domingo, 23 de maio de 2010

Do mundo, das gentes e de nada...

Não tem sentido este mundo
Tudo o que há são interpretações
Do que seria um
Sentido qualquer.

Estes sentidos todos
Reunidos,
Não daria um sentido
Interessante.

É tudo tão mesquinho,
Tão poucamente instruído
Para algo maior
Menos panorâmicas.

Dona Bizé tava certa:
Gente não é gente comadre!
Esbravejada na mesa
Tomando café.

Eu, ainda pequena,
Achava aquilo uma tonteira.
Velha mais besta (pensava)
Essa dona Bizé.

Fui crescendo e a visita
De Dona Bizé sumiu.
Morreu, acho.
Não sei dia, nem ano.

Minha mãe ficou repetindo
A sandice de Dona Bizé
De vez em quando:
Gente não é gente...

Que bobajada meu Deus
Agora é minha mãe.
Vive repetindo essa
Tonteira, daquela velha abestada.

A família já não era mais
Aquele monte de criança no terreiro
Eu crescendo
Todos se afastando...

Gente é assim,
Afasta-se uns dos outros
Quando cresce...
Desleixa de amar, eu acho...

Minha irmã mais querida
Morreu afogada na cisterna.
Comecei a sentir
Dores de gente grande.

Comecei a entender
Que às vezes a gente sofre,
Que às vezes quer morrer,
Que às vezes quer sumir.

Tudo assim de uma vez só
Às vezes, a gente sente.
Coisa doida na?
Sei lá!

E as gentes que eu gostava
Tudo mudando.
O mais velho,
Virou um homem grosso.

O outro,
Um pedaço de cancela...
Meu pai, meu Deus, broco.
Minha mãe morreu tão nova...

Eu aí fui entender,
O ditado da velha Bizé:
Gente não é gente
Ela sim que estava certa.

Ela já entendia que o mundo
Sentido mesmo
Não tem.
A gente que cria.

E nem é lá “o sentido”...
E gente, é tudo um monte
De coisas muito
Misteriosas...

Às vezes nem são
Gente.
Como acertou velha Bizé.
Às vezes tem gente porta...

Gente que não existe
Mesmo que passe por nós,
E que ande e
Que estude...

Tem muita gente que parece
Existir.
Outras nem se dão ao trabalho
Da falsa aparência de ser gente.

Coisa esquisita este mundo.
Tem gente que nem tem
Como eu descrever.
Nosso Senhor rogue por nós!

Nossa Senhora rogue por essa gente,
Que acha que é gente,
Que pensa que pensa,
Que se diz admirável.

Este mundo é uma piada...
Parece mesmo que existe,
Mas é ilusão de ser.
Mundo mesmo é outra coisa.

Parece que sei alguma coisa.
Qual nada.
Queria saber. Nem sei...
Será? Sei lá!

PARA MINHA MÃE.

Solineide Maria
13h01min
23-05-2010

Um comentário:

  1. Há muito tempo o mundo tão tecnologizado e informatizado e cientifico deixou de produzir gente, hj se produz seres e monstros que habitam o planeta. Bem falava dona Bizé as vezes gente não é gente, torna-se monstros.
    Beijos SOLI.

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