terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Confissões

O cansaço da vida nem tanto, mas me abate a sensação de incapacidade.
Chega perto de mim, roça meu cangote...
Olho para os lados para ver se alguém viu. Acho que não.
Acho que ninguém viu que fquei com medo.
A vida me pedindo determinadas decisões,
eu pedindo prazo...
A maternidade exigindo de mim o que não sei se tenho...
Ser mãe é difífil... E solitária então...
Mãe solteira, então...
Essa minha voz em tom menor
semrpe...
Queria uma voz de trovão,
um corpo de mulata (dessas tipo exportação)
queria "uma licença de dormir"...
Às vezes qeuria acordar e ouvir qualquer música,
ler qualquer coisa,
achar tudo ótimo,
não reclamar das notícias tendenciosas,
ir para praia e tomar cerveja,
ser feliz na bobagem...
Mas li Drummond e me casei com seu estilo.
Mas li João Cabral de Melo Neto e silenciei.
Li Cecília Meireles e emudeci.
Li Adélia Prado e fiquei sem palavras.
Li Clarice Lispector e fiquei em catarse.
Li RILKE e não sei mais nada...
Fico pensando que deve ser bom chegar,
primeiro, com o corpo.
Depois chegar com a voz (alta!).
Depois, já colocada, falar alguma coisa.
Eu tenho que chegar primeiro com a palavra.
A palavra é meu estandarte. Minha saia de renda.
Minha bata de seda. Meu anel de cristal.
Minha maquiagem da moda.
A palavra é minha salvação
e perdição.
A palavra é minha bolsa de luxo,
meu sapato Arezzo,
meu óculos de grife,
minhas mãos esmaltadas,
meu cabelo arrumado...
A palavra que nem sei se sei usar,
é que me salvaguarda.
E a sensação de incapacidade me acompanha,
toda vez que chego perto das palavras...

2 comentários:

  1. Sol... sempre lindos escritos brotam de suas mãos...

    ResponderExcluir
  2. Querida amiga,
    Sua voz ressoa das entranhas da sua alma feminina...mistura de fragilidade e força exposta...docilidade e intrepidez...maciez e garra...
    Saudades. Feliz Natal!
    Genny

    ResponderExcluir