quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O CANSAÇO DA PALAVRA

A palavra parou aqui
e disse que queria ficar calada.
Disse que não queria dizer nada.
Nada de nada.

A palavra sentou e pediu uma água.
Tomou em silêncio.
Depois pediu café.
Tomou e permaneceu calada.

 Depois de alguns minutos,
a palavra falou que a vida é uma trama...
Ficou me olhando,
como quem espera resposta.

Falar o quê?
 Continuei muda.
Ela cochilou uns quinze minutos.
Depois acordou e perguntou as horas.
Respondi: são 15:30.

Ela pediu um papel em branco eu lhe dei.
Olhou para mim
e pediu que anotasse o que iria dizer.
Obedeci.

COLÓQUIO DO CANSAÇO DA PALAVRA 

Sabe quando você se sente em desuso?
Feito roupa démodé, f
eito vestido de babado?
Sabe quando se sente pra baixo?

E sabe quando sente calor no inverno
e frio no verão?
E sabe quando todos os lugares
não lhe cabem?

Sabe como é que é estar sem lugar?
 E pior: sabe como é quando você é bonita,
bonita demais.
Muito bonita!
E a pessoa nem liga pra você?

As pessoas não gostam de consoantes...
 Hoje em dia as pessoas preferem vogais.
Nada contra, mas...
Cá entre nós, as consoantes são necessárias.

Você não acha?
 Sabe quando o texto perde a força bem no fim?
Bem no fim?
No amarramento da ideia?
 Estou assim hoje.

Sem força para concluir um pensamento.
Sem força para lutar pelo pão,
nem para aquecer a poesia...
 Sabe... É tudo ali, ali, lá...
espera um pouco mais.

Aguarde um instante...
Só um minuto senhora...
 É isso.
Hoje essa que vos escreve está morna,
feito água de bacia.
Está sem força, feito brasileiro honesto...


SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA 

Nenhum comentário:

Postar um comentário