quinta-feira, 18 de setembro de 2014

O AMOR EXISTE (e tem cabelos brancos)

O amor é uma senhora de cabelos brancos. Tem mais ou menos 75 anos de idade. E tem um filho também de cabelos alvos. De mais ou menos 50 anos de idade. 
O amor, essa senhora de cabelos alvos, leva seu filho ao médico todos os meses, para saber se está bem. É um espírito que trouxe consigo a síndrome de down. 
O amor, essa senhorinha de cabelos muito claros, sabe atender o celular. O amor aprendeu a usar essa tecnologia ultramoderna (modelo moderníssimo) por causa do filho: para agendar consultas, para ser avisada de algo quando está ausente (em casos raros), para saber dele na escola... 
Ela me confessou porque brinquei que o meu celular não tem whatsapp. Isso foi quando nos despedimos e ela quis meu whatsapp... (rsrs) Trocamos, apenas, os números dos celulares. E começamos a conversar porque ela me viu com os olhos mareados, observando seu cuidado com aquele “filhomem”. Nesse momento, ela me deu um riso e perguntou: “Você tem filhos”? Respondi maneando a cabeça que sim. Ela retrucou: “então sabe o que é amar”. E disse-lhe com a voz embargada que sim... 
Mas meu amor materno foi mais simples. Tenho uma mocinha de 16, dentro do que se pode dizer que seja um ser saudável. Tem todo o corpo funcionando bem e tem suas funções neurológicas em dia. Amar assim é mais fácil... Concluí minha “tese” de passageira de ônibus urbano... 
Aquele amor de cabelos límpidos me disse que muito pelo contrário. Amar um filho como o dela é muito mais simples ainda... E continuou: “Porque amá-lo vem da constatação mais do que óbvia de que você foi preparada para amá-lo”. “Olha que bonito” selou sua fala... E sorriu e me lançou sua mão. 
Sentamos emparelhadas: eu, de um lado do corredor do ônibus, e ela, do lado oposto com seu “filhomem”. Quando me perguntou o que estava lendo, dei-me conta de que havia parado a leitura de um belo livro (a história dela me comoveu mais). Dei-lhe o título e ela anotou no big celular, o título da obra. Confessou-me ser leitora. Disse-lhe que podia emprestar-lhe. Trocados os telefones, resta-me colocar crédito e ligar para o amor, que tem cabelos quase transparentes (de tão claros) e que existe. 

SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA 11-07-14

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