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Saudade de Drummond

Jung estava conosco, comigo e Drummond, numa sala grande. Paredes inundadas de quadros de todos os gêneros de pintura. Muitas esculturas nacionais e internacionais (estávamos em Luanda). Jung passava por nós (por mim e Carlos Drummond) e acenava com seu cachimbo. O poeta me diz mais baixinho do que o normal que "fumar cachimbo também faz mal à saúde". Nós se riamos... Depois começava a contar sobre as ideias que tenho atualmente sobre minha escrita e produção de escrita. Drummond me abraçou e disse que tudo vai dar certo. Eu caí num choro imenso. Fiquei chorando no ombro de Drummond por uns cinco minutos.  Depois, aos poucos, me recompus . Aos poucos, enquanto ele recitava os versos do seu poema mais recente. Levantamos e ele propôs um café, assenti. Saímos dali para uma lancheta e conversamos muitos, sobre tudo, sobretudo, sobre todas as coisas. Perguntei de quem era aquela lancheta e ele disse que ali tudo era de todos, que pertencer era maravilhoso, então tudo ali pert...

SOU TUPINAMBÁ.

Todo mundo tem um segredo, o meu é de domínio público. Tenho um jeito calado fruto dos poemas mais solitários e tristonhos. Talvez seja herança dos poetas mais herméticos, ou, por outra via, talvez seja apenas herança das questões que a sociedade foi instalando em mim (nós), essas questões físicas ou de status. Minha voz, sempre pequena, ninguém ouve (nem quer ouvir), apenas os que por mim tem algum apreço (qualquer apreço). Minhas opiniões sempre bem expostas por outras pessoas, e eu que tinha acabado de discorrer sobre o tema, não recebo nenhuma atenção. Mas deixo ao destino... E a solidão por dentro a se dizer e se escrever. Nesse sentido os poemas são bem bonitos, mas as gavetas é que se fartam. Você precisa fazer assim, fazer assado. Você não tem proatividade, olha... cuidado... você isso, você aquilo. Sempre me dei com os que se vestem fora dos padrões. Sempre gostei dos que não vão aos salões de beleza e sempre, SEMPRE, senti esse desprezo da "sociedade" por me ves...

Caetano Veloso - Uns

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GONGA Concerto Massemba Jazz 4 anos

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Late Night Feeler - If You Close Your Eyes I'm Still With You

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Máquinas não sonham nem comem

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A máquina veio e revirou a terra onde a mamã concebeu uma bela plantação para o sustento de sua família. A máquina revirou tudo e foi-se embora... Não fez nada além disso, não era para limpar a terra, não era para arranjar o esgoto da escola há mais de dois anos a céu aberto. Não foi para nada. Apenas revirou e destruiu a lavoura da mamã. Hoje ela chegou e viu sua plantação revirada, sem força e sem o verde habitual da hora da colheita. Ficou por trinta minutos ali parada, talvez mais, já que por respeito não fiquei para ver seu choro. Ficou ali parada, sem pensar ou pior, talvez pensando: "E agora? O que vou colher de agora em diante?" Com a enxada em punho, ajeitou um pé de mamão atropelado pela máquina e catou os frutos ainda verdes, talvez sirva para um cortadinho... Ela ajeitou também uma das touceiras de pé de Capim Santo (aqui chamam de Caxinde) e quedou-se a olhar ao redor com a enxada a contrabalançar o corpo. Fui ter com os meus papeis, também sem ter o que c...

"MADURIDADE"

Velhos papeis com palavras que aspiravam virar versos. Cartas respondidas, algumas sem nenhuma lógica... Muitas com lógica em demasia. Quais dos amigos (as) ganhou em número? Quantos (as), em qualidade? Que bobagem, a carta, mesmo lacrada, já trazia imenso valor. Ainda naquele momento, tantos anos depois, valeu ler novamente. Pedaços de giz, alguns lápis pequenos,toco de lápis, botões, botões, botões (rsrs). Para que tantos botões? Não há vestígio de memória de que construí fortuna a vender botões e depois perdi... Nem artesanato fiz... (rsrs) Canetas coloridas, já esvaziadas com os lacres intactos... Deve ter sido algum espírito escritor (a) que compôs os poemas que não detectei... Muitas fitas de cetim, estas, lembro perfeitamente, foram usadas por Flora infante... Deu para vê-la a dizer: Aamarra mais forte minha mãe, para não cair na hora do Recreio." Cartões de Natal, cartões de Natal... Muitos cartões de Natal! O que é Natal? Uma voz perguntou-me à consciência... A campa...