usando o “material frágil” das palavras.
Irmã Dulce era muito baixinha... Poeticamente baixinha... Levemente baixinha... EXTRAORDINARIAMENTE baixinha (tal qual Teresa de Calcutá). Essa mulher baiana, com toda sua “baixisse” ergueu, a partir de “doações baixíssimas” (raramente altas...) um hospital para os pobres de tudo em Salvador. Dizem que não se alimentava bem, que comia, tão-somente, uma maçã no horário do almoço, ou uma banana, ou mesmo, durante dias, “somente” alimentava-se de prece.
Chico Xavier era homem de estatura apoucada também. Médium desde sempre, sofreu na pele e na alma, golpes gigantes da vida. Porém, alheio a qualquer um deles, seguiu, sendo um enorme baixinho amoroso. Não se faz necessário narrar o que fez, além de ter engrandecido com muito carinho a alma de muitos encarnados e elevado o espírito de muitos desencarnados.
Incidiria citar o nome de muitas baixinhas e muitos baixinhos nesta narrativa. Em todas as áreas da história humana: nas artes, na vida religiosa, na esfera da educação, no campo da psicologia, no ambiente da medicina...
Enfim, baixinhos extremamente altos em suas ações e em toda a extensão de suas encarnações edificaram uma história que não se pode diminuir, porque foram escritas com a estatura do amor.
Medir alguém a partir de sua dimensão física, então, seria no mínimo, besteira. Sobretudo se for lembrado de que os maiores construtores do planeta são pequenos seres, aos quais lhes deram o nome de bactérias, vermes, micro-organismos... São esses seres, quase insignificantes em estatura, que construíram e constroem diariamente (e que, se quiserem, também podem destruir...) tudo o que se conhece.
De maneira que não se faz possível entender por qual razão alguém pense em medir o valor de outra pessoa a partir de uma medida tão falha: a estatura física. Porque já se tem inúmeras marcas de que as aparências, de fato, enganam...
É necessário erradicar, urgentemente, essa medida injusta e não mais se impactar por causa do talhe de alguém, caso meça “apenas” um metro e cinquenta e um e, “ainda assim”, tenha altas qualidades.

Solineide Oliveira Rodrigues
(26/08/2015)


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