sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

A ARTE DEPOIS DA MORTE DA ARTE (Seminário no Além)

Ele veio me visitar neste 2014!
Parece mentira, mas ele vive me visitando e presenteando-me com muitas letras de canções. Perfeito seria se tocasse algum instrumento...
Essa noite ele me disse: 
"Soli, vamos passear um pouco"? Eu fui.
Chegamos silenciosos à uma Igreja e ele declarou ter medo daqueles santos. Riu muito, depois sentamo-nos.
Contei-lhe que Drummond  também sentia medo dos santos. No caso, das imagens... Ele falou que tinha estado com Drummond, numa reunião sobre a "Arte depois da morte da Arte". Explicou-me que tratava-se de um seminário que acontecera numa universidade lá (lá - leia-se ALÉM).
Confessei-lhe que estamos mergulhados numa era sem nome no quesito Arte. Ou então, que estamos todos um pouco adormecidos pela falta de força nas questões da Arte com "a" maiúsculo. 
Ele me deu um abraço e pediu para ler mais e mais. "Estude mesmo Soli. E não se importe com dinheiro, você ganha só em estudar, conhecer, ler, ler, ler. Porque isso fica conosco sabe"...
Eu e ele ali abraçados naquela Igreja linda... Linda... Ficamos até um padre chegar com uns pesos: livros e batina e sapato e uma bolsa de mão. Renato se levantou e ofereceu ajuda. O padre tomou um susto e disse que o reconhecia. Ele se apresentou como Renato Russo. O padre desmaiou.
Saímos da Igreja em cólicas de riso. E ele confessou que nunca acreditou que padre acreditasse em vida futura, paraíso ou inferno. "Entende Soli"... Renato continuou sua explanação: 
"Eles repetem o que ouvem... Entende Soli? É necessário refletir, desenhar o que se lê nas paredes da vida da gente, nos cadernos virtuais de nossa matutação... Mas a maioria só lê... Quando lê"...
Perguntei mais sobre o seminário na universidade do Além, mas ele disse estar atrasado para um compromisso, abraçou-me e pediu que continuasse bem e firme em minhas convicções:
"Seja focada ok"? E disse isso em inglês, mas traduziu para mim.
Eu também o abracei e disse em bom espanhol: "No me olvides". Ele deu-me outro abraço e disse que jamais o faria.

SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA

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