quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

PARA SER POETA

Para ser poeta é preciso
ter os olhos da alma
sempre abertos.

Eles devem ser muito,
muito,
MUITO atentos.

Devem prestar atenção
ATÉ na saudade
da folha que cai da árvore.

E deve perceber
se a manhã
está gripada...

Para ser poeta é indispensável
não esquecer dos chinelos
das nuvens.

E deve ser muito,
muito, muito, muito
simples, com as palavras...

E tem que ser muito,
muito, muito, muito
vaidoso, com as palavras...

Para ser poeta, em verdade,
é necessário ter um coração
bem camarada de tudo.

Um coração bem amoroso com tudo.
Um coração bem inquieto com tudo.
Um coração bem saudoso de tudo...

E você sabe: um coração (apenas)
é pouco...
Às vezes, não dá conta...

Por isso o poeta às vezes dá pane.
Dá pane mesmo!
Às vezes passa tempos em pane...

Mas aí, eis que alguma palavra
o desenterra do vão da dor,
e ele renasce com outra visão.

Para ser poeta, "sê inteiro"...
E isso, se você quiser,
se o pipoqueiro quiser,
se a moça da locadora quiser,
se o motorista de ônibus quiser,
se o rapaz que vende coco na praia quiser,
se a menina que pinta as unhas quiser,
se o cobrador quiser,
se a assistente de professora quiser,
se o limpador de vidros quiser,
se o dono do Posto quiser,
se a professora do nível um quiser,
se a professora universitária quiser,
se qualquer um quiser,
(até eu)
e isso, todo mundo pode ser!

SOLINEIDE MARIA DE OLIVEIRA

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